sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Um bom debate
para seguir aqui. muitas explicações convincentes sobre a incapacidade de antecipar acontecimentos como os das últimas semanas.
Ironias da história
A crer no Washington Post (não encontrei a notícia online), Farouk Hosni está proibido de sair do Egipto, no que aparenta ser o início de uma investigação criminal ao ex-ministro. Não sei se estão a ver quem é.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Os velhos são o futuro
O Martinho aqui, diz tudo o que há a dizer sobre isto (que se aplica a outras parvoíces): "Podemos acreditar em telhados e céus azuis, mas é no chão com o pé a bater que a fricção da juventude se solta, desamparada e livre. Siga."
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
O Josh Lyman ganhou

A vida continua a imitar a ficção e Chicago tem um novo Mayor. Rahm Emanuel (ou Josh Lyman) era, por várias idiosincracias, um improvável candidato à vitória numa eleição uninominal. Mas ganhou e, no fundo, tudo se pode resumir às palavras de um empresário que o apoiava que, mantendo o anonimato, dizia sobre Emanuel, numa reportagem neste fim-de-semana no NYT, qualquer coisa como: "do I like him? it's not about liking".
Escolher em quem se vota raramente é uma questão de "gostar". Com optimismo, podemos ter a sorte de uma ou duas vezes votarmos em alguém de quem gostamos. Não podendo votar no Josh, eu gostava de ter votado neste gajo, que tem manifesto mau feitio, que desagradava a gregos e a troianos e que fez serviço militar em Israel durante a guerra do golfo. Um tipo que não era 'likable'.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A cantiga é uma arma

Os The National deram um concerto surpresa há duas semanas no Webster Hall em NY. A MTV (aparentemente ainda existe como canal de música) filmou e pode ver-se aqui.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
A instabilidade endémica
"(...) A corrida para ver quem censura primeiro dá um retrato fiel do país político: os partidos envolvidos num jogo tático confrangedor, em que, de um lado, temos um Governo com um programa que não é o seu e, de outro, uma oposição que escolheu o caminho da fulanização anti-Sócrates como forma de esconder as suas vacuidades programáticas.
Ora, em lugar desta tensão tática primária, com o espectro de ingovernabilidade sempre a pairar, o que o conjunto dos partidos nos poderia oferecer era capacidade negocial de facto, institucionalizando uma prática de diálogo que teimamos em não ter. Os ajustamentos que necessariamente teremos de fazer só são exequíveis com um pacto social alargado, que dê sustentabilidade e previsibilidade às opções - à imagem do que aconteceu em Espanha. O que temos é um jogo de póquer, desfasado da realidade, no qual nem Governo, nem oposições se mostram disponíveis para abandonar a rigidez das suas posições de partida.
No fundo, torna-se claro que, se as dificuldades não forem suficientes, temos sempre uma garantia: o sistema político cá estará para somar problemas. Talvez assim se perceba a especificidade do mal português e o crescente desajustamento entre partidos e país."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 12 de fevereiro de 2011, pode ser lido aqui.
Ora, em lugar desta tensão tática primária, com o espectro de ingovernabilidade sempre a pairar, o que o conjunto dos partidos nos poderia oferecer era capacidade negocial de facto, institucionalizando uma prática de diálogo que teimamos em não ter. Os ajustamentos que necessariamente teremos de fazer só são exequíveis com um pacto social alargado, que dê sustentabilidade e previsibilidade às opções - à imagem do que aconteceu em Espanha. O que temos é um jogo de póquer, desfasado da realidade, no qual nem Governo, nem oposições se mostram disponíveis para abandonar a rigidez das suas posições de partida.
No fundo, torna-se claro que, se as dificuldades não forem suficientes, temos sempre uma garantia: o sistema político cá estará para somar problemas. Talvez assim se perceba a especificidade do mal português e o crescente desajustamento entre partidos e país."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 12 de fevereiro de 2011, pode ser lido aqui.
A cantiga também é uma arma
Chico, não sei se o teu argumento resiste a muitos testes empíricos. Até porque o problema é simples e resume-se assim: a canção dos Deolinda é uma merda. Escreverias o mesmo a propósito deste gajo? (aqui, em pleno colaboracionismo, a cantar na DDR em 1986)
e aqui já rendido aos encantos das pequenas burguesas
e aqui já rendido aos encantos das pequenas burguesas
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Fazer implodir as escolas

"(...) se a aprendizagem for feita através dos instrumentos que, de facto, motivam e concentram, a aprendizagem é garantida. Substituamos, portanto, a escola por jogos de computador e atribuamos à indústria do entretenimento a responsabilidade por adequar os conteúdos programáticos aos interesses das crianças.
Quem quer que tenha visto uma criança a resolver dilemas complexos num jogo de estratégia percebe bem que dificilmente se encontraria melhor forma de ensinar História, Literatura ou Matemática. A indústria do entretenimento é o novo sistema educativo.
Mas, estranhamente, enquanto os Ministérios da Educação gerem com mão de ferro escolas e currículos, têm escassa intervenção nos meios que, hoje, de facto, educam. Ora, com maior regulação, as empresas que produzem jogos ver-se-ão obrigadas a contratar os melhores filósofos e matemáticos para enriquecer os seus conteúdos.
Como conclui Gough, a escola é uma chatice porque é muito aborrecida, não porque seja muito desafiante. Logo, o objetivo não passa por tornar a aprendizagem mais fácil, mas, sim, mais difícil. Coloquem um cronómetro em contagem decrescente e façam um aluno perder vidas de cada vez que falhar e vão ver uma criança motivada. Depois, resta acrescentar bons conteúdos. Uma tarefa que pode bem ser feita sem escola, mas que precisa de um Ministério da Educação que lhe confira sentido."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 5 de fevereiro de 2011, pode ser lido aqui e o artigo de Nigel Gough que cito, aqui.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Moções e fogachos
"(...) A moção de censura que o PCP queria preparar para a Primavera visava condicionar toda a gente. A que o BE vai apresentar no Carnaval é um fogacho de circunstância. Entre uma e outra há toda a diferença que resulta de o PCP sonhar com o derrube de um regime e o BE querer apenas a crista da onda. O hino da moção do PCP seria a centenária Internacional, o da do BE será a instantânea "parva que sou"
como sempre, o que o Paulo escreve vale a pena ser lido (integralmente aqui).
como sempre, o que o Paulo escreve vale a pena ser lido (integralmente aqui).
O regresso do excepcionalismo português
Pode bem dar-se o caso de, daqui a uns meses, termos a aterrar no aeroporto da Portela dezenas de cientistas políticos, interessados em saber como é que um primeiro-ministro que enfrentava uma tempestade perfeita (desemprego nos 10%, dificuldades de financiamento da economia, défice de credibilidade e falta de confiança), reconquistou a maioria em eleições antecipadas, sendo eleito para um terceiro mandato. As explicações podem, naturalmente, ser procuradas em dias como os de hoje.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Explicar o Tony Wilson e os Joy Division às crianças
Um video que vai fazer muito pela pedagogia doméstica.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Pensem Nisto
"(...) Carlos Silvino, uma das testemunhas centrais do 'caso Casa Pia' e a quem no passado foi atribuída uma inusitada credibilidade, deu uma entrevista, após ter deixado de ter como advogado um ex-inspetor da Judiciária, em que, no essencial, afirma que a prova foi fabricada e que não só não conhecia os locais onde teriam sido praticados os crimes, como o reconhecimento que fez foi todo realizado previamente com inspetores da Judiciária. Independentemente das nossas convicções subjetivas sobre os vários protagonistas, o mínimo que podemos exigir é que seja, finalmente, feita uma investigação à investigação. Desde o seu início, o 'caso Casa Pia' tem demasiadas semelhanças com o que envolveu Elio di Rupo e com o 'affaire d'Outreau'. Com uma diferença assinalável: na Bélgica e em França, o sistema foi capaz de se questionar a si próprio, procurando a verdade, mesmo que isso implicasse perder a face. Pensem nisto."
o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 29 de janeiro de 2011 pode ser lido aqui
o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 29 de janeiro de 2011 pode ser lido aqui
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Libertem o Andy Bell
Faz por esta altura vinte anos que os Ride lançaram o Nowhere - o disco que, entre outros atributos, tem porventura a melhor capa da década de noventa. O essencial da história está resumida aqui. Desfizeram-se rapidamente e enquanto se perdeu o rasto do Mark Gardener, o Andy Bell passou a coadjuvar os irmãos Gallagher em sucessivas aventuras. É um enigma sem resposta: Andy Bell fez dois discos que deixam tudo o que os Oasis fizeram a milhas e depois entreteve-se a tocar baixo na banda. Acho que se podia lançar um movimento a apelar à sua libertação. E já que andamos numa de hinos geracionais, aqui fica mais um.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Losing my edge
Já não é a primeira vez, nem será a última, que se tenta encontrar um hino geracional cantado em português. Se bem interpretei o que o Rui Tavares escreveu no Público há um par de dias, o hino agora encontrado é feito à medida da geração imediatamente a seguir à minha - que é também a dele. Retomando a formulação que o Ivan Nunes (ou ex-Ivan) encontrou no início da década de noventa, desta feita é que estamos perante uma "geração à rasca" e os Deolinda deram voz aos problemas de quem tem entre vinte e trinta anos (ou talvez um pouco mais). Os problemas, não vale a pena iludir, não são poucos, bem pelo contrário, e são também de uma natureza diferente dos que enfrentávamos no passado. Tudo isto porque fui espreitar a tal música dos Deolinda e só me veio à cabeça a frase do Caetano, há quatro décadas quando foi vaiado enquanto cantava o "é proibido proibir", perante uma plateia que esperava mais um cantor de protesto: "se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos".
