"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O assador

Os artigos de Daniel Amaral são quase um óasis. O desta semana não é excepção.
"De crescimento económico sabemos que o biénio 2010-11 vai ser muito mau e o 2012-13 é uma incógnita. O melhor é não contarmos com isso. E a optimização da cobrança já deverá estar esgotada. Resta-nos o aumento de impostos: sim ou não? O cenário não é de excluir, mas penso que deverá ser o último a considerar. Os impostos já são de tal modo elevados que um eventual aumento seria um suicídio político.
A alternativa está no corte nas despesas. Recuperemos então a estrutura que deixámos lá atrás. Cortamos nos juros da dívida? É impossível. Aliás, estes juros ainda vão aumentar. Cortamos no investimento? Por Deus, não! Seria desistir de viver. Restam-nos três grupos de despesas: os salários, as pensões e as acções sociais. Querem fazer o favor de escolher? Eu recuso-me. Não consigo imaginar o choque que uma tal violência irá provocar no país."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Anteontem: Verão no Alentejo

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"Quem é ateu e viu milagres como eu"


foto tirada daqui, onde, aliás, há explicação.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Muito barulho para nada

Cinco anos passados, muita contestação depois e muito desgaste para as várias partes, os indícios de que a avaliação de professores regressará ao ponto onde se encontrava em 2005 são manifestos.
Se assim for, a conclusão só pode ser uma: muito barulho para nada.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

domingo, 22 de novembro de 2009

Assim se vê a força do PC

Aqui, Daniel Proença de Carvalho notava que "todos nós conhecemos os actores políticos, os seus percursos, as ideias que professam, os seus comportamentos políticos; e, muito importante, exercem o poder com base no voto popular, que é a regra da democracia. Que sabemos nós dos detentores do poder judiciário? Por onde andaram, que ideias políticas professam? E a pergunta fatal: qual a raiz do seu poder soberano? Com que legitimidade o exercem? Esta é a questão crucial com que, mais dia, menos dia, teremos de confrontar-nos."
Jerónimo de Sousa, como sempre acontece com o PC quando os temas são estes, nesta admirável declaração, dá um um contributo para a resposta: "seria muito grave que quaisquer formalismos legais determinassem a anulação definitiva de matéria de prova indispensável à descoberta de eventuais crimes".

sábado, 21 de novembro de 2009

A herança de Harper Lee


Já houve os Boo Radleys, mas há também a "Scout" Nibblet, como para mostrar que há felizmente por aí muitos herdeiros do To Kill a Mockingbird.

Ausência de caminho?

Desemprego acima dos 500 mil, dívida incontrolável e o défice voltou a ser excessivo. No horizonte, crescimentos medíocres do produto e, pelo menos até 2012, não há sinais de que o emprego recupere. Como se não bastasse, assim que se vislumbrar uma tímida retoma, regressará a pressão para a consolidação orçamental.

Não são bons tempos para se estar vivo - economicamente falando, claro. Mas uma coisa os últimos meses também nos disseram: o cenário poderia ter sido bem pior. As previsões feitas para a economia portuguesa têm sido sistematicamente revistas em alta. Sendo verdade que as estratégias anticíclicas revelaram alguma eficiência, foram também insuficientes. Moral da história: sem o pacote de estímulos, a recessão teria sido bem mais profunda e o desemprego ainda pior.

Foi quebrado o ciclo vicioso que nos ameaçava, mas os riscos estão longe de terem sido eliminados. Que fazer agora? Estamos perante um dilema dramático: não temos recursos para manter a economia alimentada pelo consumo público, mas não há condições para não o fazer.

Há três caminhos possíveis, todos muito exíguos: diminuir a despesa (sendo que a que resta é tremendamente rígida); aumentar impostos (não se vê quais) e estimular a economia, continuando a aumentar a despesa. Provavelmente, é preciso fazer de tudo um pouco. Mas também é necessário que nos libertemos dos que, enquanto se entretêm a repetir que o cenário é negro, não conseguem vislumbrar nenhum caminho.

publicado no i.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Exemplos



Em 1770, em Boston, os soldados britânicos dispararam sobre vários populares que se manifestavam contra a possibilidade de o parlamento britânico regular de facto as trocas comerciais e taxar as colónias da América do Norte. No que ficaria conhecido como "Massacre de Boston", morreram cinco civis. O episódio tem uma grande carga simbólica e costuma ser visto como tendo espoletado o processo que levou à declaração de independência dos EUA.

Há, contudo, outro lado da mesma história. Num clima de grande indignação popular, os soldados britânicos são levados a julgamento. Têm, contudo, dificuldade em encontrar quem os defenda. Acabam por conseguir que John Adams aceite ser seu advogado. Adams, que tinha assistido ao massacre, era um empenhado militante independentista, e viria a ser vice-presidente de George Washington, a quem sucederia como presidente.

Ao contrário de todos os outros advogados, que recusaram a defesa com medo que isso os descredibilizasse perante os seus compatriotas independentistas, Adams aceitou. Ao fazê-lo, pôs à frente do seu interesse político um princípio inegociável: o direito a uma justiça justa e isenta.

Este episódio é relatado numa notável série da HBO sobre John Adams, magnificamente interpretado por Paul Giamatti. É uma história exemplar e bem actual.

publicado no i.

Ladies and gentlemen, Mr. Leonard Cohen



durante uma semana, podem ver graciosamente este filme.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A propósito de claustrofobia democrática

Vale bem a pena ler o texto do Pedro Múrias, para se perceber que mais preocupante que a pressão que vem de fora para as redacções, são as condições em que se trabalha em muitas redacções.

Os primos de west-side park voltaram

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Beach House


Entre a praia e casa e entre casa e a praia, não paro de ouvir o novo dos Beach House. Violem umas quantas leis, façam download do disco e depois comprem quando sair em Janeiro. Eles bem merecem, e vocês também.

Espero que tenha sido tão bom para vocês como foi para mim

A pedido de duas famílias, aqui fica a lista de 20 canções que escolhi para a TSF. Critérios? Essencialmente dois: temas de que gosto há muitos anos e que continuo a gostar muito ainda hoje (ainda que por vezes por motivos diferentes) e outros de que suspeito vou continuar a gostar muito daqui a uns quantos anos. Peço especiais desculpas ao Chico Buarque, ao Caetano e ao Ian Curtis e aos outros três rapazes. Mas, infelizmente, não havia espaço para todos. Fica para a próxima. Para ouvir, clickar aqui.

The Beatles - I'm Only Sleeping 3:00 Revolver
Belle & Sebastian - We Rule The School 3:27 Tigermilk
Bill Callahan - Jim Cain 4:39 Sometimes I Wish We Were An Eagle
Bob Dylan - I Want You 3:07 Blonde on Blonde
Bon Iver - For Emma 3:41 For Emma, Forever Ago
Cowboy Junkies - Powderfinger 5:47 The Caution Horses
David Byrne - A Soft Seduction 3:01 Feelings
The Durutti Column - Tomorrow 4:04 Circuses and Bread
The Go-Betweens - Cattle And Cane 4:03 Before Hollywood
Jacques Brel - Le Plat Pays 2:45 Brel
João Gilberto - Este Seu Olhar 2:18 João Gilberto
John Cale - (I Keep A) Close Watch 2:32 Fragments Of A Rainy Season
Johnny Cash - If You Could Read My Mind 4:30 American V: A Hundred Highways
Lambchop - The Daily Growl 6:37 Is A Woman
Leonard Cohen - Stranger Song 5:06 The Songs Of Leonard Cohen
The Mountain Goats - No Children 2:46 Tallahassee
The National - Daughters Of The Soho Riots 3:59 Alligator
Paolo Conte - Genova Per Noi 2:54 Paolo Conte
The Smiths - There Is A Light That Never Goes Out 4:05 The Sound Of The Smiths
Wilco - Jesus, Etc. 4:00 Kicking Television: Live In Chicago

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Dia de surf


(imagem roubada daqui. vale bem uma visita.)

Cepticismo, por favor

Sempre que há um caso judicial que envolve política, inicia-se um ‘ping-pong’ de acusações entre políticos que se indignam com a ligeireza com que a justiça trata os direitos e as garantias e operadores judiciais que se sentem constrangidos na sua autonomia.
No entanto, há uma classe que tende a passar entre os pingos da chuva e cujas responsabilidades na percepção da falência da justiça em Portugal estão bem longe de ser irrelevantes: os jornalistas.
do meu artigo de hoje no Diário Económico

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Meios & Publicidade

A quem possa interessar,
Desde Setembro que, com o Pedro Marques Lopes, faço um programa semanal de debate político na TSF moderado pelo Paulo Tavares. Chama-se Bloco Central, vai para o ar aos Domingos entre o meio-dia e a uma da tarde, e pode ser (re)ouvido aqui. Passei também a ser "residente" no programa Roda Livre da TVI-24, onde debato com o Rui Ramos e o Manuel Villaverde Cabral, com moderação do Henrique Garcia. O programa vai para o ar às quintas-feiras entre as 22 e as 23 horas e pode ser (re)visto aqui.

