terça-feira, 15 de março de 2011
Três simples
O artigo de Mário Soares no DN de hoje pode bem estar para Sócrates como o artigo de Cavaco no Expresso esteve para Santana.
Se o Japão não é capaz, imaginem Portugal

"(...) Japan's nuclear power stations were designed with the same care and precision as everything else in the country. More to the point, Japan is the only country in the world to have experienced true nuclear catastrophe. They had an incentive to build well, in other words, as well as the capability, the laws, and regulations to do so. Which leads to the unavoidable question: If the competent and technologically brilliant Japanese can't build a completely safe reactor, who can?"
vale a pena ler o resto do artigo da Anne Applebaum na Slate.
domingo, 13 de março de 2011
Uma missão impossível
"(...) O que demonstra que a austeridade unilateral é contraproducente se a Europa não fizer a sua parte. E a Europa não tem feito a sua parte. Como se não bastasse não reconhecer que o problema dos países da periferia é fruto de uma arquitectura institucional incapaz de lidar com choques assimétricos e dos desequilíbrios de uma moeda única sem política fiscal comum e sem compensação para os excedentes nas trocas comerciais internas, a Europa entregou-se a uma anomia política devastadora. Como escreveu Wolfgang Münchau no Financial Times, “esta crise é tanto alemã como espanhola. Este reconhecimento deve ser o ponto de partida para qualquer sistema eficaz de resolução”.
Deve, mas não tem sido. Percebe-se que os países do centro resistam a aceitar a natureza sistémica da crise do euro como pressuposto negocial, já não se compreende a capitulação política dos países da periferia. Não devemos exagerar o papel das lideranças no curso da história, mas se considerarmos que os países que podiam comandar a reforma da zona euro estão entregues a uma inexistência política (Zapatero) e a um tresloucado (Berlusconi), torna-se mais fácil entender como chegámos aqui. Serve de pouco, mas não se pode deixar de pensar como seria a gestão desta crise com Kohl na Alemanha, González em Espanha e Delors em Bruxelas."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 5 de Março, pode ser lido aqui.
Deve, mas não tem sido. Percebe-se que os países do centro resistam a aceitar a natureza sistémica da crise do euro como pressuposto negocial, já não se compreende a capitulação política dos países da periferia. Não devemos exagerar o papel das lideranças no curso da história, mas se considerarmos que os países que podiam comandar a reforma da zona euro estão entregues a uma inexistência política (Zapatero) e a um tresloucado (Berlusconi), torna-se mais fácil entender como chegámos aqui. Serve de pouco, mas não se pode deixar de pensar como seria a gestão desta crise com Kohl na Alemanha, González em Espanha e Delors em Bruxelas."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 5 de Março, pode ser lido aqui.
Sabemos muito pouco
"(...) a principal lição é mesmo que o Ocidente não se deve entreter a aprofundar relações com ditaduras. E quando isso acontece, precisamente em nome do realismo, é aconselhável procurar conhecer de facto as realidades locais. O indisfarçável entusiasmo comercial do Estado português com o regime brutal e bizarro de Kadhafi é, a este propósito, um aviso para o futuro. Precisamos de conhecer melhor o mundo antes de nos expormos tanto às suas contingências."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 26 de Fevereiro pode ser lido aqui.
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 26 de Fevereiro pode ser lido aqui.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Velhos movimentos sociais
Power In A Union from JD on Vimeo.
ou de como, quando me falam de mobilizações inorgânicas, pego logo no revólver.
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
factos
A saída da águia vitória continua a revelar-se estratégica - sem ela, 18 jogos a vencer (a massacrar, melhor dizendo);
Deixámos de ser uma equipa de totós - a atitude do JJ e do Rui no fim dos jogos é decisiva. Os estádios assépticos deram uma machadada no futebol, era o que mais faltava juntar a monomania do fair-play e dos salamaleques entre jogadores;
O Messi e o Ronaldo são extraordinários, mas gostava que me dissessem quem é que é capaz de parar o Fábio Coentrão quando acelera. Desde o Roberto Carlos que não se via nada assim;
Os gajos que 'crasharam' os jogos de futebol e os disponibilizam online merecem uma estátua. Palavra de emigrante;
Agora vou ver a Benfica TV (a verdade a que temos direito), daqui a bocado poderei ser avistado no Capitólio.
Deixámos de ser uma equipa de totós - a atitude do JJ e do Rui no fim dos jogos é decisiva. Os estádios assépticos deram uma machadada no futebol, era o que mais faltava juntar a monomania do fair-play e dos salamaleques entre jogadores;
O Messi e o Ronaldo são extraordinários, mas gostava que me dissessem quem é que é capaz de parar o Fábio Coentrão quando acelera. Desde o Roberto Carlos que não se via nada assim;
Os gajos que 'crasharam' os jogos de futebol e os disponibilizam online merecem uma estátua. Palavra de emigrante;
Agora vou ver a Benfica TV (a verdade a que temos direito), daqui a bocado poderei ser avistado no Capitólio.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Um futuro incerto

