"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A culpa é do Constitucional

"Primeiro foram os malandros do rendimento mínimo, mas não falei por não ser pobre. Depois, perseguiram os pensionistas. Nada disse então, por não ser velho. Em seguida, castigaram os funcionários públicos. Decidi não falar porque não sou funcionário público. Então, um dia, vieram tirar-me o meu subsídio de férias. Por essa altura, já não restava nenhuma voz que, em meu nome, se fizesse ouvir. O conhecido poema de Martin Niemoller, escrito num contexto brutal que nada tem a ver com a nossa realidade, é ainda assim uma boa metáfora para os riscos da ação política baseada na exploração do ressentimento.
Quando, no Orçamento de 2012, o governo optou por discriminar negativamente os pensionistas e os funcionários públicos, a estratégia tinha um objectivo: colocar trabalhadores do sector privado contra funcionários públicos. No fundo, a ideia era simples e passava por dar corpo ao sentimento difuso de que os funcionários públicos são uns preguiçosos com emprego protegido. Contudo, como quase sempre acontece com as ideias populistas, o que parece ter um fascínio inicial encarrega-se de trazer complicações sérias mais tarde. Essas complicações acabam de chegar com o acórdão do Tribunal Constitucional. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui

sábado, 7 de julho de 2012

Sejam bons

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tanto Mar

Amanhã, terça-feira, às 18.30, na Bertrand do Chiado, o Fernando Alves apresenta o Tanto Mar, o meu livro com o João Catarino. São bem-vindos. Mas, até lá, aqui podem ver dois leigos no mais mulher, da SIC-mulher

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tanto Mar


terça-feira, 19 de junho de 2012

I was the Duke of Earl



passei aqui só para vos dizer que esta é a melhor música do ano.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

As previsões dos porcos-espinhos


"(...) partindo de uma parábola grega popularizada pelo filósofo Isaiah Berlin, Tetlock divide os especialistas em dois tipos: as raposas e os porcos-espinhos. A distinção assenta na ideia de que enquanto as raposas trabalham em várias frentes e procuram olhar para o mundo em toda a sua complexidade, evitando integrar as suas mundivisões num conceito geral unificador, os porcos-espinhos simplificam a realidade através de uma leitura organizadora baseada num conceito unificador, capaz de tudo traduzir em nexos causais lineares. No fundo, a raposa sabe muitas coisas enquanto o porco-espinho sabe uma grande coisa.
É precisamente essa a conclusão de Tetlock: os especialistas nos quais devemos acreditar são os que se aproximam das raposas – capazes da auto-crítica, ecléticos e disponíveis para actualizar as suas crenças face a novos factos. Já os especialistas que tendem a desempenhar pior o papel de cassandras são os que se aproximam dos porcos-espinhos – têm uma grande ideia, normalmente convincente e articulada, mas que aplicam a todos os acontecimentos. Tetlock acrescenta que os media preferem os porcos-espinhos. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 26 de Maio pode ser lido aqui.

domingo, 3 de junho de 2012

Saudações do Parque da Bela Vista


A última emissão da zona de conforto foi dedicada em exclusivo à carreira de Bruce Springsteen. Pode ser escutada aqui (link do lado direito, emissão de 2 de Junho)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os tempos já mudaram

terça-feira, 22 de maio de 2012

O século XX recordado

"(...)Hoje, perante a catástrofe social e as consequências políticas que eram previsíveis, resta saber se a Grécia funcionará como vacina, obrigando a mudanças na Europa que impeçam o contágio e a dissolução dos sistemas partidários como os conhecemos, ou se, pelo contrário, estamos face ao início de uma epidemia que acabará por alastrar a toda a Europa, partindo das periferias, mas atingindo também o centro. Está nas mãos dos governos europeus escolher. Até agora têm cometido demasiados erros e, pior, têm insistido na trajectória falhada que ameaça os regimes. Estamos a viver um momento crucial para a Europa e convém recordar lições da História que não devem ser esquecidas. A primeira das quais é que “não podemos ser inocentes outra vez” e pensar que a irracionalidade e o mal absoluto não são ameaças que estão sempre ao virar da esquina."
a versão integral do meu artigo de 12 de Maio do Expresso pode ser lida aqui

quarta-feira, 16 de maio de 2012

E se nada mudar?

