"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Moções e fogachos

"(...) A moção de censura que o PCP queria preparar para a Primavera visava condicionar toda a gente. A que o BE vai apresentar no Carnaval é um fogacho de circunstância. Entre uma e outra há toda a diferença que resulta de o PCP sonhar com o derrube de um regime e o BE querer apenas a crista da onda. O hino da moção do PCP seria a centenária Internacional, o da do BE será a instantânea "parva que sou"
como sempre, o que o Paulo escreve vale a pena ser lido (integralmente aqui).

O regresso do excepcionalismo português

Pode bem dar-se o caso de, daqui a uns meses, termos a aterrar no aeroporto da Portela dezenas de cientistas políticos, interessados em saber como é que um primeiro-ministro que enfrentava uma tempestade perfeita (desemprego nos 10%, dificuldades de financiamento da economia, défice de credibilidade e falta de confiança), reconquistou a maioria em eleições antecipadas, sendo eleito para um terceiro mandato. As explicações podem, naturalmente, ser procuradas em dias como os de hoje.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Explicar o Tony Wilson e os Joy Division às crianças



Um video que vai fazer muito pela pedagogia doméstica.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

80 anos



Um teledisco que envelheceu um pouco pior do que o James Dean teria envelhecido.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pensem Nisto

"(...) Carlos Silvino, uma das testemunhas centrais do 'caso Casa Pia' e a quem no passado foi atribuída uma inusitada credibilidade, deu uma entrevista, após ter deixado de ter como advogado um ex-inspetor da Judiciária, em que, no essencial, afirma que a prova foi fabricada e que não só não conhecia os locais onde teriam sido praticados os crimes, como o reconhecimento que fez foi todo realizado previamente com inspetores da Judiciária. Independentemente das nossas convicções subjetivas sobre os vários protagonistas, o mínimo que podemos exigir é que seja, finalmente, feita uma investigação à investigação. Desde o seu início, o 'caso Casa Pia' tem demasiadas semelhanças com o que envolveu Elio di Rupo e com o 'affaire d'Outreau'. Com uma diferença assinalável: na Bélgica e em França, o sistema foi capaz de se questionar a si próprio, procurando a verdade, mesmo que isso implicasse perder a face. Pensem nisto."
o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 29 de janeiro de 2011 pode ser lido aqui

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Libertem o Andy Bell

Faz por esta altura vinte anos que os Ride lançaram o Nowhere - o disco que, entre outros atributos, tem porventura a melhor capa da década de noventa. O essencial da história está resumida aqui. Desfizeram-se rapidamente e enquanto se perdeu o rasto do Mark Gardener, o Andy Bell passou a coadjuvar os irmãos Gallagher em sucessivas aventuras. É um enigma sem resposta: Andy Bell fez dois discos que deixam tudo o que os Oasis fizeram a milhas e depois entreteve-se a tocar baixo na banda. Acho que se podia lançar um movimento a apelar à sua libertação. E já que andamos numa de hinos geracionais, aqui fica mais um.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Losing my edge

Já não é a primeira vez, nem será a última, que se tenta encontrar um hino geracional cantado em português. Se bem interpretei o que o Rui Tavares escreveu no Público há um par de dias, o hino agora encontrado é feito à medida da geração imediatamente a seguir à minha - que é também a dele. Retomando a formulação que o Ivan Nunes (ou ex-Ivan) encontrou no início da década de noventa, desta feita é que estamos perante uma "geração à rasca" e os Deolinda deram voz aos problemas de quem tem entre vinte e trinta anos (ou talvez um pouco mais). Os problemas, não vale a pena iludir, não são poucos, bem pelo contrário, e são também de uma natureza diferente dos que enfrentávamos no passado. Tudo isto porque fui espreitar a tal música dos Deolinda e só me veio à cabeça a frase do Caetano, há quatro décadas quando foi vaiado enquanto cantava o "é proibido proibir", perante uma plateia que esperava mais um cantor de protesto: "se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos".
O problema deve ser meu, que já estou a perder o passo, mas a única coisa que me imagino a cantar de punho erguido, como hino geracional, é mesmo isto.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vitória


Poucas decisões estratégicas se revelaram tão acertadas na história recente do Benfica como a de descartar a águia Vitória. O Benfica não pode depender de amuletos e superstições. Bem pelo contrário. Depois da má experiência da capela da senhora Prieto, estávamos agora nas mãos de uma águia amestrada, ainda mais por um espanhol. E factos são factos: desde que nos vimos livres da águia só conhecemos um resultado.

Unruly boys

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Golias


Até sempre.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

John Barry Forever

Novo IP



até ao regresso do Verão, este blog passa a emitir desde aqui (ainda que com as habituais intermitências)

campanha tem de nascer duas vezes

"(...) Naquilo que é uma marca da liderança de José Sócrates no PS, assistiu-se mais uma vez à secundarização de eleições que não as legislativas. Aliás, num facto que deve ser motivo de reflexão, Sócrates venceu duas eleições legislativas e averbou várias derrotas eleitorais entre autárquicas, europeias e presidenciais. Este desinvestimento nas vários atos eleitorais tem sido um mecanismo de fragilização do exercício do poder executivo, cuja legitimidade e energia não radicam apenas nas eleições para o parlamento. A este propósito, o modo como o PS se deixou amarrar a uma candidatura contraditória com o posicionamento ideológico que escolheu nos últimos anos torna-se difícil de compreender. Não por acaso, assiste-se a um sentimento de orfandade política entre muito do eleitorado que votou PS e que se reviu na estratégia reformista seguida na segurança social, saúde e educação (para dar três exemplos de áreas onde, independentemente da avaliação substantiva que possamos fazer, Sócrates e Alegre não podiam estar mais distantes).
Alegre, que nas últimas presidenciais se revelou um candidato competitivo enquanto maverick e corpo estranho ao próprio sistema partidário, desta feita foi incapaz de gerir a evidente contradição da sua base de apoio. Pensar que era possível, numa primeira volta, fazer convergir as narrativas políticas do PS e do BE e mobilizar ambos os eleitorados revelou-se um lirismo sem adesão à realidade. Ao mesmo tempo que serviu para empurrar Alegre para uma campanha sem orientação estratégica. A entrada tardia, mas impetuosa, de alguns ministros na campanha, não só não terá contribuído para compensar o défice de mobilização (que tem de assentar num envolvimento prolongado), como serviu para expor o modo extemporâneo como o PS lidou com o seu candidato.(...)"

