terça-feira, 29 de setembro de 2009
Tempos sombrios
O novo parlamento cria um contexto que desresponsabiliza individualmente os partidos de esquerda, que não se sentirão pressionados para contribuir, cada um por si, para a governabilidade; e representa uma ameaça para o PS, se optar por procurar o apoio à direita. Como, aliás, revelam os resultados eleitorais na Alemanha, quando o centro-esquerda se alia à direita, as perdas eleitorais à esquerda tornam-se inevitáveis. Esta assimetria nas relações do PS com a direita e com a esquerda num parlamento com clara inclinação à esquerda, colocará, paradoxalmente, dilemas políticos de difícil superação. Ficámos com um parlamento onde todos ganharam, mas onde a soma das vitórias parciais pouco contribui para a governabilidade e para responder aos problemas do país.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Lucy in the sky
Morreu Lucy O'Donnel, aka the girl with kaleidoscope eyes, a colega de Julian Lennon que, contra todas as especulações, inspirou de facto o pai John.
Dilemas
Se tivessem de escolher entre este original
e este cover
o que é que faziam? (tendo conhecido primeiro o cover e só depois o original e sendo também uma escolha entre um tipo com uma camisa e um ar decentes e uma mulher incrivelmente bonita)
atenção que o assunto é sério.
e este cover
o que é que faziam? (tendo conhecido primeiro o cover e só depois o original e sendo também uma escolha entre um tipo com uma camisa e um ar decentes e uma mulher incrivelmente bonita)
atenção que o assunto é sério.
sábado, 26 de setembro de 2009
Mais realistas que os realistas

“Eu, pessoalmente, queimaria todos os livros israelitas que encontrasse numa biblioteca”. A declaração é de Farouk Hosny, Ministro da Cultura do Egípcio há mais de vinte anos, conhecido pelo seu sólido curriculum de declarações anti-semitas, actos censórios e atentados aos direitos das mulheres. O poeta alemão Heinrich Heine escreveu que “onde se queimam livros, acabará por se queimar pessoas”. A história, infelizmente, foi-lhe sempre dando razão.
E não é possível não recordar a história quando o Governo português apoia Farouk Hosny para Director-Geral da Unesco. O embaixador português na UNESCO, Manuel Maria Carrilho recusou-se a acatar a decisão do Palácio das Necessidades, tendo sido substituído na votação por um diplomata de carreira. No fim, ironia do destino, o candidato egípcio, contra as expectativas, acabaria por ser derrotado pela candidata búlgara. Claro que a culpa da derrota foi das forças sionistas.
Do pouco que se sabe, o voto português teria como troca o apoio egípcio à candidatura de Portugal a um lugar não-permanente no conselho de segurança da ONU para o biénio 2011-2012. Não sei se será exactamente assim, mas o que sei é que a diplomacia portuguesa revela sempre uma incansável tendência para ser mais realista que os realistas. Sofremos do síndrome dos bons alunos, mas sem benefícios e à custa de princípios inegociáveis. E se há alguma coisa inegociável é não tolerar quem pondera queimar livros.
publicado no i.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
yes, you can call me anything you want
Humbug dos Arctic Monkeys não precisava de ter mais nenhuma música para além de Cornerstone para ser um grande álbum. E tem muitas grandes músicas para além de Cornerstone.
É da natureza dele
Quando se candidatou à Presidência, Cavaco Silva fez da cooperação estratégica o alfa e o ómega do que seria o seu papel em Belém. Hoje, é claro que, enquanto o PSD teve lideranças nas quais Cavaco Silva não se revia, a acção de Belém foi de facto instrumental na capacitação do Governo para levar a cabo políticas estratégicas para o País. Mas, uma vez resolvida a questão interna do PSD, a natureza táctica da cooperação saltou à vista.
O problema de Ferreira Leite é que, como aliás aconteceu no passado, quando os Presidentes procuram tutelar o seu espaço político, os resultados não são famosos. Naturalmente que ninguém esperaria que se chegasse tão longe, ao ponto de, aparentemente, se ter tentado, com a conivência ou não de Cavaco, não se sabe, um ‘putsch’ por meios mediáticos.
A meio da semana, quando o que restava era compensar os danos colaterais da demissão de Fernando Lima, Pacheco Pereira apelou a que Cavaco dissesse tudo o que tinha a dizer sobre o tema. Fazia sentido: era a única saída viável para a posição em que o PSD se colocou ao focar a campanha na verdade, quando o que preocupa os portugueses são as questões económicas e sociais.
