Jenny said, when she was just five years old
you know there's nothin' happening at all
Yeah, every time she put on the radio
there was nothin' goin' down at all
not at all
Then one fine morning, she put on a New York station
and she couldn't believe what she heard at all
She started dancing to that fine-fine music
ahh, her life was saved by rock 'n' roll
rock 'n' roll
toda a gente vai dizer que a morte do Lou Reed foi uma grande perda para a música, para a arte e assim. pouco me importa. foi, no essencial, uma grande perda para mim. poucos tipos contaram tanto nos meus "anos formativos". e isso não só não se repete como nada tem a ver com a música ou a arte. foi, é, uma questão entre mim e ele. acabou.
há já, naturalmente, muitos obituários a circularem por aí. de todos os que li, o melhor é este, do Sasha Frere-Jones
domingo, 27 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
A Espinha Dorsal
As
promessas eleitorais queimam. No futebol, como na política, o que se promete em
campanha e depois não é cumprido é cobrado com juros. Com as expectativas não
se brinca e de frustração em frustração, as lideranças vão caminhando para um
lento declínio. Quando se dá por ela, já não há nada a fazer.
Recordei-me
disto a propósito de uma promessa que tem sido feita por vários candidatos a
Presidente do Benfica e que fica invariavelmente por concretizar: “o Benfica
será a espinha dorsal da seleção”, terá prometido Luís Filipe Vieira há uns
anos, repetindo uma promessa antes feita por esse personagem de farsa que dá
pelo nome de Vale e Azevedo.
Sabem
que mais? Ora aqui está o caso de uma promessa que podemos agradecer nunca ter
sido cumprida e, aliás, a crer em declarações recentes do Presidente já não faz
parte dos objectivos estratégicos – “o Benfica não irá
ser uma equipa de portugueses no futuro, porque o futebol é global”. Se, por absurdo, o Benfica tivesse
hoje a espinha dorsal da seleção nacional, teríamos uma equipa pouco
competitiva e incapaz de gerar mais valias financeiras.
Ao
contrário do que tem sido dito, a classificação e as exibições de Portugal na
qualificação para o Mundial não surpreendem. O que foi surpreendente foi a
campanha no último Europeu. A seleção é hoje composta por um jogador de eleição
(Ronaldo) acompanhado por dois de classe mundial (Moutinho e Pepe) e dois acima
da média (Coentrão e Patrício); depois sobra uma mão-cheia de jogadores entre o
mediano e o sofrível. Fazer diferente seria surpreendente.
Agora
imagine-se uma equipa do Benfica à imagem da seleção. Tendo em conta que
Ronaldo, Moutinho e Pepe nunca estariam, nesta fase da carreira, ao alcance
financeiro de um clube português, por esta altura, estaríamos condenados a
jogar com João Pereira, Meireles, Miguel, Micael e no ataque divididos entre
Postiga e Hugo Almeida. Penso que estamos conversados quanto à espinha dorsal.
publicado ontem no Record
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
The early material
"sometimes even though you have no idea what you’re doing, the early material is very strong emotionally."
de uma conversa entre Noah Baumbach e Dean Wareham
de uma conversa entre Noah Baumbach e Dean Wareham
De olhos bem abertos
só um tipo que padece de excesso de realidade é capaz de manter os olhos assim, ininterruptamente abertos.
(isto para dizer que o disco novo do Bonnie 'Prince' Billy é muito bom)
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Clássicos instantâneos (de olhos fechados)
"I'd like it to go to Penguin, but only if they published it as a Classic. I can't see why not — a contemporary Penguin Classic."
saída anunciada (mas sendo quem é nunca é de ficar) para dia 17 de Outubro.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
O regresso da zona de conforto
depois de uma longa paragem de verão, a TSF músicas retomou as suas emissões esta semana. Hoje, depois das 23 horas, a zona de conforto estará de regresso à antena e, também, disponível para audição em streaming aqui. entre as várias novidades, em destaque estará o magnífico regresso de Alela Diane aos álbuns. Para ouvir mais logo, este é "the way we fall" e faz parte de "about farewell"
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Regresso à infância
Há um sem número de tentativas
para explicar o fascínio que o futebol exerce, mas a mais conseguida de todas é
do escritor Javier Marías. Para este madrileno, o futebol é uma “recuperação
semanal da infância”. Sentados na bancada, somos, a um tempo, “selvagens e
sentimentais” – devolvidos a um contentamento desprovido de racionalidade, como
aquele que só se conhece em criança.
