sexta-feira, 4 de junho de 2010
Ser irrealista, exigir o impossível
publicado no i, onde se pode ver o video do Cohn-Bendit, que vi, em primeiro lugar, nos ladrões de bicicletas.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Grandes escoceses
Os Teenage fanclub voltaram. Uma banda subvalorizada e que fez, pelo menos, uma das maiores canções de sempre. Até o Nick Hornby concordou comigo.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Já devia ter explicado isto (ou se calhar não).
"Noi siamo cinque fratelli. Abitiamo in città diverse, alcuni di noi stanno all'estero: e non ci scriviamo spesso. Quando ci incontriamo, possiamo essere, l'uno con l'altro, indifferenti o distratti, ma basta, fra noi, una parola. Basta una parola, una frase: una di quelle frasi antiche, sentite e ripetute infinite volte nella nostra infanzia. Ci basta dire: "Non siamo venuti a Bergamo per fare campagna" o "De cosa spussa l'acido solfidrico", per ritrovare ad un tratto i nostri antichi rapporti, e la nostra infanzia e giovinezza, legata indissolubilmente a quelle frasi, a quelle parole."
Natalia Ginzburg, Lessico Famigliare
terça-feira, 1 de junho de 2010
Afinidades electivas
If there's ever anyone else
Don't let them do this
And I'll laugh and revel
As you scratch and crawl
If there's ever anyone else
Just show them the ugly mess
Stuart Staples, Jism
Karen, put me in a chair, fuck me and make me a drink
I've lost direction, and I'm past my peak
I'm telling you this isn't me
No, this isn't me
Karen, believe me, you just haven't seen my good side yet
Matt Berninger, Karen
Um apoio bipolar
Esta secundarização poderá bem, no caso das presidenciais, colocar fim ao actual ciclo político. Sócrates, independentemente do resultado, já perdeu as presidenciais. Sócrates perde, quer seja Cavaco, quer seja Alegre a ganhar. Se Cavaco reforçar o seu resultado, o lugar de primeiro-ministro passará a estar sujeito a uma tutela política ainda mais apertada; se Alegre perder, mas com um resultado muito elevado, encontrará um equivalente ao "milhão de votos" de há quatro anos para pressionar o PS; e se Alegre vencer, estaremos perante a disputa entre duas visões diametralmente opostas do que deve ser um governo do PS. Que Sócrates se tenha deixado colocar nesta posição permanece um mistério político.
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A liberdade que vem depois
O melhor de 2010
o melhor disco de 2010 é o On Fire dos Galaxie 500 (reeditado, remasterizado e a devolver-me aos meus 16 anos). Não há volta a dar. Soa ainda melhor agora do que me soava há 20 anos, numa velha k7 BASF, ouvida vezes sem conta. Que eu tenha descoberto isso um par de meses antes do Greenberg, deixa-me, devo confessá-lo, preocupado.
sábado, 29 de maio de 2010
Descer a Avenida
publicado hoje no i.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
O apoio burocrático
publicado hoje no i.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Nunca é tarde
Record Club: INXS "Never Tear Us Apart" from Beck Hansen on Vimeo.
Tenho a leve impressão de que fui muito prejudicado na minha adolescência por não suportar os INXS, ou para o mesmo efeito os Depeche Mode. Há que ter os gostos musicais adequados. Como me foi possível provar, o que se passa neste filme é do domínio da ficção científica. Lembrei-me disto porque, como foi visível nos concertos dos XX e dos Grizzly Bear, o mundo mudou, mas já foi tarde para mim. Não sei se a Annie Clark, à época, gostou dos INXS, mas, agora que a ouço, quase que me sinto empurrado para uma conversão póstuma.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Sem medo de ninguém

With my kid on my shoulders I try
Not to hurt anybody I like
But I don't have the drugs to sort it out
Os National after Moretti.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
O Vice Primeiro-Ministro
publicado no i.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
a gestão da contestação
publicado hoje no i.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
O candidato Cavaco Silva
a propósito, passarei a estar, a partir da próxima semana, todas as sextas-feiras no jornal das nove da tvi24, a comentar a actualidade com o Henrique Garcia.
Ainda salvos pela Europa?
