"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

May the good Lord



May the good Lord shine a light on you,
Make every song (you sing) your favorite tune.
May the good Lord shine a light on you,
Warm like the evening sun.

(demorei uns vinte anos e tive de insistir muito para entrar nisto. não sei o que se terá passado. agora, resta-me agradecer ao vasco o empurrão definitivo, dado aqui há uns seis meses, para comprar o exile on main street - um disco que, aliás, eu já conhecia através do pastiche que os primal scream fizeram há quinze anos).

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Anna Calvi que espere



Pitchfork: A few years ago, you told me in in an interview that the best indie-rock guitarist is not fit to carry strings for a B-list death metal dude.

John Darnielle: It remains true. Although I gotta say, Annie Clark from St. Vincent can shred. So can Kaki King. So there are people-- only women, that I know of-- who would be qualified to go work with death metal dudes at their level.

ler o resto, aqui.
e ouvir a Anna Calvi aqui.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Aprender com o caso Lewinsky

"(...) resta saber se há ganhos eleitorais quando se centram as disputas políticas em temas que remetem para o carácter dos candidatos, ao mesmo tempo que secundarizam a diferenciação política. Com as devidas ressalvas, o caso Lewinsky pode bem ser tomado como um exemplo para avaliar dos ganhos eleitorais das campanhas que, em última análise, visam avaliar caracteres.
A esse propósito, num notável artigo, "Monica Lewinsky's Contribution to Political Science", John Zaller chamava a atenção para alguns factos singelos. Desde logo, a popularidade de Clinton não foi afetada pelo escândalo: após um embate negativo, recuperou e acabou por superar a posição inicial. Depois, os eleitores são capazes de discernir além do que é sugerido nos media e os fatores que levam à formação do sentido de voto são relativamente independentes da agenda mediática. Finalmente, a substância política sobrepõe-se à política mediática. O que serve para recordar que, sendo importante que Cavaco esclareça a sua relação com o BPN, do mesmo modo que Sócrates deveria ter esclarecido prontamente a sua relação com a Universidade Independente, o tema será pouco relevante para as escolhas eleitorais no dia 23 de janeiro."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de dia 8 de Janeiro pode ser lido aqui.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Depois de mim virá a quem o mesmo acontecerá

Quão iludido está quem com isto espera comprar a imunidade futura.

Há coisas que podiam ter aparecido entre o Caroline no e o hang on to your ego

Assassino ainda vá, agora paneleiro

Carlos Castro não me era indiferente. Pelo contrário, personalizava muitas coisas de que não gosto e que se tornaram muito populares (a histeria mundana; a vulgaridade mediática e a coscuvilhice de sarjeta promovida a jornalismo). Mas o modo condescendente como tem sido tratado o seu bárbaro assassinato, com reflexo nos media e nesse esgoto a céu aberto que são as caixas de comentários e os diversos fóruns, é um fiel retrato do país. Tudo o resto igual, estivéssemos perante um heterossexual sexagenário, castrado pela amante (modelo de vinte anos criada num programa de telelixo e devidamente insuflada), num quarto de hotel em Nova Iorque, ouviríamos um clamor generalizado contra uma “puta” que queria “subir na horizontal” e “sacar dinheiro ao velho”. Em lugar disso, temos o justificacionismo e uma família que, face a uma morte brutal, se tem ocupado em garantir que o filho não era homossexual – trazendo à memória Bernarda Alba quando garantia que a sua filha tinha morrido virgem. O que está em causa é apenas um homicídio particularmente violento e sem qualquer justificação, mas que, pelo caminho, nos revela até onde pode ir a homofobia privada do país, devidamente amplificada nos novos espaços públicos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Can you beat Victoria Secret?

The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
MeTunes - Grammy Vote - Dan Auerbach, Patrick Carney & Ezra Koenig<a>
www.colbertnation.com
Colbert Report Full EpisodesPolitical Humor & Satire Blog</a>Video Archive