Não por acaso, não se
descobre a paixão pelo futebol na vida adulta. Pode haver quem construa uma
relação com um clube já de “barba feita” e seja capaz de decorar burocraticamente nomes
de jogadores e esquemas tácticos. Tudo isso é possível. Mas, peço desculpa, de
futebol ou se aprende a gostar em criança ou então está-se condenado a um
estatuto de curioso. E um curioso é alguém capaz de se distanciar
emocionalmente do jogo e, mais importante, da camisola do seu clube. Um curioso
pode apreciar futebol e chega a entusiasmar-se com a seleção; um adepto tem uma
fixação, que se sobrepõe a tudo o resto, no seu clube.
Como observou Marías,
“o futebol é das poucas coisas que me fazem reagir hoje em dia da mesma maneira
que reagia quando tinha dez anos e era um selvagem”. Ninguém tem dúvidas que a
forma como vamos olhando para tudo na vida vai mudando com o passar dos anos. O
mesmo não acontece com o futebol. Falo por mim: em nenhum outro lugar regresso
ao olhar ingénuo que, em criança, tinha da vida como quando vejo o Benfica no
Estádio da Luz.
As peregrinações
dominicais para ver o Glorioso eram vividas com uma transcendência religiosa,
mas nada se comparava a uma noite europeia. Para a criança que recupero,
semanalmente, nos jogos do Benfica, os jogos da UEFA eram momentos únicos de
celebração de uma paixão incondicional.
Sei, por isso, que,
hoje à noite, vou sentir uma ansiedade sôfrega quando me sentar no meu lugar no
Estádio. Espero que os jogadores, quando pisarem o relvado, sintam a mesma
emoção. Podem ter muita cultura táctica e jogadas de laboratório, mas, para em
Maio ganharmos a Champions no nosso Estádio, precisamos de onze crianças com
uma crença irracional no Benfica.
o meu artigo de ontem na "Luz Intensa" do Record
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Aimar, ficas (para sempre)
Agora que o trauma do minuto 92 foi superado,
há outro que ficou do final da época passada que ainda me persegue: não ter
tido oportunidade de me despedir de Pablo Aimar. Morrer na praia doeu e dói
muito, mas a forma como Aimar nos deixou foi não menos dolorosa.
Em três décadas que levo de paixão, sofrimento
e imensas alegrias nas bancadas, contam-se pelos dedos da mão os artistas que
vi com a camisola do Benfica. Artistas verdadeiros, predestinados capazes de,
por arte mágica, fazer a jogada imprevisível, de transformar a bola numa outra
coisa quando lhes chega aos pés. Vi muitos jogadores excelentes, outros briosos
e ainda alguns com lampejos de classe. Artistas mesmo só sou capaz de enumerar
quatro: Chalana, Diamantino, Rui Costa e Pablo Aimar.
O cineasta John Ford recomendava em “O homem
que matou Liberty Valance” que “quando a lenda se torna verdade, devemos
reproduzir a lenda”. O cinema do realizador norte-americano é feito de filmes
grandiloquentes, cheios de espaços abertos e de personagens maiores do que a
vida, de lendas. O futebol de Aimar é feito da mesma matéria com que se fazem
as lendas – toques de poesia concreta, lirismo a pairar sobre a relva e emoção
arrebatadora. A memória que fica do “passe de letra” para Suazo em Guimarães, a
harmonia perfeita das triangulações com Saviola e uma inteligência superior no
modo como pensava o jogo superam qualquer verdade factual (a permanente
debilidade física) e fazem do argentino uma lenda.
Mesmo no meio da tragédia épica que foi o final
da época passada, um artista assim devia ter tido uma despedida condigna. No
mínimo, devia ter jogado alguns minutos na derradeira partida do campeonato,
com o Moreirense, para que o estádio tivesse podido aplaudi-lo reverencialmente
e em uníssono. Que isso não tenha acontecido e que tenha sido depois lançado
nos minutos finais de uma equipa que naufragava no Jamor não foi um ato à
imagem da grandeza que esperamos do Glorioso.
