custa-me muito ter de escrever isto, mas só uma enorme cavalgadura não faz deste senhor titular indiscutível em qualquer equipa de futebol do planeta. no fundo, era o zanetti e o messi e mais nove (entre eles o angelito, claro).
quarta-feira, 21 de abril de 2010
36 a caminho dos 37
terça-feira, 20 de abril de 2010
The horror, the horror
"19h46
A viagem no autocarro que transporta a comunicação social transforma-se oficialmente numa excursão às amendoeiras em flor. Um repórter de imagem agarra-se a um microfone e incita as crianças, anteriormente muito sossegadas, a cantar - de Xutos & Pontapés a Rui Veloso, passando pelos Black Eyed Peas e o cansativo tema que se tornou o "hino" da Selecção Nacional (I Gotta Feeling). A coisa não fica por aqui. O DJ de Belém começa a ensaiar coreografias no corredor e pede às crianças para imitarem a dança. Quase seis horas depois da partida de Praga, o desconforto atinge agora o sistema auditivo. The horror, the horror."
Vai trabalhar, malandro
Com origem nas ‘poor laws' de 1601, eram instituições em que os pobres trocavam protecção por trabalho, simbolizando o apogeu da protecção social como controlo social e higiénico dos pobres. O regime das ‘workhouses' era conhecido pelo seu carácter punitivo, que tinha como objectivo desencorajar que os residentes as vissem como alternativa ao trabalho. Em 1930, o Governo britânico aboliu as ‘worhouses'. A decisão é usualmente vista como um marco na generalização dos direitos sociais de cidadania no mundo ocidental. Em Portugal, em 2010, o novo líder do maior partido da oposição escolheu como aspecto central da sua plataforma política o "tributo solidário", uma medida que, a ser levada a sério, reenvia-nos para o universo simbólico das ‘workhouses'.
Na formulação de Passos Coelho, com o tributo solidário "quem é ajudado pelo Estado deve retribuir essa benesse em trabalho social". A obrigação recai sobre os beneficiários do RSI e do subsídio de desemprego. A proposta consegue ser, ao mesmo tempo, politicamente errada e revelar desconhecimento sobre o funcionamento das medidas existentes. No fundo, o tributo solidário tem apenas um objectivo: explorar politicamente o ressentimento face aos beneficiários de prestações sociais.
continuar a ler no meu artigo de hoje no Diário Económico.
Preciso de ti esta noite
Record Club: INXS "Need You Tonight" from Beck Hansen on Vimeo.
Annie Clark (aka St. Vincent) vai estar no super rock, super bock, numa noite de julho, na praia do meco.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
Liberdade de escolha
publicado no i.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
A cortina de fumo constitucional
publicado hoje no i.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Liberdade de escolha
O JMF lembrava hoje, linkando isto, que para Nietzsche "a vida sem música era um erro". Eu, que sou provavelmente o pior cantor do mundo, acrescento que a educação sem música é um erro. Não sei de que modo contribuiu a minha educação musical para a música que hoje ouço, mas sei que tive a sorte de fazer a primária no rescaldo do PREC, na melhor escola do mundo. As músicas que aprendi eram do Zeca, do Zé Mário Branco e do Fausto - que a certa altura fez um disco fabuloso, precisamente sobre o nome da escola onde eu andava. Temo que os meus filhos aprendam outras músicas, e quando vejo o meu filho a cantarolar os ABBA ou os insuportáveis Black Eyed Peas temo pelo futuro. Mas sou tolerante e há mesmo um tempo para tudo (mas, pelo sim pelo não, em nome do dirigismo e da política do gosto, já o convenci da superioridade do Johnny Cash, até porque na Balbúrdia na Quinta há uma versão do I Won't Back Down). No fundo, há momentos em que sou pela liberdade de escolha na educação, uma coisa que parece ser agora muito popular. Mas depois, vejo este video e comovo-me. A escola é manifestamente pública, com miúdos de muitas etnias, provavelmente de um contexto - lá está - sócio-económico desfavorecido. Mas, o que conta aqui é que há um professor que ensina outras músicas a este conjunto de miúdos. Acho que mudar o mundo é apenas isto e liberdade de oportunidades é estes miúdos poderem aprender esta música dos Beach House, numa escola pública.
(a propósito de ser possível oferecer aos miúdos músicas não apatetadas, que dizer deste workshop do Thurston Moore, para crianças a partir dos oito anos, que decorreu ontem. O que isto não fará pelo futuro duma criança?)
