"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nas costas do povo, mas na antena da TSF

Alberto João Jardim relacionou os ataques à Madeira com um acordo de Bloco Central feito nas costas do Povo. À boleia de Jardim, aproveito para anunciar que o Bloco Central, onde eu e o Pedro Marques Lopes nos juntamos, moderados pelo Paulo Tavares, regressou à TSF, com novo horário - ao Sábado, às 11 da manhã, com repetição à meia-noite. A última edição pode ser escutada aqui.

Coisas que, ainda assim, me dão alguma esperança



Se até a justiça italiana é capaz de fazer um mea culpa, quem sabe a portuguesa, também neste aspecto, não seguirá, um dia, na sua esteira.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

custa a perceber

"Custa muito a perceber a razão por que os candidatos a primeiro-ministro se empenham em fragilizar as condições em que mais tarde vão exercer o cargo. Infelizmente, nunca saberemos se o fazem movidos por puro eleitoralismo ou se se trata apenas de impreparação."

a versão integral do meu artigo do Expresso da semana passada está aqui.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A minha Troika


(já só falta escolher o terceiro elemento)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

o cancro explicado às crianças



ou a crise explicada aos néscios com particular candura.

Agora sim, é possível falar com propriedade do "modelo escandinavo"



aproveitando as réplicas da vitória da esquerda na Dinamarca.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dívida e castigo

"A história está repleta de eventos estruturais desencadeados por acontecimentos secundários. A da Europa não é exceção. Quando o jovem Gavrilo Princip disparou sobre o arquiduque Francisco Fernando, poucos antecipariam o início de uma ‘era de catástrofe’ que duraria três longas décadas. Há atos que têm o condão de revelar todas as tensões de um momento e com isso colocam a história em movimento. Por vezes para o bem, na maior parte das vezes para o mal.
As declarações do Comissário europeu Guenther Oettinger, afirmando que “as bandeiras dos pecadores da dívida deveriam ser colocadas a meia haste”, podem bem ser um destes eventos. O que o Comissário fez foi dar voz ao pensamento dominante na Alemanha: a crise do euro deve ser lida à luz de um conto moral em que o descontrolo das dívidas soberanas se resolve com atos punitivos. A narrativa é apelativa, os governos endividaram-se excessivamente, têm de pagar um preço e a austeridade é a única resposta. Fica sugerida a necessidade de uma punição moral para responder a uma década de desvario hedonista.
Perante o poder avassalador deste conto moral, os países “pecadores” têm optado por apontar o dedo ao vizinho do lado, convencidos que assim expiam o crime e aliviam o castigo. “Nós não somos a Grécia” é um mantra que tem sido usado à exaustão, procurando criar a ilusão de que não nos acontecerá o que foi acontecendo à Grécia no último ano e meio. Ora de cada vez que os países da periferia da zona Euro se procuram distanciar da Grécia estão, de facto, a colocar as suas bandeiras a meia-haste (...)"

o resto do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma monumental dose de lata



Não deixa de ter a sua ironia assistir a um ex-vereador da Câmara de Mafra a papaguear uma colagem de citações de artigos meus no plenário da Assembleia da República, sem sequer se dar ao trabalho de citar e chegando mesmo a afirmar, a determinada altura, que algumas das opiniões eram dele. Como quem faz surf sabe, foi preciso Peniche para haver Ericeira e a câmara de Mafra sempre se esteve literalmente borrifando para o potencial do surf para o concelho. Com protagonistas destes e colocada a questão deste modo, o surf prestou-se ao ridículo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Estávamos empatados com a Grécia e agora fugimos

Lidas estas declarações de Miguel Relvas fico com a dúvida se estamos perante um exercício de novilíngua ou apenas face a um gerador automático de palavras que aparentam soar bem. Em todo o caso, remetendo as declarações para a Grécia, não há dúvida de que se trata de um caso evidente de Húbris. Como ensina a história, atitudes destas tendem a ser devidamente castigadas pelos deuses, numa Nêmesis que terá contornos de tragédia. Infelizmente, mais para nós todos do que para este personagem de ópera-bufa.

"I sit at my table and wage war on myself"

Os REM acabaram ontem. Uma notícia que chegou com uns dezasseis anos de atraso. Os REM acabaram para mim com o Monster, tendo o funeral decorrido num concerto para esquecer no Pavilhão Atlântico, não sei bem quando. Tudo o que ouvi deles nos últimos tempos foi penoso, o que é estranho. Tenho, na minha relação com eles, um conjunto de memórias afectivas que deviam ter feito com que os meus níveis de tolerância à banda fossem bem superiores. Lembro-me como se fosse hoje de um dia, algures em 1987/88, ter chegado a casa com os vinis todos dos REM, que me haviam emprestado, e ter durante uns quantos dias gravado tudo para K7 e, não menos importante, de ter feito uma compilação longa das melhores músicas. Quando o Green chegou, eu estava devidamente preparado. A capa do LP da Manuela Paraíso, com o Stipe, acabou por resistir algum tempo afixada nas paredes do meu quarto (não sei aliás se não foi um dos primeiros números do jornal). Durante uns tempos, o Green e depois o Out of Time foram a alternativa solar às músicas que então me dominavam. Tudo isto porque me lembrei que de todas as bandas que ouvi muito por essa altura, os REM são a única que nunca tenho vontade de voltar a ouvir. Hoje vou abrir uma excepção.