O problema deve ser meu, que já estou a perder o passo, mas a única coisa que me imagino a cantar de punho erguido, como hino geracional, é mesmo isto.
O problema deve ser meu, que já estou a perder o passo, mas a única coisa que me imagino a cantar de punho erguido, como hino geracional, é mesmo isto.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Vitória

Poucas decisões estratégicas se revelaram tão acertadas na história recente do Benfica como a de descartar a águia Vitória. O Benfica não pode depender de amuletos e superstições. Bem pelo contrário. Depois da má experiência da capela da senhora Prieto, estávamos agora nas mãos de uma águia amestrada, ainda mais por um espanhol. E factos são factos: desde que nos vimos livres da águia só conhecemos um resultado.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
campanha tem de nascer duas vezes
"(...) Naquilo que é uma marca da liderança de José Sócrates no PS, assistiu-se mais uma vez à secundarização de eleições que não as legislativas. Aliás, num facto que deve ser motivo de reflexão, Sócrates venceu duas eleições legislativas e averbou várias derrotas eleitorais entre autárquicas, europeias e presidenciais. Este desinvestimento nas vários atos eleitorais tem sido um mecanismo de fragilização do exercício do poder executivo, cuja legitimidade e energia não radicam apenas nas eleições para o parlamento. A este propósito, o modo como o PS se deixou amarrar a uma candidatura contraditória com o posicionamento ideológico que escolheu nos últimos anos torna-se difícil de compreender. Não por acaso, assiste-se a um sentimento de orfandade política entre muito do eleitorado que votou PS e que se reviu na estratégia reformista seguida na segurança social, saúde e educação (para dar três exemplos de áreas onde, independentemente da avaliação substantiva que possamos fazer, Sócrates e Alegre não podiam estar mais distantes).
Alegre, que nas últimas presidenciais se revelou um candidato competitivo enquanto maverick e corpo estranho ao próprio sistema partidário, desta feita foi incapaz de gerir a evidente contradição da sua base de apoio. Pensar que era possível, numa primeira volta, fazer convergir as narrativas políticas do PS e do BE e mobilizar ambos os eleitorados revelou-se um lirismo sem adesão à realidade. Ao mesmo tempo que serviu para empurrar Alegre para uma campanha sem orientação estratégica. A entrada tardia, mas impetuosa, de alguns ministros na campanha, não só não terá contribuído para compensar o défice de mobilização (que tem de assentar num envolvimento prolongado), como serviu para expor o modo extemporâneo como o PS lidou com o seu candidato.(...)"
o resto do meu artigo publicado no Expresso da semana passada, pode ser lido aqui.
Alegre, que nas últimas presidenciais se revelou um candidato competitivo enquanto maverick e corpo estranho ao próprio sistema partidário, desta feita foi incapaz de gerir a evidente contradição da sua base de apoio. Pensar que era possível, numa primeira volta, fazer convergir as narrativas políticas do PS e do BE e mobilizar ambos os eleitorados revelou-se um lirismo sem adesão à realidade. Ao mesmo tempo que serviu para empurrar Alegre para uma campanha sem orientação estratégica. A entrada tardia, mas impetuosa, de alguns ministros na campanha, não só não terá contribuído para compensar o défice de mobilização (que tem de assentar num envolvimento prolongado), como serviu para expor o modo extemporâneo como o PS lidou com o seu candidato.(...)"
o resto do meu artigo publicado no Expresso da semana passada, pode ser lido aqui.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
"(...) Eram centenas e centenas, as verdades, e todas elas eram bonitas.
E então vieram as pessoas. Cada uma delas assim que aparecia agarrava uma das verdades e algumas que eram mais fortes apoderavam-se de uma dúzia delas.
Foram as verdades que tornaram as pessoas grotescas. O velho tinha uma teoria bastante elaborada a tal propósito. Era ideia dele que no momento em que uma pessoa tomava uma das verdades para si própria, chamando-lhe a sua verdade, e se esforçava por conduzir a sua vida de acordo com essa verdade, a pessoa tornava-se grotesca e a verdade que abraçava tornava-se numa mentira. (...)"
Sherwood Anderson, Winesburg, Ohio (se só lerem um livro nos próximos, vá lá, dois anos, leiam este)
E então vieram as pessoas. Cada uma delas assim que aparecia agarrava uma das verdades e algumas que eram mais fortes apoderavam-se de uma dúzia delas.
Foram as verdades que tornaram as pessoas grotescas. O velho tinha uma teoria bastante elaborada a tal propósito. Era ideia dele que no momento em que uma pessoa tomava uma das verdades para si própria, chamando-lhe a sua verdade, e se esforçava por conduzir a sua vida de acordo com essa verdade, a pessoa tornava-se grotesca e a verdade que abraçava tornava-se numa mentira. (...)"
Sherwood Anderson, Winesburg, Ohio (se só lerem um livro nos próximos, vá lá, dois anos, leiam este)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Um Presidente mísero
Já tínhamos tido o "sisudo", o "bonacheirão" e o "piegas". Depois dos discursos de ontem, passamos a ter o "rancoroso".
sábado, 22 de janeiro de 2011
Olhem que chamo o FMI
"(...) mais uma vez, ficou exposta a natureza surreal do debate político português. É natural que as oposições procurem responsabilizar os governos pelos impactos nacionais da crise, mas em lado nenhum da Europa se assiste a uma discussão que não parta do pressuposto de que estamos perante um ataque ao euro, que começou nas periferias, e que se intensificou a partir do momento em que a Alemanha começou a hesitar nas garantias. No entanto, quem olhe apenas para Portugal, poderia convencer-se que as razões para as nossas dificuldades de financiamento resultam exclusivamente dos nossos erros.
Não há, contudo, prova mais acabada da natureza sistémica da crise do euro do que a diferença entre o que nos foi sendo dito aquando dos sucessivos resgates e o que acabou por suceder. Os apoios foram apresentados como uma forma eficaz de estancar a crise das dívidas soberanas. Está à vista que assim não foi: o efeito-dominó não tem parado. Agora somos nós que estamos sob pressão, mas, se viermos a ser resgatados, a pressão limitar-se-á a deslocar-se em direção a Espanha. Com uma agravante, como os casos grego e irlandês revelam: a diferença entre as taxas de juro nos mercados e dos empréstimos obtidos com a intervenção UE/FMI não é significativa. A Irlanda paga hoje 5,8%, quando Portugal se financiou a 6,7%. O que nos deixa uma certeza: com as políticas de austeridade vigentes na zona euro, o risco de incumprimento é uma realidade quer num país intervencionado quer num que vá mantendo uma ilusão de soberania. (...)"
o resto do meu texto publicado no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
Não há, contudo, prova mais acabada da natureza sistémica da crise do euro do que a diferença entre o que nos foi sendo dito aquando dos sucessivos resgates e o que acabou por suceder. Os apoios foram apresentados como uma forma eficaz de estancar a crise das dívidas soberanas. Está à vista que assim não foi: o efeito-dominó não tem parado. Agora somos nós que estamos sob pressão, mas, se viermos a ser resgatados, a pressão limitar-se-á a deslocar-se em direção a Espanha. Com uma agravante, como os casos grego e irlandês revelam: a diferença entre as taxas de juro nos mercados e dos empréstimos obtidos com a intervenção UE/FMI não é significativa. A Irlanda paga hoje 5,8%, quando Portugal se financiou a 6,7%. O que nos deixa uma certeza: com as políticas de austeridade vigentes na zona euro, o risco de incumprimento é uma realidade quer num país intervencionado quer num que vá mantendo uma ilusão de soberania. (...)"
o resto do meu texto publicado no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
May the good Lord
May the good Lord shine a light on you,
Make every song (you sing) your favorite tune.
May the good Lord shine a light on you,
Warm like the evening sun.
(demorei uns vinte anos e tive de insistir muito para entrar nisto. não sei o que se terá passado. agora, resta-me agradecer ao vasco o empurrão definitivo, dado aqui há uns seis meses, para comprar o exile on main street - um disco que, aliás, eu já conhecia através do pastiche que os primal scream fizeram há quinze anos).
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
A Anna Calvi que espere

Pitchfork: A few years ago, you told me in in an interview that the best indie-rock guitarist is not fit to carry strings for a B-list death metal dude.
John Darnielle: It remains true. Although I gotta say, Annie Clark from St. Vincent can shred. So can Kaki King. So there are people-- only women, that I know of-- who would be qualified to go work with death metal dudes at their level.
ler o resto, aqui.
e ouvir a Anna Calvi aqui.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Aprender com o caso Lewinsky
"(...) resta saber se há ganhos eleitorais quando se centram as disputas políticas em temas que remetem para o carácter dos candidatos, ao mesmo tempo que secundarizam a diferenciação política. Com as devidas ressalvas, o caso Lewinsky pode bem ser tomado como um exemplo para avaliar dos ganhos eleitorais das campanhas que, em última análise, visam avaliar caracteres.
