"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ela sobre Ele


"His face was so much more interesting than any other face I’d ever seen, with extraordinarily sad eyes and a beautiful mouth."
Jane Birkin sobre Serge Gainsbourg (via JMF)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Num mundo liderado por "pigmeus", nada como um Robert Reich

Agarrem-me se não eu corto

Ao contrário do que prometeu, o Governo só tem aumentado a receita, retomando a habitual trajectória de "perseguição fiscal". Mas, de cada vez que isto é dito, lá aparece alguma voz autorizada do Governo a acenar com cortes históricos já a seguir. Agora foi o primeiro-ministro, devolvido das férias que não ia fazer, a declarar que para o ano vêm "cortes históricos" ou, na nova fórmula, "os maiores de que há memória". Talvez não seja má ideia ter memória e recordar que o que nos foi dito é que os cortes seriam indolores, não implicariam mais sacrifícios, pois seriam nas gorduras do Estado. Face ao que temos de fazer, era evidente que se tratava de uma mentira descarada. Enquanto não chega o pedido de desculpas, são esses os cortes que continuo a aguardar.

Ele é o Benfica

Se tivesse de escolher a notícia que mais me marcou durante as férias, não hesitaria. O AVC do Ricardo Gomes. As coisas são como são e são simples. O Ricardo Gomes era o Benfica. Ainda vi o Humberto e o Néné a jogarem, gostei do Mozer, do Valdo e do Mats. Mas, para mim, o melhor do Benfica era o Ricardo na defesa e o Diamantino no ataque. Dos que vi, foi de longe o melhor central que tivemos (sim, nunca vi o Germano). Mas, para além disso, na discrição com que jogava, na elegância com que marcava golos atrás de golos (numa altura em que insistíamos em ganhar sempre, mas sempre por um a zero), ele ajudou a construir a ideia que hoje faço do Benfica. É naturalmente o facto de ter gostado do Ricardo já lá vão vinte anos que faz com que, para mim, hoje, o Benfica seja o Aimar e mais dez.
(tudo isto serve para mostrar quão irrelevante é a conversa sobre quantos portugueses é que jogam. o Ricardo transportava mais mística do que quase todos os portugueses que entretanto lá jogaram).

Há coisas muito boas

e depois há o minuto e cinquenta segundos deste cover do "tango till they're sore"

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Boas Férias

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ainda a propósito de Caixas


Não sei se já viram isto.

sábado, 23 de julho de 2011

Um pouco mais de política

"(...) Se foi preciso esperar pela mudança de governo para se alargar o consenso nacional em torno da necessidade de uma resposta europeia à crise da dívida soberana e expor-se as perversidades das agências de rating, a única coisa que se pode dizer é que mais vale tarde do que nunca. Contudo, chegados aqui, era importante que se colocasse fim ao euroconformismo que tem reinado e ao suicídio político que é continuarmos a adoptar, de modo acrítico, a atitude de bons alunos. Hoje, sucessivos pacotes de austeridade de base nacional sem uma solução europeia são contraproducentes.
Esta mudança exige, contudo, que o Presidente da República abandone o registo de mestre-escola que adopta sempre que se sente acossado. É no mínimo estranho que o político profissional no activo há mais tempo olhe invariavelmente para a divergência política como uma impossibilidade e reduza toda a conflitualidade a uma questão de mais ou menos “estudo”. A crise europeia com as suas ramificações nacionais é um assunto político, a necessitar de respostas políticas. E na política, parafraseando Cavaco Silva, duas pessoas sérias com a mesma informação não têm de concordar. Bem pelo contrário."
a versão integral do meu artigo do Expresso de 16 de Julho está aqui.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Morreu o meu Freud preferido

"eu próprio não percebo o que se está a passar"

um sonho português: melhor que o video, só mesmo a entrevista.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Oops, fizeram-no outra vez


a versão anterior pode ser vista aqui.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A política como mentira

"(...) Em lugar do mar de rosas anunciado, temos apenas uma inversão radical do discurso político e da opinião publicada. Onde antes se lia que Sócrates era um irresponsável e que não se podia criticar os mercados e as agências de rating, descobrimos agora uma poderosa crise europeia, que impede que Portugal saia do buraco financeiro em que se encontra. Ficámos ainda a saber que as agências de rating são casos de polícia a necessitar de resposta europeia. Chega a ser penoso ler e ouvir hoje os arautos da verdade de ontem.
Até porque a verdade de ontem partia do princípio inegociável de que não eram necessários aumentos de impostos e que tudo se resolvia do lado da despesa (ou melhor, com cortes nos miríficos consumos intermédios) e que uma hipotética subida de impostos serviria apenas para aumentos das pensões mínimas – uma compensação que passaria pelos impostos sobre o consumo e nunca sobre os rendimentos. É escusado confrontar o que foi dito com o que foi feito.
Mas se o tema é a verdade, ela é dura: os impostos vão continuar a aumentar (desde logo o IVA) e os cortes vão continuar a incidir nos salários e prestações sociais (onde se concentra o essencial da despesa pública). A impotência do Governo português a isso obrigará. Nisso, este Governo não difere muito do anterior. Enquanto se demitir de procurar formar uma coligação política que envolva os países da periferia da zona Euro para enfrentar os problemas europeus, o Governo está condenado à irrelevância. Até lá, o mundo continuará a mudar a um ritmo acelerado e o país será obrigado a acompanhar as mudanças do mundo. Já agora, uma profecia: não deve faltar muito para Passos Coelho também passar a ser considerado mentiroso."
a versão integral do meu artigo do Expresso de 9 de Julho pode ser lida aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Dez a zero à Sasha Grey