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
Bluesology

Foi assim que ontem Gil Scott-Heron classificou o seu trabalho. Hoje faz 30 anos que morreu o mestre da bluesology. Há cinco anos, escrevi isto na defunta A Capital. Provavelmente não me tem dado muita saúde, mas não consigo deixar de ouvir hoje Joy Division da mesmíssima maneira como ouvi, pela primeira vez, já lá vão mais de vinte anos.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Os pobres eram o problema
publicado no i.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
A desorientação é o regime
publicado hoje no i.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Risco de incumprimento
quarta-feira, 12 de maio de 2010
I was dressed for success / But success it never comes
Corre por aí, entre o grupo excursionista que se deslocou aos National+Pavement, o boato de que combinei o dress code com o Stephen Malkmus. Na verdade, confirma-se, ainda que tenha optado por não usar a t-shirt lilás que ele ostentava (cada um sabe de si).
terça-feira, 11 de maio de 2010
Fé e dogmas
Se me perguntarem a que é que eu pertenço, só há mesmo uma coisa que respondo sem hesitação. Se me perguntarem o que é que faz com que de facto me emocione para além do meu controlo, a resposta é a mesma. Eu fui e continuo a ser aquele miúdo que chorou quando o Benfica marcou contra o Liverpool este ano e mantenho uma memória fotográfica de muitas tardes passadas no velho estádio da Luz. Eu e mais centenas de milhares de outros portugueses - os portugueses que olham com desconfiança para a selecção e que preferem ver o David Luiz a titular do escrete ou o Di Maria a fazer o Maradona sorrir do que a ter de conviver com os nossos jogadores lado a lado com os dos rivais. Sou por isso um dos milhares de benfiquistas para quem este título valeu por muitos outros. Já vi muitas vezes o Benfica campeão, já vibrei com muitas vitórias históricas, mas, admito, é diferente vencer à Trappattoni e vencer jogando como jogámos esta época, naquele carrossel mágico de que tenho a certeza nunca mais me esquecerei. Quando precisar de me emocionar, sei sempre que posso recordar-me do que vi este ano e que, tenho fé, se repetirá para o ano e nos próximos.
Dois lamentos e uma proposta construtiva
sábado, 8 de maio de 2010
A grande recessão
publicado hoje no i.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
pode alguém ser quem não é?
publicado hoje no i.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Amanhã, em Paris de França, vão estar juntos (depois conto)
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"You've been humming in a daze forever
Praying for Pavement to get back together"
The National, so far around the band
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Se isto não é rock'n'roll

"and so now when i drink im going to drink to excess
and when i smoke i will smoke keep it in hold it in my chest
and when i scream i will scream until im gasping for breath
and when i get sick i will stay sick for the rest of my
days peddling hate at the back of a chevy express
each one will fly into the face of your idea of success
and if this be thy will then fuckin' pass me the cup
and im sorry dad no i'm not making this up!
but my enemies feel on the name under my wrist as i go to sleep and i know what little ive known of peace until ive done to you what you've done to me.
and i'd be nothing without you my darling please dont ever leave me.
please dont ever leave"
Titus Andronicus, the battle of hampton roads (só mesmo ouvindo)
The enemy is everywhere
"I'm not sure what else I can say about Titus Andronicus' stellar album The Monitor that hasn't already been said. It's about the Civil War as much as it is about New Jersey as much as it's about disaffected youth. That is to say it is about a lot of BIG things. That is also to say it's gonna take a lot of listens before I can unpack it all.
But that's a beautiful thing, because it sounds about as big as the subject matter it covers. Not in an overblown way though, more like an out-of-breath way. There might as well not even be a track listing because every song just sort of ramshackle-y unravels, verse piled on verse, and spills into the next, but in the best possible way. It kind of sounds like a much punkier, more youthful version of The Hold Steady, with all the Springsteen worship to boot. (Check out the lyrics in epic opener "A More Perfect Union", "tramps like us, baby we were born to die!") In other words, it's the sound of something exciting looking forward and looking back."
(no youtube arranja-se uns videos manhosos da "battle of hampton roads" (assim os melhores 14 minutos que o rock nos deu nos últimos anos)
terça-feira, 4 de maio de 2010
O bloqueio e Alegre
O principal desafio da social democracia na Europa ocidental é ter uma agenda que faça da sustentabilidade financeira do Estado Providência a sua prioridade política. Ora Alegre, nuns casos colocou-se à margem de todas as discussões sobre este tema que ocorreram em Portugal nas últimas décadas, noutros foi um destacado opositor de medidas que tinham este objectivo. Da diferenciação das prestações familiares ainda com Guterres, passando pela disciplina orçamental no SNS com Correia de Campos e pela introdução do factor de sustentabilidade na segurança social com Vieira da Silva, até à opção pela adaptabilidade externa na reforma da regulação laboral, Alegre ou esteve ausente ou foi porta-voz da oposição política a estas medidas.