A esse propósito, num notável artigo, "Monica Lewinsky's Contribution to Political Science", John Zaller chamava a atenção para alguns factos singelos. Desde logo, a popularidade de Clinton não foi afetada pelo escândalo: após um embate negativo, recuperou e acabou por superar a posição inicial. Depois, os eleitores são capazes de discernir além do que é sugerido nos media e os fatores que levam à formação do sentido de voto são relativamente independentes da agenda mediática. Finalmente, a substância política sobrepõe-se à política mediática. O que serve para recordar que, sendo importante que Cavaco esclareça a sua relação com o BPN, do mesmo modo que Sócrates deveria ter esclarecido prontamente a sua relação com a Universidade Independente, o tema será pouco relevante para as escolhas eleitorais no dia 23 de janeiro."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de dia 8 de Janeiro pode ser lido aqui.
A esse propósito, num notável artigo, "Monica Lewinsky's Contribution to Political Science", John Zaller chamava a atenção para alguns factos singelos. Desde logo, a popularidade de Clinton não foi afetada pelo escândalo: após um embate negativo, recuperou e acabou por superar a posição inicial. Depois, os eleitores são capazes de discernir além do que é sugerido nos media e os fatores que levam à formação do sentido de voto são relativamente independentes da agenda mediática. Finalmente, a substância política sobrepõe-se à política mediática. O que serve para recordar que, sendo importante que Cavaco esclareça a sua relação com o BPN, do mesmo modo que Sócrates deveria ter esclarecido prontamente a sua relação com a Universidade Independente, o tema será pouco relevante para as escolhas eleitorais no dia 23 de janeiro."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de dia 8 de Janeiro pode ser lido aqui.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Depois de mim virá a quem o mesmo acontecerá
Quão iludido está quem com isto espera comprar a imunidade futura.
Assassino ainda vá, agora paneleiro
Carlos Castro não me era indiferente. Pelo contrário, personalizava muitas coisas de que não gosto e que se tornaram muito populares (a histeria mundana; a vulgaridade mediática e a coscuvilhice de sarjeta promovida a jornalismo). Mas o modo condescendente como tem sido tratado o seu bárbaro assassinato, com reflexo nos media e nesse esgoto a céu aberto que são as caixas de comentários e os diversos fóruns, é um fiel retrato do país. Tudo o resto igual, estivéssemos perante um heterossexual sexagenário, castrado pela amante (modelo de vinte anos criada num programa de telelixo e devidamente insuflada), num quarto de hotel em Nova Iorque, ouviríamos um clamor generalizado contra uma “puta” que queria “subir na horizontal” e “sacar dinheiro ao velho”. Em lugar disso, temos o justificacionismo e uma família que, face a uma morte brutal, se tem ocupado em garantir que o filho não era homossexual – trazendo à memória Bernarda Alba quando garantia que a sua filha tinha morrido virgem. O que está em causa é apenas um homicídio particularmente violento e sem qualquer justificação, mas que, pelo caminho, nos revela até onde pode ir a homofobia privada do país, devidamente amplificada nos novos espaços públicos.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Can you beat Victoria Secret?
| The Colbert Report | Mon - Thurs 11:30pm / 10:30c | |||
| MeTunes - Grammy Vote - Dan Auerbach, Patrick Carney & Ezra Koenig<a> | ||||
| www.colbertnation.com | ||||
| ||||
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Juízes em causa própria
"(...) estamos a assistir a sucessivas e paulatinas tentativas de usurpação das funções executivas e legislativas por parte do poder judicial. O mecanismo deste feita é claro: o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público apresenta uma queixa e quem vai julgar é, naturalmente, um juiz. Há bons motivos para estarmos preocupados, até porque o que move os juízes não é segredo.
No texto de apresentação do último congresso da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, a ambição não era escondida. Começando por constatar que "o poder judicial (...) corre o risco de se vir a assumir-se como verdadeiro poder", depois do "século XIX (ter sido) do poder legislativo e o século XX o do poder executivo", o sindicato dos juízes não hesita em assumir "anular medidas do poder executivo (...) como exemplo claro de um novo modo de exercício do judiciário". Tudo para culminar no que qualificam como "uma transferência de legitimidade dos poderes legislativo e executivo para o judicial", um processo cuja "visibilidade densifica a sua dimensão política".
Pode bem dar-se o caso da maioria dos magistrados não se rever nem nas atitudes, nem no pensamento estratégico das associações que os representam. Mas enquanto os tolerarem passivamente, temo bem dizê-lo, são coniventes com a pulsão hegemónica do poder judiciário. Podemos concordar ou discordar do PEC, da austeridade e do OE-2011, mas não é isso que está em causa. É, sim, saber se a função dos magistrados é substituírem-se a políticos eleitos. Uma ambição que os sindicatos dos magistrados não escondem."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 30 de dezembro de 2010 pode ser lido aqui.
No texto de apresentação do último congresso da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, a ambição não era escondida. Começando por constatar que "o poder judicial (...) corre o risco de se vir a assumir-se como verdadeiro poder", depois do "século XIX (ter sido) do poder legislativo e o século XX o do poder executivo", o sindicato dos juízes não hesita em assumir "anular medidas do poder executivo (...) como exemplo claro de um novo modo de exercício do judiciário". Tudo para culminar no que qualificam como "uma transferência de legitimidade dos poderes legislativo e executivo para o judicial", um processo cuja "visibilidade densifica a sua dimensão política".
Pode bem dar-se o caso da maioria dos magistrados não se rever nem nas atitudes, nem no pensamento estratégico das associações que os representam. Mas enquanto os tolerarem passivamente, temo bem dizê-lo, são coniventes com a pulsão hegemónica do poder judiciário. Podemos concordar ou discordar do PEC, da austeridade e do OE-2011, mas não é isso que está em causa. É, sim, saber se a função dos magistrados é substituírem-se a políticos eleitos. Uma ambição que os sindicatos dos magistrados não escondem."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 30 de dezembro de 2010 pode ser lido aqui.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
As lições de Monica Lewinsky
O Tiago diz aqui, com razão, que cada país tem o escândalo Lewinsky que merece. O que me recorda que talvez valha a pena voltar a olhar para as lições que o caso Lewinsky deu à ciência política. Talvez assim se possa antecipar um pouco do que vai acabar por acontecer com a centralidade que o BPN adquiriu na campanha presidencial.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Três tenores ao vivo em Los Angeles
e, a propósito, vale a pena ler esta conversa entre Caetano e Beck:
"I remember clearly the first time I heard somebody talk about you before I saw or heard your music. It was my ex-wife. She saw you on TV and she told me, “You’re going to like this.” It was some awards show I think. Like the Grammys or whatever. I don’t know. Something she saw on TV. I was recording and I came back home and she told me, “There’s this guy Beck. Don’t forget this name because you’re going to like him.” She was explaining to me the way you danced and moved and the suit you were wearing and you were very white! (laughs) She was very precise about that. “The fact that he’s so white is very important when he moves the way he does.” And I was curious so I saw you and I told her she was right. It was very revealing."
que continua aqui.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Um país crisófilo
"(...) Ao contrário do que nos foi sugerido ao longo de anos a fio no espaço público, há mudanças que fazem a diferença. O que nos obriga a introduzir racionalidade no debate público e a encontrar instrumentos para autonomamente identificarmos quais as políticas que respondem aos nossos défices estruturais, sob pena de estas se tornarem, nuns casos, invisíveis, noutros, serem destruídas às mãos das corporações. É que pode bem dar-se o caso de existirem muitas áreas onde as coisas estão a mudar sem que sejamos capazes de nos aperceber. (...)
O drama é que tudo é ofuscado por uma realidade que vive perdida numa tensão insuportável entre, por um lado, quem vê reformas profundas em todas as medidas governativas e, por outro, o totalitarismo do cinismo de quem acha que o país já está condenado. Para superarmos esta dicotomia temos de começar por reformatar o debate público e contrariar o que Alex Ellis classificou de 'crisofilia'. Em Portugal, é uma tarefa hercúlea."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 23 de dezembro de 2010, pode ser lido aqui.
O drama é que tudo é ofuscado por uma realidade que vive perdida numa tensão insuportável entre, por um lado, quem vê reformas profundas em todas as medidas governativas e, por outro, o totalitarismo do cinismo de quem acha que o país já está condenado. Para superarmos esta dicotomia temos de começar por reformatar o debate público e contrariar o que Alex Ellis classificou de 'crisofilia'. Em Portugal, é uma tarefa hercúlea."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 23 de dezembro de 2010, pode ser lido aqui.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

''I will be as harsh as truth and as uncompromising as justice. On this subject, I do not wish to speak, or think, or write with moderation. I am in earnest. I will not equivocate, I will not excuse, I will not retreat a single inch, and I will be heard."
William Lloyd Garrison, "To The Public" primeira edição do The Liberator, Janeiro 1831
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Para os pobres, os restos

"(...) Nas últimas semanas, primeiro, com mais uma campanha do Banco Alimentar contra a Fome e, depois, com a iniciativa "direito à alimentação", foi-nos revelado o esforço solidário que, de tempos a tempos, emerge em Portugal. Num país onde o Estado é, simultaneamente, visto como a raiz de todos os males e como o recurso a que todos, sem exceção, recorrem, há boas razões para se elogiar estas ações. Contudo, nada nos obriga a suspender o espírito crítico apenas porque estamos perante um esforço solidário da sociedade civil.