Banhos de Mar
Ontem e anteontem tomei os primeiros banhos de mar de 2010. No plural diário: um de manhã; outro à tarde. Às nove da manhã, sozinho e dono do mundo, e, depois, às cinco da tarde, acompanhado por meio mundo, mas não menos feliz por isso. Portámo-nos todos como se tivesse chegado o Verão. Todos os anos, a meados de Abril, caímos no mesmo engano. Sabemos que vêm aí grandes chuvadas e intempéries. Mas que nós, na nossa inocência, gula e esperança, não esperamos. Somos fáceis de enganar, ano após ano, apesar da lembrança de termos sido anualmente enganados desde que nascemos, vez após vez, porque o engano sabe bem. É como a droga, um dia de praia no princípio de Abril. É como o prazer de ser estúpido. É como apostar que vai sair o 36 na roleta 36 vezes seguidas.
Nunca tive a coragem de experimentar as drogas duras (que devem ser boas de mais), nem paciência para aturar as moles (que não são suficientemente boas). As minhas drogas foram sempre as moderadas: as centrais; as divertidas; as que sabem bem; as que ajudam a trabalhar; as que nos matam sem darmos por isso.
O mar português é exactamente como uma dessas drogas - a cocaína; o álcool; as anfetaminas. É um perigo e um prazer. Faz medo mas faz bem. Mata bastante mas dá-nos sempre uma sensação de viver. O engano de acharmos que começou a época da praia é como o feitiço da toxicodependência. É uma estupidez profunda da qual temos consciência mas nem por isso nos liberta.
Bem-vinda seja, a traidora.
Miguel Esteves Cardoso, no Público.
Os Surfer Blood a nadarem numa garagem
sábado, 10 de abril de 2010
Passos e Sócrates, a mesma luta
publicado hoje no i.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
O rei vai de submarino
publicado hoje no i.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Merda: o cash for chaos acabou
Aparentemente, a maior vigarice de sempre acabou e já não volta mais.
terça-feira, 6 de abril de 2010
New England+Born to run=A more perfect Union
Uns gajos que conseguem a proeza de citar no refrão a minha música preferida do Billy Bragg e a melhor música do Bruce Springsteen merecem, só por isso, toda a consideração. Mas os Titus Andronicus valem bem mais do que a influência. Monitor é um grande disco que, no meio da Guerra Civil americana, transborda de energia vital. Desde os Pogues que não se gritava tão bem.
O que nasce torto
E é aqui que entram as responsabilidades políticas. Uma das obrigações primeiras de quem governa é esclarecer. Quando o tema são submarinos, assistimos a uma espécie de "passa ao outro e não ao mesmo". A este propósito, a reacção de Durão Barroso foi paradigmática. Confrontado com as notícias do Der Spiegel, não se inibiu de afirmar que não tinha tido "qualquer intervenção directa" no negócio, além da participação na decisão tomada colectivamente em Conselho de Ministros. No fundo, a maior aquisição da democracia portuguesa foi tratada como um decreto-lei do Ministério da Agricultura. Estamos, no mínimo, perante um caso de irresponsabilidade política. Durão Barroso afirmar que não teve "intervenção directa" no negócio dos submarinos é o mesmo que Sócrates dizer que não sabia do negócio PT/TVI, mas a uma escala radicalmente diferente. Não só está em causa um valor dez vezes superior, como, no primeiro caso, era um negócio do Estado; no segundo, entre privados, sendo que o Estado detinha apenas uma ‘golden share' na empresa compradora. (...)
do meu artigo no Diário Económico.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Maiores do que nós
Hoje tudo teve condições para correr mal. Depois do roubo de sexta-feira, que inclusivamente fez corar Mesquita Machado, só faltavam mesmo aqueles quinze minutos iniciais. Andei o dia todo com um pressentimento estranho: o jogo ia correr mal e o jogo estava a correr mal. Nos últimos anos, o meu optimismo tem sido sempre contrariado pela equipa. Este ano, é ao contrário e é o meu pessimismo que é contrariado pela equipa. É para isso que serve o Benfica - para ser maior do que nós; o Benfica tem sido outra vez maior do que nós e hoje foi muito maior do que nós. Na verdade, tirando um ou dois jogos esporádicos, isto não me acontecia desde a primeira passagem do Eriksson pela Luz, quando eu era o miúdo que chorou no golo contra o Liverpool na quinta-feira. Razão tem o João Alves quando há semanas dizia que "este Benfica atropela os adversários como o meu e vai ficar para a história." Para mim, já ficou.
