segunda-feira, 11 de outubro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
Uma longa marcha fúnebre
"(...) esta sucessão de PEC em Portugal e em toda a Europa empurra-nos coletivamente para uma espiral recessiva, em que vamos somando austeridade à austeridade, sem que se vislumbre uma saída económica para o beco sem saída em que a zona euro se está a colocar. As medidas agora apresentadas são aquelas que os mercados esperam, logo necessárias. Mas podemos também ir antecipando a reação dos mercados perante um cenário de recessão económica que é inevitável. Será esta a prova do absurdo para o qual caminhamos: se hoje o nosso rating é cortado por força dos nossos desequilíbrios orçamentais, amanhã sê-lo-á por causa do comportamento do produto. Não há, contudo, uma crise especificamente portuguesa e limitamo-nos a participar numa longa marcha fúnebre das economias europeias. Acontece que, e ao contrário do que o Governo português disse, não seremos os que melhor irão resistir à crise. Pelo contrário, é da natureza das crises produzirem choques assimétricos, afetando mais os que, à partida, se encontram em situação mais débil. Portugal será, pois, mais afetado pela crise do que a maior parte dos países da zona euro, basta pensar no que será o comportamento do nosso mercado de trabalho nos próximos anos. (...)"
o resto do meu artigo da semana passada no expresso pode ser lido aqui.
o resto do meu artigo da semana passada no expresso pode ser lido aqui.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Um perigoso e irresponsável esquerdista
"(...)I believe there is a strong case for further stimulus. Admittedly, consumption cannot be sustained indefinitely by running up the national debt. The imbalance between consumption and investment must be corrected. But to cut government spending at a time of large-scale unemployment would be to ignore the lessons of history.(...)"
do artigo de George Soros no FT de ontem.
do artigo de George Soros no FT de ontem.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Obviamente demitia-se
"(...) o episódio Carrilho é também revelador da forma desconfortável como os partidos lidam com dissensões internas. Carrilho, concorde-se ou não com o que diz e a forma como o faz, tem voz própria e os partidos não sabem o que fazer com quem vive à margem do centralismo democrático que impera em todo o espectro partidário. O que tem custos: sem vozes autónomas, os partidos veem o seu pluralismo diminuir, o que enfraquece ainda mais a capacidade para representarem a sociedade. Com direções muito centralizadas, focadas na figura do líder, os partidos caminham para uma entropia da qual não se libertarão. No fundo, é isso que revela o modo como o PS tem lidado com Carrilho."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 25 de setembro de 2010 pode ser lido aqui.
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 25 de setembro de 2010 pode ser lido aqui.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
I said a hip, a hop, the hippie, the hippie
eu gostava de ter algum tempo para escrever qualquer coisa sobre isto. infelizmente não tenho. mas fica a intenção.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O rock'n'roll salva
entretanto a FNAC está quase a oferecer (22 euros) uma caixa com os 7 primeiros álbuns do Bruce.
sábado, 25 de setembro de 2010
Façam o favor de se distinguirem
"(...) Quando a oferta partidária é indistinta, o mais natural é que a mobilização política diminua e o sentido do voto perca relevância. Ora, o que o PSD tem feito nos últimos meses pode prejudicar o partido eleitoralmente, mas terá dado um bom contributo para que PS e PSD se demarquem mais, o que não deixará de ter consequências no tipo de ancoragem que os partidos passam a ter. O PSD, prejudicando-se no curto prazo ao clarificar as águas, é bem capaz de ter feito um enorme favor à política portuguesa. Tanto mais que o tipo de diferenciação que procurou assenta também numa rutura com a agenda tradicional da direita portuguesa. Se, no passado, a distinção se fazia mais nos temas relacionados com costumes, com tiradas conservadoras ou argumentos securitários, projetando uma imagem de autoridade, Passos Coelho procura afirmar-se com uma agenda liberal, demarcando-se onde PS e PSD tradicionalmente estavam mais próximos: no papel do Estado na economia e nos temas sociais.
Podemos considerar que não há um bloco social maioritário que apoie a agenda de Passos Coelho e que o PSD, ao encostar-se muito à direita, diminuiu o seu potencial eleitoral; podemos também pensar que o PSD escolheu o instrumento errado, pois fazia mais sentido rever a sua declaração de princípios do que rever a Constituição, que deve refletir um amplo consenso. Seja como for, a redefinição programática do PSD obrigou também o PS a reposicionar-se e, mesmo que tenha sido feita de forma tosca e confusa, trouxe consigo uma clarificação ideológica que é positiva."
o resto do meu artigo no expresso de 18 de setembro pode ser lido aqui.