Regra do Jogo

Há várias semanas que ando para saudar a chegada da Regra do Jogo. Escrevem por lá muitas pessoas que gosto genuinamente de ler e com as quais aprendo sempre. Faço-o hoje porque aproveito para chamar a atenção para este texto do Porfírio, que como sempre nos obriga a pensar.

sábado, 14 de novembro de 2009

Sabemos como começa

Primeiro aceitamos que a investigação criminal vá assentando cada vez mais em escutas, e aparentemente quase só em escutas; depois toleramos que o seu conteúdo seja plantado na comunicação social; por fim discutimos o teor do que não deveria existir, sem que questionemos o modo com estamos colectivamente a deixar que se minem os alicerces do Estado de direito. Como se não bastasse, admitimos com normalidade que um titular de um órgão de soberania seja, em última análise, alvo de espionagem política durante uns meses. Para culminar, parece ter chegado o dia em que os deputados se juntarão para aprovar uma lei que obrigará de facto o suspeito de um crime a provar a sua inocência, em lugar de obrigar a acusação a provar a sua culpa. Pelo caminho deitámos fora princípios sacrossantos para uma vida em comum numa sociedade decente: o direito à privacidade e a importância das garantias consagradas no processo penal, designadamente a presunção de inocência. Agora toca a quem ocupa transitoriamente o cargo de primeiro-ministro, mas, se não somos intransigentes neste caso, haverá um dia em que poderá passar-se connosco. E nesse dia não teremos a lei do nosso lado, e já não haverá Estado de direito para nos defender.

A tudo isto se chama recuo civilizacional. Sabemos, na verdade, como começa, mas temo que saibamos também como vai acabar. Até certa fase podemos ir resistindo, com mais ou menos energia, mas chegará um momento em que teremos de viver recatadamente com a derrota.

publicado hoje no i.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A minha playlist

Durante dois anos e meio, concretizei um sonho de sempre: tive duas horas semanais na rádio para, com o Nuno Costa Santos, passar música sem constrangimentos. Não sei se a oportunidade se repetirá, mas, agora que deixei o Rádio Clube para passar a colaborar com a TSF, pediram-me que fizesse a minha playlist. O desafio de escolher apenas 20 músicas não é fácil. No dia em que gravei, a escolha foi esta.

Os cínicos e os cépticos

Imagino que o Paulo Pena não se importe que eu publique aqui o texto que o Pedro Sales já publicou no Arrastão. É bom saber que há quem pense o que o Paulo pensa, mas ainda mais importante é saber que há quem, sendo jornalista, tenha hoje a coragem de o escrever. Aqui fica.

Só para citar de memória, e deixando de fora os amendoins: Houve o caso Paulo Portas/Moderna; o caso Paulo Pedroso/Casa Pia; o caso Portucale; o caso Freeport; e, agora, as «certidões» da sucata. Tudo grandes investigações que envolviam políticos e não passaram no teste do algodão. Mal ou bem, estas grandes incursões da justiça no mundo da política foram, ou virão a ser, fiascos. Mas deixam um subtexto que substitui a verificação da veracidade ou falsidade das alegações: os políticos não se deixam apanhar, ou fazem leis para se «safar», ou condicionam os intrépidos magistrados.
O que são, nos media, estes casos? Investigações jornalísticas? Ou, em 90% dos casos, uma nova categoria de «reportagem sobre investigações», como lhes chamam Bill Kovach e Tom Rosenstiel, no imprescindível livro Os Elementos do Jornalismo (Porto Editora)?

Veja-se a descrição americana, e compare-se com a realidade portuguesa:

«Neste caso, a reportagem desenvolve-se a partir da descoberta ou fuga de informação de uma investigação oficial (…) O risco deste tipo de reportagem (…) é que o seu valor depende muito do rigor e do cepticismo do repórter envolvido. O repórter proporciona ao entrevistado um precioso espaço para a difusão de uma alegação ou insinuações, sem qualquer responsabilização pública. Isto não significa que a reportagem sobre investigações esteja, por inerência, errada. Mas está repleta de riscos, geralmente negligenciados. Nesta situação, os repórteres apenas costumam conhecer parte da investigação, em vez de serem responsáveis pela mesma. A hipótese de serem manipulados pelas fontes é elevada. Em vez de vigiar as instituições do poder, a imprensa fica vulnerável e torna-se num instrumento à mercê das mesmas.»

Estes são os riscos. E basta ir à hemeroteca para constatar que andamos, todos, a ser muito pouco cépticos com um género particular de investigações: as investigações judiciais. Em Portugal há, e houve em momentos críticos, como os anos da Casa Pia, jornalistas a partilhar blogues com magistrados (convenientemente anónimos). Houve um PGR que nunca foi investigado por ter mandado a sua assessoria de imprensa divulgar notícias falsas. Houve um director-nacional da Judiciária que mentiu a um jornal, acusando Ferro Rodrigues, na altura líder do PS, de um crime horrendo que era falso, e continua, ainda hoje, a aplicar «justiça» num tribunal superior.

Andamos mesmo a ser pouco cépticos. Tão pouco cépticos que já é altura de pararmos para pensar se não andaremos a ser coniventes e acéfalos.
Para mim, a separação de poderes dá a resposta ao dilema: os jornalistas devem investigar, e não fazer de caixa de ressonância; os investigadores judiciais devem ser avaliados pelos resultados das suas investigações e não pela comoção pública que geram as suas quase-descobertas; e os políticos devem ser julgados pelas suas acções e não pela sensação de verosimilhança que gostamos de associar entre uma discordância política e uma falha ética. Há políticos honestos de quem discordamos e políticos corruptos com quem concordamos.

Foi Kapuscinski que disse que «os cínicos não servem para este ofício». E tem cada vez mais razão. A diferença entre cínicos e cépticos devia ser ensinada nas faculdades de jornalismo.

Paulo Pena, jornalista.

O dia em que o Correio da Manhã venceu

Estava escrito. Um dia o modo como o "Correio da Manhã" olha para a sociedade tornar-se-ia dominante. Temo que esse dia tenha chegado. O contexto estava maduro: a sensação de que a corrupção está a aumentar combinada com um sentimento de impunidade. Mas, ainda assim, as instituições pareciam imunes aos julgamentos na praça pública alimentados por violações grosseiras ao segredo de justiça; do mesmo modo que partidos políticos não hesitavam na defesa das regras básicas de uma sociedade decente - o primado da lei, a importância dos procedimentos formais para nos proteger a todos e a presunção da inocência.

Infelizmente, chegou o dia em que o consenso que nos permitia resistir à fúria justicialista foi posto em causa. Manuela Ferreira Leite, no Parlamento, não resistiu a afirmar que "as dúvidas políticas não se resolvem adiando investigações e destruindo provas", para logo depois dizer que o primeiro- -ministro devia esclarecimentos ao país sobre este caso. Eu não sei, nem quero saber, que "provas" são essas de que Ferreira Leite fala. Desde logo porque, num país civilizado, as escutas deveriam ser o último recurso para a investigação, em situação alguma deveriam ser passadas aos media e todos devíamos ter a consciência de que a maior exigência nas escutas aos órgãos de soberania visa proteger não quem ocupa transitoriamente os cargos mas, sim, a segurança do Estado, da governação e, custa-me dizê-lo, hoje em dia, também a autonomia da política face à justiça.

publicado no i.

Homens em tempos sombrios

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A latrina

Na verdade, para sairmos da latrina onde estamos presos, precisamos de investigações discretas, blindadas às fugas e capazes de produzir, de facto, prova. Mas, precisamos, essencialmente, que o processo de tomada de decisões nas políticas públicas seja transparente, baseado em critérios partilhados e densificado por um enquadramento legal estável e previsível. Infelizmente, temos todos os dias violações ao Estado de direito, mas temos também quotidianamente decisões políticas opacas e sobre as quais pouco sabemos.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

o maravilhoso mundo do clipping

Há um lado invariavelmente trágico no humor involuntário. A este propósito, a entrevista que José Manuel Fernandes deu ao Correio da Manhã (por acaso parece-me bem escolhido o jornal), é a vários títulos inigualável. Mas, desde já, e agora que terá mais tempo disponível, tenho duas singelas sugestões a fazer ao agora colaborador "aqui e ali" do Público: trabalhar as suas capacidades para realizar buscas no google e pedir ao Pai Natal se lhe deixa no sapato uma assinatura de um serviço de clipping. Vai ver que é bem melhor que o arquivo do Pacheco Pereira. As coisas que por lá se descobrem.