Num contexto de austeridade como o que vivemos, o sucesso de Alegre depende mais de libertar-se do conservadorismo de esquerda que tem sido a sua marca distintiva, do que de corrigir o afastamento recente em relação ao seu espaço político de origem. Seria um contributo relevante para a construção de um centro-esquerda capaz de crescer eleitoralmente à esquerda. Pelo contrário, uma candidatura conservadora nos costumes e imobilista nas políticas públicas serve apenas dois objectivos: consolida o bloco político conservador e assegura que o PS encontra na sua ala esquerda, por paradoxal que possa parecer, o melhor dos pretextos para se ir, cada vez mais, descaracterizando ideologicamente.
excerto do meu artigo de hoje no Diário Económico.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
imitem a Europa: entendam-se
publicado hoje no i.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
A culpa é do mordomo

Culpar o mordomo é a forma fácil de responsabilizar alguém quando não se encontra o criminoso. Grécia e Portugal são os mordomos desta crise. Mas, assim que os mordomos de hoje forem suficiente- mente fustigados, a função será diligentemente desempenhada por outros Estados - Espanha é o mordomo que se segue. Isto não quer dizer que Portugal não partilhe culpas pela situação em que se encontra. Mas, uma coisa são erros cometidos nos ajustamentos que eram necessários para a integração económica e para a moeda única, outra são as responsabilidades morais e materiais no eclodir da crise financeira que agora provoca ondas de choque assimétricas na zona euro. Não deixa de ser sintomático que tenhamos hoje, ano e meio passado sobre o início da crise, de recordar que os défices excessivos e o crescimento do endividamento não são fruto da desorientação política dos governos nacionais, mas sim consequência do resgate do desvario financeiro. Encontramo-nos no pior dos mundos: temos os erros na formação do euro (da sobrevalorização cambial a uma política comercial que prejudicou objectivamente os países da coesão, enquanto reforçava as economias com balanças comerciais, à partida mais favoráveis, passando pela ausência de uma política fiscal comum) combinados com uma total ausência de capacidade política europeia para os enfrentar; por outro lado, temos um conjunto de Estados que têm de fazer ajustes que não fizeram no passado, mas cuja capacidade para os fazer sem respaldo europeu é nula e teria resultados ineficazes. Perante a dimensão dos problemas, só resta culpar os mordomos.
publicado hoje no i.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Ser Guterrista - hoje, ontem e amanhã
António Guterres hoje, citado aqui.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
Os deputados polícias
publicado no i.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
A diferença está no papel higiénico?
publicado hoje no i.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Contra os pobres, tudo
Oliver North
Durante o escândalo Irão-Contra, ficou célebre a imagem do coronel Oliver North a assumir solenemente a total responsabilidade pela entrega de armas ao Irão. Ao fazê-lo desresponsabilizou o presidente Reagan, que, no mínimo, simpatizava com a causa. O máximo que se tornou possível dizer foi que a vontade de Reagan tinha sido interpretada abusivamente por North. Ainda hoje não se sabe com exactidão o que se passou, mas North, falhada uma carreira política, tornou-se um popular comentador da Fox News (mais um farol da liberdade de expressão). Depois de ter classificado as revelações do jornal "Sol" como jornalismo de buraco de fechadura (o que manifestamente é), José Sócrates demorou quatro longos dias a afirmar que a "intenção estratégica" da PT de comprar a Media Capital foi "totalmente independente da vontade do governo". Logo, o seu nome foi invocado abusivamente. O que, como é sabido, na actividade política, tende a acontecer com frequência. Aliás, não demorou muito para que Henrique Granadeiro, presidente da PT, viesse corroborar as palavras de Sócrates. Mas é esse hoje o problema do primeiro-ministro: a credibilidade das suas palavras depende de facto do que afirmem terceiros. No fundo, depende de que alguns protagonistas ajam como Oliver North.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
36 a caminho dos 37
custa-me muito ter de escrever isto, mas só uma enorme cavalgadura não faz deste senhor titular indiscutível em qualquer equipa de futebol do planeta. no fundo, era o zanetti e o messi e mais nove (entre eles o angelito, claro).
