A zona de conforto de hoje terá como convidado João Menezes Ferreira,
que foi autor do mítico programa de rádio do final da década de 70, "a
idade do rock" (emitido na RDP). Pretexto para uma conversa em torno da
poesia da idade do rock, a propósito do lançamento da antologia com 563 poemas
traduzidos para português, "Estro in Watts". Para ouvir, canções da
época, entre elas este Golden Hours, de Brian Eno. A canção que todas as
semanas servia de genérico ao programa.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Regressar à casa de partida
"(...) O que
aconteceu é que, em lugar de serem os mercados a acreditarem na estratégia
seguida, foram os próprios proponentes a fazê-lo, preenchendo as lacunas institucionais
que existiam. E se tal aconteceu é por o caminho seguido até aqui ter falhado e
não por ter sido um sucesso. Se, por absurdo, se acredita que este regresso aos
mercados é resultado das políticas de austeridade, então é porque se continua a
não compreender a natureza da crise da dívida soberana.
Alguma
coisa mudou na Europa e, ainda que de forma oficiosa, o papel do BCE alterou-se,
empurrado pela degradação da situação de Espanha e Itália. Com um inaceitável
legado de destruição económica e de barbárie social (é disso que falamos quando
se assiste à destruição em massa de postos de trabalho), a Europa criou as
condições de viabilidade financeira de curto prazo para a sua própria
estratégia.
Regressámos
à casa de partida, mas acompanhados por uma enorme alteração nos equilíbrios de
poder, que tem um efeito positivo na capacidade de financiamento dos países.
Antes, a condicionalidade era negociada com a Troika (FMI, Comissão e BCE), no
futuro passará a depender, cada vez mais, do BCE. Um novo monarca absoluto na
política europeia, que centraliza as decisões e imporá condições, passando a
deter o monopólio da violência económica e social. Que a estrutura de poder se
altere de forma tão profunda e ninguém cuide de garantir níveis mínimos de
legitimidade é elucidativo do desvario político que impera na Europa."
o resto do meu artigo do Expresso da semana passada está aqui.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Coisas que fazem mesmo toda a diferença
Quando se cumprem 50 anos da sua morte, há novas descobertas no espólio de Robert Frost. Ouvi-lo a dizer o "The road not taken" faz toda a diferença.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Estado Social, um obituário
"Ao longo de décadas de vida, o Estado
Social foi fonte de segurança para gerações de portugueses. Ainda assim, o seu
desaparecimento esta semana, recebido com pesar colectivo, não surpreende. Muito
fragilizado por factores que escapavam ao seu controlo (ex. arrefecimento
económico e envelhecimento), não resistiu à dor infligida por um diagnóstico
combinado entre o Governo português e uma instituição internacional.
o resto do meu artigo do Expresso de 12 de Janeiro pode ser lido aqui.
A simpatia com que era olhado por
muitos portugueses assentava no facto de a sua passagem à maturidade ter
correspondido a uma melhoria significativa das condições de vida de largos
sectores da nossa sociedade, contribuindo pela sua ação persistente para a
formação de uma, ainda assim incipiente, classe média. A expansão dos serviços por
si oferecidos nas áreas da saúde e da educação foi, aliás, um cimento
fundamental para a consolidação da democracia.
É difícil situar com exatidão o ano do
seu nascimento, mas há um consenso alargado que refere a sua natureza tardia
entre nós. Com raízes na primeira reforma do sistema corporativo em 1962, só se
desenvolveu de forma robusta a partir de 1974, maturando com a adesão europeia,
em 1986. O seu primo alemão, por exemplo, formou-se ainda sob a mão pesada de
Bismarck, no final do século XIX, como forma de conter as reivindicações operárias
e como instrumento ao serviço da criação de um novo Estado-nação. Já no Reino
Unido, parente também próximo, a sua expansão é filha da democracia e da
ascensão política do partido trabalhista, ainda que assente num relatório muito
celebrado, elaborado por um deputado liberal, William Beveridge.(...)"
