"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A alegria do povo



Quem não se emociona com isto, não anda cá a fazer muita coisa.
(roubado ao Manel)
p.s.
espero muito do fruto da jovem rapariga que por ali se vê com o Kun Aguero.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Bons tempos para se estar vivo



"I used to be darker, then I got lighter, then I got dark again
Something to be seen was passing over and over me
Well it seemed like the routine case at first
With the death of the shadow came a lightness of verse
But the darkest of nights, in truth, still dazzles
And I wore myself until I'm frazzled"

Há desejos que não precisam de ser concretizados. Ao contrário do que sugere o título - Sometimes I wish we were an eagle -, o novo álbum de Bill Callahan é mesmo feito por uma águia (se bem que fique a dúvida sobre até onde se estende o plural). A música que nele se ouve paira alta, é contida e, olhando para as coisas à distância, confere-lhes perspectiva. À voz grave e às guitarras no sítio certo, junta-se desta vez o mais coerente conjunto de canções que Callahan alguma vez fez. Canções que ganham uma textura mais rica, agora que definitivamente o ex-Smog optou por arranjos com mais orquestrações e com um naipe de instrumentos mais diverso. John Darnielle, o líder dos Mountain Goats, escreveu no seu blog, a propósito deste disco, que "someday you will brag that you were around when stuff this good was being written". Convém não deixarmos passar muito tempo até esse momento, acrescentaria eu.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A classe média portuguesa

Frequentemente, quando se fala de classes médias em Portugal julgamos estar a falar de agregados com rendimentos em redor dos 2 mil euros mensais. Convém, no entanto, ter presente que a mediana salarial no sector privado encontra-se em redor dos 700 euros, ou seja, 50% da população portuguesa ganha até 700 euros (valor que aumenta se considerarmos o emprego no sector público). Ora são estas famílias que compõem o grosso da classe média. Para aliviar a sua situação material não podemos recorrer às políticas de protecção social, ao mesmo tempo que não podemos ficar à espera que o padrão de especialização da economia portuguesa se modernize o suficiente para permitir ganhos salariais significativos. Qual é o caminho que resta? Recorrer a instrumentos fiscais que redistribuam a favor das "famílias sanduíche", naturalmente retirando benefícios a quem tem rendimentos bem acima da mediana. Pode ser impopular dizê-lo, mas se nada for feito, estamos condenados a ter um conjunto crescente de famílias para as quais a ausência de expectativas sociais se transformará inevitavelmente numa desafectação face ao sistema político.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

sábado, 18 de julho de 2009

É fazer as contas

Os 14 redactores do documento provêem de diversas áreas (economia, universidade e cultura) e assumem-se como independentes. São eles: Ana Luísa Amaral, Ana Maria Pereirinha, António Pinto Ribeiro, Clara Macedo Cabral, Isabel Allegro de Magalhães, Isabel Hub Faria, Jean Barrocas, Joana Rigatto, João Ferreira do Amaral, João Sedas Nunes, Laura Ferreira dos Santos, Luís Filipe Rocha, Luís Moita, Luís Mourão, Margarida Gil, Maria do Céu Tostão, Maria Eduarda Gonçalves, Maria Helena Mira Mateus, Maria Manuela Silva, Mário Murteira, Mário Ruivo, Miguel Caetano, Philipp Barnstorf, Teresa Pizarro Beleza e Soromenho Marques.
Do Público online.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dilemas insuperáveis

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quem é afinal da classe média?