Comemorações

quem é que estava no 7 de Novembro de 1981?
a resposta está aqui.

sábado, 7 de novembro de 2009

A sombra do passado

O debate deste final de semana revelou um governo novo com um programa novo, mas que herdou do executivo anterior velhos problemas. À cabeça o processo de avaliação dos professores. O tema está, em teoria, bem longe de ser uma prioridade nacional; acontece que se transformou de facto numa prioridade política e será um teste decisivo à capacidade de Sócrates para governar em minoria.
A equação não é fácil de resolver. De um lado estão escolas (que precisam de estabilidade) e professores já avaliados (que não querem abdicar do percurso que já fizeram); de outro, partidos políticos e sindicatos, que querem manter a chama da luta política acesa e não abrem mão da suspensão do processo. No meio está o governo, que viu diminuídas as suas condições políticas e perdeu grande parte da margem de manobra negocial que detinha (primeiro, no memorando de entendimento com os sindicatos em Abril de 2008 e depois com a revisão do estatuto da carreira, aprovada neste Verão com escasso impacto).
Os sinais sobre qual vai ser a saída para o impasse são contraditórios: a nova ministra afirmou que "tanto no sistema de avaliação como no estatuto, não há pontos que não se possam mudar", enquanto o ministro dos Assuntos Parlamentares acena com uma encruzilhada jurídica, que em última análise pode bloquear politicamente o país. Há, contudo, uma certeza: o modo como será resolvida esta equação marcará a identidade do novo governo, o que não é compaginável com indefinições e contradições.
publicado no i

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Por detrás das falas mansas

Em Novembro de 1989, os alemães de leste foram finalmente autorizados a passarem a fronteira com Berlim ocidental. Vinte anos passados, há bons motivos para comemorar o simbolismo dos primeiros passos de uma Europa unida e livre. Mas, num remoto país da Europa, há quem pense que não. Em nota enviada à Lusa, o PCP vem recordar-nos que “as 'comemorações de regime' a que assistimos são uma operação de reescrita da história e de branqueamento do capitalismo". Afinal, “o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático" e, claro, a solução dos problemas da humanidade "não está nas contra-revoluções que há 20 anos varreram o Leste europeu", mas sim na lealdade aos ideais da "grande Revolução de Outubro".
Podemos tomar estas declarações como pitorescas, mas, na verdade, torna-se difícil. Desde logo porque, nas sociedades abertas, as liberdades civis e políticas são inegociáveis e não compagináveis com nenhum “mas”; depois, o próprio PCP já tinha encerrado este capítulo de sinistra nostalgia estalinista e é, no mínimo, trágico que se entretenha agora a reabri-lo. No fim, fica a certeza que, por detrás das falas mansas do “comunismo de sociedade recreativa”, se esconde um partido envolvido num crescendo de ortodoxia que não encontra paralelo no mundo ocidental. Afinal, o enlevo com a Coreia do Norte de Bernardino Soares ou o apagamento dos Gulags da deputada Rita Rato não são notas dissonantes ocasionais, mas, sim, o elemento central da partitura pela qual se rege hoje o PCP.
publicado hoje no i.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A vaga de fundo

Há um ano e meio, os barões do PSD uniram-se para que Ferreira Leite avançasse para a liderança. A vaga de fundo, é hoje sabido, ofereceu uma curtíssima vitória nas eleições directas à "boa moeda". Depois, a "escolhida" teve um resultado eleitoral em tudo idêntico ao da "má moeda", cinco anos antes, com Santana Lopes. Agora, os mesmíssimos barões empenharam-se em revisitar o equívoco, lançando um apelo para que, desta feita, fosse Marcelo Rebelo de Sousa o voluntário para se deixar imolar na fogueira que os barões, depois, se encarregariam de ir mantendo acesa. A repetição da história revela, antes de mais, que o partido não conseguiu aprender com os erros recentes, mas também que há um conjunto de pressupostos sobre o PSD que a realidade se tem encarregado de desmentir.

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dress code: usar óculos

Uma fatia muito importante do meu tempo nos últimos anos foi dedicada a isto. Acabou de repente, depois de um par de horas fechado numa sala com homens com óculos.

Sinais de vitória


Devo muito do que sou ao António Sérgio na medida em que não me conheço sem passar o tempo a ouvir músicas, a descobrir músicas e a querer saber mais sobre músicas. Cheguei ontem a Portugal e percebi que o António Sérgio morreu, mas fiquei contente por perceber que o António Sérgio tinha sido e é muito importante para muita gente – basta dar uma vista de olhos pelos blogs. Este é o género de coisas que faz de mim um optimista. Isto e uma história que acho que terei ouvido ao John Peel numa entrevista qualquer: para ele, a sanidade da sua família media-se pelo facto de ir com a mulher e os filhos a concertos dos The Fall, mais de vinte anos passados depois do Mark E. Smith nos ter começado a assombrar a todos. Era isso que eu sentia também no António Sérgio quando o ouvia, cavernoso, na Radar: o mesmo entusiasmo inicial com a música.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Uma última vista


até já.

Uma linha ténue

Para bom entendedor, as palavras são claras: o que foi a votos foi a identidade do governo definida há quatro anos e meio e o reformismo contra os interesses corporativos saiu vencedor. Para as oposições, a mensagem é também inequívoca: o caminho passará por prosseguir uma agenda reformista e o ónus da instabilidade política recairá sobre elas, nomeadamente se forem criadas coligações negativas. Em maioria absoluta, as oposições podem ser "irresponsáveis"; num contexto de maioria relativa serão naturalmente responsabilizadas pela instabilidade.

A linha apontada é de combate político. Mas é também uma linha em que a diferença entre sucesso e falhanço é muito ténue. Ora uma coisa é certa, o sucesso da estratégia depende de um elenco governativo politicamente robusto, capaz de resistir à exposição parlamentar e de alargar a base de apoio do governo para além da Assembleia da República. Ouvido o discurso de ontem, só podem por isso aumentar as perplexidades sobre a equipa ministerial que tomou posse. Pode haver surpresas, mas, em teoria, não é possível ter um governo de combate político com tão poucos políticos.

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

sábado, 24 de outubro de 2009

Mais perto e mais longe

Um governo com mais mulheres aproxima-nos da norma europeia, mas há uma outra dimensão que nos afasta: os ministros independentes. É verdade que a entrada de novos ministros, recrutados fora da esfera partidária e governativa, revela capacidade de atracção, quando se temia que ela já não existisse. Mas, acima de tudo, esconde um conjunto de fragilidades do sistema partidário português. Fragilidades que, em lugar de serem contrariadas, são reforçadas. Os independentes tendem a revelar-se, com excepções, casos problemáticos de inabilidade política (risco que é maior quando não há maioria absoluta). Mas são essencialmente um sintoma de fraca institucionalização dos nossos partidos.
Nas democracias do Norte da Europa há poucos ministros vindos de "fora" do sistema partidário: ou são previamente eleitos para o Parlamento ou são "políticos profissionais", saídos dos aparelhos partidários ou sindicais.
Num caso e noutro, há incentivos para os melhores irem a votos e, o que não é menos importante, para se envolverem na vida política. Em Portugal temos sistematicamente o incentivo contrário. A mensagem é clara: "Se ambicionas ser governante, afasta-te dos partidos." Esta mensagem tem várias consequências - degrada (ainda mais) a imagem dos partidos e secundariza o seu papel na configuração da governação, ao mesmo tempo que tenta resolver pela porta do cavalo a sua fraca ancoragem social. Se calhar, as quotas de que precisamos são as que obrigam os ministros a serem eleitos em listas partidárias.
publicado hoje no i.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Uma onda vale milhões

A realização de uma etapa do circuito mundial em Peniche pôs o surf na agenda mediática. É bom que isso aconteça. Uma onda vale milhões de euros e em Portugal o potencial das ondas é imenso. Num paper recente, Pedro Bicudo e Ana Horta (do IST) estimam que uma onda de qualidade possa ter um impacto no turismo na ordem dos 100 milhões de euros anuais. Faz sentido. Não apenas o número de praticantes em Portugal tem crescido bastante, como, numa sondagem recente, 90% dos europeus escolhiam o surf como o desporto que mais gostariam de experimentar. Da África do Sul à Indonésia, passando pelo País Basco, há localidades que se transformaram radicalmen- te porque tinham condições óptimas para o surf. Jeffrey's Bay, Uluwatu ou Mundaka são lugares prósperos porque se reconverteram de longínquas terras costeiras em destinos turísticos de surf. Com ganhos evidentes: desenvolveram-se (preservando a sua identidade) e encontraram um equilíbrio ambiental, obrigadas a proteger um recurso natural - uma onda de excelência. Há várias ondas em Portugal que podem funcionar como pólo de atracção do turismo de surf. Mas, como lembra o mesmo paper, em Portugal continuam a ser destruídas ondas de enorme qualidade: o Jardim do Mar na Madeira, Rabo de Peixe nos Açores ou o caso mais recente do Cabedelo na Figueira da Foz. Há autarcas sentados em cima de uma autêntica galinha de ovos de ouro, mas que, em lugar de a usarem como alavanca para o desenvolvimento, preferem destruí-la.
publicado hoje no i

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Uma porta para o que não conseguimos explicar

O Público noticia que o Semanário acabou, leia-se que já não sai esta semana. O Semanário foi ressuscitado através desta foto-novela das escutas (que nasceu em parte porque havia quem se entretivesse a comentar notícias do Semanário). O Semanário que estava morto há vários anos, mas estranhamente não havia ainda sido enterrado. Isso é que seria de facto notícia: explicar como é que foi possível que o Semanário continuasse a aparecer nas bancas todas as semanas. Suspeito que quem fosse capaz de responder a este enigma desvendaria muitos dos segredos nacionais.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A economia do surf

O surf pode ajudar a fazer uma síntese de que muitas regiões do país bem necessitam: gera novos recursos, mas contribui também para preservar recursos naturais, que tradicionalmente eram vistos como um empecilho ao desenvolvimento económico. Os bons exemplos das autarquias de Peniche e de Cascais - que têm visto no surf uma oportunidade para a criação de uma nova identidade local - bem podiam ser seguidos por muitas outras câmaras do pais que, tendo ondas de qualidade, não só não cuidam da sua protecção, como desprezam o seu potencial económico.

