"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Tacuara resolve


Larissa Riquelme, por esta altura não há ninguém minimamente desperto para o mundo que não saiba quem é (mas, sim, a primeira pessoa que sinalizou o fenómeno foi o Manel), promete despir-se se o Paraguai passar às meias-finais. Eis um trabalho para o Tacuara.

Quem é ateu e viu milagres como eu

terça-feira, 29 de junho de 2010

Águia de ouro

O Panda Bear vai ter disco novo lá para o Outono. O António Manuel Ribeiro que se cuide: uma das músicas vai chamar-se Benfica.

Uma relação insustentável

"(...) O mais dramático é que Sócrates tem razão quando diz que o dever de um primeiro-ministro é puxar pelas energias positivas do país e Cavaco tem razão quando diz que a situação das nossas contas públicas é insustentável. Mas uma coisa são as proclamações retóricas, outra, bem diferente, é o contributo que de facto a relação Belém/São Bento dá para enfrentar os problemas do país. E se não precisamos de uma gestão excessivamente optimista das expectativas, também não serve de nada um pessimismo militante.

Não está de facto no ‘site' de Belém, mas, no essencial, a cooperação estratégica entre Presidência e Executivo pressupunha uma convergência, quer quanto aos objectivos políticos para o país, quer quanto aos meios para os alcançar. E é aí que se joga de facto a sustentabilidade das políticas públicas.

Ora, o essencial da nossa despesa pública é muito rígido e concentra-se em áreas onde é complexo fazer reformas: salários, prestações sociais, despesas com saúde e educação. E nessas áreas não precisamos de proclamações retóricas, mas sim de disciplina concreta. A este propósito, convém não esquecer que o esforço de Correia de Campos para conter o crescimento da despesa na saúde não encontrou cooperação em Belém (aliás, bem pelo contrário) e o de Maria de Lurdes Rodrigues para diferenciar o crescimento salarial dos professores foi entretanto suspenso, com um silêncio complacente do Presidente. O que só prova que há uma grande diferença entre falar de sustentabilidade e cooperar para a sustentabilidade."
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excerto do meu artigo de hoje no DE.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Derrotar a Alemanha


Estou a chegar àquela fase dos mundiais em que tenho uma prioridade: concentrar-me na derrota da Alemanha. Este ano, como se fossem necessários mais contributos, há uma razão adicional para que isso aconteça. As roupas à "foda-se" que os gajos que estão no banco usam.

sábado, 26 de junho de 2010

Sócrates e Cavaco: uma relação insustentável

No fundo, o que eu penso é isto.

Democracia ferida de morte

“O país é governado por uma coligação de procuradores e jornais”, afirmou esta semana Henrique Granadeiro em entrevista ao Jornal de Negócios. Temo que “governado” não seja o termo adequado. Seria mais correcto dizer que o país se vai tornar progressivamente ingovernável por força de uma coligação entre péssimas investigações e jornalismo tablóide. Não são só os desequilíbrios orçamentais, a nossa situação política é também insustentável porque a justiça, nos processos mediáticos, compensa frequentemente a sua incapacidade de produzir prova com a disseminação de informação falsa e a conta-gotas em órgãos de comunicação que se têm prestado a essa função. Com consequências: fica sempre a pairar uma nuvem de suspeição sobre todos – inocentes e culpados – combinada com uma total incapacidade de apurar a verdade. Se, por um lado, ser político passou a ser uma profissão de risco, por outro a imagem dos agentes da justiça deteriorou-se a um ritmo só comparável com a dos políticos. Deveria ser uma prioridade quebrar a espinha a esta coligação indomável entre alguns procuradores incompetentes e péssimos jornalistas que está a ferir de morte a democracia. Mas é duvidoso que tal seja possível. A classe política não o pode fazer pois não só nenhum partido está imune a processos mediáticos, como os políticos se degradaram progressivamente. Resta uma possibilidade. Um Presidente da República que use a sua gravitas para liderar este combate, até porque esta missão é a única relevante que resta a um chefe de Estado. Mas também aqui é escusado depositar quaisquer expectativas. Tanto o Presidente como os candidatos que se perfilam, para além de nunca terem relevado vontade política nesse sentido, têm sido complacentes com o desvario justicialista acomodado pelos media.
publicado hoje no i.