"(...) o mais provável é continuarmos incapazes de compreender de modo inteligível o que nos rodeia. Como recordava há semanas António Costa Silva, parecemo-nos com Fabrizio del Dongo (personagem da "Cartuxa de Parma", de Stendhal), quando, nas arrebatadoras cem primeiras páginas do romance, num único dia, atravessa a batalha de Waterloo, é ferido, cruza-se sem saber com o próprio pai, sempre com perceção escassa do contexto que o envolve. Como ele, navegamos movidos por um conjunto de ambições românticas e, em lugar de proclamações definitivas sobre o futuro, assentes em modelos fechados, precisamos de mais factos e menos asserções teóricas. É a única forma de lidarmos com a contingência que nos rodeia e contrariarmos o del Dongo que tem estado demasiadamente presente nos olhos com que olhamos para o mundo. Seja em relação à crise, ao Médio Oriente ou ao PIB português."
o resto do meu artigo publicado na edição do Expresso de 19 de fevereiro pode ser lido aqui.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Um bom debate
para seguir aqui. muitas explicações convincentes sobre a incapacidade de antecipar acontecimentos como os das últimas semanas.
Ironias da história
A crer no Washington Post (não encontrei a notícia online), Farouk Hosni está proibido de sair do Egipto, no que aparenta ser o início de uma investigação criminal ao ex-ministro. Não sei se estão a ver quem é.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Os velhos são o futuro
O Martinho aqui, diz tudo o que há a dizer sobre isto (que se aplica a outras parvoíces): "Podemos acreditar em telhados e céus azuis, mas é no chão com o pé a bater que a fricção da juventude se solta, desamparada e livre. Siga."
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
O Josh Lyman ganhou

A vida continua a imitar a ficção e Chicago tem um novo Mayor. Rahm Emanuel (ou Josh Lyman) era, por várias idiosincracias, um improvável candidato à vitória numa eleição uninominal. Mas ganhou e, no fundo, tudo se pode resumir às palavras de um empresário que o apoiava que, mantendo o anonimato, dizia sobre Emanuel, numa reportagem neste fim-de-semana no NYT, qualquer coisa como: "do I like him? it's not about liking".
Escolher em quem se vota raramente é uma questão de "gostar". Com optimismo, podemos ter a sorte de uma ou duas vezes votarmos em alguém de quem gostamos. Não podendo votar no Josh, eu gostava de ter votado neste gajo, que tem manifesto mau feitio, que desagradava a gregos e a troianos e que fez serviço militar em Israel durante a guerra do golfo. Um tipo que não era 'likable'.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A cantiga é uma arma

