"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sinusite Crónica


Há pouco mais de um ano, resolvi, finalmente, o meu problema, mas eles voltaram para me recordar como era.

Um gajo que partiu tudo, meu

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um ataque de Zombies


Acabei de assistir a um seminário em que Daniel Drezner apresentava o seu último livro - 'Theories of International Politics and Zombies'. Num registo provocatório, Drezner faz um exercício intelectualmente estimulante: prever como é que as vários teorias dominantes das relações internacionais lidariam com um ataque de Zombies. Uma ameaça crescente, comparável a muitas outras que enfrentamos. Durante a conferência, temi que acontecesse o que sucedeu a semana passada quando David Cameron (o outro), enquanto discorria sobre os bloqueios do euro, perguntou se havia algum português na sala. Na altura, hesitei, mas acabei por timidamente levantar a mão, o que me obrigaria a explicar em pouco tempo a 'especificidade nacional'. Se Drezner tem perguntado se alguém conhecia um ataque em curso promovido por Zombies, eu, hoje, seria obrigado a levantar a mão, dando o exemplo de Portugal.

terça-feira, 22 de março de 2011

Quem é que disse que Portugal não tem futuro?



Como sugere o Lourenço aqui, é só pena as raparigas do teledisco não tocarem também. Mas estes tipos fazem mais por nós do que qualquer resgate negociado ou imposto. 1,2,3,4.

Há resgates e resgates

O País enfrenta um impasse político. O Governo demite-se se o PEC IV for chumbado, a oposição garante que o chumbará. É possível evitarmos eleições?

Possível é, mas, como estava escrito desde as últimas eleições, não irá acontecer. Os vários actores políticos não souberam estar à altura da responsabilidade do momento dramático que vivemos em Portugal e no conjunto da Zona Euro.


Quem são os responsáveis?

O primeiro-ministro que, enquanto conseguiu um resgate menos desfavorável que o da Grécia e da Irlanda, continua a demonizar a ajuda externa que de facto já existe e teve sempre reservas em relação a uma coligação; o Presidente da República que, após o inenarrável episódio das escutas ficou tolhido, permitiu a formação de um governo minoritário e depois, na tomada de posse, não lhe ocorreu melhor do que recusar ‘mais sacrifícios’, quando sabia que eles eram inevitáveis e faziam parte de uma negociação em curso com a Comissão e o BCE; e o líder da oposição que, enquanto vai alimentando umas vacuidades sobre os consumos intermédios e sabendo que terá de aplicar a mesma dieta que agora recusa, é movido pela pressão do aparelho que o elegeu, que quer o mais rapidamente possível ir “ao pote”.

Hoje Jean Claude Juncker disse que Portugal assumiu compromissos e que tem de os cumprir. Não cai por terra a ideia do Governo de que todas as medidas são negociáveis?

A margem de manobra que nos resta é quase inexistente e, nesta fase, sem que haja uma revisão profunda da arquitectura da Zona Euro, afirmações como, “distribuir os sacríficios” ou “não penalizar os do costume” não passam de slogans sem qualquer exequibilidade.

Corremos o risco de, se tivermos eleições, não termos um Governo maioritário e enfrentamos exactamente os mesmos bloqueios?

As eleições vão servir apenas para revelar a insustentabilidade da nossa situação. Medidas de austeridade como as que temos de implementar só são possíveis com uma coligação que envolva, pelo menos, o PS e o PSD e que tenha suporte de Belém. Isso não aconteceu até agora, não vejo porque vá acontecer no futuro. Desde logo, porque se criou um clima de antagonismo militante em Portugal que demorará a ser superado.

Ainda acredita que é possível evitarmos um resgate internacional?

Neste momento já não nos financiamos autonomamente no mercado primário. Logo, já estamos a ser resgatados. Mas a solução que foi encontrada é melhor do que a da Grécia e da Irlanda. Há resgates e resgates e o tempo tem sido e continuará a ser um factor decisivo.

aqui fica a a micro-entrevista que dei ao Económico de hoje (com um título meu, diferente do escolhido)

A minha batalha de gigantes preferida



segunda-feira, 21 de março de 2011

O bom gigante


Antes do Bon Iver e dos Megafaun (que vão abrir para os Mountain Goats na sexta-feira e eu vou estar lá para ver!), houve em tempos os DeYarmond Edison. Agora, reuniram-se em Austin e fizeram isto ao James Taylor e à Carole King.

"Poesia é voar fora da asa"


"Eu só não queria significar. Porque significar limita a imaginação."

