"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Carta que enviei hoje ao Público

Como assinante e leitor diário do Público, foi com surpresa que li na edição de terça-feira, dia 9 de Outubro, uma peça de página dupla, publicada surpreendentemente na secção Portugal, a propósito de um livro que se propõe “ensinar a fazer o curso na maior”. Imagino que nas redes sociais e nas conversas entre alunos circulem muitas dicas sobre como ter notas sem estudar ou contornando o trabalho que é exigível a quem frequenta o ensino superior; admito, naturalmente, que haja também quem queira beneficiar comercialmente com a divulgação dessas estratégias (publicam-se tantos livros tontos, por que razão não se há-de publicar mais um). O que me espanta é que o Público dê destaque em, repito, duas páginas a um conjunto de imbecilidades e ideias estapafúrdias sobre o que é (ou deve ser) estudar e, pior, as consequências para a vida social de se estudar. Nem falo da ideia peregrina referida na peça de que, cito, “o objectivo num curso é fazer as cadeiras. E isso não é sinónimo de acumular  conhecimento.” Tendo em conta que, a crer na notícia, um dos autores do livro é professor na Universidade Lusófona, percebe-se a afirmação. Se a universidade não é um local de cultura de exigência e de trabalho, perde a sua função. E como estamos necessitados, em Portugal, de instituições que se movam pela exigência, trabalho e rigor (e como é necessário que nas universidade se combata o facilitismo e a sua versão extrema, o plágio). Mas, talvez o mais chocante da notícia é a dicotomia completamente disparatada que é estabelecida entre “pessoa normal” e “malta que não fez isto [curtir a vida enquanto estudava] e que acha que os alunos também não o devem fazer. Foram ‘cromos’, tecnocratas, académicos.” Não sei em que mundo vivem os autores do estudo ou que percurso académico tiveram, mas posso dar um sem número de exemplos de bons alunos de ontem e também de hoje que não encaixam no perfil definido - o que não os impediu de alcançar um patamar de excelência na vida académica e profissional. Como os autores afirmam, “é nesta idade que estabelecemos uma rede de contactos, fazemos amigos para a vida. E esses amigos e contactos serão fulcrais no nosso futuro pessoal e profissional.” Aparentemente, os autores do livro não só conheceram e conhecem pessoas que são exemplos errados como se esqueceram de dizer que é também “nesta idade”, quando somos estudantes universitários, que temos a melhor oportunidade da nossa vida para “acumular conhecimento”. Um saber que será fundamental para a nossa vida, onde a capacidade relacional não é tudo. Tenho dificuldade em perceber como é que um jornal de referência, que é uma referência diária para mim, e que deve ser também um exemplo de rigor e exigência, publica um artigo como este.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um ar irrespirável

"(...) Um titular do cargo de ministro da Justiça zela pela garantia de coisas elementares num Estado de direito, à cabeça de todas, a presunção de inocência, e não pode nunca pactuar com condenações baseadas em percepções públicas sobre corrupção, alimentadas por uma comunicação social que cavalga a insatisfação social. Quando tudo parece ruir, a última coisa de que precisávamos era de políticos que buscam a sua salvação pessoal na exploração dos sentimentos mais negativos sobre a classe a que pertencem, ultrapassando levianamente a fronteira que separa a barbárie da civilização e do Estado de direito. Até prova em contrário, os políticos são todos corruptos, é-nos sugerido diariamente; no fundo, Paula Teixeira da Cruz, ao afirmar que acabou o tempo da impunidade (para bom entendedor, o tempo em que a corrupção não era punida), vem confirmá-lo."

o resto do meu artigo do Expresso de 29 de Setembro pode ser lido aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

"a lazy bastard, living in a suit"


Na véspera do regresso a Portugal de Leonard Cohen, a zona de conforto terá uma emissão especial dedicada à carreira do canadiano. Ao longo de uma hora, ouviremos algumas (e apenas algumas) das versões de originais de Cohen.

So Long Marianne - Bill Callahan The Songs of Leonard Cohen Covered

Suzanne - Fabrizio De André Canzoni

Avalanche IV - Jean-Louis Murat I'm Your Fan: The Songs Of Leonard Cohen

Chelsea Hotel #2 - Lambchop OH (Ohio)

Winter Lady - Palace Songs Hope

Bird On A Wire - Johnny Cash American Recordings

Famous Blue Raincoat - The Handsome Family Mojo Presents Cohen Covered

Hallelujah - John Cale I'm Your Fan: The Songs Of Leonard Cohen

Hey, That's No Way To Say Goodbye - Ian McCulloch I'm Your Fan: The Songs Of Leonard Cohen

para escutar aqui.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Empatia Radical"

Gothamist House: Mountain Goats, "No Children" from Gothamist on Vimeo.
aqui e essencialmente aqui.