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

As derradeiras surfadas

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Juízes em causa própria

"(...) estamos a assistir a sucessivas e paulatinas tentativas de usurpação das funções executivas e legislativas por parte do poder judicial. O mecanismo deste feita é claro: o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público apresenta uma queixa e quem vai julgar é, naturalmente, um juiz. Há bons motivos para estarmos preocupados, até porque o que move os juízes não é segredo.
No texto de apresentação do último congresso da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, a ambição não era escondida. Começando por constatar que "o poder judicial (...) corre o risco de se vir a assumir-se como verdadeiro poder", depois do "século XIX (ter sido) do poder legislativo e o século XX o do poder executivo", o sindicato dos juízes não hesita em assumir "anular medidas do poder executivo (...) como exemplo claro de um novo modo de exercício do judiciário". Tudo para culminar no que qualificam como "uma transferência de legitimidade dos poderes legislativo e executivo para o judicial", um processo cuja "visibilidade densifica a sua dimensão política".
Pode bem dar-se o caso da maioria dos magistrados não se rever nem nas atitudes, nem no pensamento estratégico das associações que os representam. Mas enquanto os tolerarem passivamente, temo bem dizê-lo, são coniventes com a pulsão hegemónica do poder judiciário. Podemos concordar ou discordar do PEC, da austeridade e do OE-2011, mas não é isso que está em causa. É, sim, saber se a função dos magistrados é substituírem-se a políticos eleitos. Uma ambição que os sindicatos dos magistrados não escondem."

o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 30 de dezembro de 2010 pode ser lido aqui.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

As lições de Monica Lewinsky

O Tiago diz aqui, com razão, que cada país tem o escândalo Lewinsky que merece. O que me recorda que talvez valha a pena voltar a olhar para as lições que o caso Lewinsky deu à ciência política. Talvez assim se possa antecipar um pouco do que vai acabar por acontecer com a centralidade que o BPN adquiriu na campanha presidencial.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Três tenores ao vivo em Los Angeles



e, a propósito, vale a pena ler esta conversa entre Caetano e Beck:
"I remember clearly the first time I heard somebody talk about you before I saw or heard your music. It was my ex-wife. She saw you on TV and she told me, “You’re going to like this.” It was some awards show I think. Like the Grammys or whatever. I don’t know. Something she saw on TV. I was recording and I came back home and she told me, “There’s this guy Beck. Don’t forget this name because you’re going to like him.” She was explaining to me the way you danced and moved and the suit you were wearing and you were very white! (laughs) She was very precise about that. “The fact that he’s so white is very important when he moves the way he does.” And I was curious so I saw you and I told her she was right. It was very revealing."
que continua aqui.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Imperdoável



Passou 2010 e isto passou por mim.

Um país crisófilo

"(...) Ao contrário do que nos foi sugerido ao longo de anos a fio no espaço público, há mudanças que fazem a diferença. O que nos obriga a introduzir racionalidade no debate público e a encontrar instrumentos para autonomamente identificarmos quais as políticas que respondem aos nossos défices estruturais, sob pena de estas se tornarem, nuns casos, invisíveis, noutros, serem destruídas às mãos das corporações. É que pode bem dar-se o caso de existirem muitas áreas onde as coisas estão a mudar sem que sejamos capazes de nos aperceber. (...)
O drama é que tudo é ofuscado por uma realidade que vive perdida numa tensão insuportável entre, por um lado, quem vê reformas profundas em todas as medidas governativas e, por outro, o totalitarismo do cinismo de quem acha que o país já está condenado. Para superarmos esta dicotomia temos de começar por reformatar o debate público e contrariar o que Alex Ellis classificou de 'crisofilia'. Em Portugal, é uma tarefa hercúlea."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 23 de dezembro de 2010, pode ser lido aqui.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010


''I will be as harsh as truth and as uncompromising as justice. On this subject, I do not wish to speak, or think, or write with moderation. I am in earnest. I will not equivocate, I will not excuse, I will not retreat a single inch, and I will be heard."

William Lloyd Garrison, "To The Public" primeira edição do The Liberator, Janeiro 1831

