"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ainda a vaca fria

Vale bem a pena ler este artigo de Joschka Fischer. Afinal os políticos alemães não desistiram todos de pensar na Europa.
Este é o corolário do artigo, mas não é certamente o mais importante.
"(...)Any eurozone political leader whose primary consideration now is re-election will face certain failure by meeting this historical challenge. But European priorities have to be the primary concern in this crisis – even at the price of losing office. On the other hand, taking this historic initiative would, relative to fainthearted tactical maneuvering, substantially increase politicians’ chances of re-election later.
But Europe has no shortage of politicians. What is urgently required now are genuine statesmen and stateswomen."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Já esta é excelente, vá lá, superlativamente excelente


Há uma grande discussão para apurar se esta música é melhor cantada pela Jill Scott (tenho de reouvir um velhinho disco dela de que gosto muito), que a escreveu com os Roots mas não a gravou - os mais pacientes podem espreitar aqui - ou se, pelo contrário, esta versão, a mais popular, cantada com a Erykah Badu é superior. Eu não hesito e voto pela contenção. E esta versão, de 1999, revela uma Erykah Badu incrivelmente skinny, bem diferente da de hoje.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cinco

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Grandes irlandeses



andava a ver se encontrava uma expressão para descrever a música do Neil Hannon e só me ocorre "uplifting".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nós Somos a Irlanda

"Há uns meses, Portugal não era a Grécia; entretanto é a Irlanda que não quer ser a Grécia; Portugal que não quer ser a Irlanda; a Espanha que não quer ser Portugal; a Itália que não quer ser a Espanha e, para citar João César Monteiro a outro propósito, mas com o mesmo sentido, "e assim sucessivamente". Há nisto um fundo de verdade: a Grécia tinha contas públicas fraudulentas, a Irlanda um problema gravíssimo no sistema financeiro, Portugal um potencial de crescimento económico medíocre, a Espanha uma bolha imobiliária e a Itália um problema de endividamento público. Nessa medida, cada caso é um caso, com problemas singulares que têm de ter, com urgência, respostas específicas. Mas, ainda assim, este mantra repetido nos vários países da periferia é apenas uma forma de cada um caminhar isoladamente, oferecendo-se como um cordeiro para um sacrifício que dificilmente terá bons resultados. Os países podem, através de medidas de austeridade brutais, tentar resolver os seus problemas, mas não só é duvidoso que isso seja eficaz, como persistirá um problema que está na génese do mal europeu.
(...)
Moral da história: os países da periferia têm um problema comum para enfrentar, sendo que é da sua resolução que nascerá a capacidade para responder com eficácia às singularidades que caracterizam a síndrome económica e financeira de cada país. Se, no curto prazo, a repetição incansável pelos países que se encontram em situação mais frágil de que o seu caso é distinto daquele que está prestes a sucumbir pode funcionar como um balão de oxigénio, não passará muito tempo para que a situação mude. Para estancar o efeito dominó acelerado que destruirá o euro, só há uma alternativa e é de natureza política. Os países da periferia têm de se coligar para dizer: 'nós somos a Irlanda'."

o resto do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui.

Resultados do fim-de-semana


Justiça, 1 - Judiciário, 0

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tão mau e ao mesmo tão bom, vá lá, excelente

Há mais de dez anos na minha short-list

The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Robert Reich
www.colbertnation.com
Colbert Report Full Episodes2010 ElectionMarch to Keep Fear Alive

"Uma cara que está a rir"

Se calhar é, para citar o João Catarino, apenas uma questão de "predisposição". ver aqui.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Portugal não é a Espanha/Irlanda (escolha a opção que mais lhe convém)

Um cheirinho do que o Economist escreve sobre Espanha, o tal país que é "too big to fall" e onde se fala das contas dos governos regionais, que provavelmente se tornarão o tema central da agenda política europeia daqui a 2/8 semanas (escolha a opção que lhe parece mais provável).

"Unemployment is stuck at over 20%, while inflation is higher than in Germany. Public debt is low, but the debts of Spanish households and firms are far above the European average. They are being financed from abroad: the current-account deficit is still over 4% of GDP. The banks and the cajas have yet to own up to the full extent of losses on property loans; the impenetrable accounts of regional governments invite suspicion."
o resto pode ser lido aqui.