terça-feira, 20 de abril de 2010
The horror, the horror
"19h46
A viagem no autocarro que transporta a comunicação social transforma-se oficialmente numa excursão às amendoeiras em flor. Um repórter de imagem agarra-se a um microfone e incita as crianças, anteriormente muito sossegadas, a cantar - de Xutos & Pontapés a Rui Veloso, passando pelos Black Eyed Peas e o cansativo tema que se tornou o "hino" da Selecção Nacional (I Gotta Feeling). A coisa não fica por aqui. O DJ de Belém começa a ensaiar coreografias no corredor e pede às crianças para imitarem a dança. Quase seis horas depois da partida de Praga, o desconforto atinge agora o sistema auditivo. The horror, the horror."
Vai trabalhar, malandro
Com origem nas ‘poor laws' de 1601, eram instituições em que os pobres trocavam protecção por trabalho, simbolizando o apogeu da protecção social como controlo social e higiénico dos pobres. O regime das ‘workhouses' era conhecido pelo seu carácter punitivo, que tinha como objectivo desencorajar que os residentes as vissem como alternativa ao trabalho. Em 1930, o Governo britânico aboliu as ‘worhouses'. A decisão é usualmente vista como um marco na generalização dos direitos sociais de cidadania no mundo ocidental. Em Portugal, em 2010, o novo líder do maior partido da oposição escolheu como aspecto central da sua plataforma política o "tributo solidário", uma medida que, a ser levada a sério, reenvia-nos para o universo simbólico das ‘workhouses'.
Na formulação de Passos Coelho, com o tributo solidário "quem é ajudado pelo Estado deve retribuir essa benesse em trabalho social". A obrigação recai sobre os beneficiários do RSI e do subsídio de desemprego. A proposta consegue ser, ao mesmo tempo, politicamente errada e revelar desconhecimento sobre o funcionamento das medidas existentes. No fundo, o tributo solidário tem apenas um objectivo: explorar politicamente o ressentimento face aos beneficiários de prestações sociais.
continuar a ler no meu artigo de hoje no Diário Económico.
Preciso de ti esta noite
Record Club: INXS "Need You Tonight" from Beck Hansen on Vimeo.
Annie Clark (aka St. Vincent) vai estar no super rock, super bock, numa noite de julho, na praia do meco.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
Liberdade de escolha
publicado no i.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
A cortina de fumo constitucional
publicado hoje no i.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Liberdade de escolha
O JMF lembrava hoje, linkando isto, que para Nietzsche "a vida sem música era um erro". Eu, que sou provavelmente o pior cantor do mundo, acrescento que a educação sem música é um erro. Não sei de que modo contribuiu a minha educação musical para a música que hoje ouço, mas sei que tive a sorte de fazer a primária no rescaldo do PREC, na melhor escola do mundo. As músicas que aprendi eram do Zeca, do Zé Mário Branco e do Fausto - que a certa altura fez um disco fabuloso, precisamente sobre o nome da escola onde eu andava. Temo que os meus filhos aprendam outras músicas, e quando vejo o meu filho a cantarolar os ABBA ou os insuportáveis Black Eyed Peas temo pelo futuro. Mas sou tolerante e há mesmo um tempo para tudo (mas, pelo sim pelo não, em nome do dirigismo e da política do gosto, já o convenci da superioridade do Johnny Cash, até porque na Balbúrdia na Quinta há uma versão do I Won't Back Down). No fundo, há momentos em que sou pela liberdade de escolha na educação, uma coisa que parece ser agora muito popular. Mas depois, vejo este video e comovo-me. A escola é manifestamente pública, com miúdos de muitas etnias, provavelmente de um contexto - lá está - sócio-económico desfavorecido. Mas, o que conta aqui é que há um professor que ensina outras músicas a este conjunto de miúdos. Acho que mudar o mundo é apenas isto e liberdade de oportunidades é estes miúdos poderem aprender esta música dos Beach House, numa escola pública.
(a propósito de ser possível oferecer aos miúdos músicas não apatetadas, que dizer deste workshop do Thurston Moore, para crianças a partir dos oito anos, que decorreu ontem. O que isto não fará pelo futuro duma criança?)
