Hoje, a partir das 23 horas, na Zona de Conforto da TSF, vou estar à conversa com a
Francisca Cortesão, a voz dos Minta & the Brook Trout. Olympia, o álbum que
lançaram em 2012, pode bem ser descrito como um conjunto de canções simples,
com arranjos destilados que nos embalam e melodias que, na sua melancolia, nos
agarram e se tornam viciantes.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
O limite do bom senso
"(...) Vale
a pena refletir no que se passou na Letónia. Em 2009, esta república do Báltico
foi um dos primeiros “ratos de laboratório” na Europa da experiência de
“austeridade expansionista” promovida pelo FMI. Enquanto se assistia a uma
contração brutal na economia e a um falhanço colossal nas metas do défice para
2010, o Tribunal Constitucional letão declarou inconstitucionais cortes nas
pensões, que correspondiam a 1,5% do PIB. Perante o falhanço da receita e face
à decisão do TC, o FMI, em lugar de impor novos cortes, aproveitou para aliviar
as metas, o que acabou por contribuir de facto para a estabilização da
economia.
Se
o bom senso imperar, a decisão do TC será um bom pretexto para exigirmos novas
condições à Troika, em lugar de prosseguir este caminho insensato e devastador
no qual o Governo tem insistido. Como disse ainda o Presidente, “temos
argumentos – e devemos usá-los com firmeza – para exigir o apoio dos nossos
parceiros europeus”. Esta será, contudo, uma missão reservada para o próximo
primeiro-ministro."
o meu artigo do Expresso de 5 de Janeiro (bem como outros que não havia postado), pode ser lido aqui.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Governar para dividir
"Este Governo apostou em ser uma versão extrema de uma tradição arreigada – pôr os portugueses uns contra os outros para governar. Depois de opor trabalhadores privados a funcionários públicos; agora, não ocorreu nada melhor ao executivo do que pôr trabalhadores contra pensionistas.
Uma das principais responsabilidades de um Governo é ser um factor de segurança. Num momento como aquele que vivemos, esta asserção é mais verdadeira. As declarações de Passos Coelho têm tido o condão de gerar incerteza entre os portugueses, mas são, no essencial, um retrato de um estilo. Por um lado, a ação política assente num objectivo paradoxal – governar para dividir –, por outro, a sensação de que nos condenaram a sermos governados pelo líder de uma juventude partidária. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 22 de Dezembro está aqui.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Um forte abraço, António
Há umas duas, três
semanas, o papel afixado na porta do gabinete ao lado do meu retirou-me as
ilusões: o António estava pior. O António que ao longo destes dois anos e meio
foi um exemplo de coragem e de tenacidade e que ainda há umas semanas dava
aulas, tinha deixado um aviso aos alunos, pedindo desculpa por não poder estar
presente à hora marcada.
O Paulo já deu conta
de muitas das coisas que eu poderia dizer sobre o António – e que ele pode
dizer com mais autoridade. Mas há umas quantas que eu quero acrescentar.
Terei conhecido o
António por volta de 1997, mas foi em 1999, quando fomos juntos participar numa
conferência em que ambos apresentávamos papers, que começámos uma conversa
agora interrompida abruptamente. O António já era um sénior, com experiência de
vida e profissional, e eu não passava de um recém licenciado, que arriscava
falar sobre os mesmos temas que ele. Naqueles dias passados em Boston,
iniciámos um diálogo que fomos alimentando ao longo destes anos e através do
qual aprendi muito. Não me esqueço da forma como um tipo que sabia (e continua
a saber) muito mais do que eu sobre muitos dos assuntos sobre os quais
conversámos, sempre revelou total disponibilidade para me ouvir e para
discutir. É uma qualidade menos democratizada do que possamos pensar.
A conversa começada
em Boston foi continuando. Depois de termos partilhado gabinete durante um
curto período, agora éramos vizinhos e sabia que de cada vez que batesse na
porta do gabinete dele ficaríamos a falar mais tempo do que os nossos
compromissos permitiam. Hoje, tenho a certeza que deveria ter prolongado muito mais
essas conversas.
Aprendi muitas coisas
com o António. Mas tendo de escolher uma, nunca me esquecerei de lhe agradecer ter-me apresentado ao
Ahmad Jamal. Se nada mais posso pedir, espero que continue a poder escutá-lo.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Amigos em Portugal
A história é triste,
de tal forma que é capaz de ultrapassar em tristeza muitas das suas músicas. O
Vini Reilly sofreu um AVC há cerca de dois anos e a sua situação aparentemente não
melhorou. Entretanto, ao mal estar físico – que o impede de tocar guitarra –
juntou-se uma situação financeira muito difícil, que faz com que tenha deixado
de ter capacidade para sustentar as despesas. Podemos ajudar, respondendo a
este apelo do sobrinho.
Devemos-lhe todos
mais do que alguma vez seremos capazes de retribuir. Eu tenho dificuldade em
descrever a dívida que tenho para com ele, quanto mais a forma de retribuir.