afinal, por exemplo estas duas músicas continuam a ser do caraças.

adenda: o Ricardo conhece alguém (além de mim) que escolheria a mesma música. No entanto, a versão que ele encontrou é bem melhor do que esta que está aqui. Pelo menos é mais próxima de como ela era quando primeiro a ouvi. Vale a pena ir vê-la.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O que tenho andado a ler

- A lista das quinze melhores ideias do ano para a Atlantic;

- um brinquedo muito útil, que serve para colocar cada país em perspectiva.

- Brian Eno, um optimista incansável, dá-nos, através do "sonema", mais um exemplo do seu experimentalismo.

- Jon Stewart reconhece na Rolling Stone que o Daily Show, tal como a Fox News, é um produto da insatisfação.

- ainda sobre a "batalha da mãe-tigre" (o livro de Amy Chua que é um best-seller, pelo menos em polémica nos EUA), um artigo que reflecte sobre a rejeição do "facilitismo" na educação dos filhos.

- e dois artigos bem pessimistas sobre o futuro da Europa. Um de Roubini e outro de Bret Stephens.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Coisas velhas e boas



e também não-frescas e não-cheesy.

E Deus criou Nova Iorque



e eventualmente também as miúdas frescas (talvez excessivamente frescas) e a música cheesy (talvez excessivamente cheesy).

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

As tentações do PS

"(...) A combinação de voluntarismo ideológico com a convicção de que a austeridade pode ser expansionista tem empurrado o governo para além da troika. Este contexto cria uma oportunidade: o PS tornar-se no guardião do memorando de entendimento. É evidente que os socialistas não podem, agora, estar na oposição como se não tivessem estado no poder, mas, também, não podem cavar uma trincheira em torno da defesa das propostas da troika. O exercício é difícil, mas seria um erro manter uma atitude defensiva, abdicando da iniciativa, ainda para mais em torno de opções programáticas que violentam o património programático do centro-esquerda.
Ter vida para além da troika implica que o PS recupere a inclinação reformista e não ceda ao conservadorismo da defesa do status quo ou, pior, que descambe para a mitificação de um passado inexistente (seja no Serviço Nacional de Saúde ou na regulação do mercado de trabalho). Não se deve contrapor à narrativa liberal que Passos Coelho utilizou, uma outra, com as mesmas características formais. O mais certo seria essa tentação descambar no mesmo exercício pueril em que resultou o liberalismo de blogosfera do primeiro-ministro.
Desde logo, é necessário saber resistir aos temas populares (à cabeça, a demagogia em torno do combate à corrupção, que empurrará os partidos para um beco sem saída), mas, também, aos que têm a ver com o sistema político (das leis eleitorais ao voto dos deputados, passando pela obsessão rotativista com nomeações de boys). Centrar a iniciativa nos temas económicos e sociais é exigente e implica romper com o vício da politiquice, uma herança do processo formativo nas juventudes partidárias.(...)"

o resto do meu artigo do Expresso de 10 de Setembro pode ser lido aqui.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Sócrates expiatório

Foi, de facto, muito importante termo-nos visto livres de José Sócrates. De repente, em lugar de gorduras do Estado e de moralismo masoquista, passámos a ter um debate normalizado no espaço público sobre a crise e a Europa. Com Sócrates, quem arriscasse afirmar duas ou três coisas simples e insofismáveis sobre o que se está a passar na Europa e em Portugal era tratado como um delinquente mental. Não por acaso, o espaço público estava inundado de mentes sofisticadas. As mesmas que entretanto ou deixaram de aparecer ou balbuciam um raciocínio errático e escassamente coerente.
(lembrei-me disto ao assistir ao expresso da meia-noite, um debate que suspeito era impensável há seis meses atrás)

Agora sim, é possível falar com propriedade do "modelo escandinavo"


A social democrata Helle Thorning-Schmidt, de 44 anos, torna-se a primeira mulher a governar a Dinamarca.

As coisas que descubro sobre mim próprio

ver aqui.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Coisas que mudam o mundo



e este texto (posso provar que peca por defeito).

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ainda há coisas que não vêm no google

"I caught you streaking in your birkenstocks" são as primeiras palavras do Stephen Malkmus no novo Mirror Trafic. A imagem é suficientemente sugestiva, mas felizmente não encontra correspondência no google images. Há muitos streakers, mas há poucas mulheres streakers e aparentemente nenhuma vestida apenas com umas birkenstocks. Por mais ambição que tenham o Larry Page e o Sergey Brin, o google ainda não nos domina.

É uma pena não deixar o Stephen Malkmus a envelhecer com estilo mais tempo