Banhos de Mar
Ontem e anteontem tomei os primeiros banhos de mar de 2010. No plural diário: um de manhã; outro à tarde. Às nove da manhã, sozinho e dono do mundo, e, depois, às cinco da tarde, acompanhado por meio mundo, mas não menos feliz por isso. Portámo-nos todos como se tivesse chegado o Verão. Todos os anos, a meados de Abril, caímos no mesmo engano. Sabemos que vêm aí grandes chuvadas e intempéries. Mas que nós, na nossa inocência, gula e esperança, não esperamos. Somos fáceis de enganar, ano após ano, apesar da lembrança de termos sido anualmente enganados desde que nascemos, vez após vez, porque o engano sabe bem. É como a droga, um dia de praia no princípio de Abril. É como o prazer de ser estúpido. É como apostar que vai sair o 36 na roleta 36 vezes seguidas.
Nunca tive a coragem de experimentar as drogas duras (que devem ser boas de mais), nem paciência para aturar as moles (que não são suficientemente boas). As minhas drogas foram sempre as moderadas: as centrais; as divertidas; as que sabem bem; as que ajudam a trabalhar; as que nos matam sem darmos por isso.
O mar português é exactamente como uma dessas drogas - a cocaína; o álcool; as anfetaminas. É um perigo e um prazer. Faz medo mas faz bem. Mata bastante mas dá-nos sempre uma sensação de viver. O engano de acharmos que começou a época da praia é como o feitiço da toxicodependência. É uma estupidez profunda da qual temos consciência mas nem por isso nos liberta.
Bem-vinda seja, a traidora.
Miguel Esteves Cardoso, no Público.
Os Surfer Blood a nadarem numa garagem
sábado, 10 de abril de 2010
Passos e Sócrates, a mesma luta
publicado hoje no i.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
O rei vai de submarino
publicado hoje no i.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Merda: o cash for chaos acabou
Aparentemente, a maior vigarice de sempre acabou e já não volta mais.
terça-feira, 6 de abril de 2010
New England+Born to run=A more perfect Union
Uns gajos que conseguem a proeza de citar no refrão a minha música preferida do Billy Bragg e a melhor música do Bruce Springsteen merecem, só por isso, toda a consideração. Mas os Titus Andronicus valem bem mais do que a influência. Monitor é um grande disco que, no meio da Guerra Civil americana, transborda de energia vital. Desde os Pogues que não se gritava tão bem.
O que nasce torto
E é aqui que entram as responsabilidades políticas. Uma das obrigações primeiras de quem governa é esclarecer. Quando o tema são submarinos, assistimos a uma espécie de "passa ao outro e não ao mesmo". A este propósito, a reacção de Durão Barroso foi paradigmática. Confrontado com as notícias do Der Spiegel, não se inibiu de afirmar que não tinha tido "qualquer intervenção directa" no negócio, além da participação na decisão tomada colectivamente em Conselho de Ministros. No fundo, a maior aquisição da democracia portuguesa foi tratada como um decreto-lei do Ministério da Agricultura. Estamos, no mínimo, perante um caso de irresponsabilidade política. Durão Barroso afirmar que não teve "intervenção directa" no negócio dos submarinos é o mesmo que Sócrates dizer que não sabia do negócio PT/TVI, mas a uma escala radicalmente diferente. Não só está em causa um valor dez vezes superior, como, no primeiro caso, era um negócio do Estado; no segundo, entre privados, sendo que o Estado detinha apenas uma ‘golden share' na empresa compradora. (...)
do meu artigo no Diário Económico.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Maiores do que nós
Hoje tudo teve condições para correr mal. Depois do roubo de sexta-feira, que inclusivamente fez corar Mesquita Machado, só faltavam mesmo aqueles quinze minutos iniciais. Andei o dia todo com um pressentimento estranho: o jogo ia correr mal e o jogo estava a correr mal. Nos últimos anos, o meu optimismo tem sido sempre contrariado pela equipa. Este ano, é ao contrário e é o meu pessimismo que é contrariado pela equipa. É para isso que serve o Benfica - para ser maior do que nós; o Benfica tem sido outra vez maior do que nós e hoje foi muito maior do que nós. Na verdade, tirando um ou dois jogos esporádicos, isto não me acontecia desde a primeira passagem do Eriksson pela Luz, quando eu era o miúdo que chorou no golo contra o Liverpool na quinta-feira. Razão tem o João Alves quando há semanas dizia que "este Benfica atropela os adversários como o meu e vai ficar para a história." Para mim, já ficou.
