"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

segunda-feira, 23 de março de 2009

In the twittersphere




Who are they talking to? No one and everyone.

sábado, 21 de março de 2009

Obsessões familiares

Rock-band worship is nothing new, of course, but the relationship between Darnielle and his fans has its own special hue. This is not the mass, global adulation of arena bands like U2. Nor is it fandom as lifestyle as practiced by Dead Heads. It’s the confessional-indie-troubador-and-his-flock-of-disciples model of Nick Drake, the Smiths, and Rufus Wainwright. Like those musicians and their tribes, Darnielle and his acolytes share an unusually intimate, and often pained, bond. Mountain Goats fans tend to have an air of sadness about them, and because Darnielle sings so openly and candidly about his own difficulties, he connects with his audience on a level that few artists are able to reach (the band is called the Mountain Goats, plural, but the group—and the fuss over them—is entirely about Darnielle). Darnielle sings about what his fans feel but can’t articulate. He’s their hero, but he’s also their soulmate, the one person in the world who understands them. That’s why Stephen Wesley and the legions of fans like him can’t get enough of the Mountain Goats. And that burden is crushing Darnielle.
De um artigo que conta, entre o cândido e o divertido, o dia em que um jovem fã (um bible freak) conhece John Darnielle. Para ler aqui.


(link do video para browsers manientos).

sexta-feira, 20 de março de 2009

Coisas que me espantam

Que, pelo menos, uma equipa de “criativos”, um actor, uma jornalista, um director criativo numa agência, responsáveis numa agência de meios, chefias intermédias e administradores de uma empresa pública tenham participado no processo que produziu o vídeo de que se fala e que ninguém tenha tido um – ainda que ligeiro – assomo de indignação democrática. Mostra bem como o que nos separa da cultura anti-democrática é uma pequena película. Tão pequena que temos dificuldade em vê-la.

imagens que impõem respeito



hoje num almoço promovido pelo embaixador alex ellis (cujo bife mal passado deve ser lido aqui), a propósito do london summit, carlos tavares mostrou este gráfico. se acharmos que deve haver algum tipo de relação entre cotação das acções e resultados das empresas, vejam bem o que ainda há para ajustar.

clima anti-sindical


o modo como se tem instalado um clima anti-sindical na sociedade portuguesa é mais um passo para a degradação da democracia portuguesa. é também mais um daqueles casos em que ninguém está isento de culpas: os sindicatos que se foram acantonando numa mobilização política, o governo que se colocou na situação paradoxal de ter assinado alguns dos acordos de concertação mais importantes desde que há concertação institucionalizada (à cabeça o sobre o s.m.n), ao mesmo tempo que foi ajudando, com uma retórica desajustada, a dar poder a quem nos sindicatos desvaloriza a negociação e prefere a confrontação política. mas que dizer quando uma rádio pública se lembra de fazer este anúncio?
(gosto de defender o serviço público de rádio e televisão, mas convém que o serviço público ajude os seus defensores. fazer desaparecer este triste anúncio talvez fosse um bom contributo)

quinta-feira, 19 de março de 2009

summer of love na finlândia


a crer no youtube, este vídeo é de 1981 e não há dúvida que é no verão. fazia pouco tempo que o ian curtis havia morrido (e esta música é para ele) e talvez ainda menos desde que o bruce mitchell havia passado a somar ao vini reilly, alargando para dois a formação dos durutti. não menos importante, o lc tinha acabado de ser lançado. há aquela velha pergunta, bem liceal, sobre quem é o melhor guitarrista do mundo: a resposta está neste vídeo, que serve também para lembrar que “baterista também é músico”. basta, aliás, ver o bruce mitchell possuído para também sobre isso não ficarem dúvidas. tudo o que se passa a partir do minuto cinco talvez só seja ultrapassado pelo espanto dos finlandeses com a luz que por lá escasseia.

Watch with obsession
Some accident of beauty
Try to capture
As the light begins to fail
Shapes to compose
Shadows of frailty
The dream is better
Dissolves into softness
But the end
The end is always the same

quarta-feira, 18 de março de 2009

a devida vénia



a quem anunciou este blog: o miguel marujo, o bernardo pires de lima, o paulo pinto mascarenhas, o joão morgado fernandes, o miguel abrantes (que, posso garantir, existe mesmo e que me colocou um peso sobre os ombros ao falar da natalia ginzburg, a quem roubei o título do blog), a mariana trigo pereira, o pedro marques lopes, o francisco mendes da silva, que eu já suspeitava iria reagir ao ataque aos oasis, o josé reis santos, o carlos teixeira, o pedro soares lourenço, o nuno ramos de almeida, o nuno miguel guedes, o vitor reis m., o bloom, a charlotte, o nuno costa santos, o francisco josé viegas, o pedro correia, o filipe nunes vicente, a ana matos pires, o tiago moreira ramalho, o paulo pedroso, o joão severino, luís serpa, o paulo amaral, a marina costa lobo, o osvaldo castro e, claro, o pedro arruda, amigo de sempre (acho que já podemos dizer isto) e de outras ondas, e a quem devo este template.