A questão não é tanto discutir a bondade intrínseca das iniciativas, é saber se são de facto eficazes para quebrarmos a espinha à pobreza. É que uma coisa é potenciarmos um conjunto de ações que visa aliviar as formas mais brutais de privação (como faz, e bem, o Banco Alimentar contra a Fome), outra, bem diferente, é intervir para que a pobreza não se reproduza geracionalmente e não se caracterize por ter uma inscrição social tão marcada.
É uma vergonha que, numa sociedade democrática, haja quem tenha fome; mas não é por combatermos a fome que combatemos a pobreza. E o problema é que é-nos frequentemente sugerido que as iniciativas da sociedade civil assentam numa estratégia de substituição do Estado. Ora estas iniciativas têm um carácter supletivo e só são eficazes se as políticas públicas contrariarem os fatores que causam o nosso padrão de desigualdades.
Nada contra que a sociedade civil se organize para combater a fome - ainda que distribuir restos de restaurantes e apresentar a iniciativa num casino tenha uma carga simbólica negativa -, mas não deixa de ser surpreendente que o consenso público em torno do assistencialismo alimentar coexista com uma incapacidade de consensualizar políticas redistributivas que aliviem a privação e políticas educativas que contrariem as assimetrias de origem social. Dá que pensar quando o Presidente da República oferece o seu patrocínio à distribuição de sobras de restaurantes e, ao mesmo tempo, o país discute o aumento do salário mínimo para 500 euros, tolera ataques demagógicos aos "malandros do rendimento mínimo" ou confunde massificação da escola pública com facilitismo. No fundo, permanecemos no exato lugar em que estávamos quando Ruy Belo escreveu: "é tão suave ter bons sentimentos/consola tanto a alma de quem os tem/que as boas ações são inesquecíveis momentos/e é um prazer fazer bem"."
o resto do meu artigo, publicado na edição do Expresso de 18 de Dezembro de 2010, pode ser lido aqui.
com um agradecimento especial ao zé luís que me enviou esta tira da Mafalda.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Já que ninguém pergunta (agora os livros)
Em 2010 não li muitos livros escritos ou traduzidos em 2010. Aliás, nunca percebi bem a dinâmica das listas de livros do ano, quando comparada com a dos discos ou filmes do ano. Ando sempre atrasado nas leituras e, este ano, li óptimos livros escritos há demasiado tempo. Pouco importa. Mais do que as listas de discos, as listas de livros têm apenas um propósito: convencer os outros a lerem os livros que gostámos de ler. Pensando bem, o propósito é outro: convencer os outros a lerem os livros que gostávamos de ter escrito. Se os discos de que gostamos dizem alguma coisa sobre nós, a asserção é ainda mais válida para os livros. Os dois livros de que gostei mais este ano, até podem não ser os dois melhores livros que li este ano, mas são dois livros que eu, caso tivesse alguma inclinação ou engenho, gostaria de ter escrito. Pensando bem, têm traços em comum: são totalmente desprovidos de artifícios, escritos num estilo conciso e nunca caem na tentação de justificar ou explicar. Pensando melhor, são sobre o mesmo tema.
>
P.S.
Vai chegar o dia em que lerei um livro publicado pela Ahab que não será excelente. Esse dia ainda não chegou. José Rentes de Carvalho tem também um blog que é um erro não ser lido.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
A democracia capturada
"(...) A generosidade dos caciques que pagam quotas produz vários efeitos. Enquanto fecha os partidos à entrada de novos militantes, reproduz lógicas perversas de poder interno. Por um lado, a perpetuação de uma determinada estrutura de poder é mais fácil de sustentar se não existirem novos militantes; por outro, quem paga quotas vence eleições e quem vence eleições passa a ter mais recursos para, depois, pagar mais quotas.
Perante isto, as direções partidárias tendem a defender que o problema existe a um nível local, mas depois as estruturas nacionais vão encontrando formas de compensar estas disfuncionalidades. É isso que explica que as lideranças, quando confrontadas com a questão, reajam com condescendência - ao ponto do líder da federação do Porto afirmar à "Sábado" que "as quotas são um problema individual de cada militante". Infelizmente, não é assim, são um problema coletivo, que mina a democracia na base e que não deve ser tolerado. Se nada mais, porque o sinal dado é claro: se os partidos não são capazes nem de basear os seus mecanismos de poder interno no cumprimento da lei, nem de torná-los verdadeiramente pluralistas, não há razão para acreditarmos que, uma vez no governo, serão capazes de o fazer no Estado."
o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 11 de dezembro de 2010 e escrito a propósito disto, pode ser lido aqui
Perante isto, as direções partidárias tendem a defender que o problema existe a um nível local, mas depois as estruturas nacionais vão encontrando formas de compensar estas disfuncionalidades. É isso que explica que as lideranças, quando confrontadas com a questão, reajam com condescendência - ao ponto do líder da federação do Porto afirmar à "Sábado" que "as quotas são um problema individual de cada militante". Infelizmente, não é assim, são um problema coletivo, que mina a democracia na base e que não deve ser tolerado. Se nada mais, porque o sinal dado é claro: se os partidos não são capazes nem de basear os seus mecanismos de poder interno no cumprimento da lei, nem de torná-los verdadeiramente pluralistas, não há razão para acreditarmos que, uma vez no governo, serão capazes de o fazer no Estado."
o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 11 de dezembro de 2010 e escrito a propósito disto, pode ser lido aqui
Um texto que um português seria incapaz de escrever
Entre muitas outras qualidades, o Alex Ellis, que por estes dias deixará de ser embaixador do Reino Unido em Portugal, revela uma qualidade que se tem tornada rara por cá: contraria a "crisofilia" lusa. O texto que escreveu este fds no Expresso e que já se pode ler aqui é exemplar.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Jornalismo lelé da cuca
assim em jeito preemptive, para que não haja segundas interpretações, e muito resumidamente (tenho de voltar ao trabalho), o que penso sobre os dois assuntos que marcam as notícias do dia é o seguinte: a) a eventual passagem por Portugal de voos não autorizados para (sublinho o para) Guantánamo é muito grave e se tiver de facto existido algum procedimento menos claro e alguma participação deste ou de anteriores governos em actos ilegais, é motivo suficiente para a demissão do governo. b) o pacote de medidas ontem apresentados, designadamente na componente de indemnizações compensatórias de despedimento não terá grande efeito para combater a crise que hoje enfrentamos. dito isto, estava a ler o público de hoje e nem sei o que dizer.
em primeiro lugar a manchete, em letras garrafais lemos: "cortes nas indemnizações não vão ter grandes efeitos no combate à crise". ou seja, o Público torna uma opinião, aliás ouviu dois advogados dois, não apenas em notícia, mas em manchete. Parece-me um bom caminho para o jornalismo. Não sei mesmo se o melhor não seria tornar os jornais aglomerados de opiniões e acabar de vez com as notícias. Se calhar já é isso que acontece e não fomos avisados.
depois, o mais surpreendente. em mais uma notícia mal amanhada com base nos cables da WikiLeaks, e em dois parágrafos quase seguidos, o Público consegue escrever, primeiro, "Sócrates aceitou permitir o repatriamento de combatentes inimigos de Guantánamo através da base das Lajes", escreve em telegrama de 7 de Setembro de 2007 o chefe da representação diplomática dos EUA em Lisboa, Alfred Hoffman.", para logo depois escrever, "alguns meses depois, questionado no Parlamento por Francisco Louçã sobre se o Governo autorizara ou tivera conhecimento "de qualquer transporte de prisioneiros da CIA por território português para o gulag de Guantánamo", assegurou: "Consultei todos os membros do Governo com responsabilidades neste domínio e devo dizer que o Governo nunca foi consultado sobre essa possibilidade nem nunca autorizou [o sobrevoo do espaço aéreo ou a aterragem na base das Lajes de aviões destinados ao transporte ou transferência de prisioneiros]. Posso responder-lhe em nome deste Governo que nunca aconteceu termos sido consultados e termos autorizado. Estes dois actos nunca existiram."
não sei se estão a ver, mas os dois parágrafos falam de coisas diferentes, enquanto se sugere que se está a falar da mesma coisa.
vou mesmo é trabalhar.
em primeiro lugar a manchete, em letras garrafais lemos: "cortes nas indemnizações não vão ter grandes efeitos no combate à crise". ou seja, o Público torna uma opinião, aliás ouviu dois advogados dois, não apenas em notícia, mas em manchete. Parece-me um bom caminho para o jornalismo. Não sei mesmo se o melhor não seria tornar os jornais aglomerados de opiniões e acabar de vez com as notícias. Se calhar já é isso que acontece e não fomos avisados.
depois, o mais surpreendente. em mais uma notícia mal amanhada com base nos cables da WikiLeaks, e em dois parágrafos quase seguidos, o Público consegue escrever, primeiro, "Sócrates aceitou permitir o repatriamento de combatentes inimigos de Guantánamo através da base das Lajes", escreve em telegrama de 7 de Setembro de 2007 o chefe da representação diplomática dos EUA em Lisboa, Alfred Hoffman.", para logo depois escrever, "alguns meses depois, questionado no Parlamento por Francisco Louçã sobre se o Governo autorizara ou tivera conhecimento "de qualquer transporte de prisioneiros da CIA por território português para o gulag de Guantánamo", assegurou: "Consultei todos os membros do Governo com responsabilidades neste domínio e devo dizer que o Governo nunca foi consultado sobre essa possibilidade nem nunca autorizou [o sobrevoo do espaço aéreo ou a aterragem na base das Lajes de aviões destinados ao transporte ou transferência de prisioneiros]. Posso responder-lhe em nome deste Governo que nunca aconteceu termos sido consultados e termos autorizado. Estes dois actos nunca existiram."
não sei se estão a ver, mas os dois parágrafos falam de coisas diferentes, enquanto se sugere que se está a falar da mesma coisa.
vou mesmo é trabalhar.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Now we're talking politics
(com a devida vénia ao francisco mendes da silva, um já velho amigo que, do outro lado da barricada política, conheci por causa do nowhere dos ride)
O maior escritor de surf do mundo

A escrita é o prolongamento da vida por outros meios. Apesar disso, sabemos quem é o melhor surfista do mundo, mas nunca discutimos quem melhor escreve sobre surf. A questão é igualmente importante. Temos as fotografias, os vídeos e os relatos orais, mas só na palavra escrita conseguimos de facto encontrar uma continuação da experiência de surfar uma onda, com todas as suas sensações e matizes. Só no surf escrito conseguimos com detalhe isolar os traços mais marcantes do surf surfado. Ainda assim, escreve-se pouco sobre surf e ainda menos sobre surf em português. Mas, se me perguntarem quem é o melhor escritor de surf do mundo, eu não hesito na resposta. É mulher, é portuguesa e nunca escreveu sobre surf. Mais, se alguma vez reparou num de nós, de prancha no mar, é coisa que infelizmente nunca saberemos.
