segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Sob a influência
Uns tipos que me ajudaram a começar a ouvir outras músicas, aqui há uns 25 anos atrás - com a ajuda inestimável da Margo - e que estão a envelhecer com muita dignidade. Devo-lhes o Townes Van Zandt, o Neil Young e o caminho que me levou ao Johnny Cash. Não é coisa pouca. Depois, há aquela frase do Nelson Motta a propósito do Chico, que sugere que "as nossas mulheres só estão connosco porque o Chico não quis nada com elas". Pois, pode bem ser refraseada com a Margo - que, mostrando toda o seu bom gosto, ao longo das últimas duas décadas, sempre avisou o marido que só estava com ele porque o Bruce não queria nada com ela. O concerto no Sábado foi arrebatador.
Espero não deixar apagar da memória a versão do powderfinger, por exemplo ouvindo esta (alguns furos abaixo)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Léxico Familiar ou Mountain Goats na Zona de Conforto
o pretexto é o lançamento de Transcendental Youth, mas podia bem arranjar-se um outro qualquer. Hoje, entre as 23 e a meia-noite, na Zona de Conforto na TSF, dedicarei perto de uma hora exclusivamente à banda de John Darnielle. Como se perceberá, é pouco tempo.
(derivado ao jogo do Glorioso em Moreira de Cónegos, a zona de conforto hoje, excepcionalmente, vai para o ar depois da meia-noite)
Alinhamento (para ouvir aqui)
Harlem Roulette 3:23 The
Mountain Goats Transcendental Youth
This Year 3:53 The
Mountain Goats The Sunset Tree
No Children 2:46 The
Mountain Goats Tallahassee
Woke Up New 3:26 The
Mountain Goats Get Lonely
Love Love Love 2:49 The
Mountain Goats The Sunset Tree
Cotton 3:26 The
Mountain Goats We Shall All Be Healed
Romans 10:9 4:46 The
Mountain Goats The Life Of The World To
Come
Heretic Pride 3:34 The
Mountain Goats Heretic Pride
Never Quite Free 3:30 The
Mountain Goats All Eternals Deck
Cry For Judas 3:13 The Mountain Goats Transcendental Youth
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Clivagens: nós e eles
O mundo podia bem dividir-se entre aqueles que têm condições objectivas para tirar uma fotografia com a capa daquele disco em vinil debaixo do braço e os outros.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O livro das desilusões
Do you still have the desire to write?
No. Anyway, I have no intention of writing in the next ten years. To tell the truth, I’m finished.
daqui.
sábado, 10 de novembro de 2012
Uma luta desigual
Há muito quem diga que, no final da campanha, a participação activa de Bill Clinton foi o empurrão que faltava a Obama para chegar confortavelmente à vitória. Posso testemunhar a importância de Clinton e o seu carisma inegável, mas, tenho para mim, que o que fez mesmo a diferença foi um ticket que nos últimos dias foi, de facto, a três: Obama/Clinton/Springsteen.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
A refundação é apenas um eufemismo para "nós falhámos"
Se bem percebo, a história dos últimos anos pode ser contada assim: o sistema financeiro desencadeou uma crise e a culpa foi dos Estados; por sua vez a austeridade tomou conta das políticas dos Estados e a culpa passou a ser das políticas sociais. No fim, onde antes se lia "gorduras do Estado" como elo de ligação de tudo isto, hoje pode ler-se "Estado social".
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Um exercício alucinado
"(...) o Governo
elabora um orçamento que assenta num cenário macroeconómico fantasioso, em
valores para o desemprego subestimados e numa expectativa para a receita
inflacionada. A fórmula vai falhar e não estamos perante uma repetição do
otimismo irrealista que caracterizou a política orçamental do passado recente, já
entrámos no domínio da relação alucinada com a realidade.
Ninguém
no seu perfeito juízo pode acreditar que uma austeridade sem paralelo provocará
uma recessão de 1% do PIB e trará apenas mais 80 mil desempregados. Aliás,
basta utilizar a nova versão dos multiplicadores orçamentais do FMI para se
perceber que o impacto negativo na economia variará entre os 3 e os 5%,
produzindo um efeito devastador no mercado de trabalho.
O
Ministro Vítor Gaspar falou esta semana num “conjunto de incertezas” que ameaça
a execução orçamental. Infelizmente estamos perante um conjunto de certezas: o
orçamento não tem credibilidade, tem uma componente de alucinação, é
incumprível e empurrará o país para uma espiral recessiva.
Se é assim, e a menos que a insanidade tenha tomado conta do Conselho de Ministros (hipótese que não deve ser descartada à partida), esta “estratégia” serve exatamente para quê? Para ganhar tempo? Talvez não fosse despiciendo que alguém no Governo ensaiasse uma resposta à questão. Se tal não for feito, o Governo, que agora se encontra moribundo, cairá às mãos do boletim de execução orçamental do 1º trimestre.