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

It's coming home, it's coming home, surf's coming home


para seguir aqui.

sábado, 17 de outubro de 2009

Singularidade política

A política portuguesa não escapa à proverbial inclinação nacional para os comportamentos singulares. Esta semana, se dúvidas restassem, ficámos a saber que teremos um governo que não encontra paralelo: composto por apenas um partido, sem coligações e sem maioria parlamentar. Na Europa há governos de maioria absoluta (quase exclusivamente em países com sistemas eleitorais maioritários); governos assentes em coligações parlamentares e ainda governos de coligação. O que não existe são governos minoritários, com coligações do tipo "navegação à vista", como acontecerá em Portugal. E não existe porque é certo que se traduzirão em instabilidade.

Aliás, em Portugal, apenas um governo de maioria relativa resistiu uma legislatura inteira, o primeiro de Guterres. Um governo que teve um contexto económico favorável e que serviu para "desasfixiar" o país das maiorias absolutas de Cavaco. Agora, com crescimentos económicos medíocres, com uma pressão social difícil de gerir e com uma clara propensão para a formação de coligações negativas, resistir ao pântano é um trabalho político hercúleo para o governo. Mas, certamente, não menos para as oposições, que não podem estar comprometidas com a governação, mas também não vão querer ser responsabilizadas pela instabilidade. Não por acaso, apenas um governo caiu no Parlamento por iniciativa das oposições (em 1987, o governo minoritário do PSD). Já agora, nas eleições seguintes, o partido no poder teve uma maioria absoluta e as oposições foram justamente fustigadas.

publicado no i.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A minha escola é melhor que a tua

Todos os anos ficamos a saber quais as escolas com notas de exames nacionais mais elevadas. É essa a informação dada pelos rankings esta semana publicados. Ou seja, a classificação dos alunos é transformada em classificação das escolas. A informação deixa certamente muito satisfeitos os pais que têm filhos nas escolas de topo. Acontece que a eventual qualidade da escola é apenas uma entre muitas variáveis que explicam boas prestações académicas. O mérito pessoal, a origem social e a localização geográfica são, pelo menos, igualmente relevantes. Aliás, se todos os anos "descobrimos" que as escolas privadas lideram os rankings, tendemos a não reparar que há uma outra clivagem mais persistente, a que separa as escolas do litoral das do interior, independentemente de serem públicas ou privadas.
Que fazer perante estas desigualdades? É-nos frequentemente dito que a liberdade de escolher a escola resolveria parte dos problemas. Será verdade? Provavelmente não.
Desde logo porque nem todas as famílias estão na posse da informação que permite escolher de modo adequado, mas, acima de tudo, há poucos professores bons que queiram leccionar nas escolas más e não há oferta de qualidade que se queira deslocar para os lugares mais difíceis. Os rankings só são úteis se discutirmos os factores que verdadeiramente explicam o mérito e o demérito nos desempenhos escolares dos alunos e não nos limitarmos a ordenar escolas em páginas de jornais. Pode ser que depois sejamos capazes de intervir, de facto, nesses factores.
publicado no i.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

the best American songwriter currently working


"One of the reasons Darnielle is the best American songwriter currently working is that he refuses to settle for the easy emotional beats in whatever story he’s telling. He uncovers the same desperation, doubt, and grace in Biblical narratives that he did in a squalid, shut-in house of meth addicts, because people in Darnielle’s songs, whether loving or hateful or outright psychotic, are always first and foremost human." vale mesmo a pena ler o resto do texto, como vale também uma leitura este.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Onde está o Brian Wilson?



e a Victoria Legrand que quase arrisca um passo de dança (tudo anteontem no Conan O'Brien).

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sinais de mudança

Se tivermos em conta que, entre os presidentes que se recandidatavam, havia perto de duzentos que estão legalmente inibidos de concorrerem em 2013 (por força da lei da limitação dos mandatos), abriu-se uma janela de genuína renovação daqui a quatro anos. Neste contexto, a dificuldade que o PC tem revelado para substituir os seus autarcas de referência pode anunciar um definhamento autárquico dos comunistas. Em 2013 poderemos assistir a um reforço da bipolarização do mapa autárquico (contrariando por exemplo a tendência das legislativas e também das europeias), combinado com muitas transferências de poder entre os três partidos com expressão autárquica.
do meu artigo no Diário Económico.

E o peru sou eu?

Durante duas horas, quatro directores de órgãos de comunicação social de referência estiveram entretidos numa conversa para adormecer perus (eu próprio cheguei a adormecer) sobre sondagens, a pertinência do dia de reflexão e outras questões candentes. Depois, já passava da meia-noite, ultrapassados os preliminares, começaram a falar sobre o que era o verdadeiro tema do programa (ainda o caso das escutas e o mail do DN). Qual é o critério jornalístico que terá levado a que isto tenha sido assim?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Uma escolha pura

A proximidade entre legislativas e autárquicas tornou as eleições de ontem numa escolha “pura”. Não apenas era difícil que as autárquicas servissem para expressar um voto de protesto ao Governo (que ainda não existe), como as diferenças em alguns concelhos muito populosos entre o voto nas legislativas de há duas semanas e as eleições de ontem revelam a maturidade do eleitorado, capaz de distinguir os dois actos.
As autárquicas serviram também para consolidar um padrão com lastro histórico em Portugal. Quem exerce o poder executivo e se recandidata a um novo mandato, ganha. Com algumas excepções, foi isso que aconteceu: um mapa autárquico que, em importante medida, replica o de 2005. Sendo que, ainda assim, o PS conquistou, quer ao PSD (ex. Ourém e Leiria), quer ao PC (ex. Beja) autarquias que se mantinham estáveis desde há muito.
Depois, ontem ficou demonstrada a dificuldade de enraizamento do BE como partido autárquico, particularmente visível quando o PS se afirma com partido âncora à esquerda, como aconteceu com Costa em Lisboa (de facto coligado com o “alegrismo”). Também o PC teve uma quebra em concelhos simbólicos, mostrando dificuldade em substituir os seus autarcas modelo – problema que se acentuará em 2013. Finalmente, a derrota de Lisboa – que poderia ser a única tábua de salvação para Ferreira Leite – torna o processo de sucessão no PSD uma inevitabilidade.
publicado no Diário Económico de hoje (escrito ontem às 22 horas, quando ainda não era perceptível a extensão da vitória do PS).

sábado, 10 de outubro de 2009

Uma sociedade decente

Num país que é dos mais desiguais da Europa, o combate à pobreza deveria estar no topo da agenda política. E na verdade em Portugal está, mas pelas razões erradas. O que deveria ser motivo de indignação colectiva - as centenas de milhares de famílias que vivem abaixo do limiar de pobreza ou que não têm acesso a um conjunto mínimo de oportunidades - não o é, ao mesmo tempo que o rendimento social de inserção é sujeito a ataques políticos diários, que combinam demagogia desbragada com insensibilidade social.
É claro que há fragilidades na aplicação do RSI, como aliás acontece em todas as políticas públicas. Mas aquelas não diminuem nem o alcance da medida na diminuição da severidade da pobreza, nem o conjunto de oportunidades de inserção de que beneficiaram milhares de famílias ao longo da última década. Falar em "preguiçosos", para usar a terminologia de Portas, ou em "subsídio-dependentes", de acordo com Rui Rio, é esquecer que 60% dos titulares da prestação têm outros rendimentos, maioritariamente porque estão no mercado de trabalho, e que 80% dos beneficiários estão envolvidos em programas de inserção com vista à sua aproximação à vida activa. Acima de tudo, ignora que a prestação média é de 90 euros por beneficiário. Lançar este anátema sobre todos os que vivem com tão poucos recursos materiais é um acto de violência simbólica, impróprio de uma sociedade decente.

publicado no i.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O segundo na lista

As autárquicas são, de facto, eleições uninominais. Elege-se uma lista, mas na verdade está-se a escolher o presidente de câmara. É também esta personalização que leva a que o presidente recandidato seja, inevitavelmente, reeleito. Não por acaso, pouco mudará no poder autárquico no próximo domingo. Dos 308 presidentes de câmara no poder, a larga maioria recandidata-se e, salvo raríssimas excepções, terá a reeleição assegurada. No poder executivo, a renovação tem de ser imposta por lei. É o que, em boa hora, acontece em Portugal desde 2005: os presidentes de câmaras municipais passaram a só poder ser eleitos para três mandatos consecutivos.
Esta limitação de mandatos tem consequências: há perto de 200 concelhos onde os presidentes, caso ganhem as eleições de domingo, se preparam para iniciar o seu último mandato, ficando impedidos de se recandidatar em 2013.
Mas uma coisa é também conhecida sobre o modo como os dinossauros do nosso poder autárquico gerem a sua própria sucessão. Quando se aproxima o fim de ciclo, abandonam o mandato a meio, entronizando o seu número dois, que depois se candidata na posição vantajosa de presidente em exercício. É isso que faz com que, no próximo domingo talvez valha a pena, um pouco por todo o país, esquecer por um momento quem é o primeiro da lista e olhar atentamente para quem aparece em segundo lugar. Em cerca de 200 concelhos, o mais provável é que o discreto número dois seja o presidente daqui a não muito tempo.
publicado no i.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Liberdade, Igualdade e Fraternidade


ontem, a República foi celebrada como deve ser.