Soube que Manoel de Barros tem agora uma conta no twitter (via Júlio). Imagino que esteja a chegar a altura de abrir uma para o poder seguir.

Agora em inglês técnico

"(...) Indeed, a broad coalition for change would improve the political legitimacy of such a program as well as current market perceptions of Portugal’s risk."
de um comunicado do PPD/PSD
(agora é que já perdi definitivamente o fio à meada, mas espero que seja apenas por causa do fuso horário.)

domingo, 20 de março de 2011

Se isto é um Presidente

"(...) Cavaco Silva foi certeiro no apelo a um programa estratégico de médio prazo, sustentado num alargado consenso. Na situação em que nos encontramos, um pacto entre os partidos do arco da governabilidade, envolvendo parceiros sociais, que conferisse estabilidade e previsibilidade a um conjunto de opções, para durar para além do tempo deste Governo e/ou desta legislatura, reforçaria as nossas condições negociais na Europa e contribuiria para resolver alguns dos problemas. Mas, com o antagonismo militante que grassa na política portuguesa, a proposta é utópica. A menos que o Presidente se oferecesse como desbloqueador do processo. Acontece que depois de quarta-feira, é impossível olhar para este Presidente como alguém acima das partes, preocupado em unir. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui.

Miúdas Giras (do final do século XIX)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Em defesa do 3º anel

O David Brooks explica aqui as razões porque devemos manter a pressão alta sobre os árbitros e assobiar tanto quanto possível. Ontem como hoje, a diferença pode mesmo estar no tradicional insulto ao bandeirinha.

Se fumarem bananas


a Alice no país das maravilhas nunca mais será a mesma coisa.

quinta-feira, 17 de março de 2011

We'll always have Paris

quarta-feira, 16 de março de 2011

Catástrofes em perspectiva

De uma leitura rápida das notícias do dia (para mim ainda é de manhã), posso concluir que o ciclo noticioso está a ser marcado por 5 temas:
- Eleições no Sporting;
- PEC IV e crise política - com várias declinações;
- Desastre nuclear no Japão;
- Promiscuidade entre poder judicial e poder político;
- Reconquista de território por Khadafi.
Se bem me parece, daqui a 5/10 anos, os dois primeiros temas revelar-se-ão como tendo sido os menos relevantes (e estou a pensar em Portugal).
(inspirado neste post)

terça-feira, 15 de março de 2011

Coisas verdadeiramente importantes

isto.

Três simples

O artigo de Mário Soares no DN de hoje pode bem estar para Sócrates como o artigo de Cavaco no Expresso esteve para Santana.

Se o Japão não é capaz, imaginem Portugal


"(...) Japan's nuclear power stations were designed with the same care and precision as everything else in the country. More to the point, Japan is the only country in the world to have experienced true nuclear catastrophe. They had an incentive to build well, in other words, as well as the capability, the laws, and regulations to do so. Which leads to the unavoidable question: If the competent and technologically brilliant Japanese can't build a completely safe reactor, who can?"
vale a pena ler o resto do artigo da Anne Applebaum na Slate.

domingo, 13 de março de 2011

Uma missão impossível

"(...) O que demonstra que a austeridade unilateral é contraproducente se a Europa não fizer a sua parte. E a Europa não tem feito a sua parte. Como se não bastasse não reconhecer que o problema dos países da periferia é fruto de uma arquitectura institucional incapaz de lidar com choques assimétricos e dos desequilíbrios de uma moeda única sem política fiscal comum e sem compensação para os excedentes nas trocas comerciais internas, a Europa entregou-se a uma anomia política devastadora. Como escreveu Wolfgang Münchau no Financial Times, “esta crise é tanto alemã como espanhola. Este reconhecimento deve ser o ponto de partida para qualquer sistema eficaz de resolução”.
Deve, mas não tem sido. Percebe-se que os países do centro resistam a aceitar a natureza sistémica da crise do euro como pressuposto negocial, já não se compreende a capitulação política dos países da periferia. Não devemos exagerar o papel das lideranças no curso da história, mas se considerarmos que os países que podiam comandar a reforma da zona euro estão entregues a uma inexistência política (Zapatero) e a um tresloucado (Berlusconi), torna-se mais fácil entender como chegámos aqui. Serve de pouco, mas não se pode deixar de pensar como seria a gestão desta crise com Kohl na Alemanha, González em Espanha e Delors em Bruxelas."
o resto do meu artigo publicado no Expresso de 5 de Março, pode ser lido aqui.