O poder na rua

"(...) O primeiro-ministro estabeleceu uma relação com os portugueses sem distância e onde os mecanismos de mediação no exercício do poder foram aliviados. Não se deu ao respeito e, à primeira oportunidade, os portugueses responderam-lhe no mesmo tom. Procurou fazer assentar a sua legitimidade numa popularidade assente na rua, numa relação “tu cá, tu lá” com os portugueses, apresentando-se como o homem banal que nunca pode ser enquanto é primeiro-ministro e o país respondeu-lhe na mesma moeda. Perante um justificado descontentamento, os portugueses saíram em massa à rua, ao mesmo tempo que perdiam o respeito de forma irreversível ao chefe do Governo. Pelo caminho, acentuou-se a degradação institucional, que segue a um ritmo imparável.
Chegados a este ponto, quando a situação económica se deteriora e o Governo está preso nas armadilhas que colocou a si mesmo (à cabeça, a ideia peregrina de “ir além da Troika”), todos os cenários apontam para o fim político da coligação Passos/Portas: se o Governo inverter a trajetória, empurrado pela pressão da rua, são dados incentivos objectivos para que a contestação social cresça; se tudo continuar na mesma, o descontentamento continuará a crescer.
É-nos dito, com razão, que a democracia radica numa legitimidade formal e não pode cair na rua. O drama é precisamente esse: o primeiro-ministro foi à procura da rua e, no Sábado passado, esta regressou a galope. Agora, já nada há a fazer. É apenas uma questão de tempo. No fundo, “a rua” sabe que este governo acabou, só não sabe quando é que vai ser removido."
o resto do meu artigo do Expresso de 22 de Setembro pode ser lido aqui.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Alinhamento zona de conforto

Para ouvir, hoje, entre as 23 e as 24 horas, na TSF (streaming disponível aqui)


Angels - The xx          Coexist           
There Is A Valley - Bill Fay   Life Is People
Either Way - Wilco    Sky Blue Sky 
Travelling Shoes - Lawrence Arabia           The Sparrow                         
Forget The Song - Beachwood Sparks        The Tarnished Gold                         
Benediction – Thurston Moore  Demolished Thoughts
There's No Leaving Now - The Tallest Man On Earth    There's No Leaving Now     
Uncle Albert/Admiral Halsey - Paul McCartney         Ram   
Diamonds On The Soles Of Her Shoes - Paul Simon     Graceland (25th Anniversary Edition)      



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Palindrome Hunches

Neil Halstead: Hey Daydreamer on Nowness.com.

por aqui já não se sente o ambiente ensimesmado dos slowdive, nem a produção em colectivo dos mojave3. ao terceiro disco, é mesmo o neil halstead a solo. umas vezes mais nick drake, outra apenas apenas mais um cantor folk indiferenciado. no fim, resta a partilha das mesmas fixações. o video é uma tentativa conseguida de consolidar todos os fétiches e clichés e só há razões para elogiar este tipo. pena mesmo é só on-shore que se vislumbra.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Riding for the feeling

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

"Some were meant for sea"

Cool state of mind


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Regresso à zona de conforto

A zona de conforto regressa hoje à TSF, com horário novo (depois do noticiário das 23 horas) e em versão mais longa (sem interrupção para notícias à meia-hora). Por esta emissão passarão algumas das novidades, regressos, concertos e também despedidas que marcaram o verão. A abrir, o extraordinário regresso dos Dirty Projectors, um disco que brilhará bem alto na lista dos melhores do ano.



Alinhamento

Dance for you – Dirty Projectors
Under the Westway – Blur
Let it be – Beatles 
Be Good - Gregory Porter
You’ve Got Me – The Roots feat. Erika Badhu
Love Interruption - Jack White
Shine a Light - Rolling Stones
Where are you now - Dylan Le Blanc
All that I can- Sharon Van Etten

a emissão pode ser escutada aqui (fazer scroll down, link do lado direito) 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Uma coligação de gente perigosa

"(...)  Desde Vasco Gonçalves que Portugal não era governado por gente tão perigosa. O trio Passos/Gaspar/Borges vê-se a si próprio como uma nova vanguarda, a quem a verdade foi revelada e que julga representar os interesses objectivos do país. Acontece que se continuarmos a insistir no ir para além da troika, se não combatermos politicamente as exigências que nos são feitas, se “não berrarmos” nas instâncias internacionais (para usar a feliz expressão de Ferreira Leite), daqui a um ano teremos, de novo, metas do défice revistas e mais anúncios de cortes e aumento dos impostos. Não é preciso nenhum modelo para prever que a receita que falhou no último ano falhará num patamar ainda mais elevado no próximo ano. (...)"
a versão integral do meu artigo do Expresso desta semana pode ser lida aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Foi bonita a festa, pá

as fotos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tanto Mar na Magic Quiver

No próximo Sábado, dia 15, pelas 19 horas, eu e o João Catarino faremos um lançamento do Tanto Mar, com apresentação do João Valente, director da SurfPortugal, na Magic Quiver na Ericeira (junto ao largo do Jogo da Bola). Será uma oportunidade para conhecerem a surf shop com melhor gosto do país (talvez chamar-lhe surf shop seja redutor) e ver uma exposição das ilustrações que compõem o livro. São todos bem vindos.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Those surfing days may well return

O Fugas do Público tem um bom texto sobre o Tanto Mar, com direito a fotogaleria, e aqui estão os artigos que foram saindo no Expresso durante o mês de Agosto.