The bravest show that David Simon has ever made
“Treme” isn’t in the business of taking a socioeconomic or political view of the storm’s ravages (if there was a reference to President Bush in the first three episodes, I missed it) or of drawing many moral distinctions between characters. There’s no sense of judgments being made, except when it comes to non-natives. (...) I’d never seen anything like it in a TV show. And yet it didn’t strike me as exotic, since that’s a word I would use to describe something I felt distanced from. But here I felt a strong connection. I think this is what Simon wanted to have happen to viewers, though so far it hasn’t happened to me very often. The characters in the show are ambivalent about outsiders, and if you’re at all sensitive to that you feel intrusive, rude—almost a colonialist—for appreciating what you see and hear in “Treme.” The series virtually prohibits you from loving it, while asking you to value it. In that sense, I suppose, it may be the bravest show that David Simon has ever made.
vá e siga.
(site de Treme)
sábado, 3 de abril de 2010
As fogueiras que ardem de novo
publicado hoje no i.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Vivemos todos num submarino
publicado hoje no i.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Da luta de classes
Conforme o tempo passa, mais eu gosto deste gajo (um bom pretexto para recordar esta grande entrevista, a anos luz daquilo a que nos habituam os políticos).
quarta-feira, 31 de março de 2010
No fundo é isto
Intervenção directa
Sujeitos de personalidade jurídica indefinida
(nota de rodapé: este ano, era preciso roubar mesmo muito o Benfica para não sermos campeões)
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
We all got holes to fill
Aí há dezoito anos conheci assim o Townes Van Zandt. Uma coisa completamente irrelevante para o resto do mundo, já eu nunca recuperei bem dos impactos e das coisas que a partir daí fui ouvindo. (sim, a Margo esquece-se da letra lá para o fim).
sábado, 27 de março de 2010
Agora ou a eternidade?
publicado no i.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Um Bloco Central de Palácios
publicado hoje no i.
O enigma Ferreira Leite
Mas se essa é uma parte do enigma, há outra que dificilmente encontrará explicação: o tipo de afirmação política que Ferreira Leite procurou. Uma combinação única entre falta de competências na comunicação política, com um discurso de um pessimismo sem paralelo e sem qualquer proposta para um caminho alternativo. Tudo isto pautado por um subtexto no qual categorias que deveriam ser marginais para a disputa política – da verdade ao carácter – foram centrais para a diferenciação do PSD face ao PS. Os resultados desta opção estratégica estão à vista: Ferreira Leite deixa o PSD com scores idênticos aos que herdou de Menezes.
comentário ao barómetro da Marktest, no último dia de Ferreira Leite líder do PSD (publicado no Diário Económico)
quinta-feira, 25 de março de 2010
Cartas ao director,
quarta-feira, 24 de março de 2010
Vida para além do défice
"Nestes dias sujos e vociferantes, muitas palavras se têm escutado sobre as escutas. Em quase todas elas, há aquela mistura de moralismo e ódio, alvoroço e justicialismo, mediocridade e exibicionismo que preside aos grandes desastres. Dizer que os meios ganham razão pelos fins é dar voz à barbárie. Mas há sempre juristas para a defender, tornando legítimo o ilegal e justo o intolerável. Em todos os crimes dos despotismos, do ordálio medieval aos julgamentos de Moscovo, houve juristas a fazer da sua argumentação uma justificação e mesmo uma apologia do monstruoso. Esses crimes foram sempre perpetrados em nome de um "interesse superior": da Verdade, do Bem, do Estado, da Nação, do Partido, do Povo, do Público, da Raça, de Deus. Ficaremos todos mais prevenidos e lúcidos quando um dia se fizer uma história do direito como aliado da barbárie. Kafka não era um escritor com excesso de imaginação..."
terça-feira, 23 de março de 2010
A solução preguiçosa
do meu artigo de hoje no Diário Económico.
segunda-feira, 22 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
A lei Pacheco Pereira
publicado no i.
sexta-feira, 19 de março de 2010
As pessoas no fim
publicado hoje no i.
quinta-feira, 18 de março de 2010
"Quem é ateu e viu milagres como eu"
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Hoje à noite, na Capela do Rato em Lisboa, participarei numa mesa redonda sobre "Deus: questão para Crentes e não-Crentes", com o Henrique Raposo e Assunção Cristas, moderados pelo João Wengorovius Menezes. Em cima, algumas das coisas de que prometo falar.
Teoria da relatividade
terça-feira, 16 de março de 2010
Estado de choque
(entretanto subscrevo integralmente o que o Paulo aqui escreve sobre o mesmo assunto)