"(...) Apesar deste contexto, o centro-esquerda ainda não conseguiu desenvolver uma leitura partilhada da crise e articulá-la com uma resposta política coerente. Não há sinais de que Hollande seja capaz de responder a estes dois desafios.
Há, antes de mais, um problema estrutural. A esquerda democrática encontra-se em declínio ideológico porque ou foi incapaz de se readaptar a um contexto económico, social e demográfico muito diferente do do seu apogeu ou, quando o fez, como com a Terceira Via, teve os resultados conhecidos. Convém não esquecer que a crise que hoje enfrentamos resulta de uma arquitectura institucional da zona euro desenhada quando a maioria dos países europeus era governada por partidos social-democratas.
Hoje, o que o centro-esquerda tem para oferecer, desde a França com Hollande a Portugal com Seguro, é apenas um acto adicional ao estrangulamento político europeu. Talvez nenhum outro acontecimento cristalize esta dificuldade como a discussão em torno do Tratado de Estabilidade. Perante um conjunto de disposições que representa uma capitulação política da social-democracia, o que nos é proposto é mantê-las e juntar-lhes uma aposta no crescimento, que nunca se percebe bem em que instrumentos assentará. Hollande alterará o clima político e funcionará como um contrapeso. Espero estar enganado, mas, para além disso, pouco mudará."
 a versão integral do meu artigo do Expresso de 5 de Maio pode ser lida aqui.

sábado, 12 de maio de 2012

Your House

O Walter Benjamin esteve na zona de conforto a semana passada. Aqui fica uma interpretação despojada de Your House, uma das canções de The Extraordinary Life of Rosemary and Me.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Até aqui, tudo bem

"(...) É uma ilusão pensar que tudo se manterá igual no sistema político com um período longo em que o comportamento da economia alterna entre o anémico e a recessão. Pura e simplesmente, o amor do povo pela liberdade não será suficiente para que daqui, por exemplo, a quatro anos, os portugueses se dirijam ordeiramente e em massa às urnas para depositar o seu voto nos partidos em que necessariamente deixarão de confiar. A queda que vivemos começou por ser financeira, económica e social, mas a aterragem será inevitavelmente política e colocará em causa o regime. Como nos ensina a história europeia, a legitimidade dos regimes democráticos depende do pluralismo e da defesa do Estado de direito, mas estes valores só são politicamente sustentáveis se se alicerçarem em níveis de bem-estar suficientes, que funcionem como cimento das relações sociais. A questão não é apenas de privação material hoje, é também o modo como o regime gere expectativas sociais. Em “A classe média: ascensão e queda”, Elísio Estanque escreve que “enquanto numa trajectória ascensional se tende a antecipar a condição de chegada, na situação inversa procura-se a toda o custo negar a realidade, mesmo quando já se mergulhou nela até ao pescoço”. Ou seja, enquanto nas trajectórias ascendentes as expectativas vão sempre um passo à frente da posição individual, perante um fim abrupto desse percurso, a intensidade da frustração dispara, mas ao retardador. Um pouco como no filme de Mathieu Kassovitz: quando caímos, como agora acontece, primeiro negamos a sensação de perda, para depois chocarmos com a dura realidade da desilusão. Só então perceberemos que a solução para a crise deveria ter sido outra. Pode ser, contudo, demasiado tarde. a versão integral do meu artigo do Expresso de 28 de Abril pode ser lida aqui.

domingo, 6 de maio de 2012

Listen all of y'all this is Sabotage


ide ler o obituário do Adam Yauch pelo Sasha Frere-Jones.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Venus in Furs