José Tolentino Mendonça, numa entrevista recente à LER, sugeria que a poesia, depois de escrita, é apropriada por quem a lê. Ganha uma vida nova, tem uma consciência superior, inclusive, à do próprio autor. Eu, sempre que leio os textos de Sophia de Mello Breyner Andresen, tenho essa exacta noção. Aqueles poemas logo se libertam do mar parado da Grécia, da calmaria tranquilizadora e do seu calor límpido, vindo de um jardim inicial. Aproprio-me deles: é o mundo do surf que neles entrevejo e não hesito em dizer que nunca ninguém escreveu sobre surf assim. Sophia sabia do que falava quando escreveu que “o poema sabe mais do que o poeta”. Os seus poemas sabem mais sobre surf do que Sophia podia algum dia ter imaginado.
A ideia já me perseguia, mas tive a certeza que havia em Sophia alguém que escrevia como ninguém sobre o nosso mundo ao ler um assombroso texto de Maria Velho da Costa, sua amiga, em “Evocação de Sophia”. “Sophie en rose”, assim se chama o curto relato de um banho de mar onde o Atlântico se mescla com o Mediterrâneo. Quem escreve é Maria Velho da Costa, mas o que lemos é a paixão de Sophia pelo mar: “poucas coisas são tão alegres como o egoísmo de duas crianças síntonas no seu brinquedo, que era o mar”. A alegria absoluta e infantil é o traço mais marcante do surf e ninguém, como Sophia, olha para esse passado com uma luz cristalina mas marcada a mar. O mar é a sua biografia poética, do mesmo modo que é a nossa.
Percorramos a antologia Mar, onde se juntam os seus poemas que têm o elemento marítimo como referência e neles nos descobrimos, surfistas.
Os nossos temas mais marcantes estão todos lá: a presença obsessiva do mar (“Mar, metade da minha alma é feita de maresia”); o espaço dos encontros connosco mesmos (“As ondas quebravam uma a uma/Eu estava só com a areia e com a espuma/Do mar que cantava só para mim”); um território do mundo mas também manifestação do sagrado (“Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim/(...) Que momentos há em que eu suponho/Seres um milagre criado só para mim”); uma exaltação da liberdade absoluta (“Aqui nesta praia onde/Não há nenhum vestígio de impureza,/Aqui onde há somente/Ondas tombando ininterruptamente/Puro espaço e lúcida unidade,/Aqui o tempo apaixonadamente/Encontra a própria liberdade”); o lugar de contemplação (“Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela”); e a recondução a um lugar de origem (“O cântico da longa vasta praia/Atlântica e sagrada/Onde para sempre a minha alma foi criada”).
Não tenho dúvidas, o melhor livro sobre surf alguma vez escrito é a Antologia temática de Sophia, dedicada ao Mar. Nestes textos encontramos uma dicção exacta, que nos guia com uma desarmante simplicidade através do mar, das ondas, das praias e que nos permite elevar os nossos olhares sobre o mundo e a experiência do surf. Nunca nenhuma voz conseguiu, de modo tão preciso, combinar o dramatismo próprio da experiência marítima com um olhar branco e imaculado sobre a satisfação absoluta que dela resulta.
Gosto de pensar que nós, surfistas, somos todos concretizações materiais da experiência abstracta descrita por Sophia. Não por acaso, a sua inscrição final é a que, de algum modo, todos os surfistas têm tatuada no espírito: “quando eu morrer voltarei para buscar/Os instantes que não vivi junto do mar”. É essa a nossa secreta ambição, um dia voltarmos para viver todos os momentos em que não pudemos surfar ondas. Uma forma que encontrámos para compensar os pequenos demónios quotidianos.
publicado na coluna 'Sal na Terra' da SurfPortugal de Julho e republicado aqui, no dia em que é apresentada a antologia poética de Sophia de Mello Breyner Andresen.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
O Euro fim

"Estamos a assistir ao desenrolar da história europeia, mesmo diante dos nossos olhos, agora como tragédia. A recomendação do eurogrupo para Portugal fazer reformas estruturais, designadamente no seu mercado de trabalho, é mais um passo no delírio político europeu. É uma intromissão (sem cobertura nos tratados) politicamente errada (em contexto recessivo esta não deveria ser a prioridade da zona euro) e socialmente iníqua (precisamos de reformar o mercado de trabalho, mas não no sentido sugerido). Acima de tudo, é reveladora do precipício para o qual caminhamos e que pode bem destruir o euro e décadas de laboriosa integração europeia.
(...) As recomendações a Portugal, em linha com o imposto à Irlanda, revelam que a maioria política que domina o conselho não percebeu a natureza da crise. Tudo aponta para que a Europa esteja empenhada em fazer com que a economia, não tendo morrido da doença (a crise que nasceu no sistema financeiro), morra da cura. Só assim se compreende que, perante a falência do modelo irlandês, todo ele fundado no desenraizamento social das instituições que gerem a economia (do mercado de trabalho ao sistema financeiro), a Europa obrigue a Irlanda a liberalizar ainda mais. No fundo, estamos face a uma posição semelhante à dos comunistas ortodoxos que insistem que o socialismo real falhou porque não foi verdadeiramente adotado. Trata-se, apenas, de uma aspiração ideológica, contrária às evidências empíricas.
Portugal precisa de modernizar o seu mercado de trabalho. Mas não será por aí que sairemos da situação em que nos encontramos e o que a Europa sugere não é a reforma necessária. A ladainha da excessiva rigidez da nossa regulação laboral esconde várias realidades: a proteção legal foi um contraponto a um sistema de proteção social pouco eficaz e à ausência de mecanismos de autorregulação; a nossa legislação já não é tão rígida como se quer fazer crer; e, no que é a dimensão mais relevante, a rigidez formal coexiste com flexibilidade de facto, o que nos torna um dos países europeus com maior precariedade. O PPE que domina a Europa quer, e muita gente por cá, flexibilizar o despedimento. Muito bem, avancemos nesse sentido, mas, para o fazermos, temos de enfrentar simultaneamente a precariedade. Logo, acabemos também com todas as formas de subcontratação (por exemplo, pondo fim aos recibos verdes) e tornemos o acesso ao subsídio de desemprego mais fácil (reduzindo o número de dias de trabalho necessário para ter direito à prestação)."
o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 4 de dezembro de 2010 pode ser lido aqui.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Homens de todo o mundo, uni-vos

acho lamentável muito do que tem sido feito pela wikileaks (se tivesse tempo, explicava a parte que não acho lamentável); e acho lamentável a resposta que tem sido dada à wikileaks (desde logo pelos EUA, como escreveria o maradona, depois explico). mas, no meio de tudo isto, fico sem palavras quando se torna possível alguém ser acusado de violação por um preservativo se ter rompido. até porque já vimos todos demasiadas vezes esta história: acções políticas contra os EUA acabam por ter como resposta acusações por crimes sexuais.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Já que ninguém pergunta
E os 10 melhores discos do ano foram:
The National - High Violet
Deerhunter – Halcyon Digest
The Walkmen - Lisbon
Titus Andronicus - The Monitor
Beach House - Teen Dream
Twin Shadow - Forget
Spoon – Transference
LCD Soundsystem – This Is Happening
Extra Lens - Undercard
The Roots – How I Got Over
(sendo que ainda não ouvi o Kanye integralmente)
canção do ano que não está num dos discos do ano: Avi Buffalo - what's in it for you?
maior desilusão do ano: Arcade Fire (logo seguidos de Belle & Sebastian);
por mais que tente não gosto do ano: Black Keys
reedição do ano: Galaxie 500 - On Fire
concerto do ano: National+Pavement (Paris) e Divine Comedy (Lisboa)
moral da lista: só há um estreante (Twin Shadow). o que quer dizer uma de duas coisas: ou não apareceu nada de novo entusiasmante ou eu já não me entusiasmo com nada de novo.
