"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Síndrome de Stendhal


"Absorbed in the contemplation of sublime beauty ... I reached the point where one encounters celestial sensations ... Everything spoke so vividly to my soul. Ah, if I could only forget. I had palpitations of the heart, what in Berlin they call 'nerves.' Life was drained from me. I walked with the fear of falling.''
Stendhal

Abaixo de PIGS

"(...) Depois do acrónimo PIGS e da crise como culpa moral, a requerer uma resposta assente no empobrecimento, o corolário lógico é colocar os países da periferia sob tutela política, tratando-os, de facto, abaixo de PIGS.
A proposta é coerente com a resposta à crise que tem sido dada pela Europa mas, também, com a postura dos governos das periferias. Como sublinhava com clareza o economista grego Yanis Varoufakis, a partir do momento que os governos aceitam empréstimos assentes em pacotes de austeridade que aprofundam a insolvência dos seus próprios países, e que automaticamente exigem mais empréstimos, chegará o momento em que os responsáveis políticos internacionais quererão ter poderes executivos. É apenas uma questão de tempo.
Contudo, se o momento chegar, seremos todos, da Alemanha à periferia, confrontados com a inviabilidade política e económica do caminho europeu. Até lá, valha-nos ao menos o conforto das palavras do nosso primeiro-ministro: “vamos cumprir o programa, custe o que custar”. Custe o que custar."
o resto do meu artigo do Expresso de 4 de Fevereiro pode ser lido aqui.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

É caso para dizer, bom fim-de-semana

No fundo, é isto



“Hope is not the conviction that something will turn out well, but the certainty that something makes sense, regardless of how it turns out.”
Václav Havel (lido aqui.)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Oh Yeah

Não são precisos grandes filmes para que o cinema sirva para alguma coisa. Uma dúzia de euros e quatro horas já valeram a pena só para descobrir que a Charlize Theron ouvia a mesma música que eu quando tinha uns dezoito anos (já para não falar do que fazia a ouvir a música) e que o George Clooney tem uma coleção irrepreensível de camisas (já para não falar da filha mais velha).


Uma lenta agonia

"(...) A capitulação negocial da UGT é aparentemente uma benesse para a CGTP: por um lado, fica com o monopólio da contestação social organizada; por outro, deixa o campo aberto à afirmação de um novo secretário-geral, com a difícil tarefa de substituir um líder carismático. Estamos perante uma ilusão. O que assistiremos, muito provavelmente, é um crescente entrincheiramento da CGTP e um reforço da tutela política do Partido Comunista. Apesar da convergência estratégica, Carvalho da Silva garantia alguma autonomia táctica da CGTP face ao PC e promovia um mínimo de pluralismo interno. Com Arménio Carlos, a CGTP pode ter a ilusão de que representa o descontentamento social, mas ficará ainda mais presa ao PC, condenando-se a um lento definhamento, assente numa retórica sindical que não tem aderência ao mercado de trabalho de hoje.
Ainda assim, há um espaço de manobra possível para o movimento sindical inverter a tendência de declínio: romper com a agenda dominante, centrada em temas que nem sequer são vistos como os mais relevantes pelos trabalhadores portugueses, e libertar-se das tutelas partidárias, que asfixiam a sua capacidade de representação. Num cenário de degradação económica, não se vê como é que será possível iniciar este caminho."
o resto do meu artigo do Expresso de 28 de Janeiro está aqui.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Continua a festim

Anda por aí uma fúria - mais uma - de covers do Leonard Cohen. Se fossem necessárias outras razões para recebermos de braços abertas as 'ideias antigas', só o facto de ter precipitado algumas destas versões já justificou o regresso. Ontem o Bill Callahan, hoje foi o John Darnielle, a fazer seu o 'Smokey Life' - (sem a Jennifer Warnes).
(obrigado ao antónio pela dica)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Façam soar todos os alarmes


isto um dia tinha de acontecer. ouçam, ouçam. (e aqui, os restantes cobridores)


"I am a babbling brook"
J.D.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

canções de protesto

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

da modernização da social-democracia

tenho ouvido e lido que, nos últimos tempos, o SPD tem mudado de posição em relação aos temas europeus. Infelizmente não leio alemão, mas, a crer nas declarações que o Público atribui hoje a Martin Schulz, presidente em exercício do Parlamento Europeu e social-democrata alemão, não me parece que assim seja: "a Grécia deverá viver com o facto de que os que dão muito dinheiro para sanear o país deverão ser melhor incluídos nas decisões" (sobre a utilização desse dinheiro), o que significa "seguramente uma limitação temporária da sua soberania".
Uma coisa parece sempre cada vez mais clara: "a única coisa que a história ensina é que as pessoas não aprendem com a história".