O Francisco José Viegas insurge-se aqui contra a prioridade que o PS pretende dar às classes médias no próximo programa eleitoral. Para ele, mais do que qualquer tipo de apoio, a classe média caracteriza-se por "querer que a deixem em paz – e que, por favor, não se ocupem dos seus interesses. Basta que não atrapalhem." Quando leio estas afirmações, fico sempre com a sensação de que anda tudo a falar de classes médias diferentes e que a classe média está para as prioridades políticas como o liberalismo para os princípios. Todos se declaram liberais, do mesmo modo que todos querem ajudar a classe média. O problema é quando se tem de passar dos posts à prática. Talvez a melhor forma de definir classe média acabe por ser através dos rendimentos e o problema em Portugal - como aliás mostram os dados do INE publicados ontem - já não são essencialmente (sublinhe-se o essencialmente) as formas mais severas de pobreza, que têm hoje já um conjunto de respostas, mais ou menos eficazes, mas que produzem resultados. O problema é mesmo que o salário mediano no sector privado está em redor dos 700 euros, ou seja, 50% da população portuguesa ganha até 700 euros (suspeito que o emprego no sector público faça subir ligeiramente o valor da mediana). Imagino que seja isto a classe média, a maioria dos portugueses que já não é abrangida por mecanismos de protecção social, mas que trabalha e tem salários muito baixos. Talvez valha a pena perguntar a estes portugueses se foram assolados por uma pandemia liberal e se não querem ser atrapalhados por políticas públicas que perturbem a sua paz. A paz de quem vive, note-se, com 700 euros por mês.
(a propósito do diferencial salarial entre sector privado e público, acabei de encontrar esta notícia de hoje).

Léxico familiar

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ter quinze anos


A partir das onze horas de Lisboa, vou estar aqui, de novo com quinze anos e pronto para assistir ao desempate. Que ganhem os dois.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Excesso de licenciados?

para quem investiu numa licenciatura, o desemprego ou um emprego desajustado às suas qualificações gere um sério problema de gestão de expectativas. Ainda assim, por muito que isso frustre as expectativas dos próprios, colectivamente temos a ganhar se mesmo profissões que tradicionalmente não requerem licenciaturas forem desempenhadas por licenciados. É uma situação difícil de gerir para quem a vive, mas, por exemplo, um taxista licenciado em direito desempenhará melhor a sua profissão do que um taxista com problemas de literacia ou incapacidade de falar línguas estrangeiras e ter uma licenciatura ajudará, certamente, a que tenha expectativas realistas de mobilidade profissional. O problema não é haver muitos juristas, é continuarmos a pensar que todos os juristas vão ser advogados ou juízes.

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O exemplo da Fiorentina



Há uns anos, assisti ao que pensava ser um processo improvável. A Fiorentina acabou como clube de futebol, entrou em insolvência e foi afastada dos campeonatos profissionais. Ao mesmo tempo, era criado um novo clube, com outro nome, mas que começava a competir desde as primeiras divisões regionais. Uns anos passados, a Fiorentina refundada está de regresso à série A e voltou a ser uma das “sette sorelle” que dominam o futebol italiano. Ou seja, há certas alturas em que o melhor que as instituições podem fazer mesmo é refundarem-se. Começarem tudo de novo. Quando leio notícias sobre o triângulo entre o PS nacional, o PS Porto e a candidata Elisa Ferreira, fico sempre com a sensação que o melhor que havia a fazer era reconhecer a situação de insolvência e começar de novo. Todos, militantes e independentes.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Prioridades


Ricardo, falar com o Amarante? Para cumprir a profecia do poeta que citas, não teria sido mais compreensível se tivesses ido ter com esta rapariga?