O Vini Reilly
ofereceu-me várias coisas que não têm preço: a memória da adolescência, que
perdura, passada a escutar a sua voz frágil e a guitarra que abria todos os espaços
para os sonhos bucólicos; os primeiros concertos (memoráveis) na Aula Magna e
no São Luiz; o vinil do LC a rodar vezes sem fim; as pistas para descobrir o
situacionismo; o dia em que comecei a abandonar o vinil e comprei o primeiro
CD, que tenho marcado a ponto de ser capaz de recuperar todos os passos e as
palavras – o The Guitars and Other Machines, na Contraverso. Talvez seja dizer
pouco afirmar que foi com o Vini Reilly que construí a minha forma de ouvir
música.
Agora, o mais
provável é que olhemos para a sua música com uma tristeza renovada. Se bem que
essa seja a marca dominante dos seus Durutti Column, sempre entrevi neles, e na
capacidade melódica, por vezes exuberante, uma capacidade única de ofuscar toda
a tristeza. De tal forma que, ainda hoje, tenho a certeza que, quando as músicas
dos Durutti Column se entranham, nunca
mais nos podemos sentir abandonados. Talvez seja essa a principal dívida que
tenho para com ele.
Sobre a banda, Miguel
Esteves Cardoso escreveu, já lá vão trinta anos: “esta música não é uma coisa
prosaica e ingénua; não é papel-de-parede para tapar os buracos verdadeiros.
Aqui há também uma luta. O que é preciso é raspar levemente a superfície da
pintura, para encontrar a sua base de tintas negras e feias, o seu medonho inconsciente.
Não há beleza sem contraponto, nem harmonia sem contraste. E a música de Vini
Reilly é só isso.” É mesmo só isso.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Uma grande transformação de novo
"(...) A atualidade do pensamento de Polanyi é evidente. Há uma década atrás, tenderíamos a afirmar que a história não havia sido generosa com a interpretação que fez da evolução das economias de mercado (na aparência, com o fim da era do ‘liberalismo encastrado’ de Bretton-Woods, assistíamos a uma estabilização do capitalismo globalizado, autorregulado e escassamente institucionalizado); mas hoje, após o desencadear da crise em 2008, com os abalos sísmicos vindos do sistema financeiro norte-americano, o cenário é bem distinto: uma recessão profunda que afeta grande parte das economias industrializadas, desequilíbrios sistémicos que aparentam não ter resolução e uma subordinação política dos Estados-nação aos interesses do sistema financeiro que tem poucos paralelos históricos. Aproximamo-nos, de novo, do tempo que marcou Polanyi e influenciou o seu pensamento? (...)"
O meu texto publicado no Atual do Expresso a propósito da tradução para português de "A grande transformação" de Karl Polanyi pode ser lido aqui.
Uma teoria geral dos buracos
"Vale a
pena recordar a história do homem que tinha como ambição elaborar uma teoria
geral dos buracos. De cada vez que era confrontado com uma qualquer questão
simples – Que tipo de buracos? os feitos pelas crianças na construção de castelos
de areia? os que são escavados para assentar as fundações de uma construção? Os
que um agricultar cava para lançar sementes à terra? -, ele respondia, em tom
indignado, que a sua aspiração era desenhar uma teoria geral, capaz de explicar
todos os buracos. O que era uma evidência para o teórico dos buracos, é negado
pelo senso comum – as explicações dos diferentes tipos de buracos variam.
Quando pensamos no modo como a discussão sobre a refundação do Estado foi lançada, ficamos com a impressão de que se, por absurdo, obedeceu a algum princípio foi à teoria geral dos buracos. Não se sabe de que é que se está a falar e realidades muito diversas são tratadas como sendo iguais. (...)"
Quando pensamos no modo como a discussão sobre a refundação do Estado foi lançada, ficamos com a impressão de que se, por absurdo, obedeceu a algum princípio foi à teoria geral dos buracos. Não se sabe de que é que se está a falar e realidades muito diversas são tratadas como sendo iguais. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 15 de Dezembro pode ser lido aqui.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
É Natal na Zona de Conforto
a emissão da Zona de Conforto de hoje será dedicada a canções que têm o Natal como pretexto. Entre elas estará este Wonderful World, apropriado há 20 anos por estes dois camaradas, num EP para celebrar a quadra. Como sempre, podem ouvir em direto na antena da TSF depois do noticiário das 23 horas e a partir de amanhã em streaming no site.
Alinhamento:
Alinhamento:
Erlend Øye - Last
Christmas
João Gilberto -
Presente de Natal
Nadine Carina - Christmas Memories
Nadine Carina - Christmas Memories
John Cale - A Child's
Christmas In Wales
John Lennon – Happy
Xmas (was ir over)
Lou Reed – Xmas in
February
Tom Waits - Christmas
Card From A Hooker In Minneapolis
Iron & Wine –
Naked as We Came
Fleet Foxes – White
Winter Hymnal
Nick Cave & Shane
Macgowan – What A Wonderful World
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