The National - High Violet
Deerhunter – Halcyon Digest
The Walkmen - Lisbon
Titus Andronicus - The Monitor
Beach House - Teen Dream
Twin Shadow - Forget
Spoon – Transference
LCD Soundsystem – This Is Happening
Extra Lens - Undercard
The Roots – How I Got Over
(sendo que ainda não ouvi o Kanye integralmente)
canção do ano que não está num dos discos do ano: Avi Buffalo - what's in it for you?
maior desilusão do ano: Arcade Fire (logo seguidos de Belle & Sebastian);
por mais que tente não gosto do ano: Black Keys
reedição do ano: Galaxie 500 - On Fire
concerto do ano: National+Pavement (Paris) e Divine Comedy (Lisboa)
moral da lista: só há um estreante (Twin Shadow). o que quer dizer uma de duas coisas: ou não apareceu nada de novo entusiasmante ou eu já não me entusiasmo com nada de novo.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Uma Greve Reveladora

"(...) Uma greve geral de base nacional, hoje, só serve para expor a ineficácia das formas de representação política tradicionais. Há uma enorme descoincidência entre o nível a que continua a ser feita a mobilização (nacional) e o nível das decisões políticas (no mínimo, europeu). Esta descoincidência tem um efeito desmobilizador e revela como esta crise é destruidora económica e socialmente, mas tem também um efeito devastador para os mecanismos de representação. O movimento sindical continua a ter capacidade de resistência, mas revela também impotência para mudar as políticas.
A situação em Portugal será particularmente delicada: sem poder recorrer ao capital que decorre de uma tradição negocial enraizada, restará a memória da contestação política contra os Governos, numa altura em que o poder de decisão já não está nas suas mãos. Quando era necessária uma verdadeira internacionalização das formas de mobilização política, é-nos oferecido um movimento sindical preso às suas idiossincrasias nacionais e que opera num quadro que já não existe. É triste, mas a revelação desta tendência será o principal legado desta greve."
o resto do meu artigo, publicado na edição do Expresso de 27 de novembro de 2010, pode ser lido aqui.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Old Albion
"I'd prefer the plague to the Eton rifles"
Paul Weller (circa 1979)
"David Cameron, stop saying that you like The Smiths, no you don't. I forbid you to like it."
Johnny Marr, (circa 2010) no twitter.
Paul Weller (circa 1979)
"David Cameron, stop saying that you like The Smiths, no you don't. I forbid you to like it."
Johnny Marr, (circa 2010) no twitter.
Ainda a vaca fria
Vale bem a pena ler este artigo de Joschka Fischer. Afinal os políticos alemães não desistiram todos de pensar na Europa.
Este é o corolário do artigo, mas não é certamente o mais importante.
"(...)Any eurozone political leader whose primary consideration now is re-election will face certain failure by meeting this historical challenge. But European priorities have to be the primary concern in this crisis – even at the price of losing office. On the other hand, taking this historic initiative would, relative to fainthearted tactical maneuvering, substantially increase politicians’ chances of re-election later.
But Europe has no shortage of politicians. What is urgently required now are genuine statesmen and stateswomen."
Este é o corolário do artigo, mas não é certamente o mais importante.
"(...)Any eurozone political leader whose primary consideration now is re-election will face certain failure by meeting this historical challenge. But European priorities have to be the primary concern in this crisis – even at the price of losing office. On the other hand, taking this historic initiative would, relative to fainthearted tactical maneuvering, substantially increase politicians’ chances of re-election later.
But Europe has no shortage of politicians. What is urgently required now are genuine statesmen and stateswomen."
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Já esta é excelente, vá lá, superlativamente excelente
Há uma grande discussão para apurar se esta música é melhor cantada pela Jill Scott (tenho de reouvir um velhinho disco dela de que gosto muito), que a escreveu com os Roots mas não a gravou - os mais pacientes podem espreitar aqui - ou se, pelo contrário, esta versão, a mais popular, cantada com a Erykah Badu é superior. Eu não hesito e voto pela contenção. E esta versão, de 1999, revela uma Erykah Badu incrivelmente skinny, bem diferente da de hoje.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Grandes irlandeses
andava a ver se encontrava uma expressão para descrever a música do Neil Hannon e só me ocorre "uplifting".
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Nós Somos a Irlanda
"Há uns meses, Portugal não era a Grécia; entretanto é a Irlanda que não quer ser a Grécia; Portugal que não quer ser a Irlanda; a Espanha que não quer ser Portugal; a Itália que não quer ser a Espanha e, para citar João César Monteiro a outro propósito, mas com o mesmo sentido, "e assim sucessivamente". Há nisto um fundo de verdade: a Grécia tinha contas públicas fraudulentas, a Irlanda um problema gravíssimo no sistema financeiro, Portugal um potencial de crescimento económico medíocre, a Espanha uma bolha imobiliária e a Itália um problema de endividamento público. Nessa medida, cada caso é um caso, com problemas singulares que têm de ter, com urgência, respostas específicas. Mas, ainda assim, este mantra repetido nos vários países da periferia é apenas uma forma de cada um caminhar isoladamente, oferecendo-se como um cordeiro para um sacrifício que dificilmente terá bons resultados. Os países podem, através de medidas de austeridade brutais, tentar resolver os seus problemas, mas não só é duvidoso que isso seja eficaz, como persistirá um problema que está na génese do mal europeu.
(...)
Moral da história: os países da periferia têm um problema comum para enfrentar, sendo que é da sua resolução que nascerá a capacidade para responder com eficácia às singularidades que caracterizam a síndrome económica e financeira de cada país. Se, no curto prazo, a repetição incansável pelos países que se encontram em situação mais frágil de que o seu caso é distinto daquele que está prestes a sucumbir pode funcionar como um balão de oxigénio, não passará muito tempo para que a situação mude. Para estancar o efeito dominó acelerado que destruirá o euro, só há uma alternativa e é de natureza política. Os países da periferia têm de se coligar para dizer: 'nós somos a Irlanda'."
o resto do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
(...)
Moral da história: os países da periferia têm um problema comum para enfrentar, sendo que é da sua resolução que nascerá a capacidade para responder com eficácia às singularidades que caracterizam a síndrome económica e financeira de cada país. Se, no curto prazo, a repetição incansável pelos países que se encontram em situação mais frágil de que o seu caso é distinto daquele que está prestes a sucumbir pode funcionar como um balão de oxigénio, não passará muito tempo para que a situação mude. Para estancar o efeito dominó acelerado que destruirá o euro, só há uma alternativa e é de natureza política. Os países da periferia têm de se coligar para dizer: 'nós somos a Irlanda'."
o resto do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Há mais de dez anos na minha short-list
| The Colbert Report | Mon - Thurs 11:30pm / 10:30c | |||
| Robert Reich | ||||
| www.colbertnation.com | ||||
| ||||
"Uma cara que está a rir"
Se calhar é, para citar o João Catarino, apenas uma questão de "predisposição". ver aqui.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Portugal não é a Espanha/Irlanda (escolha a opção que mais lhe convém)
Um cheirinho do que o Economist escreve sobre Espanha, o tal país que é "too big to fall" e onde se fala das contas dos governos regionais, que provavelmente se tornarão o tema central da agenda política europeia daqui a 2/8 semanas (escolha a opção que lhe parece mais provável).
"Unemployment is stuck at over 20%, while inflation is higher than in Germany. Public debt is low, but the debts of Spanish households and firms are far above the European average. They are being financed from abroad: the current-account deficit is still over 4% of GDP. The banks and the cajas have yet to own up to the full extent of losses on property loans; the impenetrable accounts of regional governments invite suspicion."
o resto pode ser lido aqui.
"Unemployment is stuck at over 20%, while inflation is higher than in Germany. Public debt is low, but the debts of Spanish households and firms are far above the European average. They are being financed from abroad: the current-account deficit is still over 4% of GDP. The banks and the cajas have yet to own up to the full extent of losses on property loans; the impenetrable accounts of regional governments invite suspicion."
o resto pode ser lido aqui.
Um país desenhado

Fez no Verão um ano, o João Catarino percorreu a EN2 com o Buggy e um caderno de desenhos. Na altura, chamei a atenção para o erro que era o serviço público não fazer da viagem um programa de TV. Mas enquanto esse dia não chega, o João lança amanhã um livro que é um caderno da viagem.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A grande depressão e a "prenda para a mais nova"
Coisas como esta fazem parecer as citações a despropósito e o deslumbramento tecnológico como fragilidades aceitáveis, com as quais temos de ser condescendentes. Quando o miserabilismo se junta com o mau gosto (peço imensa desculpa, mas não estamos condenados a, individualmente, considerar a foleirice como uma opção estética como outra qualquer) para culminar num discurso económico errado, podemos anunciar o futuro: uma grande depressão.
A ética do trabalho

Mesmo com uma greve geral à minha volta, estou condenado ao trabalho. Preso à secretária, o meu dia tem sido salvo pela audição disto. Um mundo que eu já havia vislumbrado nos sonhos com que me entretenho: o Kurt Wagner acompanhado de voz feminina (e que me vai obrigar a recuperar o disco da Cortney Tidwell que emprateleirei sem prestar muita atenção) com um repertório radicalmente conservador.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Nós somos a Irlanda
"(...) The task that needs to be solved now is to stop contagion of the Irish banking crisis. The channels are easy to figure out. The two largest creditors to Ireland are the UK and Germany, with loans outstanding of $149bn and $139bn respectively, according to data from the Bank for International Settlements. An Irish bank default would affect the German and British banking systems directly, and require significant domestic bank bail-outs.