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Minta and the Brook Trout na Zona de Conforto
Hoje, a partir das 23 horas, na Zona de Conforto da TSF, vou estar à conversa com a
Francisca Cortesão, a voz dos Minta & the Brook Trout. Olympia, o álbum que
lançaram em 2012, pode bem ser descrito como um conjunto de canções simples,
com arranjos destilados que nos embalam e melodias que, na sua melancolia, nos
agarram e se tornam viciantes.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
O limite do bom senso
"(...) Vale
a pena refletir no que se passou na Letónia. Em 2009, esta república do Báltico
foi um dos primeiros “ratos de laboratório” na Europa da experiência de
“austeridade expansionista” promovida pelo FMI. Enquanto se assistia a uma
contração brutal na economia e a um falhanço colossal nas metas do défice para
2010, o Tribunal Constitucional letão declarou inconstitucionais cortes nas
pensões, que correspondiam a 1,5% do PIB. Perante o falhanço da receita e face
à decisão do TC, o FMI, em lugar de impor novos cortes, aproveitou para aliviar
as metas, o que acabou por contribuir de facto para a estabilização da
economia.
Se
o bom senso imperar, a decisão do TC será um bom pretexto para exigirmos novas
condições à Troika, em lugar de prosseguir este caminho insensato e devastador
no qual o Governo tem insistido. Como disse ainda o Presidente, “temos
argumentos – e devemos usá-los com firmeza – para exigir o apoio dos nossos
parceiros europeus”. Esta será, contudo, uma missão reservada para o próximo
primeiro-ministro."
o meu artigo do Expresso de 5 de Janeiro (bem como outros que não havia postado), pode ser lido aqui.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Governar para dividir
"Este Governo apostou em ser uma versão extrema de uma tradição arreigada – pôr os portugueses uns contra os outros para governar. Depois de opor trabalhadores privados a funcionários públicos; agora, não ocorreu nada melhor ao executivo do que pôr trabalhadores contra pensionistas.
Uma das principais responsabilidades de um Governo é ser um factor de segurança. Num momento como aquele que vivemos, esta asserção é mais verdadeira. As declarações de Passos Coelho têm tido o condão de gerar incerteza entre os portugueses, mas são, no essencial, um retrato de um estilo. Por um lado, a ação política assente num objectivo paradoxal – governar para dividir –, por outro, a sensação de que nos condenaram a sermos governados pelo líder de uma juventude partidária. (...)"
o resto do meu artigo do Expresso de 22 de Dezembro está aqui.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Um forte abraço, António
Há umas duas, três
semanas, o papel afixado na porta do gabinete ao lado do meu retirou-me as
ilusões: o António estava pior. O António que ao longo destes dois anos e meio
foi um exemplo de coragem e de tenacidade e que ainda há umas semanas dava
aulas, tinha deixado um aviso aos alunos, pedindo desculpa por não poder estar
presente à hora marcada.
O Paulo já deu conta
de muitas das coisas que eu poderia dizer sobre o António – e que ele pode
dizer com mais autoridade. Mas há umas quantas que eu quero acrescentar.
Terei conhecido o
António por volta de 1997, mas foi em 1999, quando fomos juntos participar numa
conferência em que ambos apresentávamos papers, que começámos uma conversa
agora interrompida abruptamente. O António já era um sénior, com experiência de
vida e profissional, e eu não passava de um recém licenciado, que arriscava
falar sobre os mesmos temas que ele. Naqueles dias passados em Boston,
iniciámos um diálogo que fomos alimentando ao longo destes anos e através do
qual aprendi muito. Não me esqueço da forma como um tipo que sabia (e continua
a saber) muito mais do que eu sobre muitos dos assuntos sobre os quais
conversámos, sempre revelou total disponibilidade para me ouvir e para
discutir. É uma qualidade menos democratizada do que possamos pensar.
A conversa começada
em Boston foi continuando. Depois de termos partilhado gabinete durante um
curto período, agora éramos vizinhos e sabia que de cada vez que batesse na
porta do gabinete dele ficaríamos a falar mais tempo do que os nossos
compromissos permitiam. Hoje, tenho a certeza que deveria ter prolongado muito mais
essas conversas.
Aprendi muitas coisas
com o António. Mas tendo de escolher uma, nunca me esquecerei de lhe agradecer ter-me apresentado ao
Ahmad Jamal. Se nada mais posso pedir, espero que continue a poder escutá-lo.
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