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Um gigantesco banco alimentar



"(...) Igualmente chocante é o exercício de novilíngua que dá pelo nome de ‘tributo solidário’. A ideia parece sugestiva, mas é perversa: os beneficiários de prestações sociais devem ser chamados a cumprir trabalho a favor da comunidade. Este princípio, para além de nos reenviar para uma visão punitiva do trabalho, que encontra eco, pelo menos, nas ‘workhouses’ dickensianas, ignora que a reinserção social dos excluídos já depende hoje da activação, não exclusivamente através do regresso ao trabalho. Depois, num contexto de depressão profunda do mercado de trabalho, a transformação dos beneficiários de prestações sociais num novo ‘exército industrial de reserva’ só servirá para colocar pressão adicional sobre os trabalhadores pouco qualificados e de baixos salários – os que estão na iminência de cair na armadilha de pobreza.
Quando num contexto de emergência social, o que o governo tem para dizer aos mais pobres é “tomem lá um kit de sobrevivência e agora vão limpar matas”, dá-nos uma mensagem clara sobre o modelo de sociedade que ambiciona. Um modelo que encontra no ressentimento social a sua energia fundadora."

a versão integral do meu artigo publicado no Expresso de 9 de Julho, pode ser lida aqui.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Nota máxima em arrepios



O Nuno propõe uma escala de arrepios para avaliar músicas. Como foi ele que primeiro me mostrou o Damien Jurado, por alturas do "And Now That I'm In Your Shadow", já lá vão uns anos, deixo-lhe aqui um video com nota máxima na escala de arrepios. Eu, passados dois meses, não sei se me recomporei do concerto.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O fim da silly season

"(...) Passos Coelho prometeu ir por “mares nunca dantes navegados”. Para quem propõe uma dupla ruptura face aos vários governos anteriores, a metáfora faz sentido: o que se anuncia é uma ruptura programática e na orgânica do Estado. Se a mudança de políticas é inteiramente legítima e promove uma necessária clarificação programática entre os partidos portugueses, já o experimentalismo na orgânica ministerial, não apenas introduz ruído como, temo bem, revelar-se-á um obstáculo perigoso à rápida implementação do acordo com a Troika.
A última coisa de que precisávamos num momento de emergência era enveredar pelo caminho de fusão de ministérios, baralhação da orgânica dos serviços e alteração de tutelas que, com manifesto insucesso, os sucessivos governos têm seguido. Em lugar de apostar na continuidade orgânica como forma de ir mais longe na ruptura programática, Passos Coelho escolheu uma mistura explosiva de radicalismo programático com perturbação institucional. É uma receita propícia ao desastre e que faz com que o falhanço se possa transformar de espectro em realidade.(...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 25 de Junho pode ser lido aqui.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Riding for the feeling




Na Revista Única do Expresso, a partir deste Sábado e durante as próximas 10 semanas, eu o João Catarino contaremos o que nos foi acontecendo e o que fomos vendo ao longo das praias de Portugal: de Caminha a Vila Real de Santo António.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"O que há num nome?"


Coco Gordon Moore cresceu como se esperava.

Eu nunca serei capaz de escrever assim, mas gostaria muito de ter escrito isto



"(...) eu era só filho do Lobo Antunes, não era filho do Águas, e ainda sei medir as distâncias. Portanto, o que vou eu fazer a um campo de futebol se ele já não joga? Seguir os funcionários competentes de um negócio? Assistir ao bailado dos técnicos? Ver a fantasia substituída pela sofreguidão, a ambição pela avidez, o amor ao clube pela violência idiota? Claro que continuo a querer que o Benfica ganhe. Claro que sou, como em tudo o resto, parcial, sectário, por vezes sem bom senso algum. Mas há séculos que não sofro com as derrotas e, sobretudo, não choro lágrimas sinceras com elas: estou-me nas tintas. Contudo voltaria a trotar, radiante, para assistir à entrada em campo de Costa Pereira, Mário João, Germano, Ângelo, Cavém, Cruz, José Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões, a agradecer-lhes o facto de me terem, durante anos e anos, colorido a existência. E talvez no fim do jogo, postado junto ao autocarro, quando os jogadores saíssem do balneário, o senhor Águas me apertasse a mão."
o texto completo do António Lobo Antunes sobre o Senhor José Águas está aqui.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A mulher está doente

"(...) Com o fim do período carismático que caracterizou o primeiro par de décadas da nossa democracia, a base de recrutamento das elites partidárias mudou. Onde antes os políticos tinham percursos autónomos face aos partidos, com histórias de vida com espessura, hoje as suas trajetórias tendem a ser simétricas, com as mesmas experiências, independentemente do partido a que pertencem. Mesmo que PSD e PS tenham agora linhas programáticas com diferenças mais significativas, as cúpulas partidárias partilham um conjunto de características que as aproxima.
No que não pode deixar de ser visto como um empobrecimento da vida política portuguesa, as disputas internas aos partidos hoje replicam com contornos assustadoramente semelhantes as disputas das juventudes partidárias de há duas décadas. Se quisermos perceber o que se passa hoje no PSD ou no PS, basta tentar perceber o que aproximou ou afastou os mesmo protagonistas nas jotas. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 18 de Junho está aqui.