A Europa a votos

A questão é que se ninguém quer hoje expor a Europa ao voto popular, a responsabilidade das políticas europeias neste receio é marginal. O problema é, no essencial, da apropriação que é feita da Europa pelos governos nacionais.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

sábado, 3 de outubro de 2009

Uma situação inédita

Esta semana a associação sócio-profissional dos juízes classificou a decisão do conselho superior da magistratura de congelar a progressão na carreira do juiz Rui Teixeira como "uma situação inédita". Mas os representantes dos juízes vão mais longe: os seus pares que votaram favoravelmente a decisão perderam "irreversivelmente a legitimidade" e, como se não bastasse, o mesmo é válido para os outros membros do conselho. Há cerca de um ano houve, de facto, uma situação inédita: um juiz classificou como "erro grosseiro" a decisão de um outro juiz e condenou o Estado a indemnizar a vítima dessa decisão em mais de 100 mil euros. O Ministério Público recorreu e o recurso encontra-se pendente.
Perante este contexto, o bom-senso aconselhava a que se suspendesse a decisão de fazer ou não progredir na carreira o juiz em causa até à decisão do recurso.
Afinal, será aceitável que quem lesou individualmente um cidadão (prendendo-o sem nenhuma justificação) e colectivamente todos nós (que suportamos a indemnização) seja recompensado na sua carreira profissional? Em qualquer profissão, ninguém hesitaria em responder que não. Mas para os sindicatos de magistrados, já se sabe, os seus pares foram ungidos e estão acima de qualquer forma de responsabilização. A tal ponto que não toleram que um conselho, hoje aliás constituído maioritariamente por magistrados, tome uma decisão, por nove votos a favor e dois contra, que assenta apenas no bom senso.
publicado no i.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

The Permanent Efficacy of Grace


Tudo indicia que este seja o primeiro video de vários, a acompanhar aqui, nos próximos dias.

O Presidente no seu labirinto

Por motivos que permanecem insondáveis, o Presidente da República foi-se deixando enredar num labirinto. A declaração desta semana, em lugar de contribuir para ajudar Cavaco Silva a encontrar uma saída não foi clarificadora, lançou novas dúvidas e revelou um Presidente hiper-susceptível à disputa política.
Continuamos sem perceber se as notícias sobre a alegada vigilância de Belém têm ou não fundamento, se foram uma invenção da fonte da casa civil ou, afinal, não passaram de uma inventona do Público. Ficámos, contudo, a saber que, numa terça-feira do ano de 2009, um Presidente de uma República do mundo ocidental descobriu que o seu computador é vulnerável e pode ser violado. Mais, sentiu necessidade de transmitir aos seus concidadãos essa insólita descoberta.
Mas, acima de tudo, quando precisávamos, mais do que nunca, de ter na Presidência um referencial de estabilidade, Cavaco revelou-se despeitado porque, em plena pré-campanha eleitoral, um par de deputados socialistas cometeu o pecado de "encostá-lo" ao PSD.
Se bem percebi, em última análise, Cavaco respondeu com uma tempestade institucional a uma declaração política que tem tanto de legítima como de desastrada: havia membros da casa civil a participar no programa eleitoral do PSD. Não deixa de ser reveladora a perturbação presidencial com o tema, mas temo que, chegado aqui, Cavaco já não encontre a ponta do novelo que o leve de volta à saída.
publicado no i.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Acabar o mandato com dignidade

Ontem, ainda meio estonteado com a mais insólita das declarações políticas que me foi dado ouvir, disse isto. Mas na verdade, o essencial está dito neste video (via Tiago Tibúrcio)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Dêem-me vida



Este blog podia acabar aqui.

Tempos sombrios

O novo parlamento cria um contexto que desresponsabiliza individualmente os partidos de esquerda, que não se sentirão pressionados para contribuir, cada um por si, para a governabilidade; e representa uma ameaça para o PS, se optar por procurar o apoio à direita. Como, aliás, revelam os resultados eleitorais na Alemanha, quando o centro-esquerda se alia à direita, as perdas eleitorais à esquerda tornam-se inevitáveis. Esta assimetria nas relações do PS com a direita e com a esquerda num parlamento com clara inclinação à esquerda, colocará, paradoxalmente, dilemas políticos de difícil superação. Ficámos com um parlamento onde todos ganharam, mas onde a soma das vitórias parciais pouco contribui para a governabilidade e para responder aos problemas do país.

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lucy in the sky

Morreu Lucy O'Donnel, aka the girl with kaleidoscope eyes, a colega de Julian Lennon que, contra todas as especulações, inspirou de facto o pai John.

Dilemas

Se tivessem de escolher entre este original



e este cover



o que é que faziam? (tendo conhecido primeiro o cover e só depois o original e sendo também uma escolha entre um tipo com uma camisa e um ar decentes e uma mulher incrivelmente bonita)

atenção que o assunto é sério.

sábado, 26 de setembro de 2009

Mais realistas que os realistas


“Eu, pessoalmente, queimaria todos os livros israelitas que encontrasse numa biblioteca”. A declaração é de Farouk Hosny, Ministro da Cultura do Egípcio há mais de vinte anos, conhecido pelo seu sólido curriculum de declarações anti-semitas, actos censórios e atentados aos direitos das mulheres. O poeta alemão Heinrich Heine escreveu que “onde se queimam livros, acabará por se queimar pessoas”. A história, infelizmente, foi-lhe sempre dando razão.
E não é possível não recordar a história quando o Governo português apoia Farouk Hosny para Director-Geral da Unesco. O embaixador português na UNESCO, Manuel Maria Carrilho recusou-se a acatar a decisão do Palácio das Necessidades, tendo sido substituído na votação por um diplomata de carreira. No fim, ironia do destino, o candidato egípcio, contra as expectativas, acabaria por ser derrotado pela candidata búlgara. Claro que a culpa da derrota foi das forças sionistas.
Do pouco que se sabe, o voto português teria como troca o apoio egípcio à candidatura de Portugal a um lugar não-permanente no conselho de segurança da ONU para o biénio 2011-2012. Não sei se será exactamente assim, mas o que sei é que a diplomacia portuguesa revela sempre uma incansável tendência para ser mais realista que os realistas. Sofremos do síndrome dos bons alunos, mas sem benefícios e à custa de princípios inegociáveis. E se há alguma coisa inegociável é não tolerar quem pondera queimar livros.
publicado no i.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

yes, you can call me anything you want

Humbug dos Arctic Monkeys não precisava de ter mais nenhuma música para além de Cornerstone para ser um grande álbum. E tem muitas grandes músicas para além de Cornerstone.

É da natureza dele

Quando se candidatou à Presidência, Cavaco Silva fez da cooperação estratégica o alfa e o ómega do que seria o seu papel em Belém. Hoje, é claro que, enquanto o PSD teve lideranças nas quais Cavaco Silva não se revia, a acção de Belém foi de facto instrumental na capacitação do Governo para levar a cabo políticas estratégicas para o País. Mas, uma vez resolvida a questão interna do PSD, a natureza táctica da cooperação saltou à vista.
O problema de Ferreira Leite é que, como aliás aconteceu no passado, quando os Presidentes procuram tutelar o seu espaço político, os resultados não são famosos. Naturalmente que ninguém esperaria que se chegasse tão longe, ao ponto de, aparentemente, se ter tentado, com a conivência ou não de Cavaco, não se sabe, um ‘putsch’ por meios mediáticos.
A meio da semana, quando o que restava era compensar os danos colaterais da demissão de Fernando Lima, Pacheco Pereira apelou a que Cavaco dissesse tudo o que tinha a dizer sobre o tema. Fazia sentido: era a única saída viável para a posição em que o PSD se colocou ao focar a campanha na verdade, quando o que preocupa os portugueses são as questões económicas e sociais.
O apelo, contudo, embateu num obstáculo. Cavaco Silva, com o seu característico realismo, já estava a pensar em segunda-feira. Deixou cair Fernando Lima, como havia deixado cair Fernando Nogueira e, pelo meio, foi Ferreira Leite que ficou sem discurso e sem campanha.
publicado no i.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

What's left



Nos sessenta anos, born to run no mítico concerto no hammersmith odeon. a primeira vez na Europa, com uns tenros 26 anos.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A dissolução

Cavaco Silva, depois de ter estado quatro dias em estado de negação perante o mais grave conflito institucional da história da democracia portuguesa, sacrificou o seu assessor e homem de confiança há largos anos. Será que é suficiente para apagar os estragos entretanto feitos?