Those surfing days are over

e o David Byrne continua a dançar em grande estilo, de tal forma que já conquistou a Annie Clark


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Free Pussy Riot


não sentia tanta solidariedade com a causa das liberdades desde o movimento 'Free Winona'.

domingo, 29 de julho de 2012


De surpresa em surpresa

"Basta recuarmos um ano para recordarmos as loas que eram tecidas ao memorando de entendimento. A troika, foi-nos dito, apresentava-nos o programa com as reformas estruturais que o país esperava há décadas. Por cá, num momento em que o patriotismo atingiu mínimos históricos, faziam-se sentir ondas de júbilo com o regresso dos salvíficos homens de negro. Um ano passado, chega a ser penoso assistir à troika a avaliar-se a si própria, tentando salvar a face perante uma solução que está a falhar.
O último relatório do FMI é exemplar da estratégia em curso. Colocada a Grécia de quarentena, Portugal tem de ser oferecido como exemplo de sucesso, dê por onde der: a aplicação do memorando é avaliada positivamente, mesmo que a execução orçamental esteja a falhar, o mercado de trabalho se afunde e ninguém faça ideia de como atingir as metas do défice para este ano e, pior, para o próximo. Até porque uma coisa é a realidade, outra a narrativa. E esta é simples. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 21 de Julho pode ser lido aqui.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Still clinging to the old dreams


quarta-feira, 18 de julho de 2012

A culpa é do Constitucional

"Primeiro foram os malandros do rendimento mínimo, mas não falei por não ser pobre. Depois, perseguiram os pensionistas. Nada disse então, por não ser velho. Em seguida, castigaram os funcionários públicos. Decidi não falar porque não sou funcionário público. Então, um dia, vieram tirar-me o meu subsídio de férias. Por essa altura, já não restava nenhuma voz que, em meu nome, se fizesse ouvir. O conhecido poema de Martin Niemoller, escrito num contexto brutal que nada tem a ver com a nossa realidade, é ainda assim uma boa metáfora para os riscos da ação política baseada na exploração do ressentimento.
Quando, no Orçamento de 2012, o governo optou por discriminar negativamente os pensionistas e os funcionários públicos, a estratégia tinha um objectivo: colocar trabalhadores do sector privado contra funcionários públicos. No fundo, a ideia era simples e passava por dar corpo ao sentimento difuso de que os funcionários públicos são uns preguiçosos com emprego protegido. Contudo, como quase sempre acontece com as ideias populistas, o que parece ter um fascínio inicial encarrega-se de trazer complicações sérias mais tarde. Essas complicações acabam de chegar com o acórdão do Tribunal Constitucional. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui

sábado, 7 de julho de 2012

Sejam bons

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tanto Mar

Amanhã, terça-feira, às 18.30, na Bertrand do Chiado, o Fernando Alves apresenta o Tanto Mar, o meu livro com o João Catarino. São bem-vindos. Mas, até lá, aqui podem ver dois leigos no mais mulher, da SIC-mulher

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tanto Mar


terça-feira, 19 de junho de 2012

I was the Duke of Earl



passei aqui só para vos dizer que esta é a melhor música do ano.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

As previsões dos porcos-espinhos


"(...) partindo de uma parábola grega popularizada pelo filósofo Isaiah Berlin, Tetlock divide os especialistas em dois tipos: as raposas e os porcos-espinhos. A distinção assenta na ideia de que enquanto as raposas trabalham em várias frentes e procuram olhar para o mundo em toda a sua complexidade, evitando integrar as suas mundivisões num conceito geral unificador, os porcos-espinhos simplificam a realidade através de uma leitura organizadora baseada num conceito unificador, capaz de tudo traduzir em nexos causais lineares. No fundo, a raposa sabe muitas coisas enquanto o porco-espinho sabe uma grande coisa.
É precisamente essa a conclusão de Tetlock: os especialistas nos quais devemos acreditar são os que se aproximam das raposas – capazes da auto-crítica, ecléticos e disponíveis para actualizar as suas crenças face a novos factos. Já os especialistas que tendem a desempenhar pior o papel de cassandras são os que se aproximam dos porcos-espinhos – têm uma grande ideia, normalmente convincente e articulada, mas que aplicam a todos os acontecimentos. Tetlock acrescenta que os media preferem os porcos-espinhos. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 26 de Maio pode ser lido aqui.

domingo, 3 de junho de 2012

Saudações do Parque da Bela Vista


A última emissão da zona de conforto foi dedicada em exclusivo à carreira de Bruce Springsteen. Pode ser escutada aqui (link do lado direito, emissão de 2 de Junho)