Nunca saberemos se era nisto que estavam a pensar o Leopold von Sacher-Masoch, primeiro, e o Lou Reed e o John Cale, mais tarde, quando escreveram o Venus in Furs. Mas pode bem ser o caso. St. Vincent em todo o seu esplendor, ontem à noite no programa do Jools Holland (John Cale já havia abordado o tema, no mesmo programa, há uns anos). também publicado aqui (onde tenho estado bem mais activo)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Presos numa encruzilhada

"(...) Este Tratado visa consagrar a hegemonia da direita liberal à custa da capitulação política das restantes mundividências. Há uma diferença significativa entre um consenso desejável em torno da necessidade de consolidação das contas públicas e uma homogeneização que afasta as possibilidades dos Estados-membros decidirem o modo como alcançam a disciplina orçamental e que tipo de Estado social desejam. As consequências são evidentes: se o Tratado for para levar a sério, os Estados-membros menos desenvolvidos ficam privados dos mecanismos de política económica que tornam possível recuperar atrasos, ao mesmo tempo que continuam a não ter os instrumentos financeiros desejáveis, característicos de um sistema federal. No fundo, alienamos soberania, sem qualquer tipo de contrapartidas. Ainda assim, há uma réstia de esperança. No essencial, estamos perante uma institucionalização da hipocrisia: não só os preceitos do Tratado não visam responder às dificuldades que enfrenta a zona euro hoje, como não vão ser cumpridos pelos mesmos governos que agora os subscrevem (dos 25 Estados, apenas quatro cumprem, neste momento, o número mágico para o défice estrutural – sendo que Alemanha e França não fazem parte do grupo). No seu livro póstumo, Thinking the Twentieth Century, Tony Judt, numa conversa com o também historiador Timothy Snyder, deixa-nos uma espécie de lamento céptico: “é provável que, enquanto intelectuais e filósofos políticos, estejamos perante uma situação em que a nossa tarefa principal não é imaginar mundos melhores, mas, antes, pensar como é que podemos prevenir mundos piores”. No fundo, como mostra a discussão política na Europa de hoje, é isso que nos resta." o resto do meu artigo do Expresso de 14 de Abril pode ser lido aqui.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A tempestade perfeita no PS


"A sucessão de mini-crises no Partido Socialista, que teve esta semana o seu apogeu, pode ser lida como fruto da incapacidade de afirmação de António José Seguro, mas é bem mais do que isso. O PS enfrenta uma tempestade perfeita onde dificuldades estruturais se conjugam com obstáculos conjunturais e incapacidade da actual direcção.
Acima de todos os problemas circunstanciais, os socialistas enfrentam um de natureza estrutural, que dura já há algumas décadas. O sucesso político da esquerda democrática durante a segunda metade do século XX foi fruto de um contexto social, demográfico e económico que se alterou profundamente. No mundo de hoje, já distante do ‘liberalismo protegido’ do pós-guerra, a social-democracia passou a ter enormes dificuldades de afirmação. Não por acaso, a sua hegemonia em meados da década de noventa assentou numa agenda modernizadora que rompeu com a tradição e que aparentava ter sido desenhada para um novo contexto. Perante a crise da zona euro e a iminente consagração nos tratados de uma leitura da crise que institucionaliza o projecto político da direita, assistimos a uma capitulação política da esquerda democrática e vivemos as consequências das escolhas feitas pelos governos europeus há perto de uma década, que eram maioritariamente da terceira via.
Independentemente da leitura que possamos fazer das opções recentes, a verdade é que não há uma resposta coerente, do lado da esquerda, aos desafios que hoje se colocam. Até existir esta resposta, torna-se difícil construir um discurso programático consistente onde quer que seja. Portugal não é excepção. A crise, que aparentava ser uma oportunidade para reinventar a esquerda, transformou-se num poderoso mecanismo desagregador. (...)"

a versão integral do meu artigo do Expresso de 6 de Abril pode ser lida aqui.

sábado, 14 de abril de 2012

You Can't Win, Charlie Brown

Os You Can't Win, Charlie Brown passaram pela emissão da semana passada da Zona de Conforto, onde interpretaram Sad Song. Aqui fica o video. A emissão do programa está disponível aqui.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Airports and broken hearts you see,