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Expansão da procura externa


Hi Pedro
Due to overwhelming worldwide demand for the Beatles Box Sets we are waiting for our stock to arrive. We are expecting stock to arrive at the end of October and will keep you informed with any updates. We apologise for any inconvenience caused. If you have any questions then please don’t hesitate to contact our Customer Service.
Best regards

sábado, 19 de setembro de 2009

Uma conversa de merda

Sinceramente, já não há paciência para esta conversa de merda. Ontem, a drª Ferreira Leite, num dia em que as declarações delirantes se sucederam a um ritmo vertiginoso, vindas de vários lados, entre várias pérolas, disse isto: "Aquilo que o PS trouxe foi medo, medo. As pessoas têm medo. (...) Cada um de vós, tenho a certeza, se é funcionário público, se é professor, se trabalha num hospital, se tem amigos com quem costuma falar ao telefone, em todas as situações já disse: cuidado, que ninguém nos oiça, eu não te posso contar isto porque se calhar o meu telefone pode estar em escuta."
Há coisas que convém ser recordadas: enquanto estas afirmações assentam apenas num conjunto de suspeições, sem qualquer facto ou indício que as comprove (e por isso são, ao mesmo tempo, irresponsáveis e graves), houve de facto uma direcção partidária que comprovadamente esteve sob escuta. Dá-se o caso de ter sido do PS.

ai, ai, ai, ai, ai, ai, que não pode ser

Na sequência da publicação do email de Luciano Alvarez para Tolentino da Nóbrega pelo DN, muitos jornalistas têm-se indignado com a violação da correspondência privada entre dois jornalistas e a não protecção de uma fonte de outro jornal. A indignação faz todo o sentido, mas não deixa de ser curioso que seja a mesma classe profissional que quotidianamente viola a privacidade de um sem número de pessoas que agora se indigna. Não será apenas porque desta vez o "violado" foi um jornalista?

O ocaso no Verão

Em Agosto, a história parecia um caso de Verão, passageiro e equívoco. Quando Cavaco Silva disse que as escutas estavam a desviar as atenções do essencial, a declaração parecia sensata e desautorizava as fontes de Belém invocadas pelo Público. Passada a época das tontarias, no Domingo passado o Provedor do Leitor do Público revelou que as alegadas escutas não se baseavam em qualquer "indício palpável", para além "de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém". Mais, todas as informações recolhidas pelo correspondente do jornal na Madeira que contradiziam a fonte de Belém haviam sido ostensivamente ignoradas aquando da publicação das notícias. Entretanto, ontem, o DN revelava um e-mail onde se dá conta do modo como, alegadamente, um assessor de Cavaco plantou a notícia.
Tudo sugere que estamos perante um gravíssimo episódio de manipulação política do jornalismo e um acto institucionalmente inaceitável. Como é hábito, entre explicações delirantes, ninguém assume responsabilidades, mas as consequências são já claras: o que aparentava ser um caso tonto tornou-se no ocaso da superioridade moral de Cavaco Silva. Quando mais precisávamos de um Presidente capaz de contribuir para a solidez institucional, ajudando a formar um Governo sólido, que supere a inevitável fragmentação eleitoral, teremos um Presidente fragilizado na sua principal mais-valia: a credibilidade.

publicado no i.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Homens em tempos sombrios


Gostar ou não de ciclismo é a prova definitiva para se saber se alguém gosta ou não de desporto. Quem nunca percebeu o prazer de passar uma tarde inteira em frente à televisão a ver o Marco Chagas, antes, ou a ouvir o Marco Chagas, agora, perde muito. Mas o ciclismo também não é um desporto para homens. Ninguém pode conseguir suportar tudo aquilo. Há doping no ciclismo, claro que há. Como poderia não haver. Hoje, ficou a saber-se que o Nuno Ribeiro tomou EPO. É uma merda, é o que é. Passei umas boas tardes de verão emocionado com a ligeireza com que ele pedalou este ano na volta, vencendo contra todas as expectativas, desde logo da sua própria equipa - que não o havia escolhido como chefe de fila. Mas a prova de que o ciclismo é mesmo um desporto de homens, foi hoje ver o Américo Silva - director desportivo da Liberty - a falar no noticiário da RTP (pode ser que alguém tenha a dignidade de colocar aquilo no youtube). Mesmo em tempos sombrios, no ciclismo encontram-se homens.

adenda: o Luís Caldas enviou-me o link para o noticiário da RTP. O Américo aparece por volta do minuto 29.

Partidos capturados

Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades. Como se vê pelos votos comprados no PSD, a asserção também é válida para os partidos políticos. Com a agravante de o assunto não ser apenas entre comadres, mas dizer respeito a todos.
Para um estranho à vida partidária, eleições internas não passam de acontecimentos menores, que tendem a decorrer em caves fechadas, distantes da realidade. Acontece que não é assim. Dificilmente se encontra melhor observatório do agravamento do fosso entre partidos e cidadãos.
Pagar quotas de terceiros é uma prática com lastro histórico. Mesmo com a introdução de pagamento feito directamente pelos militantes, continuam a persistir formas mais ou menos sofisticadas de generosidade interessada. Caciques locais que pagam em massa quotas de terceiros. O intuito é simples: quem paga tem o poder de decidir quem é militante, logo quem elege representantes nas estruturas partidárias.
Ora, esta generosidade tem várias consequências. Fecha os partidos à entrada de novos militantes e reproduz lógicas perversas de poder interno. Se há 100 militantes e estes são suficientes para manter uma determinada estrutura de poder, qual a razão para abrir a porta a novos militantes com autonomia? Depois, quem paga quotas é eleito e quem é eleito passa a ter recursos para pagar mais quotas e ainda dar uns bónus (25 ou 30 euros, ficámos a saber). Fica assim explicada a importância, para alguns, de estar nas listas de deputados.
publicado no i.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mary Travers (1936-2009)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Os Young Marble Giants reencarnaram

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Apoios e apoios

Hoje ficou a saber-se que Sócrates gostaria de contar com Moita Flores. Sorte tem o PSD que não conta com ele. Há apoios que subtraem.

A governabilidade na Europa

A maioria absoluta de um só partido está hoje afastada dos cenários eleitorais. Logo, voltámos a ser assolados pelo espectro da ingovernabilidade. O que não deixa de ser estranho, num país onde, por tudo e por nada, se recorre aos exemplos que vêm de fora. Ora, olhando para os 27 Estados-membros da U.E., os governos maioritários de um só partido são a excepção, a regra são as coligações.
É possível distinguir três tipos de governos na Europa a 27. As coligações entre vários partidos; governos minoritários; e, finalmente, os governos monocolores. Há, neste momento, na Europa, 17 governos que assentam em coligações entre partidos; 4 governos minoritários (que vão desde coligações minoritárias, de que são exemplo a Bulgária, a Dinamarca e a Estónia, até à Espanha, onde o PSOE não tem maioria absoluta, mas governa sozinho, negociando com partidos regionais); e finalmente 6 governos com maioria de um só partido. Nesta última categoria, Portugal e Chipre são claramente casos excepcionais (pois têm sistemas eleitorais proporcionais, pouco propensos à formação de maiorias absolutas), enquanto Reino Unido e França têm sistemas maioritários, a Grécia um bónus maioritário e Malta um sistema bipartidário de facto (só dois partidos elegem deputados).
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

He sounds like a grittier Sinatra.

It Came From Brooklyn: The Walkmen // In The New Year [Part 1 of 3] from Ray Concepcion on Vimeo.


Tenho por bom princípio nunca ler caixas de comentários - é uma forma de preservar relativamente intacta a minha inclinação para o optimismo antropológico -, mas na caixa de comentários da stereogum encontrei a mais justa definição das qualidades vocais de Hamilton Leithauser, o vocalista dos Walkmen. Por uma vez não foi o Dylan da fase eléctrica, mas com maior amplitude vocal, que foi evocado. Mas sim Sinatra. Vejam lá este video - esqueçam os maneirismos arty da câmara sempre em movimento - de um concerto da série "It Came From Brooklyn" no Museu Guggenheim e digam lá se não há ali qualquer coisa de Sinatra, mas com mais coragem.

sábado, 12 de setembro de 2009

A palavra é importante


Numa cena de "Palombella Rossa", Michele, o alter ego de Nanni Moretti, enquanto procura um rumo entre os escombros do PCI, responde a uma jornalista, após um jogo de pólo aquático. A certa altura grita irritado - "quem fala mal, pensa mal. É preciso encontrar as palavras adequadas: as palavras são importantes". A política é também uma conversa que temos uns com os outros, logo falar bem é uma competência essencial. Para quem tenha visto os debates, fica claro que há três líderes que se sentem bem na dimensão tribunícia da política: Sócrates, Portas e Louçã. Depois há Jerónimo, cujo estilo patusco, adequadamente descrito como "comunismo de sociedade recreativa", tem servido para compensar o crescendo ortodoxo do PCP. Sobra Ferreira Leite.

Não é novidade: Ferreira Leite não domina a palavra. Se nos debates não houve gaffes, surgiu a outra face da mesma moeda: os raciocínios confusos e as frases por acabar.

O problema é que a líder do PSD não compensa essa fragilidade com uma afirmação tecnocrática, até porque se recusa a desvendar como é que o saber técnico poderia responder aos males nacionais. Aparentemente, esta negação das formas tradicionais de fazer política revela- -se mobilizadora. O que só pode ser visto como um perigoso sintoma de empobrecimento do sistema político, com a agravante de não inaugurar nada de novo. Desde logo porque não podemos esperar de quem fala mal que pense bem.

publicado no i.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sinais de fogo, os homens se despedem,
exaustos e tranquilos, destas cinzas frias,
lançando ao mar os barcos de outra vida.

