"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um belo discurso de 25 de Abril

O Colbert a tratar da saúde à Reinhardt e ao Rogoff

terça-feira, 23 de abril de 2013

Reformistas de todo o país, uni-vos


"(...) Um dos traços mais marcantes da atitude revolucionária dominante é a forma como vê em todos os obstáculos uma oportunidade. A arquitetura do euro dificulta a capacidade competitiva da economia portuguesa? Pouco importa. A crise da dívida é um pretexto para enveredar pela desvalorização interna, baixando salários. A Constituição defende o princípio da igualdade? Ai é? Então, o chumbo do Tribunal Constitucional é a justificação ideal para desmantelar o Estado social. O caminho para o Governo é claro: de oportunidade em oportunidade até à revolução final.
Há, claro, um lado de profunda irracionalidade nesta estratégia. Só assim se explica a vontade indómita de aplicar, em doses sempre mais reforçadas, uma estratégia de hiperausteridade que manifestamente não funcionou, e esperar resultados diferentes. O espírito é típico do de uma cruzada, uma fé inabalável em amanhãs que cantam. Para os arautos do “capitalismo científico”, pouco importa a destruição social. Um dia, sobre as cinzas do desemprego, emergirá uma nova sociedade. Quando? Ninguém sabe.
Perante o auto-da-fé a que estamos assistir, no qual revanchismo e irracionalidade se combinam, e quando há um consenso muito alargado na sociedade portuguesa, da direita à esquerda, que defende, com razoabilidade, o falhanço da estratégia seguida por este Governo, e acolitada por uma Europa em desvario, talvez seja altura de lançar um apelo patriótico: “reformistas de todo o país, uni-vos” para parar já a deriva revolucionária em curso."
a versão integral do meu artigo do Expresso de 13 de Abril pode ser lida aqui.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Entre memórias e lojas de discos

No Sound+Vision do Nuno Galopim e do João Lopes tem sido publicada uma série com memórias pessoais de lojas de discos. Hoje, cabe-me a mim contar quais são/foram as minhas lojas prediletas. Para ler aqui.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Porque é que não te calas?

"(...) Não admira que a Alemanha defenda os seus interesses, o que espanta é que os países da periferia interiorizem a culpa moral pela crise, que busquem expiá-la, aceitando sistematicamente o empobrecimento como solução, e que nas reuniões europeias ninguém se insurja contra o que é dito e feito. O que surpreende nas últimas semanas não são tanto as decisões tomadas, é a atitude colaboracionista de quem é objectivamente prejudicado. Não admira que Schauble ou Dijsselbloem digam o que pensam. O que choca é que ministros do Governo português presentes nestas reuniões não tenham a coragem patriótica para dizer: “porque é que não te calas?”
o resto do meu artigo do Expresso de 29 de Março pode ser lido aqui.

terça-feira, 9 de abril de 2013

I'm the great white hope/I'm the new blue blood (versão 2013)


I get this sudden sinking feeling,
Of a man about to fly.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Com os meus demónios

terça-feira, 2 de abril de 2013

Necessidade, oportunidade e risco

"A decisão do PS de apresentar uma moção de censura é um espelho dos dilemas que enfrentam os socialistas. O PS podia não apresentar uma moção de censura? Não, não podia. O PS corre riscos ao apresentar uma moção de censura? Sim e pode mesmo encaminhar-se para um beco político. (...)"

o resto do meu artigo do Expresso de 23 de Março está aqui.

Nos idos de Maio


Nas discotecas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Uma oportunidade perdida