o resto do meu artigo publicado no Expresso da semana passada, pode ser lido aqui.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"(...) Eram centenas e centenas, as verdades, e todas elas eram bonitas.
E então vieram as pessoas. Cada uma delas assim que aparecia agarrava uma das verdades e algumas que eram mais fortes apoderavam-se de uma dúzia delas.
Foram as verdades que tornaram as pessoas grotescas. O velho tinha uma teoria bastante elaborada a tal propósito. Era ideia dele que no momento em que uma pessoa tomava uma das verdades para si própria, chamando-lhe a sua verdade, e se esforçava por conduzir a sua vida de acordo com essa verdade, a pessoa tornava-se grotesca e a verdade que abraçava tornava-se numa mentira. (...)"
Sherwood Anderson, Winesburg, Ohio (se só lerem um livro nos próximos, vá lá, dois anos, leiam este)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Monstro Sagrado



O malato habilitou-se a levar um par de estalos do Senhor Mário Coluna.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um Presidente mísero

Já tínhamos tido o "sisudo", o "bonacheirão" e o "piegas". Depois dos discursos de ontem, passamos a ter o "rancoroso".

sábado, 22 de janeiro de 2011

Olhem que chamo o FMI

"(...) mais uma vez, ficou exposta a natureza surreal do debate político português. É natural que as oposições procurem responsabilizar os governos pelos impactos nacionais da crise, mas em lado nenhum da Europa se assiste a uma discussão que não parta do pressuposto de que estamos perante um ataque ao euro, que começou nas periferias, e que se intensificou a partir do momento em que a Alemanha começou a hesitar nas garantias. No entanto, quem olhe apenas para Portugal, poderia convencer-se que as razões para as nossas dificuldades de financiamento resultam exclusivamente dos nossos erros.
Não há, contudo, prova mais acabada da natureza sistémica da crise do euro do que a diferença entre o que nos foi sendo dito aquando dos sucessivos resgates e o que acabou por suceder. Os apoios foram apresentados como uma forma eficaz de estancar a crise das dívidas soberanas. Está à vista que assim não foi: o efeito-dominó não tem parado. Agora somos nós que estamos sob pressão, mas, se viermos a ser resgatados, a pressão limitar-se-á a deslocar-se em direção a Espanha. Com uma agravante, como os casos grego e irlandês revelam: a diferença entre as taxas de juro nos mercados e dos empréstimos obtidos com a intervenção UE/FMI não é significativa. A Irlanda paga hoje 5,8%, quando Portugal se financiou a 6,7%. O que nos deixa uma certeza: com as políticas de austeridade vigentes na zona euro, o risco de incumprimento é uma realidade quer num país intervencionado quer num que vá mantendo uma ilusão de soberania. (...)"
o resto do meu texto publicado no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

May the good Lord



May the good Lord shine a light on you,
Make every song (you sing) your favorite tune.
May the good Lord shine a light on you,
Warm like the evening sun.

(demorei uns vinte anos e tive de insistir muito para entrar nisto. não sei o que se terá passado. agora, resta-me agradecer ao vasco o empurrão definitivo, dado aqui há uns seis meses, para comprar o exile on main street - um disco que, aliás, eu já conhecia através do pastiche que os primal scream fizeram há quinze anos).

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Anna Calvi que espere



Pitchfork: A few years ago, you told me in in an interview that the best indie-rock guitarist is not fit to carry strings for a B-list death metal dude.

John Darnielle: It remains true. Although I gotta say, Annie Clark from St. Vincent can shred. So can Kaki King. So there are people-- only women, that I know of-- who would be qualified to go work with death metal dudes at their level.

ler o resto, aqui.
e ouvir a Anna Calvi aqui.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Aprender com o caso Lewinsky

"(...) resta saber se há ganhos eleitorais quando se centram as disputas políticas em temas que remetem para o carácter dos candidatos, ao mesmo tempo que secundarizam a diferenciação política. Com as devidas ressalvas, o caso Lewinsky pode bem ser tomado como um exemplo para avaliar dos ganhos eleitorais das campanhas que, em última análise, visam avaliar caracteres.
A esse propósito, num notável artigo, "Monica Lewinsky's Contribution to Political Science", John Zaller chamava a atenção para alguns factos singelos. Desde logo, a popularidade de Clinton não foi afetada pelo escândalo: após um embate negativo, recuperou e acabou por superar a posição inicial. Depois, os eleitores são capazes de discernir além do que é sugerido nos media e os fatores que levam à formação do sentido de voto são relativamente independentes da agenda mediática. Finalmente, a substância política sobrepõe-se à política mediática. O que serve para recordar que, sendo importante que Cavaco esclareça a sua relação com o BPN, do mesmo modo que Sócrates deveria ter esclarecido prontamente a sua relação com a Universidade Independente, o tema será pouco relevante para as escolhas eleitorais no dia 23 de janeiro."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de dia 8 de Janeiro pode ser lido aqui.