Jorge de Sena

Vamos assustá-los

A política é a continuação da guerra por outros meios e os debates entre candidatos um desporto de combate. Contra todas as expectativas, Louçã perdeu o debate com Sócrates por KO técnico. As razões da derrota são simples: Sócrates usou as armas que Louçã costuma utilizar - um caso concreto para desmontar um argumento genérico -, enquanto Louçã não soube pôr-se no papel de primeiro-ministro - que tem de oferecer princípios genéricos para justificar políticas concretas. O líder do BE só pode viver mal com essa dificuldade. Afinal o seu objectivo é liderar a esquerda e ser primeiro-ministro. Acontece que o BE vive uma crise de crescimento: mobiliza o voto de protesto, desde que não exponha aquele que é, de facto, o seu programa eleitoral. Se é revelado o que o BE pretende fazer (do programa de nacionalizações ao fim das deduções fiscais, passando pelo antieuropeísmo), logo se percebe que não há ali nada de novo e o que há de velho é assustador.
Há, a este propósito, frases particularmente reveladoras. Logo após o debate, Louçã foi encerrar um comício em Almada. Tal como um general ferido em plena batalha, e certamente inspirado pelo discurso de Almada de Vasco Gonçalves, não resistiu a mobilizar as tropas com um "vamos assustá-los". O risco é mesmo esse - assustar muitos dos potenciais eleitores do BE, que não se revêem no projecto político do partido.
publicado no i.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

43 anos e centenas de grupos depois, ninguém voltou a conseguir fazer isto



Costumo conseguir escolher a minha música preferida de todas as bandas, bem como o melhor álbum. Os Beatles são excepção. Divido-me entre 4 álbuns (Rubber Soul, Revolver, Branco e Abbey Road) e um sem número de músicas. Hoje, o meu top-10 é este. E que belo dia, passado com a ideia que a esta altura a caixa já vem a caminho da minha caixa de correio.
A day in the life
Strawberry fields forever
Tomorrow never knows
Dear Prudence
For no one
Across the universe
Something
While my guitar gently weeps
Happiness is a warm gun
The long and winding road

terça-feira, 8 de setembro de 2009

As cabras tornam-se pastores


"Twelve hard lessons the Bible taught me, kind of."

Daqui a um mês, sai o disco novo dos Mountain Goats. Boas notícias e nada como fazer uma pré-ordem. Entretanto, mais boas notícias: enquanto não chega o disco, o mais provável é que já amanhã se consiga encontrar um site para fazer o download. Hoje mesmo, John Darnielle anunciou que houve um leak (I don't know if you're aware of this-- the album leaked today). Mais notícias, o álbum é inspirado em passagens bíblicas (algo que estava à espera de acontecer) e já há uma canção que pode ser ouvida aqui. Também já se sabe que Owen Pallet (aka Final Fantasy) fez os arranjos. Aliás, na tournée norte-americana, Pallet juntar-se-á a Darnielle, Hughes e Wurster. Bom, e aqui chegam as más notícias. Em meados de Outubro, Darnielle vai dar uns quantos concertos na Europa (a solo) e Portugal nada. Não haverá nenhum promotor interessado em trazê-lo cá? Era o que se poderia chamar, verdadeiramente, de serviço público.
(entretanto, aqui está uma bela entrevista)

Um conselho

Não percam muito tempo a ler tudo o que se tem escrito sobre a box-set dos Beatles. Leiam antes este artigo da Pitchfork e dificilmente ficarão com perguntas por responder. Depois, podem dedicar-se a ler as críticas aos discos, uma a uma.

"Listening to the new masters, the differences in sound quality generally manifest in three ways: songs have more "punch," with Paul McCartney's bass (an absolute wonder throughout) and Ringo's drums hitting with more force; the separation is better, so that instruments and (especially) layered vocals have more definition-- when the Beatles are harmonizing, you can more easily pick out the different vocalists, and the voices have more presence; and finally, the sound in general seems just a touch brighter, with various sound effects, cymbals taps, and so on, ringing with more clarity. The differences to my ears are not quite night and day, but they are certainly there, and they are noticeable. And it's satisfying to have these albums, absolutely some of the best-engineered records in the history of pop music, sounding as good as they can."

Uma questão de oportunidade

A liberdade de expressão, como se tem visto, infelizmente, não se defende nem com indignação colectiva, nem com auto-regulação. É aqui que importa recordar a Lei do pluralismo e da não concentração dos media. Não era certamente uma Lei totalmente equilibrada - levantava, por exemplo, alguns problemas de operacionalização - mas era um passo claro no sentido de regular o sector.
Um aspecto decisivo para a defesa da liberdade de expressão passa pela autonomia das decisões editoriais face aos detentores do capital e às administrações das empresas. As especificidades do negócio da comunicação social a isso o obrigam. Ora o que temos hoje, face à não promulgação da Lei, é um vazio que possibilita, de facto, que os detentores de um grupo económico intervenham directamente nas decisões editoriais. Deixemos agora de lado a discussão sobre a bondade do afastamento de Moura Guedes, a verdade é que foi esse vazio legal que permitiu que, consoante as versões, os donos da Media Capital ou a administração tivessem passado por cima das chefias editoriais e afastassem a "jornalista". Se há indícios ou mesmo provas cabais de que, cada vez mais, a autonomia editorial das redacções se encontra limitada por força de um intervencionismo das administrações que ameaça a liberdade de expressão, esse problema agrava-se quando, como já acontece em alguns casos em Portugal, nem sequer sabemos quem são os proprietários dos órgãos de comunicação social.

do meu artigo de hoje no Diário Económico.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

EN2 (epílogo)

sábado, 5 de setembro de 2009

A verdade é totalitária

Em 1984, apenas quatro ministérios governavam a Oceânia. Um era o da verdade, onde, aliás, trabalhava o protagonista da distopia de Orwell. O jornal do regime soviético chamava-se "Pravda", verdade em russo. O partido nazi exigia no seu manifesto que fossem perseguidos aqueles que propagavam mentiras políticas. A história ensina-nos a desconfiar de quem nos promete uma política imune à mentira.

Nas sociedades abertas não há nem uma verdade, nem superioridade moral de uma "mundividência", para usar um novo modismo. Pelo contrário, há uma concorrência racional, assente em regras partilhadas, entre diferentes verdades.

Por paradoxal que possa parecer, precisamos mais de políticos que defendam a sua verdade (uma visão alternativa da realidade com soluções contrastantes) do que de políticos que se afirmem detentores da verdade (enquanto definição positivista de soluções desprovidas de juízos de valor).

Em Portugal, a semanas das eleições, quando devíamos estar focados na escolha entre programas, o que nos é sugerido é que optemos entre caracteres e atitudes. Convenhamos que se percebe o apelo imediato da política de verdade - chama a atenção para promessas não cumpridas e serve para atacar o carácter dos oponentes - mas remete para um mundo nada admirável e faz muito pouco pela credibilidade da política.

publicado no i.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A estupidez não tem limites

O Jornal Nacional da TVI não gostava de José Sócrates e o afecto era retribuído. A vantagem é que quem frequentava aquela hora já sabia ao que ia: não era possível ter um olhar neutro, até porque o que era oferecido não era um produto jornalístico, assente em factos e no contraditório. Mas essa é outra história, que tinha, aliás, a vantagem de ser clara. A três semanas de eleições, a decisão de pôr fim ao regresso anunciado de Manuela Moura Guedes aos ecrãs é uma decisão notável, que não se percebe a quem convém. Comercialmente não faz sentido que a Media Capital abdique de um programa líder de audiências e politicamente Sócrates sai prejudicado pela percepção de que afinal há "asfixia democrática". Mas, convenhamos, uma televisão privada é uma empresa, em que também há relações hierárquicas. Ora o que poderá uma administração fazer quando uma funcionária se entretém a conceder declarações à imprensa que colocam manifestamente em causa a autonomia das decisões da administração? Pois foi isso que fez Moura Guedes ao dizer, textualmente, que "só se fosse alguém muito estúpido" é que a tirava do ar. Entre fingir que não ouviram ou agir em conformidade face a uma chantagem, a administração agiu. É, no mínimo, estúpido e inoportuno.
publicado no i, onde a partir de hoje passo a escrever todas as sextas e sábados.

EN2 (3) - o cão ideal para se desenhar

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A EN2 (-1 e 2)

O prólogo que só hoje vi


e Viseu/Góis

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A EN2


O João Catarino tem dois blogues notáveis: um onde desenha sobre surf e outro sobre o resto das coisas. Nunca percebi a razão da divisão. Pouco importa: nos próximos dias, o i vai revelar os desenhos e os textos da sua viagem através da estrada nacional 2. Vejam o video e digam lá se não dava um belo programa de serviço público (por exemplo em lugar daquelas coisas inenarráveis que a 2 nos oferece agora, mesmo antes da meia-noite)?

Que fazer?


