quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Coisas que fazem mesmo toda a diferença
Quando se cumprem 50 anos da sua morte, há novas descobertas no espólio de Robert Frost. Ouvi-lo a dizer o "The road not taken" faz toda a diferença.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Estado Social, um obituário
"Ao longo de décadas de vida, o Estado
Social foi fonte de segurança para gerações de portugueses. Ainda assim, o seu
desaparecimento esta semana, recebido com pesar colectivo, não surpreende. Muito
fragilizado por factores que escapavam ao seu controlo (ex. arrefecimento
económico e envelhecimento), não resistiu à dor infligida por um diagnóstico
combinado entre o Governo português e uma instituição internacional.
o resto do meu artigo do Expresso de 12 de Janeiro pode ser lido aqui.
A simpatia com que era olhado por
muitos portugueses assentava no facto de a sua passagem à maturidade ter
correspondido a uma melhoria significativa das condições de vida de largos
sectores da nossa sociedade, contribuindo pela sua ação persistente para a
formação de uma, ainda assim incipiente, classe média. A expansão dos serviços por
si oferecidos nas áreas da saúde e da educação foi, aliás, um cimento
fundamental para a consolidação da democracia.
É difícil situar com exatidão o ano do
seu nascimento, mas há um consenso alargado que refere a sua natureza tardia
entre nós. Com raízes na primeira reforma do sistema corporativo em 1962, só se
desenvolveu de forma robusta a partir de 1974, maturando com a adesão europeia,
em 1986. O seu primo alemão, por exemplo, formou-se ainda sob a mão pesada de
Bismarck, no final do século XIX, como forma de conter as reivindicações operárias
e como instrumento ao serviço da criação de um novo Estado-nação. Já no Reino
Unido, parente também próximo, a sua expansão é filha da democracia e da
ascensão política do partido trabalhista, ainda que assente num relatório muito
celebrado, elaborado por um deputado liberal, William Beveridge.(...)"
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Minta and the Brook Trout na Zona de Conforto
Hoje, a partir das 23 horas, na Zona de Conforto da TSF, vou estar à conversa com a
Francisca Cortesão, a voz dos Minta & the Brook Trout. Olympia, o álbum que
lançaram em 2012, pode bem ser descrito como um conjunto de canções simples,
com arranjos destilados que nos embalam e melodias que, na sua melancolia, nos
agarram e se tornam viciantes.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
O limite do bom senso
"(...) Vale
a pena refletir no que se passou na Letónia. Em 2009, esta república do Báltico
foi um dos primeiros “ratos de laboratório” na Europa da experiência de
“austeridade expansionista” promovida pelo FMI. Enquanto se assistia a uma
contração brutal na economia e a um falhanço colossal nas metas do défice para
2010, o Tribunal Constitucional letão declarou inconstitucionais cortes nas
pensões, que correspondiam a 1,5% do PIB. Perante o falhanço da receita e face
à decisão do TC, o FMI, em lugar de impor novos cortes, aproveitou para aliviar
as metas, o que acabou por contribuir de facto para a estabilização da
economia.
Se
o bom senso imperar, a decisão do TC será um bom pretexto para exigirmos novas
condições à Troika, em lugar de prosseguir este caminho insensato e devastador
no qual o Governo tem insistido. Como disse ainda o Presidente, “temos
argumentos – e devemos usá-los com firmeza – para exigir o apoio dos nossos
parceiros europeus”. Esta será, contudo, uma missão reservada para o próximo
primeiro-ministro."
o meu artigo do Expresso de 5 de Janeiro (bem como outros que não havia postado), pode ser lido aqui.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Governar para dividir
"Este Governo apostou em ser uma versão extrema de uma tradição arreigada – pôr os portugueses uns contra os outros para governar. Depois de opor trabalhadores privados a funcionários públicos; agora, não ocorreu nada melhor ao executivo do que pôr trabalhadores contra pensionistas.
Uma das principais responsabilidades de um Governo é ser um factor de segurança. Num momento como aquele que vivemos, esta asserção é mais verdadeira. As declarações de Passos Coelho têm tido o condão de gerar incerteza entre os portugueses, mas são, no essencial, um retrato de um estilo. Por um lado, a ação política assente num objectivo paradoxal – governar para dividir –, por outro, a sensação de que nos condenaram a sermos governados pelo líder de uma juventude partidária. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 22 de Dezembro está aqui.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Um forte abraço, António
Há umas duas, três
semanas, o papel afixado na porta do gabinete ao lado do meu retirou-me as
ilusões: o António estava pior. O António que ao longo destes dois anos e meio
foi um exemplo de coragem e de tenacidade e que ainda há umas semanas dava
aulas, tinha deixado um aviso aos alunos, pedindo desculpa por não poder estar
presente à hora marcada.
O Paulo já deu conta
de muitas das coisas que eu poderia dizer sobre o António – e que ele pode
dizer com mais autoridade. Mas há umas quantas que eu quero acrescentar.