Tudo começou a passar-se do outro lado
De uma montanha que desconheço
De todo


Alberto de Lacerda

Um país desenhado



Fez no Verão um ano, o João Catarino percorreu a EN2 com o Buggy e um caderno de desenhos. Na altura, chamei a atenção para o erro que era o serviço público não fazer da viagem um programa de TV. Mas enquanto esse dia não chega, o João lança amanhã um livro que é um caderno da viagem.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A grande depressão e a "prenda para a mais nova"

Coisas como esta fazem parecer as citações a despropósito e o deslumbramento tecnológico como fragilidades aceitáveis, com as quais temos de ser condescendentes. Quando o miserabilismo se junta com o mau gosto (peço imensa desculpa, mas não estamos condenados a, individualmente, considerar a foleirice como uma opção estética como outra qualquer) para culminar num discurso económico errado, podemos anunciar o futuro: uma grande depressão.

A ética do trabalho


Mesmo com uma greve geral à minha volta, estou condenado ao trabalho. Preso à secretária, o meu dia tem sido salvo pela audição disto. Um mundo que eu já havia vislumbrado nos sonhos com que me entretenho: o Kurt Wagner acompanhado de voz feminina (e que me vai obrigar a recuperar o disco da Cortney Tidwell que emprateleirei sem prestar muita atenção) com um repertório radicalmente conservador.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

I was dressed for success

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nós somos a Irlanda



"(...) The task that needs to be solved now is to stop contagion of the Irish banking crisis. The channels are easy to figure out. The two largest creditors to Ireland are the UK and Germany, with loans outstanding of $149bn and $139bn respectively, according to data from the Bank for International Settlements. An Irish bank default would affect the German and British banking systems directly, and require significant domestic bank bail-outs.
A second channel of contagion would be via the capital markets, to Portugal. The biggest creditor to Portugal is Spain, itself in a precarious position with exposures of $78bn. A default of Irish banks would spread like wildfire. It has to be prevented.
The case for Ireland to take the money from the European Financial Stability Facility (EFSF) is overwhelming. The EFSF was set up precisely for that purpose. Contrary to what I expected, the EFSF has managed to find a way to offer loans with relatively low interest rates. The quid pro quo is a significant lower overall lending ceiling than what the official €440bn ($602bn) headline figure suggests. But even then, it is large enough to handle any conceivable Irish and Portuguese crisis. The EFSF is not large enough to handle any problems that might arise in Spain. In that sense, it is not an umbrella for the eurozone, but only for two of its smallest and most peripheral members.(...)"
o resto do artigo de Wolfgang Munchau deve ser lido aqui.

Crime público

e não se poderá interpor uma providência cautelar?

domingo, 21 de novembro de 2010

A Europa precisa de maus alunos

"Europeístas e bons alunos. Foram estes os alicerces da nossa participação no processo de integração europeia. Mas o que era uma linguagem com sentido e benefícios, transformou-se num exercício retórico que nos é prejudicial.
Desde logo porque o contexto mudou radicalmente. A Europa deixou de ser um mecanismo de reforço do Estado-nação, com a transferência de competências a ser acompanhada por maior capacitação dos Estados-membros. Hoje, vivemos um quadro artificial: o essencial das decisões políticas é tomado ao nível europeu, enquanto se vive uma encenação permanente, na qual os políticos nacionais se julgam relevantes, quando são impotentes.
(...) Este cenário deixa em aberto dois caminhos: continuar a fazer de bom aluno lá fora, executando acriticamente as soluções políticas gizadas pelo renascido eixo franco-alemão ou, pelo contrário, fazermos de bom aluno cá dentro e de mau aluno na Europa. O primeiro caminho implica uma interiorização da culpa moral sobre a situação em que nos encontramos; o segundo depende, em primeiro lugar, da aceleração da consolidação das contas públicas, mas requer que este exercício seja combinado com uma democratização das opções europeias, insistindo para que se encontre uma solução sistémica para o euro. A salvação do projeto europeu depende, hoje, da multiplicação de maus alunos em toda a Europa. Maus alunos que, por exemplo, comecem a recusar-se a comprar produtos alemães. Talvez, assim, se perceba que a questão é política e não moral e que a periferia ter vivido acima das suas possibilidades foi também uma necessidade sistémica."
o resto do meu artigo no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Os livros



“No matter how we advance technologically, please don’t abandon the book. There is nothing in our material world more beautiful than the book.”

Patti Smith, em reacção à vitória no national book award para não-ficção.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Se calhar, Melo Antunes estava errado

Custa-me muito pensar isto: mas quando se lê alarvidades como esta, não se pode deixar de pensar que Melo Antunes pode bem ter-se enganado quando disse que a democracia portuguesa não se fazia sem o PCP.

"(...) Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo. Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada. (...)"
o artigo integral pode ser todo lido no Avante, "assinado" por um tal de Correia da Fonseca (que engraçadinhos)

via ana matos pires.