Não tendo podido agradecer-te no Estádio, Pablo
Aimar, quero que saibas que falo por milhões de benfiquistas quando digo:
Aimar, ficas. Para sempre.
publicado na coluna "Luz Intensa" do Record há umas semanas.
adenda: agora com um abraço ao António e com a foto que inspirou inicialmente o texto.
adenda: agora com um abraço ao António e com a foto que inspirou inicialmente o texto.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
Águias
Só podia ser nisto que o Bill Callahan estava a pensar quando desejou que fossemos uma águia
(com a devida vénia ao João Lisboa, que me alertou num texto do Expresso de Sábado)
(com a devida vénia ao João Lisboa, que me alertou num texto do Expresso de Sábado)
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Le temps de vivre
Há músicas que descobrimos recentemente, outras que nos acompanham desde há muito e ainda outras que conhecemos desde sempre e que de algum modo fazem parte da banda sonora que nos foi imposta, em casa, na infância. Se um dia fizer uma compilação destas "músicas familiares", esta canção terá de fazer parte da lista. O Georges Moustaki morreu.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Tem dias
O Governo é um pouco como o
país, tem variações de espírito e um registo ciclotímico. No fundo, tem dias e
vai mudando o discurso ao sabor dos humores e sem que se vislumbre uma
estratégia estável. Nas últimas semanas, o Governo tem tido vários dias.
Depois de ter apresentado um
“memorando” para o crescimento, com direito a mais um dos vários Conselhos de
Ministros das últimas semanas, logo apresentou um Documento de Estratégia Orçamental
que reconhece, de facto, a irrelevância da própria estratégia para fomentar a
economia. Só assim se explica que o cenário macroeconómico do DEO não reflita as
medidas que, entusiasticamente, o próprio ministro da economia apresentou dias
antes. Se o Governo não leva a sério as suas próprias propostas, há alguma
razão para os portugueses o fazerem?
Também o que o Governo nos
diz sobre estratégia orçamental tem dias. Ao terceiro DEO, as previsões para
2013 do mui competente ministro das Finanças já variaram entre um crescimento
robusto de 1,2% para a atual recessão de 2,3%. Estamos perante uma variação de,
imagine-se, quase 300%. Se pensarmos também nos números para a dívida ou para o
desemprego, é caso para dizer que o que o Governo nos diz é meramente
indicativo e, como a realidade revelará, não deve mesmo ser levado a sério.
É por isso
inquietante que, neste contexto, o primeiro-ministro, fechado numa sala de
hotel com quatro dezenas de pessoas, apele à assinatura de um novo acordo de
concertação social envolvendo os parceiros sociais. Não apenas porque há um
acordo em vigor, que já foi violado pelo próprio Governo, (colocando a UGT numa
situação difícil), como já foram feitas revisões do memorando, com relevância
para o mundo sindical, sem que as confederações tenham sido ouvidas. Há alguma
razão para acreditarmos que, desta vez, será diferente?
Tanto não há que o
próprio Governo, depois de apostar no crescimento, regressou rapidamente à
austeridade sem limites e sexta-feira à noite apresentou as medidas que dão
corpo aos cortes que, primeiro, eram de 4.000 milhões e que, agora, já vão nos
6.000 milhões. Como bem sabemos, quando o exercício orçamental voltar a falhar,
o monstro austero exigirá novos cortes, desta feita, se tal é possível, ainda
mais violentos. E onde é que incidem os cortes? Nas pensões e nos salários dos
funcionários públicos.
Como resulta claro, o
Governo não está interessado em nenhuma estratégia negocial, procura apenas uma
caução póstuma dos parceiros sociais para a sua estratégia suicida. Um acordo
de concertação não é, afinal, mais do que um apelo para que os parceiros
sociais se juntem à espiral recessiva para a qual nos empurra o executivo
liderado por Vítor “não fui eleito coisíssima nenhuma” Gaspar. Não é, por isso,
irrelevante que as medidas anunciadas o tenham sido unilateralmente,
contrariando a natureza negociada das últimas reformas na segurança social. Não
está mal, para quem, dois dias antes, se declarava empenhado em promover a
concertação.
Na verdade, faz
sentido que o Governo tenha dias. Afinal, nem no interior do Conselho de
Ministros é possível chegar a acordo sobre o que quer que seja.
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