Como dar 10 a zero à Lana del Rey



(2012 já tem dois grandes discos, Tramp da Sharon van Etten e Mr. M dos Lambchop.)

Matar o mensageiro

"(...) uma coisa é a avaliação política do papel das agências de rating, outra, bem diferente, é o que nos têm dito sobre a crise europeia. Na semana passada, quando a Standard & Poor’s reviu em baixa a notação de várias Estados europeus, retirando a nota máxima à dívida francesa e remetendo Portugal para a categoria de lixo, a reacção foi matar o mensageiro e não ouvir a mensagem. É um erro. Vale a pena prestar atenção às razões invocadas pela S&P.
Para além de não individualizar os casos, tratando a zona euro conjuntamente, a S&P sublinha que a descida dos ratings decorre, no essencial, da avaliação feita sobre as decisões políticas europeias – vistas como insuficientes para responder à natureza sistémica da crise do euro. Aliás, é expressamente dito que não só as disputas prolongadas e abertas entre líderes europeus são um factor de risco, como os resultados da última cimeira não representaram uma ruptura suficiente. Esta conclusão decorre, aliás, de uma interpretação da natureza da crise: os problemas financeiros que enfrentamos são, principalmente, consequência de desequilíbrios macroeconómicos entre países do centro e da periferia, pelo que um processo de reforma assente na austeridade pode tornar-se contraproducente.
No fundo, é-nos dito que a Europa não compreendeu a crise, que não vale a pena continuar a individualizar casos, como se não houvesse risco sistémico, e que, enquanto não existir uma resposta conjunta, a sucessão de pacotes de austeridade limitar-se-á a empurrar todas as economias para uma espiral depressiva. Para a S&P, a Europa parece ter assinado um ‘pacto de suicídio’.
Perante estas conclusões, Merkel fingiu não ter percebido e afirmou que era preciso reforçar a disciplina orçamental. Monti, primeiro-ministro italiano, desdobrou-se em declarações, defendendo que “enquanto a obsessão com a austeridade persistir, a crise não acabará”, acrescentando, ao Financial Times, que concordava com “quase tudo o que é dito na análise da S&P” e que poderia ter sido ele a escrever o relatório. O Governo, pela voz sempre pausada do ministro Vítor Gaspar, repetiu, em português, a posição alemã: revelou perplexidade com a baixa da notação, reforçou o compromisso com a austeridade e com os resultados da última cimeira europeia.
A questão só pode ser uma: não terá chegado a altura de deixarmos as colagens às posições alemãs e de nos alinharmos politicamente com os nossos parceiros naturais, os que enfrentam problemas semelhantes? Que as agências de rating possam dar um contributo para esse objectivo, não deixa de ser irónico."
a versão integral do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lida aqui.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

o capitalismo no Estado


"(...) mesmo quando vendemos os dedos e os anéis, alienando o que resta da nossa soberania, há uma dimensão estrutural que persiste e sai reforçada: o Estado bem pode sair das empresas, mas as empresas não saem do Estado.
Para quem falou em “democratização da economia” ou andou a proclamar um liberalismo de pacotilha, apreendido em três lições apressadas na contracapa de meia dúzia de livros, o caminho seguido, ainda assim, surpreende. O que Portugal está a fazer é contribuir, de modo não negligenciável, para a entrada e afirmação na Europa, num sector estratégico como o das energias, de um modelo de capitalismo que não tem nenhuma preocupação com a concorrência, que desrespeita as mais elementares regras de mercado e é socialmente insustentável. As grandes empresas chinesas são braços armados da afirmação geopolítica do Estado chinês e visam, através da expansão, garantir o crescimento e a estabilidade social, de modo a reproduzir um sistema político deplorável.
No fundo, a China sabe que pode contar com Portugal: um país em dificuldades financeiras, e por isso exposto e permeável, e que tem um lastro de promiscuidade entre poder político e económico que gera um terreno fértil ao desenvolvimento do capitalismo assente no Estado. Para liberalismo e “democratização da economia”, estamos conversados."
o resto do meu artigo do Expresso de 14 de Janeiro está aqui.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"I'm sorry, ladies and gentlemen, there's no reason to do this song here"


esta rapariga não pára de surpreender. no Conan, recuperando o cânone, parafraseando Elvis Costello na década de setenta no SNL (a história original está aqui.)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A desigualdade está a passar por aqui