Terei conhecido o
António por volta de 1997, mas foi em 1999, quando fomos juntos participar numa
conferência em que ambos apresentávamos papers, que começámos uma conversa
agora interrompida abruptamente. O António já era um sénior, com experiência de
vida e profissional, e eu não passava de um recém licenciado, que arriscava
falar sobre os mesmos temas que ele. Naqueles dias passados em Boston,
iniciámos um diálogo que fomos alimentando ao longo destes anos e através do
qual aprendi muito. Não me esqueço da forma como um tipo que sabia (e continua
a saber) muito mais do que eu sobre muitos dos assuntos sobre os quais
conversámos, sempre revelou total disponibilidade para me ouvir e para
discutir. É uma qualidade menos democratizada do que possamos pensar.
A conversa começada
em Boston foi continuando. Depois de termos partilhado gabinete durante um
curto período, agora éramos vizinhos e sabia que de cada vez que batesse na
porta do gabinete dele ficaríamos a falar mais tempo do que os nossos
compromissos permitiam. Hoje, tenho a certeza que deveria ter prolongado muito mais
essas conversas.
Aprendi muitas coisas
com o António. Mas tendo de escolher uma, nunca me esquecerei de lhe agradecer ter-me apresentado ao
Ahmad Jamal. Se nada mais posso pedir, espero que continue a poder escutá-lo.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Amigos em Portugal
A história é triste,
de tal forma que é capaz de ultrapassar em tristeza muitas das suas músicas. O
Vini Reilly sofreu um AVC há cerca de dois anos e a sua situação aparentemente não
melhorou. Entretanto, ao mal estar físico – que o impede de tocar guitarra –
juntou-se uma situação financeira muito difícil, que faz com que tenha deixado
de ter capacidade para sustentar as despesas. Podemos ajudar, respondendo a
este apelo do sobrinho.
Devemos-lhe todos
mais do que alguma vez seremos capazes de retribuir. Eu tenho dificuldade em
descrever a dívida que tenho para com ele, quanto mais a forma de retribuir.
O Vini Reilly
ofereceu-me várias coisas que não têm preço: a memória da adolescência, que
perdura, passada a escutar a sua voz frágil e a guitarra que abria todos os espaços
para os sonhos bucólicos; os primeiros concertos (memoráveis) na Aula Magna e
no São Luiz; o vinil do LC a rodar vezes sem fim; as pistas para descobrir o
situacionismo; o dia em que comecei a abandonar o vinil e comprei o primeiro
CD, que tenho marcado a ponto de ser capaz de recuperar todos os passos e as
palavras – o The Guitars and Other Machines, na Contraverso. Talvez seja dizer
pouco afirmar que foi com o Vini Reilly que construí a minha forma de ouvir
música.
Agora, o mais
provável é que olhemos para a sua música com uma tristeza renovada. Se bem que
essa seja a marca dominante dos seus Durutti Column, sempre entrevi neles, e na
capacidade melódica, por vezes exuberante, uma capacidade única de ofuscar toda
a tristeza. De tal forma que, ainda hoje, tenho a certeza que, quando as músicas
dos Durutti Column se entranham, nunca
mais nos podemos sentir abandonados. Talvez seja essa a principal dívida que
tenho para com ele.
Sobre a banda, Miguel
Esteves Cardoso escreveu, já lá vão trinta anos: “esta música não é uma coisa
prosaica e ingénua; não é papel-de-parede para tapar os buracos verdadeiros.
Aqui há também uma luta. O que é preciso é raspar levemente a superfície da
pintura, para encontrar a sua base de tintas negras e feias, o seu medonho inconsciente.
Não há beleza sem contraponto, nem harmonia sem contraste. E a música de Vini
Reilly é só isso.” É mesmo só isso.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Uma grande transformação de novo
"(...) A atualidade do pensamento de Polanyi é evidente. Há uma década atrás, tenderíamos a afirmar que a história não havia sido generosa com a interpretação que fez da evolução das economias de mercado (na aparência, com o fim da era do ‘liberalismo encastrado’ de Bretton-Woods, assistíamos a uma estabilização do capitalismo globalizado, autorregulado e escassamente institucionalizado); mas hoje, após o desencadear da crise em 2008, com os abalos sísmicos vindos do sistema financeiro norte-americano, o cenário é bem distinto: uma recessão profunda que afeta grande parte das economias industrializadas, desequilíbrios sistémicos que aparentam não ter resolução e uma subordinação política dos Estados-nação aos interesses do sistema financeiro que tem poucos paralelos históricos. Aproximamo-nos, de novo, do tempo que marcou Polanyi e influenciou o seu pensamento? (...)"
O meu texto publicado no Atual do Expresso a propósito da tradução para português de "A grande transformação" de Karl Polanyi pode ser lido aqui.
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