The bravest show that David Simon has ever made
“Treme” isn’t in the business of taking a socioeconomic or political view of the storm’s ravages (if there was a reference to President Bush in the first three episodes, I missed it) or of drawing many moral distinctions between characters. There’s no sense of judgments being made, except when it comes to non-natives. (...) I’d never seen anything like it in a TV show. And yet it didn’t strike me as exotic, since that’s a word I would use to describe something I felt distanced from. But here I felt a strong connection. I think this is what Simon wanted to have happen to viewers, though so far it hasn’t happened to me very often. The characters in the show are ambivalent about outsiders, and if you’re at all sensitive to that you feel intrusive, rude—almost a colonialist—for appreciating what you see and hear in “Treme.” The series virtually prohibits you from loving it, while asking you to value it. In that sense, I suppose, it may be the bravest show that David Simon has ever made.
vá e siga.
(site de Treme)
sábado, 3 de abril de 2010
As fogueiras que ardem de novo
publicado hoje no i.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Vivemos todos num submarino
publicado hoje no i.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Da luta de classes
Conforme o tempo passa, mais eu gosto deste gajo (um bom pretexto para recordar esta grande entrevista, a anos luz daquilo a que nos habituam os políticos).
quarta-feira, 31 de março de 2010
No fundo é isto
Intervenção directa
Sujeitos de personalidade jurídica indefinida
(nota de rodapé: este ano, era preciso roubar mesmo muito o Benfica para não sermos campeões)
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
We all got holes to fill
Aí há dezoito anos conheci assim o Townes Van Zandt. Uma coisa completamente irrelevante para o resto do mundo, já eu nunca recuperei bem dos impactos e das coisas que a partir daí fui ouvindo. (sim, a Margo esquece-se da letra lá para o fim).
sábado, 27 de março de 2010
Agora ou a eternidade?
publicado no i.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Um Bloco Central de Palácios
publicado hoje no i.
O enigma Ferreira Leite
Mas se essa é uma parte do enigma, há outra que dificilmente encontrará explicação: o tipo de afirmação política que Ferreira Leite procurou. Uma combinação única entre falta de competências na comunicação política, com um discurso de um pessimismo sem paralelo e sem qualquer proposta para um caminho alternativo. Tudo isto pautado por um subtexto no qual categorias que deveriam ser marginais para a disputa política – da verdade ao carácter – foram centrais para a diferenciação do PSD face ao PS. Os resultados desta opção estratégica estão à vista: Ferreira Leite deixa o PSD com scores idênticos aos que herdou de Menezes.
comentário ao barómetro da Marktest, no último dia de Ferreira Leite líder do PSD (publicado no Diário Económico)
quinta-feira, 25 de março de 2010
Cartas ao director,
quarta-feira, 24 de março de 2010
Vida para além do défice
"Nestes dias sujos e vociferantes, muitas palavras se têm escutado sobre as escutas. Em quase todas elas, há aquela mistura de moralismo e ódio, alvoroço e justicialismo, mediocridade e exibicionismo que preside aos grandes desastres. Dizer que os meios ganham razão pelos fins é dar voz à barbárie. Mas há sempre juristas para a defender, tornando legítimo o ilegal e justo o intolerável. Em todos os crimes dos despotismos, do ordálio medieval aos julgamentos de Moscovo, houve juristas a fazer da sua argumentação uma justificação e mesmo uma apologia do monstruoso. Esses crimes foram sempre perpetrados em nome de um "interesse superior": da Verdade, do Bem, do Estado, da Nação, do Partido, do Povo, do Público, da Raça, de Deus. Ficaremos todos mais prevenidos e lúcidos quando um dia se fizer uma história do direito como aliado da barbárie. Kafka não era um escritor com excesso de imaginação..."
terça-feira, 23 de março de 2010
A solução preguiçosa
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
segunda-feira, 22 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
A lei Pacheco Pereira
publicado no i.
sexta-feira, 19 de março de 2010
As pessoas no fim
publicado hoje no i.
quinta-feira, 18 de março de 2010
"Quem é ateu e viu milagres como eu"
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Hoje à noite, na Capela do Rato em Lisboa, participarei numa mesa redonda sobre "Deus: questão para Crentes e não-Crentes", com o Henrique Raposo e Assunção Cristas, moderados pelo João Wengorovius Menezes. Em cima, algumas das coisas de que prometo falar.