Os The National deram um concerto surpresa há duas semanas no Webster Hall em NY. A MTV (aparentemente ainda existe como canal de música) filmou e pode ver-se aqui.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
A instabilidade endémica
"(...) A corrida para ver quem censura primeiro dá um retrato fiel do país político: os partidos envolvidos num jogo tático confrangedor, em que, de um lado, temos um Governo com um programa que não é o seu e, de outro, uma oposição que escolheu o caminho da fulanização anti-Sócrates como forma de esconder as suas vacuidades programáticas.
Ora, em lugar desta tensão tática primária, com o espectro de ingovernabilidade sempre a pairar, o que o conjunto dos partidos nos poderia oferecer era capacidade negocial de facto, institucionalizando uma prática de diálogo que teimamos em não ter. Os ajustamentos que necessariamente teremos de fazer só são exequíveis com um pacto social alargado, que dê sustentabilidade e previsibilidade às opções - à imagem do que aconteceu em Espanha. O que temos é um jogo de póquer, desfasado da realidade, no qual nem Governo, nem oposições se mostram disponíveis para abandonar a rigidez das suas posições de partida.
No fundo, torna-se claro que, se as dificuldades não forem suficientes, temos sempre uma garantia: o sistema político cá estará para somar problemas. Talvez assim se perceba a especificidade do mal português e o crescente desajustamento entre partidos e país."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 12 de fevereiro de 2011, pode ser lido aqui.
Ora, em lugar desta tensão tática primária, com o espectro de ingovernabilidade sempre a pairar, o que o conjunto dos partidos nos poderia oferecer era capacidade negocial de facto, institucionalizando uma prática de diálogo que teimamos em não ter. Os ajustamentos que necessariamente teremos de fazer só são exequíveis com um pacto social alargado, que dê sustentabilidade e previsibilidade às opções - à imagem do que aconteceu em Espanha. O que temos é um jogo de póquer, desfasado da realidade, no qual nem Governo, nem oposições se mostram disponíveis para abandonar a rigidez das suas posições de partida.
No fundo, torna-se claro que, se as dificuldades não forem suficientes, temos sempre uma garantia: o sistema político cá estará para somar problemas. Talvez assim se perceba a especificidade do mal português e o crescente desajustamento entre partidos e país."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 12 de fevereiro de 2011, pode ser lido aqui.
A cantiga também é uma arma
Chico, não sei se o teu argumento resiste a muitos testes empíricos. Até porque o problema é simples e resume-se assim: a canção dos Deolinda é uma merda. Escreverias o mesmo a propósito deste gajo? (aqui, em pleno colaboracionismo, a cantar na DDR em 1986)
e aqui já rendido aos encantos das pequenas burguesas
e aqui já rendido aos encantos das pequenas burguesas
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Fazer implodir as escolas

"(...) se a aprendizagem for feita através dos instrumentos que, de facto, motivam e concentram, a aprendizagem é garantida. Substituamos, portanto, a escola por jogos de computador e atribuamos à indústria do entretenimento a responsabilidade por adequar os conteúdos programáticos aos interesses das crianças.
Quem quer que tenha visto uma criança a resolver dilemas complexos num jogo de estratégia percebe bem que dificilmente se encontraria melhor forma de ensinar História, Literatura ou Matemática. A indústria do entretenimento é o novo sistema educativo.
Mas, estranhamente, enquanto os Ministérios da Educação gerem com mão de ferro escolas e currículos, têm escassa intervenção nos meios que, hoje, de facto, educam. Ora, com maior regulação, as empresas que produzem jogos ver-se-ão obrigadas a contratar os melhores filósofos e matemáticos para enriquecer os seus conteúdos.
Como conclui Gough, a escola é uma chatice porque é muito aborrecida, não porque seja muito desafiante. Logo, o objetivo não passa por tornar a aprendizagem mais fácil, mas, sim, mais difícil. Coloquem um cronómetro em contagem decrescente e façam um aluno perder vidas de cada vez que falhar e vão ver uma criança motivada. Depois, resta acrescentar bons conteúdos. Uma tarefa que pode bem ser feita sem escola, mas que precisa de um Ministério da Educação que lhe confira sentido."
o resto do meu texto publicado na edição do Expresso de 5 de fevereiro de 2011, pode ser lido aqui e o artigo de Nigel Gough que cito, aqui.
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