ainda as desigualdades

partilho com o Rui Tavares, como ele escreve hoje no Público, a ideia de que “a desigualdade não é apenas um efeito, mas uma causa do nosso atraso, e vai ser preciso repeti-lo enquanto formos desiguais e atrasados. Que no nosso caso vai dar ao mesmo.” O problema é que de cada vez que se traz o tema para o topo da agenda política e ao mesmo tempo não se valoriza a dinâmica dos indicadores, está-se a desvalorizar o papel das políticas públicas no combate às desigualdades e, não menos importante, a secundarizar o que ainda assim já mudou em Portugal nos últimos anos. Que as nossas desigualdades são muito elevadas é sabido e deve ser motivo de prioridade política, mas, ainda que sendo tentador, é errado dizer que têm aumentado (o que se ouve sistematicamente por aí) e factualmente falso que, como escreve o Rui, os 20% mais ricos em Portugal tenham 8 vezes o rendimento dos 20% mais pobres. O último valor conhecido é de 6.5 para rendimentos de 2006, o que aliás revela uma ligeira redução por relação aos 6.8 de 2005. Não vejo como será possível criar uma coligação política e social robusta em torno desta questão enquanto se continuar a tratar mal os dados e a desvalorizar as políticas que já existem. Duas coisas que tendem a andar de mão dada.

terça-feira, 17 de março de 2009

1,2,3,1,2,3 (revisited)



recebi várias queixas de que o video dos Mountain Goats com que começava este blog não era visível com alguns browsers. foi por causa desta música que comecei este blog, sigam por isso o link.

de uma casa de banho de Brooklyn



estes rapazes não fazem nada de particularmente inovador. Eu sei bem onde ouvi tudo isto aí há uns 15 anos, talvez um pouco mais. Mas quando o Kevin Shields anda há demasiado tempo em busca do microfone perfeito ou da conjugação de pedais para fazer o wall of sound que ninguém mais conseguirá repetir, quando o Neil Halstead escolheu a via fácil (e justa) das baladas e do surf e quando o Mark Gardener está desaparecido em parte incerta e o Andy Bell se arrasta como baixista de uma banda de covers de si mesma, é entusiasmante voltar a ouvir shoe-gazing como o que se fazia antigamente. Chamam-se The Pains of Being Pure at Heart.

Portugal para os portugueses

A drª Ferreira Leite queixou-se que ninguém lhe dá ouvidos. Convenhamos que é verdade, o problema é que isso tem trazido vantagens ao PSD. Foi assim no pós-congresso, quando imperava a estratégia do silêncio e quando, ainda assim, o pouco que era dito era levado a sério. O problema agora é outro: já não há silêncio, mas este foi compensado pela irrelevância da palavra. Não fora este o caso, o “País” tinha passado o dia a discutir o investimento público como saída para a crise, “desde que feito com mão de obra nacional” (sic).

paradoxos sindicais

(...) convém perceber que a contestação a que assistimos, sendo resultado imediato da crise económica e social, tem raízes bem mais profundas. Entre estas, a convergência entre o acantonamento de tutela política da CGTP e o desenvolvimento de um clima anti-sindical, em parte fruto de uma confrangedora ausência de estratégia sobre o papel dos sindicatos em Portugal da parte do PS. Na verdade, nada de significativo está a mudar no mundo sindical português. Estão sim a cristalizar-se tendências de trinta anos que limitam a busca de soluções negociadas para a regulação da economia política portuguesa.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quando a realidade do cinema ultrapassa o cinema

Na realidade sabia que o que acontece nestes primeiros 30 segundos não era possível, mas pensei que nem no cinema iria acontecer.

a política da verdade

Aqui há umas semanas, a Susana contava como as flores que haviam sido oferecidas diligentemente a José Sócrates no encerramento do Congresso do PS logo tinham sido recolhidas depois de devidamente acenadas. Será que o soutien que John Darnielle apanha enquanto vocifera aqui em baixo é também um momento encenado? Não sabemos, mas a espontaneidade precisa de uma boa dosagem de profissionalismo e, acima de tudo, convém garantir que nunca fica ninguém para observar o que se passa enquanto se desmonta o palco. As histórias não serão as mais edificantes. O soutien terá sido devolvido ou nem sequer tinha legítima proprietária?

1,2,3,1,2,3


(assinaláveis vantagens quando visto em modo ecrã inteiro)