Em menos de dois anos, desabituámo-nos de ter um primeiro-ministro capaz de explicar e de se explicar. O regresso de José Sócrates, independentemente do que possamos pensar sobre o que diz, revela a importância política da forma como se diz.
A clareza favorece também a interpretação do que Sócrates quis que esta entrevista fosse. Na ausência de alguém que contrariasse uma “narrativa” hegemónica, Sócrates optou por ser ele a fazê-lo, formatando o debate público através de uma revisitação do início de 2011. Uma hora e meia de entrevista resultou num ajuste de contas com o papel do Presidente e da atual maioria na precipitação de uma crise que, inviabilizando o PEC IV, levou ao pedido de resgate. Com um corolário lógico: Cavaco Silva está intimamente ligado à solução política que temos hoje.
Esta foi a entrevista que Sócrates quis dar. Mas tratou-se de uma oportunidade perdida para dar uma outra entrevista, incomparavelmente mais relevante. Uma entrevista que contrariasse a tese da década perdida no ajustamento de Portugal ao euro, sublinhando o modo como os seus Governos combateram os vários défices que diminuem a nossa competitividade – das qualificações aos custos de contexto, passando pelo orçamental. Défices estruturais e bem mais estratégicos que a sucessão de episódios mesquinhos que ocorreram entre 2009 e 2011.
Um ex-primeiro-ministro tem o direito de se defender de ataques soezes? Sim. Mas não terá também o dever de contribuir para ultrapassar a situação de bloqueio em que o país se encontra? Se assim é, qual foi o contributo desta entrevista?
comentário à entrevista de José Sócrates publicado no Expresso de 29 de Março

sexta-feira, 29 de março de 2013

Guitar Heroes


Marcel Proust a antecipar Johnny Marr (circa 1892)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Nem tudo o que vem da Alemanha é mau



As "Boy"

quarta-feira, 27 de março de 2013

Caixa de Poupanças, "o meu colchão"

A solução para a crise na zona euro pode bem estar aqui. Um colchão com cofre incorporado. Para já, é a brincar, mas pode bem tornar-se realidade.

O que é que vai acontecer?


"(...) há previsões que falham e outras que são bastante certeiras. Por que é que isto acontece?
Nate Silver, em “the signal and the noise”, procura responder à questão com uma autoridade reconhecida. Silver surpreendeu o mundo quando há 4 anos acertou nos resultados de 49 dos 50 Estados norte-americanos nas presidenciais e, em Novembro, voltou a repetir a façanha, acertando, novamente, com um grau de precisão superior ao de todas as sondagens. Contudo, como o próprio reconhece, “adoramos prever coisas, mas não somos muito bons a fazê-lo”.
Para quem construiu uma reputação a acertar previsões, não deixa de ser sintomático que tenha escrito um livro a alertar para a nossa capacidade limitada para antecipar. No fundo, o que Silver sugere é que precisamos de aprender a incorporar a incerteza na forma como prevemos e que o segredo das previsões menos falíveis está no modo como se vão ajustando permanentemente a novas informações.
Para Nate Silver, as previsões falham porque há demasiado ruído (i.e., excesso de informação) que oculta os sinais (i.e., a verdade), ao mesmo tempo que temos uma inclinação para procurar os dados que confirmam os nossos preconceitos. Para lidar com o ruído, Silver sugere uma estratégia baseada na aproximação à verdade.
Devemos começar por estabelecer a probabilidade de alguma coisa acontecer e depois ir alterando os resultados consoante vamos tendo mais informação. Não se trata de uma abordagem puramente empírica, bem pelo contrário, mas, sim, da necessidade de contrariar a tendência para forçar a realidade a conformar-se com os nossos preconceitos ideológicos. Daqui decorre uma recomendação clara: quanto mais disponíveis estivermos para testar as nossas ideias, maior a nossa capacidade para lidar com o ruído, aprender com os erros e saber ler os sinais sobre o que vai acontecer."
a versão do meu artigo do Expresso de 16 de Março pode ser lida aqui.

terça-feira, 26 de março de 2013

Os anos oitenta foram difíceis para todos


O que viriam a ser os Radiohead, algures em Oxford, circa 1980 (com posters dos Marillion e Iron Maiden)