Teoria da relatividade
terça-feira, 16 de março de 2010
Estado de choque
(entretanto subscrevo integralmente o que o Paulo aqui escreve sobre o mesmo assunto)
segunda-feira, 15 de março de 2010
O Presidente da COC
sábado, 13 de março de 2010
O dilema de Passos
publicado hoje no i.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Theory and Practice in theory and in practice
a única coisa a fazer é, mesmo, ir ler o resto do que o Tony Judt escreve aqui.
Um PE
publicado hoje no i.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Regressos e pequenas invejas
Os National estrearam ontem no Jimmy Fallon um tema do seu novo disco, High Violet, e não está nada mal, mesmo nada mal (chama-se "terrible love). Bem sei que isto não se faz em público, mas os National vão abrir um concerto dos Pavement na Europa e, custa-me muito informar, eu já sou legítimo proprietário de dois bilhetes. Falo disto porque aqui pode ser vista uma retrospectiva dos telediscos do Malkmus & friends.
quarta-feira, 10 de março de 2010
E os juízes tornam-se também médicos
As prioridades certas
now you're telling me
you're not nostalgic
then give me another word for it
you who are so good with words
and at keeping things vague
because I need some of that vagueness now
it's all come back too clearly
yes I loved you dearly
and if you're offering me diamonds and rust
I've already paid
hoje ou aqui.
A nossa miséria ou uma curta metragem sobre os especialistas na presidência da república
Esta coisa começa por fazer rir, mas no fim só podemos ter vontade de chorar.
terça-feira, 9 de março de 2010
Virgens ofendidas
O que nos é sugerido é não apenas uma nova centralidade para o poder judicial, como também uma ofensiva que passa pela diminuição das esferas de autonomia dos poderes políticos. O que nos lembra que já não estamos apenas numa fase de tensão latente. Se a saída para a "democracia descontente" em que nos encontramos passar por uma transferência da legitimidade de poderes com legitimidade eleitoral (como são o legislativo e o executivo), para um poder cuja legitimidade radica em mecanismos fracamente sindicáveis pelos cidadãos, há boas razões para termos medo. É um sintoma de que está a germinar uma visão em que o poder judicial já não quer ser independente do poder político, mas sim ver este subjugado ao seu poder.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
(para quem tiver curiosidade, o texto da associação sindical dos juízes portugueses, que cito, pode ser lido, em todo o seu esplendor, aqui.)
segunda-feira, 8 de março de 2010
E Deus criou a mulher (madura)
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Kathryn Bigelow tem 58 anos e Kim Gordon 56. Os EUA são definitivamente o Sol da Terra.
sábado, 6 de março de 2010
O nosso caso Lewinsky
publicado no i.
sexta-feira, 5 de março de 2010
A miséria do sindicalismo
publicado hoje no i.
quinta-feira, 4 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Canalhocracia*
(para detalhes, o melhor é ler o Eduardo. claramente uma pessoa tolerante, paciente e condescendente e também o Luís.).
título roubado ao Tomás.
Já me compensaram os dias
Estes ouvi mais no Inverno de 1994/95, mas, também, se bem me lembro, durante o Verão seguinte e ainda este Verão. Há bocado - literalmente - começaram a tournée de reunião na Nova Zelândia. Entretanto, fica aqui um medley. Se derem uma volta por aqui há mais coisas.
Já me estragaram os dias
No Inverno de 1993/94, terei ouvido mais este disco (Jazzmatazz) do que qualquer outro. Foi aliás um bom Inverno. Aulas à tarde na faculdade, surf de manhã e belas viagens, acompanhadas a k7, num memorável Ford Fiesta. Como se usa dizer: bons tempos para se estar vivo. Nada disto me ocorreria agora, não fora o Guru - aqui acompanhado pelo Donald Byrd - ter tido um enfarte que o deixou em coma. Uma bela merda.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Para este peditório, eu dou
Shane Macgowan, directamente saído do caldeirão de cerveja (cerveja?) onde caíu faz 30/40 anos, reuniu mais uns colegas de natação. Tudo por uma boa causa: o Haiti. O resultado é que passei a ter a minha própria Band Aid. Enquanto o Mick Jones bate no estintor de incêndios, o Nick Cave põe alguma ordem no estúdio e o Bobby Gillespie faz de Bobby Gillespie, o Johnny Depp aproveita para fazer um belo solo, numa ainda mais bela guitarra. A música que sofre este tratamento é o I put a spell on you, de Screamin' Jay Hawkins'. A rapariga do baixo, parece-me a mim, é a ex-Pogues e ex de Elvis Costello, Cait O'Riordan. Está, contrariamente aos outros, bem conservada.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O exemplo de Figo
publicado hoje no i.