Com dedicatória



no concerto que os Spoon deram na aula magna há uns anos, o Britt Daniel dedicou esta música à avó.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Uma história exemplar

Há dois anos, os chips das matrículas foram apresentados pelo governo como uma solução virtuosa para todos. Em mais um arremedo de deslumbramento tecnológico, falava-se em "potenciar um cluster na telemática rodoviária", num "aumento da segurança rodoviária", tudo com o objectivo de "fiscalizar veículos e não pessoas". Claro está que o essencial era o não dito. Era necessário criar um mecanismo que permitisse cobrar portagens nas Scut, onde não foram inicialmente construídas praças para o efeito. Dois anos passados, estamos mais ou menos na mesma situação. O governo não conseguiu encontrar uma solução alternativa à obrigatoriedade dos chips e continuamos a aceitar dois princípios insólitos: que é possível existirem auto-estradas sem custos adicionais para os utilizadores e, pior, que é adequado fazer política redistributiva através da rede rodoviária. Para ajudar à festa, enquanto o governo quer monitorizar através de um conjunto de indicadores socioeconómicos as Scut que se devem manter gratuitas, o PSD contrapropõe com isenções para os moradores e agentes económicos das regiões. Entretanto, o PSD a norte e o PS a sul ameaçam com contestação à introdução de portagens, ainda que de intensidades diferentes. Tudo isto serve para revelar que, quando era necessário uma simplificação e racionalização das políticas públicas, caminhamos sempre no sentido da sua complexificação. Que esta complexificação tenha chegado a um domínio aparentemente tão material como o modelo de financiamento das auto-estradas é revelador do monstro que está a ser construído.

publicado hoje no i.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Troppe cravatte sbagliate

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Uma coligação indomável

Não sei se governado é o termo adequado, mas a afirmação de Granadeiro hoje ao Jornal de Negócios, quando diz que ""o país é governado por uma coligação de procuradores e jornais", corresponde à verdade. A questão é que ou alguém quebra a espinha a essa coligação ou o País pura e simplesmente não poderá ser governado.Temo bem que ninguém tenha a força política para o fazer. O que só servirá para provar que o que torna, de facto, a nossa situação insustentável é esta coligação perversa, mas, acima de tudo, indomável.

Regressos e amiguismo



Eu na verdade nunca regresso nem aos Açores, nem ao Brel. Mas o Nuno fez regressar o Brel aos Açores, para contar a história do encontro e da amizade de Brel com o médico Decq Mota. Entre Quinta e Sábado no São Luiz. Pensando bem, há uma semana que não ouço Brel e não tarda vão passar dois anos desde a última das vezes que estive em São Miguel.

terça-feira, 22 de junho de 2010

No sentido literal

É por posts como este que eu sigo atentamente este blog.

O disco do meu Verão vai ser este

Valha-nos o João Lopes

a ler, por todos os outros, este texto.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

The marvellous Coentrão

"The left-back Coentrao, who has been a real threat going forward, beats Cha Jong Hyok drives a dangerous, deflected cross towards the near post where Almeida,

Ronaldo finds the overlapping Coentrao down the left and he drives his cross low towards the six-yard box

The excellent Fabio Coentrao burst into space down the left onto a lovely pass from Tiago and then swung back a perfect cross to Almeida

going forward Coentrao has been a revelation.

The marvellous Coentrao crossed from the left edge of the box ..."