Aqui há uns tempos tropecei numa música. Parecia-me que o Leonard Cohen tinha, por momentos, despertado de um longo sonho tropical para nos contar os desamores de que tomamos consciência em esperas demoradas em aeroportos. O nome do cantor não podia ser mais desconcertante: Walter Benjamin. Para quem, naquela canção em concreto, cantava sobre a consciência das perdas em viagem, até fazia sentido - tendo em conta que Walter Benjamin, o outro, se suicidou a caminho de Portugal, quando tentava fugir para os EUA, e foi obrigado a regressar à alemanha nazi. Depois, descobri que por detrás de Walter Benjamin se escondia um português radicado em Londres, Luís Nunes, e logo esqueci o pessimismo antropológico ao qual não conseguimos escapar quando nos recordamos da vida e do mundo de Walter Benjamin. Quando, por fim, ouvi na íntegra "The Imaginary Life of Rosemary and Me" tive a certeza que é possível sermos resgatados pelas canções. O disco é curto, pouco mais de 25 minutos para 8 canções, e, desde que o tenho, escuto-o em loop contínuo. Há, na simplicidade destas 8 canções, mesmo que cantadas em inglês, uma espécie de eco longínquo de "um país de bondade e de bruma", que parece encontrar raízes num imaginário doméstico, de onde partem todas as esperanças. Como canta Walter Benjamin a encerrar o disco: "your tiny dances should rule the outside world". É mesmo isso.

também publicado aqui, onde tenho estado bem mais activo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Olhar para trás

"(...) Talvez um princípio avisado para o reformismo seja não cair na tentação do excesso de experimentalismo. Portugal tem muito a aprender com as soluções dos outros países, com os seus erros e sucessos. Ora, se nada mais, o facto de não existir rigorosamente nenhum país europeu com exames no 4º ano deveria ser motivo para ponderação. Mas, para o governo português, isso parece pouco importar.
É claro que os exames são um mecanismo fundamental para a aferição de conhecimentos e não podemos conceber ensino sem avaliação. Contudo, não são os exames que, por si só, garantem a qualidade da aprendizagem. Ora, hoje já existem provas para aferir os conhecimentos das crianças de nove anos que terminam o 4º ano (com uma avaliação qualitativa).
Esta fixação examinadora, que visaria contrariar a alegada cultura de facilitismo que terá contagiado todo o ensino em Portugal, esbarra nas evidências. Para além dos países que melhores resultados têm nas comparações internacionais serem aqueles que menos e mais tarde examinam, Portugal é também um caso de não facilitismo, apresentando uma das maiores percentagem de jovens até aos 15 anos que chumbou pelo menos uma vez. Os números impressionam: 35% dos jovens portugueses reprovaram, valor bem acima da média da OCDE (13%).
Nesta como em muitas outras matérias, talvez fosse preferível que o Governo, em lugar de encontrar resguardo em diatribes ideológicas, ainda para mais de carácter saudosista, e num maniqueísmo retórico, que só serve para esconder fragilidades programáticas, procurasse aproximar Portugal das boas práticas europeias. Ao olhar para trás, a estratégia do Governo só agudizará a natureza dos nossos problemas e contribuirá para focar o debate político em dicotomias redutoras e extremistas."
a versão integral do meu artigo do Expresso de 31 de Março pode ser lida aqui.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Olhar para trás

"this program provided for a joint metropolitan committee to examine unemployed relief applications and to separate respectable workmen temporarily unemployed from 'ordinary paupers'. For the former, it was hoped that relief work and several rural labor colonies would be provided, although no Exchequer grant was involved and major reliance was placed on private charity.
It was in reaction against this inherited policy that British impetus for labor exchanges and unemployment insurance developed"
Hugh Heclo, a escrever em 1974, sobre o Unemployed Workman Act de 1905 (que viria a ser revogado pelas propostas de Beveridge - aliás apoiado activamente por Churchill-, em 1911, e que criariam o primeiro subsídio de desemprego, tal como o conhecemos hoje)