Se é assim, e a menos que a insanidade tenha tomado conta do Conselho de Ministros (hipótese que não deve ser descartada à partida), esta “estratégia” serve exatamente para quê? Para ganhar tempo? Talvez não fosse despiciendo que alguém no Governo ensaiasse uma resposta à questão. Se tal não for feito, o Governo, que agora se encontra moribundo, cairá às mãos do boletim de execução orçamental do 1º trimestre.
o resto do meu artigo do Expresso de 20 de Outubro está aqui.
Coisas que nos fazem falta: compaixão, empatia
"What I find most deeply moving in Caravaggio's paintings is (...) his pervasive compassionate empathy. I don’t just mean his ability to depict compassion, as he does on the face of the early angel supporting Saint Francis in ecstasy or, more subtly and more tenuously, on the late face of David staring at the head of Goliath in the Galleria Borghese. What I’m referring to is Caravaggio’s truly extraordinary ability to imagine sympathetically what it must be like to be another person, saint or sinner, woman or child, knight or jailer, usually in circumstances he could never himself have known."
Daqui.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
A terapia das cabeçadas na parede
"Imagine que tem uma enxaqueca bastante intensa, consulta um economista e este dá-lhe uma conselho: “bata com a cabeça na parede”. Obedientemente, dirige-se a um muro que encontra ao virar da esquina e é isso que faz. Não apenas vai sentir dores como a enxaqueca tenderá a intensificar-se. Ainda assim, porque confia no seu conselheiro, regressa para mais uma consulta. O economista amigo, depois de olhar para uma folha de excel, conclui que o problema é seu – não bateu com a cabeça com a intensidade adequada (ou seja, colocou pouco empenho na terapia) – e aconselha-o a insistir no tratamento, mas desta feita com mais vigor: tem de bater com a cabeça na parede com toda a força que for capaz. Chegados aqui, talvez convenha não ser economista para antecipar os resultados. Começará a sangrar da testa, a enxaqueca tornar-se-á insuportável e, caso tenha sido cumpridor, até o muro pode ter ficado ligeiramente danificado. É assim que o economista Bill Mitchell, no seu blog, resume as intervenções seguidas pelo FMI nos últimos anos. Hoje, já não é preciso ser grego para se estar familiarizado com a terapia das “cabeçadas na parede”. (...)"
a versão integral do meu artigo do Expresso de 13 de Outubro pode ser lida aqui.
Memória do futuro
"(...) Ao suprimir os feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro, o Governo
revela um misto de leviandade e irresponsabilidade, sugerindo, uma vez mais,
que está convicto de que tudo é reconstruível a partir da vontade política do
momento, num experimentalismo que só pode correr mal. Mal ou bem, hoje com uma
distância simbólica crescente, os feriados que celebram o regime e a
independência são uma forma de sincronizar o nosso passado colectivo com o
presente, construindo uma memória coletiva, que é um requisito para existirmos
como nação no futuro.
Convém, contudo, não desvalorizar que o fim da celebração da
República tem também um efeito de ocultação do que é, ou deveria ser, o chão
comum em que assenta o nosso regime e a nossa comunidade. A República, por um
lado, como representação pluralista e livre dos cidadãos, e quadro
institucional no qual se constrói a nação; por outro, como regime onde
prevalece o primado da política como resposta à questão económica e social e
não o contrário.
Esta crise tem sido, de facto, uma oportunidade para brincar com o
fogo, e como descobriremos, infelizmente, à degradação económica e social
seguir-se-á a decadência política e institucional, num contexto em que os laços
que nos uniram foram sendo paulatinamente destruídos. Se não nos celebramos
como comunidade política independente, corremos o risco de o deixar de ser."
a versão integral do meu artigo do Expresso de 5 de Outubro pode ser lida aqui.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
para ouvir, hoje, na Zona de Conforto.
Yet Again 5:18 Grizzly
Bear Shields
Priest With Balloons 4:05 Tiny
Ruins Some Were Meant For Sea
Hey Daydreamer 3:24 Neil
Halstead Palindrome Hunches
Jesus, Etc. 4:18 Bill
Fay Life Is People
Cloudy Shoes 4:09 Damien
Jurado Saint Bartlett
Where Are You Now 4:50 Dylan
LeBlanc Cast The Same Old
Shadow
Falcon 2:55 minta
& the brook trout Olympia
Dance For You 3:24 Dirty
Projectors Swing Lo Magellan
Please Don't Let Me
Be Misunderstood 4:10 Me'Shell Ndegéocello Pour une âme souveraine
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