Há pouco disse na TSF que o melhor em campo tinha sido o Coentrão e que podíamos imaginar o que teria sido este jogo com o Carlos Martins. As reacções dos portistas não se fizeram esperar. Nada como um farol da imprensa livre como tira teimas. Estas citações são todas retiradas do relato online do The Guardian.

Recordar é viver



O Boss com o tipo dos Gaslight Anthem. Uma coisa ao mesmo tempo dura e comovente.

sábado, 19 de junho de 2010

Diz que é uma espécie de fetiche

Há um vírus sazonal que nos faz crer que os problemas do nosso mercado de trabalho se resolvem através da flexibilização das relações laborais. De tempos a tempos o vírus volta a atacar e encontra ambiente propício ao desenvolvimento na rigidez formal da nossa legislação. Esta semana foi o PSD a fazer regressar o tema, propondo o fim do limite à renovação dos contratos a termo e diminuindo a sua duração. O problema é a realidade. Portugal tem de facto uma legislação do trabalho comparativamente rígida (ainda que já não tanto como no passado), mas a rigidez formal coexiste com a enorme flexibilidade de facto. Não por acaso, os níveis de precariedade são superiores à média europeia e, mesmo com toda a rigidez, o ritmo de crescimento do desemprego não encontra paralelo na Europa. Hoje, aliás, mais de 80% dos novos vínculos laborais são a prazo, o que não é necessariamente um problema se evoluírem para relações de trabalho sem termo. Mas uma coisa é valorizar a flexibilidade na entrada no mercado de trabalho e outra, bem diferente, é pensar que a flexibilidade deve ser a regra ao longo da carreira ou, pior, que os níveis de regulação do trabalho devem ser mínimos. Tudo isto sugere que em Portugal, como na Europa, a crise está a tornar-se um cavalo de Tróia de uma agenda desregulamentadora. E, convém não esquecer, não foi a rigidez dos mercados de trabalho que fez deflagrar esta crise. Era bom que os nossos problemas se resolvessem, de algum modo, com maior flexibilidade na contratação ou combatendo armadilhas de inactividade, mas, com o desemprego a 10% e a economia deprimida, pensar que se combate o desemprego com uma agenda flexibilizadora não passa de um fetiche.

publicado no i.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A bonus track from the Bible



Finalmente disponível.

E porque não os idosos?

O velho slogan político exige que os ricos paguem a crise. Mas, para além da retórica, há a realidade e as crises são mais duras para os mais pobres. Esta não é excepção e em Portugal, um país onde as desigualdades são muito marcadas, os mais desfavorecidos serão as principais vítimas. É, por isso, numa altura como esta que mais necessária é uma rede de mínimos sociais eficaz. Desde a primeira versão do PEC sabíamos que o esforço de contenção começaria por onde não deveria - pelas prestações não contributivas, o conjunto de benefícios sociais que protege quem nada mais tem. É verdade que existem muitas irracionalidades nas condições de acesso a estas prestações, que o diploma aprovado esta semana resolve: escalas de equivalência não uniformes; rendimentos relevantes que variam de prestação para prestação e exigências aos beneficiários inconstantes. Mas nada disto é novo. Dirão que nunca é má altura para corrigir o que está errado e aumentar a eficácia das prestações. Certo, mas, politicamente, alterações nestes domínios, nesta altura, sugerem que os nossos desequilíbrios orçamentais resultam de uma generosidade excessiva com a protecção dos mais pobres, o que está longe de ser verdade. Aliás, se assim fosse, o que faria verdadeiramente sentido era uniformizar as condições de recursos para todas as prestações com uma componente não contributiva, à cabeça a pensão social e os complementos sociais das pensões. Se o objectivo é poupar dinheiro, é duro dizê-lo, há muito mais margem para poupança no acesso indevido às pensões não contributivas do que com os "malandros do rendimento mínimo". Se se pretende, e bem, uniformizar as condições de recursos, não há razão para excluir os idosos das novas regras.

publicado hoje no i.