O apelo, contudo, embateu num obstáculo. Cavaco Silva, com o seu característico realismo, já estava a pensar em segunda-feira. Deixou cair Fernando Lima, como havia deixado cair Fernando Nogueira e, pelo meio, foi Ferreira Leite que ficou sem discurso e sem campanha.
publicado no i.
O problema de Ferreira Leite é que, como aliás aconteceu no passado, quando os Presidentes procuram tutelar o seu espaço político, os resultados não são famosos. Naturalmente que ninguém esperaria que se chegasse tão longe, ao ponto de, aparentemente, se ter tentado, com a conivência ou não de Cavaco, não se sabe, um ‘putsch’ por meios mediáticos.
A meio da semana, quando o que restava era compensar os danos colaterais da demissão de Fernando Lima, Pacheco Pereira apelou a que Cavaco dissesse tudo o que tinha a dizer sobre o tema. Fazia sentido: era a única saída viável para a posição em que o PSD se colocou ao focar a campanha na verdade, quando o que preocupa os portugueses são as questões económicas e sociais.
O apelo, contudo, embateu num obstáculo. Cavaco Silva, com o seu característico realismo, já estava a pensar em segunda-feira. Deixou cair Fernando Lima, como havia deixado cair Fernando Nogueira e, pelo meio, foi Ferreira Leite que ficou sem discurso e sem campanha.
publicado no i.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
What's left
Nos sessenta anos, born to run no mítico concerto no hammersmith odeon. a primeira vez na Europa, com uns tenros 26 anos.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A dissolução
Cavaco Silva, depois de ter estado quatro dias em estado de negação perante o mais grave conflito institucional da história da democracia portuguesa, sacrificou o seu assessor e homem de confiança há largos anos. Será que é suficiente para apagar os estragos entretanto feitos?
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Expansão da procura externa

Hi Pedro
Due to overwhelming worldwide demand for the Beatles Box Sets we are waiting for our stock to arrive. We are expecting stock to arrive at the end of October and will keep you informed with any updates. We apologise for any inconvenience caused. If you have any questions then please don’t hesitate to contact our Customer Service.
Best regards
sábado, 19 de setembro de 2009
Uma conversa de merda
Sinceramente, já não há paciência para esta conversa de merda. Ontem, a drª Ferreira Leite, num dia em que as declarações delirantes se sucederam a um ritmo vertiginoso, vindas de vários lados, entre várias pérolas, disse isto: "Aquilo que o PS trouxe foi medo, medo. As pessoas têm medo. (...) Cada um de vós, tenho a certeza, se é funcionário público, se é professor, se trabalha num hospital, se tem amigos com quem costuma falar ao telefone, em todas as situações já disse: cuidado, que ninguém nos oiça, eu não te posso contar isto porque se calhar o meu telefone pode estar em escuta."
Há coisas que convém ser recordadas: enquanto estas afirmações assentam apenas num conjunto de suspeições, sem qualquer facto ou indício que as comprove (e por isso são, ao mesmo tempo, irresponsáveis e graves), houve de facto uma direcção partidária que comprovadamente esteve sob escuta. Dá-se o caso de ter sido do PS.
Há coisas que convém ser recordadas: enquanto estas afirmações assentam apenas num conjunto de suspeições, sem qualquer facto ou indício que as comprove (e por isso são, ao mesmo tempo, irresponsáveis e graves), houve de facto uma direcção partidária que comprovadamente esteve sob escuta. Dá-se o caso de ter sido do PS.
ai, ai, ai, ai, ai, ai, que não pode ser
Na sequência da publicação do email de Luciano Alvarez para Tolentino da Nóbrega pelo DN, muitos jornalistas têm-se indignado com a violação da correspondência privada entre dois jornalistas e a não protecção de uma fonte de outro jornal. A indignação faz todo o sentido, mas não deixa de ser curioso que seja a mesma classe profissional que quotidianamente viola a privacidade de um sem número de pessoas que agora se indigna. Não será apenas porque desta vez o "violado" foi um jornalista?
