"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

De caras




“(...) a pairar por cima de tudo isto continua a mesma incompreensão do Executivo em relação às exigências éticas associadas à austeridade. Ninguém tinha dúvidas que o que nos esperava era muito difícil, mas, também, um mínimo de bom senso bastava para se perceber que todos os cuidados eram poucos para que a aplicação do memorando fosse politicamente exequível. E também aqui o Governo deitou tudo a perder, delapidando o capital de que agora necessita, desde logo para garantir a sua sobrevivência. Na última edição do Expresso, uma fonte governamental afirmava, com uma ligeireza chocante, de caras, podemos cortar 50 mil funcionários públicos”. Ou seja, para este Governo, tudo se resolve, de caras, acrescentando desempregados aos desempregados, como se se estivessem a somar parcelas abstractas numa folha de cálculo.
Esta semana, enquanto acompanhava as eleições norte-americanas, regressei ao impressionante memorial de Franklin D. Roosevelt. Ao percorrer, entre a pedra austera, as presidências de FDR, reencontrei uma frase lapidar: “nenhum país, por mais rico, pode permitir-se desperdiçar os seus recursos humanos. A desmoralização provocada pelo desemprego em massa é a nossa maior extravagância. Moralmente, é a maior ameaça à nossa ordem social”.
De caras que esta era uma frase que devia ser afixada nos gabinetes de todos os membros do Governo. Talvez depois fosse possível iniciar uma conversa. 

o meu artigo do Expresso da semana passada pode ser lido aqui

Sob a influência



Uns tipos que me ajudaram a começar a ouvir outras músicas, aqui há uns 25 anos atrás - com a ajuda inestimável da Margo - e que estão a envelhecer com muita dignidade. Devo-lhes o Townes Van Zandt, o Neil Young e o caminho que me levou ao Johnny Cash. Não é coisa pouca. Depois, há aquela frase do Nelson Motta a propósito do Chico, que sugere que "as nossas mulheres só estão connosco porque o Chico não quis nada com elas". Pois, pode bem ser refraseada com a Margo - que, mostrando toda o seu bom gosto, ao longo das últimas duas décadas, sempre avisou o marido que só estava com ele porque o Bruce não queria nada com ela. O concerto no Sábado foi arrebatador.
Espero não deixar apagar da memória a versão do powderfinger, por exemplo ouvindo esta (alguns furos abaixo)




sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Léxico Familiar ou Mountain Goats na Zona de Conforto


o pretexto é o lançamento de Transcendental Youth, mas podia bem arranjar-se um outro qualquer. Hoje, entre as 23 e a meia-noite, na Zona de Conforto na TSF, dedicarei perto de uma hora exclusivamente à banda de John Darnielle. Como se perceberá, é pouco tempo.
(derivado ao jogo do Glorioso em Moreira de Cónegos, a zona de conforto hoje, excepcionalmente, vai para o ar depois da meia-noite)

Alinhamento (para ouvir aqui)

Harlem Roulette        3:23    The Mountain Goats Transcendental Youth         
This Year        3:53    The Mountain Goats The Sunset Tree       
No Children   2:46    The Mountain Goats Tallahassee                           
Woke Up New            3:26    The Mountain Goats Get Lonely     
Love Love Love          2:49    The Mountain Goats The Sunset Tree       
Cotton 3:26    The Mountain Goats We Shall All Be Healed        
Romans 10:9 4:46    The Mountain Goats The Life Of The World To Come     
Heretic Pride 3:34    The Mountain Goats Heretic Pride
Never Quite Free       3:30    The Mountain Goats All Eternals Deck      
Cry For Judas 3:13    The Mountain Goats Transcendental Youth

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Clivagens: nós e eles


O mundo podia bem dividir-se entre aqueles que têm condições objectivas para tirar uma fotografia com a capa daquele disco em vinil debaixo do braço e os outros.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O livro das desilusões


Do you still have the desire to write?
No. Anyway, I have no intention of writing in the next ten years. To tell the truth, I’m finished.
daqui.

sábado, 10 de novembro de 2012

Uma luta desigual

Há muito quem diga que, no final da campanha, a participação activa de Bill Clinton foi o empurrão que faltava a Obama para chegar confortavelmente à vitória. Posso testemunhar a importância de Clinton e o seu carisma inegável, mas, tenho para mim, que o que fez mesmo a diferença foi um ticket que nos últimos dias foi, de facto, a três: Obama/Clinton/Springsteen.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Confundam os vossos desejos com a realidade


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A partir de amanhã


a acompanhar isto.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sandy

sábado, 27 de outubro de 2012

A refundação é apenas um eufemismo para "nós falhámos"

Se bem percebo, a história dos últimos anos pode ser contada assim: o sistema financeiro desencadeou uma crise e a culpa foi dos Estados; por sua vez a austeridade tomou conta das políticas dos Estados e a culpa passou a ser das políticas sociais. No fim, onde antes se lia "gorduras do Estado" como elo de ligação de tudo isto, hoje pode ler-se "Estado social".