Faltam sete dias e vivo com uma dúvida: comprar a caixa integral dos Beatles com as edições remasterizadas (e em digipak, esta parte é fundamental) com os primeiros quatro discos em mono ou em stereo (os quatro primeiros discos que são aqueles que provavelmente nem ouvirei)?
(uma rápida prospecção ao mercado diz-me que a compra mais económica é aqui).

terça-feira, 1 de setembro de 2009

E à 3ª jornada, começou a cumprir-se a profecia


"O Benfica em termos individuais tem excelentes jogadores e vão jogar o dobro do que jogaram no ano passado. E o dobro, se calhar, é pouco!"
Jesus, em declarações no dia da apresentação

Como fazer?

Se fosse possível desenhar um regime de segurança social desde o zero, a escolha recairia sobre um sistema misto. O problema é que tal não é possível: há um legado institucional que, ao mesmo tempo que impossibilita que se desenhe um sistema como se não existissem opções anteriores, torna os custos de transição de tal modo elevados que qualquer mudança no sistema é financeiramente incomportável. Desde logo, porque para começar a capitalizar diminuir-se-ia automaticamente a receita, logo o sistema ficaria impossibilitado de assegurar as prestações dos actuais beneficiários. Que o PSD se proponha mudar a natureza do nosso regime, ainda para mais numa altura em que o mercado de trabalho se encontra deprimido, e não dedique uma linha a explicar como o pretende fazer não é um contributo sério para uma política de verdade. Sinceramente, não vejo como seja possível diminuir a taxa social única em dois pontos percentuais, tornar o subsídio de desemprego mais generoso e, ao mesmo tempo, fazer evoluir a segurança social para um sistema misto. Pensando bem há uma forma: ferindo de morte a sustentabilidade financeira da segurança social.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

Espero que tenha sido tão bom para vocês como para mim



"We are sleek and beautiful
We are cursed
Ready for the future
Ready for the world about to come"

terça-feira, 4 de agosto de 2009


"somos crianças feitas para grandes férias"
Ruy Belo

Ricos e Pobres

Num país com uma taxa de pobreza que nos devia envergonhar colectivamente, há quem tenha dificuldade em definir o que é ser rico. Paradoxalmente, nem por cá, nem na Europa a que pertencemos, há dificuldade em definir o que é ser pobre.
Nas sociedades democráticas e para além da ausência de níveis mínimos de subsistência que caracterizam a privação absoluta, a pobreza é um conceito relativo. Não por acaso, existe uma consagração estatística do risco de pobreza e, na Europa, pobres são todos os que têm rendimentos inferiores em 60% à mediana. Aliás, o leitor estará certamente recordado: cada vez que o Eurostat publica os dados sobre a taxa de pobreza na Europa, assistimos em Portugal a um movimento de indignação colectiva com a persistência e com a dimensão do fenómeno. A indignação é totalmente justa, mas não deixa de ser estranho que desapareça com a mesma intensidade com que surge. Na verdade, só somos capazes de definir quem são os pobres porque somos capazes de saber quem são os que têm rendimentos médios e, naturalmente, aqueles que são ricos. Acontece que, surpresa, em Portugal - o tal país com níveis intoleráveis de pobreza - hesitamos perante a necessidade de definir quem são, relativamente, os ricos.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.

domingo, 2 de agosto de 2009

O fim das fotocópias

Durante muito tempo, a política portuguesa viveu assolada pelo espectro da indiferenciação: as opções do PSD e do PS para as políticas públicas pouco se distinguiam. Se alguma coisa resultou clara da conferência “Transformar Portugal” foi precisamente a consolidação do fim dos partidos fotocópias. José Sócrates e Manuel Ferreira Leite – e com eles PS e PSD – distinguem-se hoje bem mais do que no passado.
Antes de mais, no estilo. Podemos não saber exactamente que tipo de político preferem hoje os portugueses, mas enquanto Sócrates revelou uma notável desenvoltura formal na sua intervenção (falou de improviso), Ferreira Leite mostrou-se presa a um discurso escrito assente num conjunto de lugares comuns, tão pueris como facilmente partilháveis por todos.
Depois, nas opções estratégicas. Se é verdade que Ferreira Leite voltou a revelar muito pouco – ou rigorosamente quase nada – do que se propõe fazer se ganhar as eleições, é ainda assim possível intuir diferenças substantivas entre os dois candidatos.
Sócrates, ao mesmo tempo que fez uma defesa do seu executivo em duas áreas chaves (a educação e as renováveis), defendeu um aprofundamento das funções do Estado nas áreas sociais, designadamente respondendo aos trabalhadores de baixos salários, quer através de uma nova prestação, quer através da densificação das respostas de serviços às famílias. Ferreira Leite, ainda que tenha centrado a sua intervenção quase exclusivamente nas questões económicas e financeiras, não deixou de sugerir que as funções sociais do Estado devem ser supletivas.
No fim, ficou também a diferença sobre o papel da política fiscal. Enquanto para Ferreira Leite os impostos não devem estar ao serviço da equidade, Sócrates parece ter dado um passo no sentido de tornar a política fiscal mais relevante para as respostas sociais.
A dois meses das eleições, as diferenças entre os dois principais partidos são claras e é possível de facto escolher alternativas. A diferenciação é uma vantagem para a própria democracia, falta agora que o PSD seja capaz de transformar em medidas tangíveis o que até agora é apenas sugerido. Uma coisa é certa, ficamos todos a ganhar com o aprofundar das clivagens e da distinção programática.

Comentário às conferências "Transformar Portugal", publicado no Semanário Económico

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um choque social

Numa altura em que as ideologias contam pouco, a crise económica e a competição dos partidos à esquerda trouxeram as prioridades sociais para o topo da agenda do PS. O realismo fez com que o lugar que antes era ocupado pelo “choque tecnológico” esteja, hoje, preenchido por um “choque social”.
A este propósito, podemos distinguir dois tipos de compromissos no programa eleitoral.
Um primeiro que tem a ver com o aprofundamento do que foi feito na anterior legislatura (ex. a diferenciação positiva das carreiras contributivas mais longas e a densificação da rede de creches com horários alargados). Um segundo que se prende com inovações que, ao mesmo tempo que podem ter um enorme alcance social, serão financeira e administrativamente muito exigentes. É disto exemplo paradigmático a prestação para as famílias trabalhadoras com filhos, que se encontram em risco de pobreza.
É uma medida ambiciosa, dirigida ao problema social mais premente: os trabalhadores de baixos salários. Simultaneamente, é o mais forte dos incentivos à activação dos beneficiários da rede de mínimos sociais. A enunciação programática é ainda vaga, mas, a ser levada à letra, o que está em causa é, de facto, uma espécie de majoração do rendimento mínimo para quem está no mercado de trabalho. Enquanto o RSI tem como referencial a pensão social (187 euros), a linha de pobreza encontra-se aproximadamente nos 400 euros. Estamos, por isso, não apenas a falar de um universo de agregados familiares muito grande (todas as famílias que tendo adultos no mercado de trabalho têm rendimentos per capita inferiores à linha de pobreza), como, potencialmente, de prestações diferenciais com montantes muito significativos.
A diferença estará nos detalhes no desenho da medida, mas o seu alcance será equivalente ao do rendimento mínimo garantido e do complemento solidário para idosos. Resta saber se haverá recursos suficientes para o fazer de um modo abrangente.

publicado no i como comentário ao programa do PS para as áreas sociais.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

As raparigas do coro



"I loved you for your beauty
but that doesn't make a fool of me:
you were in it for your beauty too
and I loved you for your body
there's a voice that sounds like God to me
declaring, declaring, declaring that your body's really you"
L.C.

Desacantonar a política fiscal

Nos últimos anos, Portugal desenvolveu uma rede de mínimos sociais à imagem dos Estados Providência consolidados. Ainda que a pobreza continue a ser a questão social predominante, o caminho passa agora por aumentar a eficácia e a eficiência das políticas existentes. Mas este sucesso relativo aumenta a visibilidade de problemas sociais persistentes. À cabeça a pobreza entre os trabalhadores. Com uma mediana salarial que pouco ultrapassa os 700 euros, há uma classe média literalmente ensanduichada entre as famílias que beneficiam de mínimos sociais e aquelas que têm recursos suficientes. Responder a este grupo é a prioridade do próximo ciclo político.
Acontece que esta resposta já não pode ser dada apenas através da protecção social. Assenta num esforço de densificação dos serviços de apoio às famílias, adequando-os às necessidades de quem está no mercado de trabalho, mas implica, essencialmente, que a política fiscal e a política de emprego assumam maiores responsabilidade sociais. Este movimento requer uma ruptura, desde logo com o património político do PS: a política fiscal não pode continuar acantonada, assumindo escassamente o seu papel redistributivo e solidário. É preciso redistribuir mais e redistribuir mais a favor dos que estão no mercado de trabalho mas vivem uma dupla precariedade: de rendimentos e contratual. Portugal precisa, naturalmente, de modernizar o seu padrão de especialização económico, mas não o pode fazer se não for capaz de fazê-lo solidariamente. Espero por isso que, no programa eleitoral do PS, a política fiscal seja também um instrumento de política social.

publicado no i, como resposta à pergunta: "o que deveria ser o programa de governo?"

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Cum caraças.

Pablito



"Uma vez perguntaram-me quem contratava se tivesse 100 milhões do dólares e respondi Pablito. Tem uma técnica fora do normal e uma visão fenomenal."
Juan Sebastian Verón ao i.