Podemos considerar que não há um bloco social maioritário que apoie a agenda de Passos Coelho e que o PSD, ao encostar-se muito à direita, diminuiu o seu potencial eleitoral; podemos também pensar que o PSD escolheu o instrumento errado, pois fazia mais sentido rever a sua declaração de princípios do que rever a Constituição, que deve refletir um amplo consenso. Seja como for, a redefinição programática do PSD obrigou também o PS a reposicionar-se e, mesmo que tenha sido feita de forma tosca e confusa, trouxe consigo uma clarificação ideológica que é positiva."
o resto do meu artigo no expresso de 18 de setembro pode ser lido aqui.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Tenho Medo
"Se me perguntarem qual é a minha prioridade na educação dos meus filhos, direi que é garantir que eles não têm medo. Medo físico, medo das personagens assombrosas que lhes surgem nos sonhos, mas também que têm a coragem suficiente para fazerem face às tormentas com que se defrontarão ao longo da vida. Se tiverem confiança, o resto virá por acréscimo. Para parafrasear a escritora Natalia Ginzburg, em "Le piccole virtú" (infelizmente não traduzido em português), tendemos a ensinar às crianças muitas das pequenas virtudes (a poupança, a prudência, a astúcia, a diplomacia e o desejo de sucesso), mas nisso esquecemo-nos das grandes virtudes (a generosidade, o amor à verdade, a abnegação, a coragem e o desejo de saber mais).
Peço desculpa se, dito assim, parece uma questão privada, pouco adequada a uma coluna de opinião, por natureza pública. Infelizmente não é. Para que os meus filhos - e, acrescento, os nossos filhos - não tenham medo, tenho também de lhes poder dizer que, se for caso disso, a lei estará do lado deles para os proteger. É isso que me leva a fazer em público uma confissão que é semiprivada: eu tenho medo da justiça em Portugal e o que se vai sabendo do famigerado processo Casa Pia só consolida as minhas inquietações.(...)"
o resto do meu artigo da semana passada no Expresso pode ser lido aqui.
Peço desculpa se, dito assim, parece uma questão privada, pouco adequada a uma coluna de opinião, por natureza pública. Infelizmente não é. Para que os meus filhos - e, acrescento, os nossos filhos - não tenham medo, tenho também de lhes poder dizer que, se for caso disso, a lei estará do lado deles para os proteger. É isso que me leva a fazer em público uma confissão que é semiprivada: eu tenho medo da justiça em Portugal e o que se vai sabendo do famigerado processo Casa Pia só consolida as minhas inquietações.(...)"
o resto do meu artigo da semana passada no Expresso pode ser lido aqui.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Baarìa

Eu não sou um fã incondicional do realizador Giuseppe Tornatore. Mas ao ver, no último fim-de-semana, Baarìa, tive a certeza que sou fã incondicional de Tornatore como realizador. No fundo, invejo a possibilidade de fazer filmes daqueles: explicitamente lamechas, sem nenhuma auto-censura sentimental. Mais do que gostar dos filmes, o que gostava era de ser eu a fazer aqueles filmes.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
O choque social é tecnológico
Portugal precisava de um impulso de modernização tecnológica aplicado à administração pública como de pão para a boca. Mas o choque tecnológico pode também ter consequências sociais, alargando desigualdades já muito profundas. E, quando combinado com deslumbramento tecnológico, o desastre é garantido: dos chips para as matrículas, apresentados como parte de um “cluster da telemática rodoviária”, ao VIA CTT que ninguém utilizou, já se inventou de tudo. Agora, ficou a saber-se, os beneficiários das prestações não-contributivas (RSI, subsídio social de desemprego e abono de família) têm de fazer prova de recursos através do site da Segurança Social. Como se não bastasse, em plena crise económica, começar por apertar o cerco àqueles que mais sofrem com o desemprego e a pobreza, o Governo lembrou-se também de lhes exigir o que não são capazes – aceder a um site na internet (que não têm) e preencher formulários que requerem competências específicas (que provavelmente lhes escapam). Se os cortes nas prestações sociais revelavam prioridades políticas erradas, o modo como estão a ser adoptados esconde um profundo desconhecimento do país, feito de muita pobreza persistente.
publicado no Expresso de 4 de Setembro.