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Um exercício alucinado

"(...) o Governo elabora um orçamento que assenta num cenário macroeconómico fantasioso, em valores para o desemprego subestimados e numa expectativa para a receita inflacionada. A fórmula vai falhar e não estamos perante uma repetição do otimismo irrealista que caracterizou a política orçamental do passado recente, já entrámos no domínio da relação alucinada com a realidade.

Ninguém no seu perfeito juízo pode acreditar que uma austeridade sem paralelo provocará uma recessão de 1% do PIB e trará apenas mais 80 mil desempregados. Aliás, basta utilizar a nova versão dos multiplicadores orçamentais do FMI para se perceber que o impacto negativo na economia variará entre os 3 e os 5%, produzindo um efeito devastador no mercado de trabalho.
O Ministro Vítor Gaspar falou esta semana num “conjunto de incertezas” que ameaça a execução orçamental. Infelizmente estamos perante um conjunto de certezas: o orçamento não tem credibilidade, tem uma componente de alucinação, é incumprível e empurrará o país para uma espiral recessiva.
Se é assim, e a menos que a insanidade tenha tomado conta do Conselho de Ministros (hipótese que não deve ser descartada à partida), esta “estratégia” serve exatamente para quê? Para ganhar tempo? Talvez não fosse despiciendo que alguém no Governo ensaiasse uma resposta à questão. Se tal não for feito, o Governo, que agora se encontra moribundo, cairá às mãos do boletim de execução orçamental do 1º trimestre.

 o resto do meu artigo do Expresso de 20 de Outubro está aqui.


Coisas que nos fazem falta: compaixão, empatia

"What I find most deeply moving in Caravaggio's paintings is (...) his pervasive compassionate empathy. I don’t just mean his ability to depict compassion, as he does on the face of the early angel supporting Saint Francis in ecstasy or, more subtly and more tenuously, on the late face of David staring at the head of Goliath in the Galleria Borghese. What I’m referring to is Caravaggio’s truly extraordinary ability to imagine sympathetically what it must be like to be another person, saint or sinner, woman or child, knight or jailer, usually in circumstances he could never himself have known." Daqui.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

"do every stupid thing that makes you feel alive"

para ouvir aqui e ler aqui.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A terapia das cabeçadas na parede

"Imagine que tem uma enxaqueca bastante intensa, consulta um economista e este dá-lhe uma conselho: “bata com a cabeça na parede”. Obedientemente, dirige-se a um muro que encontra ao virar da esquina e é isso que faz. Não apenas vai sentir dores como a enxaqueca tenderá a intensificar-se. Ainda assim, porque confia no seu conselheiro, regressa para mais uma consulta. O economista amigo, depois de olhar para uma folha de excel, conclui que o problema é seu – não bateu com a cabeça com a intensidade adequada (ou seja, colocou pouco empenho na terapia) – e aconselha-o a insistir no tratamento, mas desta feita com mais vigor: tem de bater com a cabeça na parede com toda a força que for capaz. Chegados aqui, talvez convenha não ser economista para antecipar os resultados. Começará a sangrar da testa, a enxaqueca tornar-se-á insuportável e, caso tenha sido cumpridor, até o muro pode ter ficado ligeiramente danificado. É assim que o economista Bill Mitchell, no seu blog, resume as intervenções seguidas pelo FMI nos últimos anos. Hoje, já não é preciso ser grego para se estar familiarizado com a terapia das “cabeçadas na parede”. (...)" a versão integral do meu artigo do Expresso de 13 de Outubro pode ser lida aqui.

Memória do futuro

"(...) Ao suprimir os feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro, o Governo revela um misto de leviandade e irresponsabilidade, sugerindo, uma vez mais, que está convicto de que tudo é reconstruível a partir da vontade política do momento, num experimentalismo que só pode correr mal. Mal ou bem, hoje com uma distância simbólica crescente, os feriados que celebram o regime e a independência são uma forma de sincronizar o nosso passado colectivo com o presente, construindo uma memória coletiva, que é um requisito para existirmos como nação no futuro.
Convém, contudo, não desvalorizar que o fim da celebração da República tem também um efeito de ocultação do que é, ou deveria ser, o chão comum em que assenta o nosso regime e a nossa comunidade. A República, por um lado, como representação pluralista e livre dos cidadãos, e quadro institucional no qual se constrói a nação; por outro, como regime onde prevalece o primado da política como resposta à questão económica e social e não o contrário.
Esta crise tem sido, de facto, uma oportunidade para brincar com o fogo, e como descobriremos, infelizmente, à degradação económica e social seguir-se-á a decadência política e institucional, num contexto em que os laços que nos uniram foram sendo paulatinamente destruídos. Se não nos celebramos como comunidade política independente, corremos o risco de o deixar de ser."
a versão integral do meu artigo do Expresso de 5 de Outubro pode ser lida aqui.

terça-feira, 16 de outubro de 2012