O ocaso no Verão
Em Agosto, a história parecia um caso de Verão, passageiro e equívoco. Quando Cavaco Silva disse que as escutas estavam a desviar as atenções do essencial, a declaração parecia sensata e desautorizava as fontes de Belém invocadas pelo Público. Passada a época das tontarias, no Domingo passado o Provedor do Leitor do Público revelou que as alegadas escutas não se baseavam em qualquer "indício palpável", para além "de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém". Mais, todas as informações recolhidas pelo correspondente do jornal na Madeira que contradiziam a fonte de Belém haviam sido ostensivamente ignoradas aquando da publicação das notícias. Entretanto, ontem, o DN revelava um e-mail onde se dá conta do modo como, alegadamente, um assessor de Cavaco plantou a notícia.
Tudo sugere que estamos perante um gravíssimo episódio de manipulação política do jornalismo e um acto institucionalmente inaceitável. Como é hábito, entre explicações delirantes, ninguém assume responsabilidades, mas as consequências são já claras: o que aparentava ser um caso tonto tornou-se no ocaso da superioridade moral de Cavaco Silva. Quando mais precisávamos de um Presidente capaz de contribuir para a solidez institucional, ajudando a formar um Governo sólido, que supere a inevitável fragmentação eleitoral, teremos um Presidente fragilizado na sua principal mais-valia: a credibilidade.
publicado no i.
Tudo sugere que estamos perante um gravíssimo episódio de manipulação política do jornalismo e um acto institucionalmente inaceitável. Como é hábito, entre explicações delirantes, ninguém assume responsabilidades, mas as consequências são já claras: o que aparentava ser um caso tonto tornou-se no ocaso da superioridade moral de Cavaco Silva. Quando mais precisávamos de um Presidente capaz de contribuir para a solidez institucional, ajudando a formar um Governo sólido, que supere a inevitável fragmentação eleitoral, teremos um Presidente fragilizado na sua principal mais-valia: a credibilidade.
publicado no i.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Homens em tempos sombrios

Gostar ou não de ciclismo é a prova definitiva para se saber se alguém gosta ou não de desporto. Quem nunca percebeu o prazer de passar uma tarde inteira em frente à televisão a ver o Marco Chagas, antes, ou a ouvir o Marco Chagas, agora, perde muito. Mas o ciclismo também não é um desporto para homens. Ninguém pode conseguir suportar tudo aquilo. Há doping no ciclismo, claro que há. Como poderia não haver. Hoje, ficou a saber-se que o Nuno Ribeiro tomou EPO. É uma merda, é o que é. Passei umas boas tardes de verão emocionado com a ligeireza com que ele pedalou este ano na volta, vencendo contra todas as expectativas, desde logo da sua própria equipa - que não o havia escolhido como chefe de fila. Mas a prova de que o ciclismo é mesmo um desporto de homens, foi hoje ver o Américo Silva - director desportivo da Liberty - a falar no noticiário da RTP (pode ser que alguém tenha a dignidade de colocar aquilo no youtube). Mesmo em tempos sombrios, no ciclismo encontram-se homens.
adenda: o Luís Caldas enviou-me o link para o noticiário da RTP. O Américo aparece por volta do minuto 29.
Partidos capturados
Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades. Como se vê pelos votos comprados no PSD, a asserção também é válida para os partidos políticos. Com a agravante de o assunto não ser apenas entre comadres, mas dizer respeito a todos.
Para um estranho à vida partidária, eleições internas não passam de acontecimentos menores, que tendem a decorrer em caves fechadas, distantes da realidade. Acontece que não é assim. Dificilmente se encontra melhor observatório do agravamento do fosso entre partidos e cidadãos.
Pagar quotas de terceiros é uma prática com lastro histórico. Mesmo com a introdução de pagamento feito directamente pelos militantes, continuam a persistir formas mais ou menos sofisticadas de generosidade interessada. Caciques locais que pagam em massa quotas de terceiros. O intuito é simples: quem paga tem o poder de decidir quem é militante, logo quem elege representantes nas estruturas partidárias.
Ora, esta generosidade tem várias consequências. Fecha os partidos à entrada de novos militantes e reproduz lógicas perversas de poder interno. Se há 100 militantes e estes são suficientes para manter uma determinada estrutura de poder, qual a razão para abrir a porta a novos militantes com autonomia? Depois, quem paga quotas é eleito e quem é eleito passa a ter recursos para pagar mais quotas e ainda dar uns bónus (25 ou 30 euros, ficámos a saber). Fica assim explicada a importância, para alguns, de estar nas listas de deputados.
publicado no i.