A second channel of contagion would be via the capital markets, to Portugal. The biggest creditor to Portugal is Spain, itself in a precarious position with exposures of $78bn. A default of Irish banks would spread like wildfire. It has to be prevented.
The case for Ireland to take the money from the European Financial Stability Facility (EFSF) is overwhelming. The EFSF was set up precisely for that purpose. Contrary to what I expected, the EFSF has managed to find a way to offer loans with relatively low interest rates. The quid pro quo is a significant lower overall lending ceiling than what the official €440bn ($602bn) headline figure suggests. But even then, it is large enough to handle any conceivable Irish and Portuguese crisis. The EFSF is not large enough to handle any problems that might arise in Spain. In that sense, it is not an umbrella for the eurozone, but only for two of its smallest and most peripheral members.(...)"
o resto do artigo de Wolfgang Munchau deve ser lido aqui.
domingo, 21 de novembro de 2010
A Europa precisa de maus alunos
"Europeístas e bons alunos. Foram estes os alicerces da nossa participação no processo de integração europeia. Mas o que era uma linguagem com sentido e benefícios, transformou-se num exercício retórico que nos é prejudicial.
Desde logo porque o contexto mudou radicalmente. A Europa deixou de ser um mecanismo de reforço do Estado-nação, com a transferência de competências a ser acompanhada por maior capacitação dos Estados-membros. Hoje, vivemos um quadro artificial: o essencial das decisões políticas é tomado ao nível europeu, enquanto se vive uma encenação permanente, na qual os políticos nacionais se julgam relevantes, quando são impotentes.
(...) Este cenário deixa em aberto dois caminhos: continuar a fazer de bom aluno lá fora, executando acriticamente as soluções políticas gizadas pelo renascido eixo franco-alemão ou, pelo contrário, fazermos de bom aluno cá dentro e de mau aluno na Europa. O primeiro caminho implica uma interiorização da culpa moral sobre a situação em que nos encontramos; o segundo depende, em primeiro lugar, da aceleração da consolidação das contas públicas, mas requer que este exercício seja combinado com uma democratização das opções europeias, insistindo para que se encontre uma solução sistémica para o euro. A salvação do projeto europeu depende, hoje, da multiplicação de maus alunos em toda a Europa. Maus alunos que, por exemplo, comecem a recusar-se a comprar produtos alemães. Talvez, assim, se perceba que a questão é política e não moral e que a periferia ter vivido acima das suas possibilidades foi também uma necessidade sistémica."
o resto do meu artigo no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
Desde logo porque o contexto mudou radicalmente. A Europa deixou de ser um mecanismo de reforço do Estado-nação, com a transferência de competências a ser acompanhada por maior capacitação dos Estados-membros. Hoje, vivemos um quadro artificial: o essencial das decisões políticas é tomado ao nível europeu, enquanto se vive uma encenação permanente, na qual os políticos nacionais se julgam relevantes, quando são impotentes.
(...) Este cenário deixa em aberto dois caminhos: continuar a fazer de bom aluno lá fora, executando acriticamente as soluções políticas gizadas pelo renascido eixo franco-alemão ou, pelo contrário, fazermos de bom aluno cá dentro e de mau aluno na Europa. O primeiro caminho implica uma interiorização da culpa moral sobre a situação em que nos encontramos; o segundo depende, em primeiro lugar, da aceleração da consolidação das contas públicas, mas requer que este exercício seja combinado com uma democratização das opções europeias, insistindo para que se encontre uma solução sistémica para o euro. A salvação do projeto europeu depende, hoje, da multiplicação de maus alunos em toda a Europa. Maus alunos que, por exemplo, comecem a recusar-se a comprar produtos alemães. Talvez, assim, se perceba que a questão é política e não moral e que a periferia ter vivido acima das suas possibilidades foi também uma necessidade sistémica."
o resto do meu artigo no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Os livros

“No matter how we advance technologically, please don’t abandon the book. There is nothing in our material world more beautiful than the book.”
Patti Smith, em reacção à vitória no national book award para não-ficção.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Se calhar, Melo Antunes estava errado
Custa-me muito pensar isto: mas quando se lê alarvidades como esta, não se pode deixar de pensar que Melo Antunes pode bem ter-se enganado quando disse que a democracia portuguesa não se fazia sem o PCP.
"(...) Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo. Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada. (...)"
o artigo integral pode ser todo lido no Avante, "assinado" por um tal de Correia da Fonseca (que engraçadinhos)
via ana matos pires.
"(...) Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo. Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada. (...)"
o artigo integral pode ser todo lido no Avante, "assinado" por um tal de Correia da Fonseca (que engraçadinhos)
via ana matos pires.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Como é em estrangeiro, talvez assim se perceba
"(...) The eurozone as a whole is in better fiscal shape than other developed economies (notably the US and Japan), and even the most indebted economies could yet dig themselves out of the hole they are in. But the eurozone is still plagued by the contradictions of trying to operate a monetary union without supporting this with a fiscal union.
It is becoming clear that these contradictions can only be solved if there is genuine burden sharing inside the eurozone, along with some much tougher budgetary and regulatory rules which prevent this situation ever happening again. (...)
if the EU could wave a magic wand and create a fiscal union tomorrow, its overall budgetary position would be easily the best in the developed world. There would be no “European” sovereign debt crisis. It is very important to remember this, because it shows that the solution to this problem lies in Europe’s own hands.
The second point to note is that the peripheral eurozone economies (Portugal, Ireland, Greece and Spain), taken as a group, have quite similar budgetary requirements as the advanced nations as a whole - no better, but no worse either (at least on the latest IMF numbers). In fact, the only country which seems to be a potential outlier is Ireland, and these IMF figures do not take account of the extra tightening of 4 per cent of GDP which is promised in the coming budget. If this is passed, the Irish numbers would suddenly look much better. Based on this, it might seem surprising that this block of countries is in such trouble.(...)
If politicians want to preserve the monetary union (and it appears that everyone still does), they will need to come to an agreement under which there is some further fiscal co-operation between member states while the budgetary tightening takes effect in the periphery. And in exchange for this there will have to be much tougher long term budgetary and regulatory arrangements, so that the financial free riding which occurred in the boom years (and which actually affected private debt, rather than public debt) can never again take place.(...)"
via Pedro Lains e o artigo deve ser lido todo, do princípio ao fim (e serve para lembrar como o debate marado - para não dizer mais - que ocorre em Portugal consegue fazer do FT um jornal perigosamente esquerdista).
It is becoming clear that these contradictions can only be solved if there is genuine burden sharing inside the eurozone, along with some much tougher budgetary and regulatory rules which prevent this situation ever happening again. (...)
if the EU could wave a magic wand and create a fiscal union tomorrow, its overall budgetary position would be easily the best in the developed world. There would be no “European” sovereign debt crisis. It is very important to remember this, because it shows that the solution to this problem lies in Europe’s own hands.
The second point to note is that the peripheral eurozone economies (Portugal, Ireland, Greece and Spain), taken as a group, have quite similar budgetary requirements as the advanced nations as a whole - no better, but no worse either (at least on the latest IMF numbers). In fact, the only country which seems to be a potential outlier is Ireland, and these IMF figures do not take account of the extra tightening of 4 per cent of GDP which is promised in the coming budget. If this is passed, the Irish numbers would suddenly look much better. Based on this, it might seem surprising that this block of countries is in such trouble.(...)
If politicians want to preserve the monetary union (and it appears that everyone still does), they will need to come to an agreement under which there is some further fiscal co-operation between member states while the budgetary tightening takes effect in the periphery. And in exchange for this there will have to be much tougher long term budgetary and regulatory arrangements, so that the financial free riding which occurred in the boom years (and which actually affected private debt, rather than public debt) can never again take place.(...)"
via Pedro Lains e o artigo deve ser lido todo, do princípio ao fim (e serve para lembrar como o debate marado - para não dizer mais - que ocorre em Portugal consegue fazer do FT um jornal perigosamente esquerdista).
terça-feira, 16 de novembro de 2010
É o que me ocorre
"It's coming home, it's coming home, it's coming,
football's coming home
Everyone seems to know the score, they've seen it all before"
ao ler isto.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Um governo em dissonância cognitiva
Já agora, e a propósito do link para o que escrevi no Expresso a semana passada e que está aqui em baixo, é impressão minha ou a declaração de Teixeira dos Santos aqui (cujo intuito é incompreensível, a menos que seja um pedido público para sair do governo) é absolutamente incompatível com o que Sócrates disse em entrevista à TV há duas semanas, sendo que a "saturação" de Luís Amado também não é compaginável com a "energia reforçada" de que fala Vieira da Silva aqui. Um governo em dissonância cognitiva é também um governo em processo de implosão. Mas que dizer quando, depois, o mesmo ministro Teixeira dos Santos diz à Reuters que o que disse ao FT não é para ser levado a sério. Uma coisa é clara: isto não vai acabar nada bem.
Um país em dissonância cognitiva
"(...) Quem, ingenuamente, tinha ficado convencido que o acordo entre Governo e PSD era um primeiro passo para o consenso político necessário para reequilibrar as contas públicas, perdeu as ilusões. Esta semana, assistimos em força ao regresso do antagonismo militante que tem caracterizado a política portuguesa. Quando eram necessários entendimentos, é-nos oferecida uma repetição dos debates quinzenais, com os mesmos truques, a costumeira agressividade e total incapacidade de diálogo. Os portugueses, como bem intuiu o político profissional Cavaco Silva no twitter, só podem assistir com impaciência aos debates políticos.
