"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sintomas de desagregação


Como muitos portugueses que trabalham na administração pública, recebi esta semana o meu recibo de vencimento da faculdade, relativo ao mês de Novembro. São três páginas três com, a título de exemplo, 43 alíneas distintas de retenções na fonte para o IRS e com uma complexidade de interpretação que escapa, imagino, a 99% dos portugueses – nos quais me incluo. Suponho que centenas de milhares de pensionistas tenham, com incredulidade e perplexidade, recebido recibos semelhantes. Um recibo de vencimento como o que recebi – só mesmo visto –, não pode deixar de ser lido como um indicador avançado de uma sociedade em desagregação.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Poesia



"Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade."
Carlos Drummond de Andrade, Sermão da Planície

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"i'm very emotionally affected by sound"



a derradeira entrevista de Lou Reed.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

"and in all, we did the best we could do"


Ler tudo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O punk é mesmo bom

Frances Ha "screaming and shouting" de punho erguido.

sábado, 2 de novembro de 2013

Lou Reed na Zona de Conforto


A emissão da zona de conforto desta semana foi dedicada a Lou Reed. Para ouvir aqui.

Alinhamento


Rock And Roll             4:37    The Velvet Underground    
Sweet Jane                 5:21    The Velvet Underground     Live MCMXCIII

Dirty Blvd.                  3:29    Lou Reed        New York
Modern Dance                       4:10    Lou Reed        Ecstasy          
                       
Coney Island Baby                6:38    Lou Reed        Coney Island Baby
Sword Of Damocles               3:42    Lou Reed        Magic And Loss         
                       
I'll Be Your Mirror                 3:19    Lou Reed        Perfect Night: Live In London
Caroline Says             2:51    Lou Reed        Berlin

Hello It's Me               3:03    Lou Reed & John Cale           Songs For Drella        

domingo, 27 de outubro de 2013

Muito obrigado

Jenny said, when she was just five years old
you know there's nothin' happening at all
Yeah, every time she put on the radio
there was nothin' goin' down at all
not at all

Then one fine morning, she put on a New York station
and she couldn't believe what she heard at all
She started dancing to that fine-fine music
ahh, her life was saved by rock 'n' roll
rock 'n' roll



toda a gente vai dizer que a morte do Lou Reed foi uma grande perda para a música, para a arte e assim. pouco me importa. foi, no essencial, uma grande perda para mim. poucos tipos contaram tanto nos meus "anos formativos". e isso não só não se repete como nada tem a ver com a música ou a arte. foi, é, uma questão entre mim e ele. acabou.

há já, naturalmente, muitos obituários a circularem por aí. de todos os que li, o melhor é este, do Sasha Frere-Jones

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A Espinha Dorsal


As promessas eleitorais queimam. No futebol, como na política, o que se promete em campanha e depois não é cumprido é cobrado com juros. Com as expectativas não se brinca e de frustração em frustração, as lideranças vão caminhando para um lento declínio. Quando se dá por ela, já não há nada a fazer.
Recordei-me disto a propósito de uma promessa que tem sido feita por vários candidatos a Presidente do Benfica e que fica invariavelmente por concretizar: “o Benfica será a espinha dorsal da seleção”, terá prometido Luís Filipe Vieira há uns anos, repetindo uma promessa antes feita por esse personagem de farsa que dá pelo nome de Vale e Azevedo.
Sabem que mais? Ora aqui está o caso de uma promessa que podemos agradecer nunca ter sido cumprida e, aliás, a crer em declarações recentes do Presidente já não faz parte dos objectivos estratégicos – “o Benfica não irá ser uma equipa de portugueses no futuro, porque o futebol é global”. Se, por absurdo, o Benfica tivesse hoje a espinha dorsal da seleção nacional, teríamos uma equipa pouco competitiva e incapaz de gerar mais valias financeiras.
Ao contrário do que tem sido dito, a classificação e as exibições de Portugal na qualificação para o Mundial não surpreendem. O que foi surpreendente foi a campanha no último Europeu. A seleção é hoje composta por um jogador de eleição (Ronaldo) acompanhado por dois de classe mundial (Moutinho e Pepe) e dois acima da média (Coentrão e Patrício); depois sobra uma mão-cheia de jogadores entre o mediano e o sofrível. Fazer diferente seria surpreendente.
Agora imagine-se uma equipa do Benfica à imagem da seleção. Tendo em conta que Ronaldo, Moutinho e Pepe nunca estariam, nesta fase da carreira, ao alcance financeiro de um clube português, por esta altura, estaríamos condenados a jogar com João Pereira, Meireles, Miguel, Micael e no ataque divididos entre Postiga e Hugo Almeida. Penso que estamos conversados quanto à espinha dorsal.
publicado ontem no Record

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

The early material

"sometimes even though you have no idea what you’re doing, the early material is very strong emotionally."
de uma conversa entre Noah Baumbach e Dean Wareham

De olhos bem abertos



só um tipo que padece de excesso de realidade é capaz de manter os olhos assim, ininterruptamente abertos.
(isto para dizer que o disco novo do Bonnie 'Prince' Billy é muito bom)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Marianne Faithfull regressou por outros meios



Chama-se Nadine Shah

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Clássicos instantâneos (de olhos fechados)


"I'd like it to go to Penguin, but only if they published it as a Classic. I can't see why not — a contemporary Penguin Classic."
saída anunciada (mas sendo quem é nunca é de ficar) para dia 17 de Outubro.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O regresso da zona de conforto

depois de uma longa paragem de verão, a TSF músicas retomou as suas emissões esta semana. Hoje, depois das 23 horas, a zona de conforto estará de regresso à antena e, também, disponível para audição em streaming aqui. entre as várias novidades, em destaque estará o magnífico regresso de Alela Diane aos álbuns. Para ouvir mais logo, este é "the way we fall" e faz parte de "about farewell"

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"o que há num simples nome?"