Sinais de crise sistémica
publicado hoje no Diário Económico como comentário ao barómetro da marktest.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Que viola o segredo?
publicado hoje no i.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Ninguém é neutro
"4.Ora, ninguém é neutro. Ninguém. A começar pelo jornalista. Como qualquer observador/relator, ele é alguém que escolhe: escolhe o que olhar, de onde olhar, para onde não olhar; escolhe o que dizer, como dizer, como evitar dizer. O que o jornalista produz não é uma "fotocópia" da realidade, mas sim uma construção narrativa (por palavras, imagens, etc.) que existe como uma nova realidade que se vai somar àquela de onde partiu.
5.Reconhecer isto não é lançar nenhuma suspeita sobre a actividade jornalística. Bem pelo contrário: é reconhecer a sua complexidade prática e conceptual, celebrando também a sua imensa responsabilidade narrativa, simbólica e filosófica. Por isso, cada vez que um jornalista nos quer convencer da sua virgindade cognitiva — "olhem para mim a dar-vos um ponto de vista que não podem contestar" —, acontece uma mentira. Não necessariamente factual, mas ontológica."
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Contra factos, a narrativa
A pergunta é tão insólita que ninguém está disposto a colocá-la. A tendência é de tal modo claustrofóbica que se surgirem factos que contrariem a narrativa, ninguém quererá saber da força dos factos. Contra factos, o que conta é a narrativa, ardilosamente construída.
continuar a ler aqui.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Sair? Só com eleições
publicado hoje no i.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
O velho novo
Gil Scott-Heron regressou como novo, ou como velho. Pouco importa. O disco é, como se usa dizer, incontornável.
As explicações por dar
publicado hoje no i (e escrito antes da declaração ao país de ontem à noite - que, na verdade, não deu as respostas necessárias.)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O vizinho polaco
Ar puro

No fundo é isto: “People might think that surfing’s a limited thing, but surfing’s not limited . . . You’re all the time learning how to do things, discovering better ways of surfing and more ways of enjoying it.”
Farrelly, M. and McGregor, C. (1968) How to Surf. London: Sphere Books. roubado daqui.
Somos todos o João Galamba
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Escândalo: o governo faz política
adenda: ainda sobre o mesmo tema, ler o porfírio e o eduardo e ainda o rogério e ainda o andré couto e o tomás vasques e ainda o luís tito e ainda a sofia loureiro dos santos e ainda o miguel abrantes e ainda o tiago barbosa ribeiro e ainda o vasco barreto e ainda o Miguel Vale de Almeida e ainda o josé reis santos.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Há muita falta de memória no jornalismo
Elementar, “Meu Caro” Portas
Já sabíamos que conquistas básicas, elementares e justas dos trabalhadores têm vindo nos últimos anos a ser postas em causa. Paulatinamente os patrões vêm sujeitando empregados: são as horas extraordinárias que não são pagas, os inacreditáveis entraves às idas à casa de banho e, talvez aquilo que é mais decisivo, o regime de medo que resulta da precariedade do emprego e que diminui decisivamente a capacidade reivindicativa dos trabalhadores. Mas se sabíamos que isto se passava na industria têxtil endividada (mas em que os patrões se passeiam impunemente de Ferrari), nos bancos e no tecido empresarial português resistente à modernização, não sabíamos era que esta lógica de autoritarismo tinha ocupado também, a esfera, tradicionalmente autónoma e liberal, dos meios de comunicação social.
A verdade é que os indícios ténues já se faziam sentir – bastava ler com atenção certos jornais e ver como as notícias eram tratadas. Mas foi preciso assistir ao despedimento de João Carreira Bom (JCB) do Expresso para termos a confirmação empírica. Esta tendência precisava contudo dum suporte teórico. Afinal, não há regime totalitário que tenha vingado sem uma legitimação conceptual, sem uma clarificação das suas práticas. O Dr. Paulo Portas, na sua coluna do Independente de 31/10, deu-se ao trabalho de clarificar as águas e teorizou sobre o para ele justo despedimento de JCB.