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Para os pobres, os restos



"(...) Nas últimas semanas, primeiro, com mais uma campanha do Banco Alimentar contra a Fome e, depois, com a iniciativa "direito à alimentação", foi-nos revelado o esforço solidário que, de tempos a tempos, emerge em Portugal. Num país onde o Estado é, simultaneamente, visto como a raiz de todos os males e como o recurso a que todos, sem exceção, recorrem, há boas razões para se elogiar estas ações. Contudo, nada nos obriga a suspender o espírito crítico apenas porque estamos perante um esforço solidário da sociedade civil.
A questão não é tanto discutir a bondade intrínseca das iniciativas, é saber se são de facto eficazes para quebrarmos a espinha à pobreza. É que uma coisa é potenciarmos um conjunto de ações que visa aliviar as formas mais brutais de privação (como faz, e bem, o Banco Alimentar contra a Fome), outra, bem diferente, é intervir para que a pobreza não se reproduza geracionalmente e não se caracterize por ter uma inscrição social tão marcada.
É uma vergonha que, numa sociedade democrática, haja quem tenha fome; mas não é por combatermos a fome que combatemos a pobreza. E o problema é que é-nos frequentemente sugerido que as iniciativas da sociedade civil assentam numa estratégia de substituição do Estado. Ora estas iniciativas têm um carácter supletivo e só são eficazes se as políticas públicas contrariarem os fatores que causam o nosso padrão de desigualdades.
Nada contra que a sociedade civil se organize para combater a fome - ainda que distribuir restos de restaurantes e apresentar a iniciativa num casino tenha uma carga simbólica negativa -, mas não deixa de ser surpreendente que o consenso público em torno do assistencialismo alimentar coexista com uma incapacidade de consensualizar políticas redistributivas que aliviem a privação e políticas educativas que contrariem as assimetrias de origem social. Dá que pensar quando o Presidente da República oferece o seu patrocínio à distribuição de sobras de restaurantes e, ao mesmo tempo, o país discute o aumento do salário mínimo para 500 euros, tolera ataques demagógicos aos "malandros do rendimento mínimo" ou confunde massificação da escola pública com facilitismo. No fundo, permanecemos no exato lugar em que estávamos quando Ruy Belo escreveu: "é tão suave ter bons sentimentos/consola tanto a alma de quem os tem/que as boas ações são inesquecíveis momentos/e é um prazer fazer bem"."

o resto do meu artigo, publicado na edição do Expresso de 18 de Dezembro de 2010, pode ser lido aqui.

com um agradecimento especial ao zé luís que me enviou esta tira da Mafalda.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Já que ninguém pergunta (agora os livros)

Em 2010 não li muitos livros escritos ou traduzidos em 2010. Aliás, nunca percebi bem a dinâmica das listas de livros do ano, quando comparada com a dos discos ou filmes do ano. Ando sempre atrasado nas leituras e, este ano, li óptimos livros escritos há demasiado tempo. Pouco importa. Mais do que as listas de discos, as listas de livros têm apenas um propósito: convencer os outros a lerem os livros que gostámos de ler. Pensando bem, o propósito é outro: convencer os outros a lerem os livros que gostávamos de ter escrito. Se os discos de que gostamos dizem alguma coisa sobre nós, a asserção é ainda mais válida para os livros. Os dois livros de que gostei mais este ano, até podem não ser os dois melhores livros que li este ano, mas são dois livros que eu, caso tivesse alguma inclinação ou engenho, gostaria de ter escrito. Pensando bem, têm traços em comum: são totalmente desprovidos de artifícios, escritos num estilo conciso e nunca caem na tentação de justificar ou explicar. Pensando melhor, são sobre o mesmo tema.



P.S.
Vai chegar o dia em que lerei um livro publicado pela Ahab que não será excelente. Esse dia ainda não chegou. José Rentes de Carvalho tem também um blog que é um erro não ser lido.

O Padre, a Puta e o Atirador Furtivo


Nada se compara ao cinema que não inventa rigorosamente nada.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A democracia capturada

"(...) A generosidade dos caciques que pagam quotas produz vários efeitos. Enquanto fecha os partidos à entrada de novos militantes, reproduz lógicas perversas de poder interno. Por um lado, a perpetuação de uma determinada estrutura de poder é mais fácil de sustentar se não existirem novos militantes; por outro, quem paga quotas vence eleições e quem vence eleições passa a ter mais recursos para, depois, pagar mais quotas.
Perante isto, as direções partidárias tendem a defender que o problema existe a um nível local, mas depois as estruturas nacionais vão encontrando formas de compensar estas disfuncionalidades. É isso que explica que as lideranças, quando confrontadas com a questão, reajam com condescendência - ao ponto do líder da federação do Porto afirmar à "Sábado" que "as quotas são um problema individual de cada militante". Infelizmente, não é assim, são um problema coletivo, que mina a democracia na base e que não deve ser tolerado. Se nada mais, porque o sinal dado é claro: se os partidos não são capazes nem de basear os seus mecanismos de poder interno no cumprimento da lei, nem de torná-los verdadeiramente pluralistas, não há razão para acreditarmos que, uma vez no governo, serão capazes de o fazer no Estado."

o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 11 de dezembro de 2010 e escrito a propósito disto, pode ser lido aqui

Um texto que um português seria incapaz de escrever

Entre muitas outras qualidades, o Alex Ellis, que por estes dias deixará de ser embaixador do Reino Unido em Portugal, revela uma qualidade que se tem tornada rara por cá: contraria a "crisofilia" lusa. O texto que escreveu este fds no Expresso e que já se pode ler aqui é exemplar.