Não é preciso ser psicólogo para se identificar a patologia de que o país padece. Chama-se 'dissonância cognitiva' e resulta da tensão entre cognições que são incompatíveis entre si. É a isso que assistimos: uma incompatibilidade lógica entre, por um lado, uma crença de nível mais primário (o corte na despesa) e, por outro, o desconforto com as consequências concretas desses cortes. Como se não bastasse, essa inconsistência é acompanhada por uma dissonância crescente entre a classe política e a expectativa que os portugueses têm sobre o seu comportamento."
o resto do meu artigo no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
Não é preciso ser psicólogo para se identificar a patologia de que o país padece. Chama-se 'dissonância cognitiva' e resulta da tensão entre cognições que são incompatíveis entre si. É a isso que assistimos: uma incompatibilidade lógica entre, por um lado, uma crença de nível mais primário (o corte na despesa) e, por outro, o desconforto com as consequências concretas desses cortes. Como se não bastasse, essa inconsistência é acompanhada por uma dissonância crescente entre a classe política e a expectativa que os portugueses têm sobre o seu comportamento."
o resto do meu artigo no Expresso da semana passada pode ser lido aqui.
Meninos de coro
Entre as várias bandas de "betos como nós" que têm surgido nos últimos anos, para além da notável amplitude vocal do Hamilton e de, durante os concertos, nunca trocarem os instrumentos com mais de 40 anos que usam, os Walkmen tentam diferenciar-se por ostentarem alianças que conferem respeitabilidade e por terem recuperado o guarda-roupa que os Warsaw haviam emprestado aos Joy Division. Não vale a pena tentar encontrar grandes explicações. Andaram todos nesta escola e foi lá que a coisa começou. E, sim, o concerto foi exactamente como se esperava: muito bom (pensando bem, não foi exactamente como se esperava. não tocaram o "another one goes by", uma música que da primeira vez que ouvi pensei ser mesmo do bob dylan).
(o video é tirado à Susana Pomba, que acrescenta várias fotos do concerto de ontem)
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Número dois na minha lista de Vicentes
De tempos a tempos, lembro-me de procurar os Durutti Column no youtube. O tempo vai passando e aparece sempre alguma coisa nova, mas invariavelmente mais antiga. Desta feita, uma alma caridosa passou para a rede excertos de um concerto de 1985 no Japão. Se seguirem este link, podem ver mais coisas. Isto pode não interessar mesmo nada, mas o primeiro CD que comprei foi desta rapaziada (a somar a alguns vinis que tinha). Há mais de vinte anos que me perseguem e não é nada mau ser perseguido. Ah, o Vini Reilly continua a ser o melhor guitarrista do mundo.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Um jornal de parede
por razões que me escapam, mas com assinalável generosidade, o meu amigo Tiago Tibúrcio e o Miguel Gomes Coelho enviaram para este blog uns dardos. Acontece que isto não é bem um blog, mas uma versão "moderna" de jornal de parede, em que que tento espreitar, através do computador, e com notável preguiça, aqui para "casa". Aliás, com o espectro do twitter e do facebook por perto, tenho cada vez mais vontade de acabar com o blog e regressar ao jornal de parede que havia na minha escola primária. Quando se descobrir forma de linkar videos e músicas, é isso que farei. É até onde vai a minha capacidade de interacção.
Partir a espinha
Através dessa fonte de conhecimento inesgotável que é o site da associação sindical dos juízes portugueses, fiquei a saber que o despacho que me haviam feito chegar por mail (e que tive esperança fosse falso), de um juiz que decidiu diminuir o seu tempo de trabalho por força dos cortes na remuneração que só sentirá em 2011, é mesmo verdadeiro. Para fazer face a compromissos financeiros assumidos, o senhor magistrado, que é juiz-presidente do Tribunal de Alenquer, vai dedicar menos tempo ao seu trabalho. Não se percebe bem qual é a ideia: será que vai aproveitar para fazer uns biscates por fora na economia paralela?
terça-feira, 9 de novembro de 2010
And when the promise was broken, I cashed in a few of my own dreams
Artista que se preze tem o seu álbum perdido. Chegou agora a altura de o "álbum negro" de Bruce Springsteen ver a luz do dia. Entalado entre as gravações de darkness on the edge of town, the promise não é um conjunto de out-takes, vocacionado para incondicionais, mas um disco com princípio, meio e fim, que fica bem ao lado de nebraska, the river e do resto que foi feito até born in the usa. Muitas das canções já eram bastante conhecidas - umas ao vivo (fire e racing in the street), outras também em versões (because the night por patti smith). Acima de todas elas soa, contudo, a canção título, The Promise. Ando a ouvi-la em repeat há umas semanas e emociono-me do mesmo modo com que, passados todos estes anos, me emociono com born to run. Acho que é tudo.
o disco (e também o documentário que já passou na HBO) sai para a semana e, até lá, pode ser ouvido aqui.
save my love também não está nada mal. nada mesmo.
e vale a pena ler este texto do princípio ao fim.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Rebenta a Bolha
"Em trinta e seis anos de democracia, nunca um Governo português foi capaz de fazer cortes na despesa como aqueles que estão propostos no Orçamento para 2011. Como recordava Bruno Faria Lopes no "i", só uma vez, em 1983, com o Bloco Central, acompanhado pelo FMI, é que a despesa pública total desceu de modo significativo (-1.9%). Desde então, o país foi alternando entre anos em que a despesa cresceu muito (2009); em que diminuiu de modo impercetível (1994); ou em que o crescimento foi controlado (2006). Em 2011, sem uma maioria política que crie condições efetivas para aplicar medidas de austeridade, o Governo propõe-se alcançar um objetivo inédito: cortar cerca de 5% da despesa das administrações públicas.
Com este propósito em pano de fundo, Governo e PSD entretêm-se a jogar uma longa partida de poker aberto, com o país a assistir incrédulo. Tem sido um belo retrato do sistema partidário português. Incapazes de fazer alianças pós-eleitorais, com uma quase total ausência de cultura negocial, o que os partidos fazem é, em lugar de procurar acordos, tentar salvar a face e avaliar a extensão dos recuos de cada uma das partes. Esta semana, quando, com o devido beneplácito presidencial, tudo parecia encaminhado para um acordo essencialmente político e com escasso impacto orçamental, a bolha voltou a rebentar, como se estivéssemos no recreio de uma escola.
No fundo, não é surpreendente: em Portugal, os partidos têm pouca ancoragem social (ou seja, não representam de modo mais ou menos orgânico interesses sociais específicos) e também não se movem propriamente pela defesa estável de um conjunto de políticas. Sobra portanto a tática e o objetivo de chegar o mais cedo possível ao poder - com todas as jogadas devidamente medidas pelas sondagens, que funcionam como uma espécie de oráculo de uma realidade cada vez mais distante. Neste contexto, a existência de entendimentos depende apenas de se encontrarem jogos de soma positiva, no qual todas as partes podem surgir como vencedoras. Ninguém quer assumir os custos da impopularidade. (...)"
o resto do meu artigo da semana passada no Expresso pode ser lido aqui.
Com este propósito em pano de fundo, Governo e PSD entretêm-se a jogar uma longa partida de poker aberto, com o país a assistir incrédulo. Tem sido um belo retrato do sistema partidário português. Incapazes de fazer alianças pós-eleitorais, com uma quase total ausência de cultura negocial, o que os partidos fazem é, em lugar de procurar acordos, tentar salvar a face e avaliar a extensão dos recuos de cada uma das partes. Esta semana, quando, com o devido beneplácito presidencial, tudo parecia encaminhado para um acordo essencialmente político e com escasso impacto orçamental, a bolha voltou a rebentar, como se estivéssemos no recreio de uma escola.
No fundo, não é surpreendente: em Portugal, os partidos têm pouca ancoragem social (ou seja, não representam de modo mais ou menos orgânico interesses sociais específicos) e também não se movem propriamente pela defesa estável de um conjunto de políticas. Sobra portanto a tática e o objetivo de chegar o mais cedo possível ao poder - com todas as jogadas devidamente medidas pelas sondagens, que funcionam como uma espécie de oráculo de uma realidade cada vez mais distante. Neste contexto, a existência de entendimentos depende apenas de se encontrarem jogos de soma positiva, no qual todas as partes podem surgir como vencedoras. Ninguém quer assumir os custos da impopularidade. (...)"
o resto do meu artigo da semana passada no Expresso pode ser lido aqui.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
"Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar caminha para o mar pelo verão"
O Andy Irons morreu, os juros da dívida batem recordes, mas hoje estiveram umas ondas e ainda há quem, passado todos estes anos, não tenha receio de soar como soavam os Talking Heads
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
"I have lots of inner demons"
Andy Irons (3x campeão do mundo) morreu ontem, aos 32 anos, alegadamente de febre de dengue. A.I. era o lado mais sombrio do circuito mundial. Sem ele, o Slater dos últimos anos nunca teria existido. Um dos muitos elogios que lhe poderia ser feito.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
It's just New Jersey
"(...) Because we know instinctively as a people that if we are to get through the darkness and back into the light we have to work together. And the truth is, there will always be darkness. And sometimes the light at the end of the tunnel isn’t the promised land. Sometimes it’s just New Jersey. But we do it anyway, together. (...)"
Jon Stewart
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