Antes de mais um elogio. O artigo do Dr. Paulo Portas tem uma série de virtudes. É frontal, clarificador e coerente com aquilo que o seu autor costuma defender. Nos dias que correm estas qualidades não são desprezíveis, bem pelo contrário. Mas se do ponto de vista formal há que louvar o artigo do Dr. Paulo Portas, já quanto à substância o seu texto é não só grave, como coloca em causa princípios elementares do jornalismo e consequentemente da democracia.
De acordo com o Dr. Portas, o fim da coluna de JCB, não tendo sido uma decisão agradável de tomar por parte do director do Expresso, foi contudo uma consequência “rigorosamente inevitável” face ao que o cronista escreveu. E foi-o porque, de acordo com as suas próprias palavras, “o dono de um jornal não tem o dever de suportar ofensas impressas no papel em que ele próprio investiu. (...) Não compreender este princípio é supor que a função do capital é pagar, comer e calar, enquanto a responsabilidade do jornalista ou, no concreto, do colunista seria inatacável e, sobretudo, intocável. Em parte alguma do mundo as coisas são assim. Muito menos na iniciativa privada que, por natureza, é privada nos seus critérios” (sic).
Como facilmente se depreende deste excerto, o artigo do Dr. Portas é particularmente grave, na medida em que legitima uma nova prática, resultante da máxima: detenho o capital, posso e mando escrever o que quero. Isto ao mesmo tempo que coloca em causa dois princípios elementares, garantes de um jornalismo imparcial.
Primeiro, um jornal, ou outro meio de comunicação social, não é um negócio privado como outro qualquer. É que, para utilizar uma parábola “famosa”, um jornal, porque faz opinião, vende presidentes da República e vender presidentes é substancialmente diferente de vender sabonetes. Há uma responsabilidade social por parte da comunicação social que reside no facto de esta ser, não só um pilar fundamental dos regimes democráticos, mas também, um garante da autonomia dos cidadãos face ao Estado e face à esfera económica. É por isso que, ao contrário do que o Dr. Portas quer fazer crer, a “função do capital” é mesmo pagar, comer e calar. Isto é, investir, arrecadar os lucros e libertar as redacções de qualquer tipo de constrangimentos.
Segundo, de facto a responsabilidade dos jornalistas deve ser “atacável”, mas deve sê-lo não quando estes criticam o “dono” mas, bem pelo contrário, quando sonegam ou deturpam informação por esta ser prejudicial ao “dono”. Como tem lembrado Ferreira Fernandes na Visão, de acordo com aquilo que o Dr. Portas defende, aos jornalistas do Público não seria permitido publicar notícias críticas em relação à Sonae, aos do DN em relação aos cinema Lusomundo, aos do Expresso em relação à SIC e ao próprio Ferreira Fernandes, tendo em conta que o capital da Visão é maioritariamente suíço, não seria permitido questionar o sigilo bancário helvético. Ora, parece-me um princípio básico que os jornalistas devem ser autónomos e livres de pressões na produção do seu trabalho. Afinal, são eles que assinam as notícias e, com essa assinatura, os leitores esperam que a responsabilidade do que vem escrito seja um exclusivo do autor do texto, livre da influência de quem lhe paga.
Por tudo isto lhe digo “meu caro” Portas que, caso estejamos interessados em defender a imprensa livre – não só dos poderes públicos mas cada vez mais, dos poderes económicos -, é elementar assegurar a autonomia de quem escreve nos jornais. A legitimação do despedimento de JCB que desenvolveu no seu artigo de há duas semanas é um passo decisivo para colocar fim a essa autonomia, dando visibilidade a uma prática que na sombra já se fazia sentir. Antes assim. Ao menos passamos a saber o grau de dependência que tem aquilo que lemos. Designadamente n’ “O Independente”.
artigo enviado para A Capital, algures em Outubro de 1997, e não publicado.
Pressão Alta
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Também foi (é) a minha t-shirt

When I was in high school I had a Meat Is Murder t-shirt. (...) Nobody stays in high school forever, but Meat Is Murder has a way of gaining layers and subtleties as you move onto college and beyond. Unlike some "teen" albums, it still sounds good after you've grownup. With that in mind, the record turns 25 this Valentine's Day. It's been around a long time, soothing any number of misfits, so we asked some of our favorite musicians about their own experiences with the record.
ler aqui.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Colectivo ruptura
publicado hoje no i.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Em busca de Oliver North
publicado hoje no i.