"Em Março de 2010, quando foi dado o tiro de partida para a austeridade, o governo começou os cortes por onde nunca o deveria ter feito – limitando as transferências para a segurança social e, em particular, o financiamento da rede de mínimos sociais. A tomar à letra o que Sócrates e Teixeira dos Santos anunciavam com o PEC I, os nossos desequilíbrios orçamentais resultavam de uma generosidade excessiva da protecção social para os mais carenciados, que se resolvia com uma disciplina férrea nos apoios aos mais pobres. Passado um par de meses, Passos Coelho juntou-se para dançar o tango e desde então os PEC têm-se sucedido a um ritmo difícil de acompanhar.
Mesmo os mais pessimistas, contudo, podem ter ficado resignados e ter-se-ão deixado convencer que o processo que iniciámos vai para dois anos tinha, do ponto de vista das desigualdades, um efeito essencialmente simbólico e que, acima de tudo, não destoava do que se passava um pouco por toda a Europa. Acontece que não é de facto assim. (...)
Poderá alguma coisa mudar entretanto? Não há motivos para estarmos optimistas. Com uma distribuição dos sacrifícios que é ainda mais iníqua (focada nos desempregados, pensionistas e funcionários públicos), a tendência só se pode intensificar. Numa das sociedades mais desiguais da Europa, temos uma distribuição do esforço de austeridade muito desigual. O que terá consequências profundas: não apenas as sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor, como a aceitação política do esforço de consolidação depende de uma distribuição o mais equitativa possível. Exactamente o que não está a acontecer em Portugal."
o resto do meu artigo do Expresso de 7 de Janeiro está aqui.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Futurologia

As minhas previsões para Portugal em 2012 estão aqui, em "empobrecimento e três rupturas", um artigo que escrevi para o anuário do Expresso/Economist, "O mundo em 2012"

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

E nada muda



Por causa de um livro que estou a terminar, peguei no Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico de Orlando Ribeiro, que nunca tinha lido. Na edição que encontrei em casa, alguém colocou, imagino que tenha sido o meu avô, vá lá saber-se porquê, um recorte de um editorial do International Herald Tribune de 1963 (curiosamente de 11 de Setembro). Tirando o facto de JFK ainda ser vivo (e também Salazar), tudo parece relativamente imutável. O poder crescente da China, a ameaça paquistanesa e Portugal - que iniciou algumas reformas, mas que podem ser insuficientes e tardias.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A tragédia portuguesa


"(...) Na tragédia grega, dava-se um nome a esta tentativa arrogante de tudo querer compreender e tudo explicar – a húbris. A tragédia portuguesa é também essa: a dos que vivem a ilusão de que há um só culpado para a crise e que é possível cristalizar as suas causas em dois ou três bordões de belo efeito e com resultados imediatos. Vale a pena recordar que, na tragédia grega, o protagonista era invariavelmente vítima da húbris, da sua inclinação para desprezar a realidade e deixar-se levar pelo excesso de confiança nas suas capacidades. Os deuses castigavam o protagonista com um pathos de sofrimento, numa nêmesis que castigava a insolência, e que tinha como efeito fazer o indivíduo regressar aos limites que transgrediu.
A tragédia portuguesa vai ser mesmo essa: daqui a um ano estaremos bem pior do que hoje e já não teremos à mão as desculpas que hoje são usadas e que têm tanto de fácil como de ilusórias. Talvez então, sejamos capazes de olhar para a nossa ‘tragédia’ em todas as suas matizes. Nessa altura, vamos descobrir que a ilusão da culpa e dos culpados é apenas isso: uma ilusão."
o resto do meu artigo do Expresso de 30 de Dezembro está aqui.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

"We could steal time just for one day"


parabéns ao Senhor David Robert Jones, nos seus 65 anos. Estou-lhe muito agradecido.