segunda-feira, 25 de março de 2013

A maioria silenciosa


"Numa cena de “Homens Simples” de Hal Hartley, Martin Donovan estaciona a carrinha e, num ambiente bucólico, grita exasperado: “não aguento o silêncio”. Depois, irrompem as guitarras distorcidas de Kool Thing dos Sonic Youth e logo vemos os protagonistas a ensaiarem uma coreografia em conjunto que, enquanto devolve a memória de “Band à Part”, contrasta com a quietude que causava desconforto ao protagonista do filme. Na ausência de outra possibilidade, o baixo materialismo dos acordes em distorção surgia como resposta a um silêncio e a um vazio insuportáveis.
Tem sido notado que o elemento mais surpreendente da manifestação do passado sábado foi o seu lado quase lúgubre. Durante longos momentos, enquanto desciam a Avenida da Liberdade em Lisboa, milhares de pessoas caminhavam num passo pesaroso, sem o acompanhamento das palavras de ordem que tendem a surgir nestes momentos. O silêncio cinzento parecia ser o espelho exato do sentimento político da manifestação. É dito com frequência que a política tem horror ao vazio. Pode bem ser verdade, mas há momentos em que de facto o vazio político impera.
Há, hoje, uma coligação ampla de rejeição à estratégia política que a Europa tem desenhado para enfrentar a crise e que o Governo português cumpre com desvelado empenho. Contudo, não se vislumbra uma alternativa política que represente maioritariamente o descontentamento e que tenha capacidade de inverter este rumo. De certa forma, o silêncio dos manifestantes é a expressão política do vazio. Se houvesse um horizonte de esperança, corporizado por uma alternativa política, dificilmente teríamos tido manifestações tão desalentadas. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 9 de Março pode ser lido aqui.

terça-feira, 19 de março de 2013

As crónicas do SXSW


as minhas crónicas desde Austin, no Texas, para a TSF, já podem ser escutadas:
5º dia
4º dia
3º dia
2º dia
1º dia



segunda-feira, 11 de março de 2013

SXSW

Nos próximos dias, andarei por aqui, em Austin no Texas. Para quem quiser ir sabendo o que por lá se passa, a partir de quarta-feira, farei uma crónica diária na TSF (entre as 18.30 e o noticiário das 19, com repetição antes do noticiário das 23). A realidade regressa daqui a uma semana.


quinta-feira, 7 de março de 2013

O novo mundo do protesto

"(...) há um conjunto de ilusões associadas a estas novas formas de participação.
A primeira das quais é a ilusão criada pelas redes sociais. O facebook, os blogues e o twitter potenciam formas de expressão política ambicionadas há séculos – não intermediadas, diretas e individualizadas. Mas se estas formas de participação podem ser muito expressivas, não são, no entanto, capazes de funcionar como válvulas de escape para o descontentamento. Pelo contrário, as redes sociais acabam por funcionar como repositórios de tensões e ressentimentos, em lugar de promoverem a sua superação.
Mas, talvez, a maior das ilusões se prenda com o efeito das novas manifestações. Seja nas redes sociais ou, hoje, nas ruas do país, a força dos protestos não se traduz em mudança política efetiva. Não apenas porque há contradições politicamente insuperáveis entre quem se manifesta, mas, no essencial, porque não há (ainda) quem interprete os protestos e quem os traduza num programa político alternativo.
Não nego a importância do protesto baseado na recusa do que existe, mas, sem alguém que o represente organicamente, a sua eficácia é reduzida. Ora o problema é precisamente esse: as formas tradicionais de representação de interesses já não são vistas como representativas, mas ainda não foram encontradas novas formas capazes de organizar a mudança. O que só consolida a natureza radicalmente nova da crise que enfrentamos."
o resto do meu artigo do Expresso de 2 de Março está aqui.

Destruir para criar

"“É impossível aumentar impostos, desastroso continuar a pedir emprestado, e cortar despesa é simplesmente desadequado”. As palavras podiam ter sido escritas hoje e revelam com precisão os dilemas que Portugal enfrenta. Contudo, fazem parte de um memorando redigido em 1786 por Charles-Alexandre de Calonne, ministro das Finanças de França, dirigido a Luís XVI. Na sequência deste texto, o monarca aceitou convocar uma assembleia de notáveis para discutir um plano de reformas. A assembleia falhou e, por sugestão do Marquês de Lafayette, foram convocados uns estados gerais (os últimos tinham sido em 1614). Como sabemos, bastaram três anos para a degradação financeira, económica e social se traduzir no colapso político do antigo regime.
Se conto este episódio é porque ele é um bom retrato da situação de Portugal hoje – não podemos aumentar impostos, é desastroso continuar a pedir emprestado, os limites para os cortes na despesa já foram ultrapassados e não há apelos aos consensos que nos salvem. Com uma agravante: os dois caminhos dominantes que nos têm sido oferecidos para lidar com o beco sem saída em que nos encontramos têm um lado mimético.(...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 23 de Fevereiro está aqui