terça-feira, 7 de julho de 2009

A telescola ao contrário

Hoje o i tem uma entrevista onde Filomena Mónica revela as preciosidades do costume. A Ler deste mês tem uma excelente entrevista a Vasco Pulido Valente, que está naturalmente a anos luz da de Filomena Mónica. Contudo, ficamos a saber que ambos partilham uma característica: não saem de casa e não escondem a misantropia, que só pode coexistir com um desconhecimento profundo da vida das pessoas que existem mesmo, fora do saber livresco. Para quem gosta tanto de glosar, de modo aparentemente sofisticado, a expressão “isto só em Portugal”, é caso para dizer mesmo: só em Portugal é que é possível fazer carreira académica e, mais relevante, surgir como eminência intelectual, ao mesmo tempo que se faz gala em afirmar que se desconhece a realidade. Não há mal nenhum na misantropia, e até há boas razões para a atitude, mas a misantropia limita também a possibilidade de falar com propriedade do que de facto se passa e existe “à volta”. Depois, fico sempre com uma dúvida: não é no mínimo estranho que quem tem responsabilidades académicas em instituições públicas se vanglorie de estar sempre em casa? Estamos perante uma telescola ao contrário, onde são os alunos que estão na escola e os professores em casa? Ou contactar com alunos, orientá-los e dar aulas deixou de fazer parte das exigências de uma carreira académica, mesmo que de investigador emérito?

Aumentar impostos

Em Portugal, estamos abaixo da média europeia em carga fiscal, no entanto, temos um nível de desigualdades que nos envergonha colectivamente. E a verdade é que são os países com uma maior carga fiscal, mas, também, com maior progressividade nos seus sistemas fiscais, aqueles onde as desigualdades são menores. Seremos capazes de romper este bloqueio? Aparentemente não, já que vivemos armadilhados numa teia onde os políticos temem falar dos impostos como instrumento de promoção de justiça social. Ora, conjuntamente com as políticas de mínimos sociais, a utilização do sistema fiscal é uma das formas mais eficazes de compensar desigualdades de rendimentos excessivas, formadas no mercado.

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

I've a dream



Tenho uma secreta esperança que esta malta do Crawdaddy reúna todos estes vídeos do concerto dos Mountain Goats e os edite num DVD que depois encimará as tabelas de vendas da Amazon.

O calendário

Com eleições separadas apenas por duas semanas, seria difícil de compreender que os partidos apresentassem o mesmo candidato a dois cargos. Se assim acontecesse, seria a própria possibilidade de vitória dos “candidatos-duplos” que estaria posta em causa. Mas esta decisão do PS é duplamente tardia: em primeiro lugar porque, efectivamente, muda as regras a meio do jogo (apesar de a nova regra fazer todo o sentido); depois porque revela, mais uma vez, que os partidos ou desconheciam os calendários eleitorais ou não são capazes de antecipar problemas. Este episódio das duplas candidaturas é apenas mais um, a somar por exemplo ao facto de se prepararem para apresentar os programas eleitorais no final de Julho (neste aspecto o caso do PSD é manifestamente mais gritante, pois nada se sabe quanto ao programa, o que não sucede no do PS – onde pelo menos desde o último congresso são conhecidas algumas prioridades programáticas).

O provedor

"O provedor interroga-se sobre se a falha relatada por José Manuel Fernandes não terá sido potenciada por falta de “vontade política”, isto é, aconteceu com o manifesto dos 51 mas nunca aconteceria com o dos 28. E isso diz do grau de empenho do jornal numa notícia e na outra, ou seja, da opinião que, sem o declarar, o PÚBLICO expressa sobre os manifestos."
vale mesmo a pena ler o texto de Joaquim Vieira, provedor do Público.

Contraditório


ponto


e contraponto.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

dying is fine, but Death o baby.



No campeonato de bandas de betos com inclinação freak do estado de Nova Iorque, os Ra Ra Riot não perdem por muito para os seus primos chegados Vampire Weekend (aliás, se pensarmos na importância do violoncelo, até ficam manifestamente a ganhar). Aliás, uma das coisas que me ultrapassou no ano passado, foi o hype em torno dos segundos quando comparado com a clandestinidade em que viveu Rhumb Line, dos primeiros. Este Dying is fine - que parte de um poema do e.e. cummings - é uma música do caraças, boa para ouvir no Ipod em viagens de metro.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Maizena

Apesar dos estragos já estarem feitos, espero que o dr. Manuel Pinho tenha o bom senso de se demitir.


A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.


Sophia de Mello Breyner Andersen (6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004)