Para um estranho à vida partidária, eleições internas não passam de acontecimentos menores, que tendem a decorrer em caves fechadas, distantes da realidade. Acontece que não é assim. Dificilmente se encontra melhor observatório do agravamento do fosso entre partidos e cidadãos.
Pagar quotas de terceiros é uma prática com lastro histórico. Mesmo com a introdução de pagamento feito directamente pelos militantes, continuam a persistir formas mais ou menos sofisticadas de generosidade interessada. Caciques locais que pagam em massa quotas de terceiros. O intuito é simples: quem paga tem o poder de decidir quem é militante, logo quem elege representantes nas estruturas partidárias.
Ora, esta generosidade tem várias consequências. Fecha os partidos à entrada de novos militantes e reproduz lógicas perversas de poder interno. Se há 100 militantes e estes são suficientes para manter uma determinada estrutura de poder, qual a razão para abrir a porta a novos militantes com autonomia? Depois, quem paga quotas é eleito e quem é eleito passa a ter recursos para pagar mais quotas e ainda dar uns bónus (25 ou 30 euros, ficámos a saber). Fica assim explicada a importância, para alguns, de estar nas listas de deputados.
publicado no i.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Apoios e apoios
Hoje ficou a saber-se que Sócrates gostaria de contar com Moita Flores. Sorte tem o PSD que não conta com ele. Há apoios que subtraem.
A governabilidade na Europa
A maioria absoluta de um só partido está hoje afastada dos cenários eleitorais. Logo, voltámos a ser assolados pelo espectro da ingovernabilidade. O que não deixa de ser estranho, num país onde, por tudo e por nada, se recorre aos exemplos que vêm de fora. Ora, olhando para os 27 Estados-membros da U.E., os governos maioritários de um só partido são a excepção, a regra são as coligações.
É possível distinguir três tipos de governos na Europa a 27. As coligações entre vários partidos; governos minoritários; e, finalmente, os governos monocolores. Há, neste momento, na Europa, 17 governos que assentam em coligações entre partidos; 4 governos minoritários (que vão desde coligações minoritárias, de que são exemplo a Bulgária, a Dinamarca e a Estónia, até à Espanha, onde o PSOE não tem maioria absoluta, mas governa sozinho, negociando com partidos regionais); e finalmente 6 governos com maioria de um só partido. Nesta última categoria, Portugal e Chipre são claramente casos excepcionais (pois têm sistemas eleitorais proporcionais, pouco propensos à formação de maiorias absolutas), enquanto Reino Unido e França têm sistemas maioritários, a Grécia um bónus maioritário e Malta um sistema bipartidário de facto (só dois partidos elegem deputados).
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
É possível distinguir três tipos de governos na Europa a 27. As coligações entre vários partidos; governos minoritários; e, finalmente, os governos monocolores. Há, neste momento, na Europa, 17 governos que assentam em coligações entre partidos; 4 governos minoritários (que vão desde coligações minoritárias, de que são exemplo a Bulgária, a Dinamarca e a Estónia, até à Espanha, onde o PSOE não tem maioria absoluta, mas governa sozinho, negociando com partidos regionais); e finalmente 6 governos com maioria de um só partido. Nesta última categoria, Portugal e Chipre são claramente casos excepcionais (pois têm sistemas eleitorais proporcionais, pouco propensos à formação de maiorias absolutas), enquanto Reino Unido e França têm sistemas maioritários, a Grécia um bónus maioritário e Malta um sistema bipartidário de facto (só dois partidos elegem deputados).
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
He sounds like a grittier Sinatra.
It Came From Brooklyn: The Walkmen // In The New Year [Part 1 of 3] from Ray Concepcion on Vimeo.
Tenho por bom princípio nunca ler caixas de comentários - é uma forma de preservar relativamente intacta a minha inclinação para o optimismo antropológico -, mas na caixa de comentários da stereogum encontrei a mais justa definição das qualidades vocais de Hamilton Leithauser, o vocalista dos Walkmen. Por uma vez não foi o Dylan da fase eléctrica, mas com maior amplitude vocal, que foi evocado. Mas sim Sinatra. Vejam lá este video - esqueçam os maneirismos arty da câmara sempre em movimento - de um concerto da série "It Came From Brooklyn" no Museu Guggenheim e digam lá se não há ali qualquer coisa de Sinatra, mas com mais coragem.
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