publicado no Expresso de 4 de Setembro.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Presos no Pântano
A partir de quinta-feira há uma garantia: o quadro parlamentar não mudará até, pelo menos, Maio. Com o aproximar das presidenciais, Cavaco Silva fica constitucionalmente inibido e Portugal fica politicamente preso num pântano. Sem maioria parlamentar, sem coligações e com uma tensão pré-negociação do Orçamento que não se ajusta aos desequilíbrios que temos de enfrentar. Tudo isto serve para lembrar que o primeiro dos problemas do país é de natureza política. Na Europa, há países com défices mais elevados (Irlanda), níveis de endividamento superiores (Itália), mais desemprego (Espanha) e até com perspectivas económicas mais débeis (Grécia), mas não há nenhum país que não tenha um Governo de maioria absoluta ou uma coligação governamental ou de incidência parlamentar. É essa a nossa singularidade. Depois das legislativas, os partidos não foram capazes de se entender e o assomo de responsabilidade que PS e PSD revelaram por altura dos PEC entretanto desfez-se. O cenário tornar-se-á agora ainda mais pantanoso. Ao Governo não resta alternativa senão aprovar o Orçamento com o PSD, com o beneplácito do candidato Cavaco Silva, que foge a sete pés de uma campanha contaminada por uma crise política de natureza orçamental. Ao mesmo tempo, o PS apoia um candidato que preferia um Orçamento viabilizado à esquerda, sendo que à esquerda não há possibilidades de criar condições políticas para conter a despesa. Já o PSD, pressionado pelas sondagens positivas, tem revelado um frenesim que faz com que Passos Coelho opte por arremedos de crise em lugar de procurar entendimentos. Nos próximos tempos, para utilizar uma expressão cara ao Presidente, tudo indica que a nossa situação será insustentável. Mas, antes de tudo, politicamente insustentável.
publicado no Expresso, de 4 de Setembro (e porque hoje é 9 de Setembro)
publicado no Expresso, de 4 de Setembro (e porque hoje é 9 de Setembro)
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Campos de Morangos para Sempre

Para lá da cerca -
Crescem - Morangos -
Para lá da cerca -
Eu podia subir - se tentasse, eu sei -
Que bom, morangos!
Mas - se eu manchasse o Avental -
Deus haveria de ralhar!
Ai - fosse Ele um Rapaz, acho eu -
Subiria - também - pudesse Ele!
Emily Dickinson
Dá que pensar
Durante o fim-de-semana, as Pestanas, os Martins, as Cabritas e os Namoras andaram a falar sozinhos. Mas não totalmente. Na Festa do Avante, Jerónimo de Sousa juntou-se ao coro, afirmando que foi feita justiça no processo Casa Pia. Perante tanta razão para, no mínimo, termos dúvidas, a posição do colectivo, expressa pelo secretário-geral, dá que pensar.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
We can reach our destination, but we're still a ways away
Onde estava o mar está agora o ecrã do computador. Mas eu também suspeitava que quando regressasse teria os Walkmen à espera. Pois o disco novo está todo para audição aqui e no fundo confirma que eles estão num dos caminhos que o Dylan abriu mas nunca chegou a percorrer. São mesmo bons, tão bons que fazem o que aqui se vê ao Driver 8 dos REM (que me serve para recordar que gostei muito dos REM e até tive durante muito tempo na parede do quarto uma das primeiras capas do LP - alguém se lembra do jornal? - com uma foto deles, julgo por altura do lançamento do Green). No fundo, nada disto importa muito depois da praia. Mas que se lixe.
The Walkmen cover R.E.M.
The Walkmen cover R.E.M.
sábado, 28 de agosto de 2010
Os suspeitos do costume
A história contemporânea ensina-nos que as crises económicas são inimigas da democracia. E a crise que as democracias ocidentais estão a atravessar é a maior das últimas décadas. É evidente que o contexto actual tem diferenças significativas relativamente ao período que levou à II Guerra Mundial. Mas há coisas que, infelizmente, não mudam. Estes períodos são sempre perigosos para os mais fracos, os imigrantes e os mais pobres dos pobres. Quando um chefe de Estado ou de governo está em dificuldades por causa dos efeitos das medidas de austeridade, nada melhor do que a exploração de preconceitos através de uma expulsão de ciganos devidamente mediatizada, como fez Sarkozy. Por cá, em matéria de imigração, há ainda um consenso importante entre PS e PSD. Mas quando a situação se complica, aperta-se o cerco aos "malandros dos beneficiários do rendimento mínimo" e faz-se disso bandeira da contenção da despesa. É, de facto, o caminho mais fácil. Afinal, muita gente ganha pouco mais do que eles e tem de trabalhar. Essas pessoas e sentimentos existem. Só falta que lhes digam que o problema talvez esteja mais na política de rendimentos e na política fiscal do que naqueles que tiveram o azar de passar nos apertados critérios de acesso às prestações.
publicado hoje no i.
publicado hoje no i.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