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Piropo



Esta miúda é muito boa e está possuída pelo talento

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Regresso à infância



Há um sem número de tentativas para explicar o fascínio que o futebol exerce, mas a mais conseguida de todas é do escritor Javier Marías. Para este madrileno, o futebol é uma “recuperação semanal da infância”. Sentados na bancada, somos, a um tempo, “selvagens e sentimentais” – devolvidos a um contentamento desprovido de racionalidade, como aquele que só se conhece em criança.
Não por acaso, não se descobre a paixão pelo futebol na vida adulta. Pode haver quem construa uma relação com um clube já de “barba feita”  e seja capaz de decorar burocraticamente nomes de jogadores e esquemas tácticos. Tudo isso é possível. Mas, peço desculpa, de futebol ou se aprende a gostar em criança ou então está-se condenado a um estatuto de curioso. E um curioso é alguém capaz de se distanciar emocionalmente do jogo e, mais importante, da camisola do seu clube. Um curioso pode apreciar futebol e chega a entusiasmar-se com a seleção; um adepto tem uma fixação, que se sobrepõe a tudo o resto, no seu clube.
Como observou Marías, “o futebol é das poucas coisas que me fazem reagir hoje em dia da mesma maneira que reagia quando tinha dez anos e era um selvagem”. Ninguém tem dúvidas que a forma como vamos olhando para tudo na vida vai mudando com o passar dos anos. O mesmo não acontece com o futebol. Falo por mim: em nenhum outro lugar regresso ao olhar ingénuo que, em criança, tinha da vida como quando vejo o Benfica no Estádio da Luz.
As peregrinações dominicais para ver o Glorioso eram vividas com uma transcendência religiosa, mas nada se comparava a uma noite europeia. Para a criança que recupero, semanalmente, nos jogos do Benfica, os jogos da UEFA eram momentos únicos de celebração de uma paixão incondicional.
Sei, por isso, que, hoje à noite, vou sentir uma ansiedade sôfrega quando me sentar no meu lugar no Estádio. Espero que os jogadores, quando pisarem o relvado, sintam a mesma emoção. Podem ter muita cultura táctica e jogadas de laboratório, mas, para em Maio ganharmos a Champions no nosso Estádio, precisamos de onze crianças com uma crença irracional no Benfica.

o meu artigo de ontem na "Luz Intensa" do Record

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Aimar, ficas (para sempre)



Agora que o trauma do minuto 92 foi superado, há outro que ficou do final da época passada que ainda me persegue: não ter tido oportunidade de me despedir de Pablo Aimar. Morrer na praia doeu e dói muito, mas a forma como Aimar nos deixou foi não menos dolorosa.
Em três décadas que levo de paixão, sofrimento e imensas alegrias nas bancadas, contam-se pelos dedos da mão os artistas que vi com a camisola do Benfica. Artistas verdadeiros, predestinados capazes de, por arte mágica, fazer a jogada imprevisível, de transformar a bola numa outra coisa quando lhes chega aos pés. Vi muitos jogadores excelentes, outros briosos e ainda alguns com lampejos de classe. Artistas mesmo só sou capaz de enumerar quatro: Chalana, Diamantino, Rui Costa e Pablo Aimar.
O cineasta John Ford recomendava em “O homem que matou Liberty Valance” que “quando a lenda se torna verdade, devemos reproduzir a lenda”. O cinema do realizador norte-americano é feito de filmes grandiloquentes, cheios de espaços abertos e de personagens maiores do que a vida, de lendas. O futebol de Aimar é feito da mesma matéria com que se fazem as lendas – toques de poesia concreta, lirismo a pairar sobre a relva e emoção arrebatadora. A memória que fica do “passe de letra” para Suazo em Guimarães, a harmonia perfeita das triangulações com Saviola e uma inteligência superior no modo como pensava o jogo superam qualquer verdade factual (a permanente debilidade física) e fazem do argentino uma lenda.
Mesmo no meio da tragédia épica que foi o final da época passada, um artista assim devia ter tido uma despedida condigna. No mínimo, devia ter jogado alguns minutos na derradeira partida do campeonato, com o Moreirense, para que o estádio tivesse podido aplaudi-lo reverencialmente e em uníssono. Que isso não tenha acontecido e que tenha sido depois lançado nos minutos finais de uma equipa que naufragava no Jamor não foi um ato à imagem da grandeza que esperamos do Glorioso.
Não tendo podido agradecer-te no Estádio, Pablo Aimar, quero que saibas que falo por milhões de benfiquistas quando digo: Aimar, ficas. Para sempre.

publicado na coluna "Luz Intensa" do Record há umas semanas.

adenda: agora com um abraço ao António e com a foto que inspirou inicialmente o texto.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Charlie Steven Morrissey Brown


mais aqui.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

escolher o povo escolhido


"And I pictured you singing the Silver Jews"


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

eu a falar com ela