"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quinta-feira, 12 de março de 2015

Vencer com raça


Durante 45 minutos, em Arouca, num mini-Estádio da Luz, esteve presente um mini-Benfica. Uma equipa amorfa, sem intensidade e que pareceu ter ficado tolhida por um duplo erro defensivo de Eliseu (mais um) na mesma jogada.

Depois, ao intervalo, e com o espectro da Mata Real a pairar, tudo mudou. E, desta feita, mesmo com a entrada de Talisca, a diferença não foi de natureza tática. O que fez diferença foi a atitude. Repare-se, os dois golos decisivos, que viraram o jogo, resultaram de jogadas de insistência, onde, primeiro, Lima e, depois, Gaitán, não desistiram, forçaram o erro adversário, e revelaram o suplemento competitivo que constrói equipas campeãs. 

A vitória em Arouca está aí para demonstrar que não basta o talento individual, nem sequer a organização coletiva ou uma eficácia superior nas bolas paradas (onde o Benfica, ao contrário do habitual, esteve bastante mal) para se vencer campeonatos. É também necessária uma disponibilidade competitiva capaz de ocultar insuficiências estruturais (um sector que funciona menos bem) ou azares circunstanciais (um falhanço individual). 


A este propósito, é sintomático que nos últimos três jogos fora (Alvalade, Moreira de Cónegos e Arouca), o Benfica tenha sido capaz de reagir a resultados negativos, invertendo a tendência do marcador. A dez jornadas do fim, a capacidade de uma equipa vencer na raça é tão importante como os atributos coletivos e/ou individuais. Além de três pontos, o Benfica trouxe de Arouca uma atitude competitiva que importa continuar a alimentar. 

PS - O discurso do colinho, como seria de esperar, já está a dar os seus frutos. Agora, com tantas queixinhas, antes de apitarem a favor do Benfica, os árbitros pensam duas vezes. Em Arouca ficaram por assinalar duas grandes penalidades.

publicado no Record de terça-feira

terça-feira, 10 de março de 2015

O John Lennon teria gostado muito disto


segunda-feira, 9 de março de 2015

Nós, o povo



fazer a diferença

quarta-feira, 4 de março de 2015

Uma corrida a dois


Este fim-de-semana confirmou-se o que era uma inevitabilidade desde o início da temporada: o campeonato é uma corrida a dois. Benfica e Porto são superiores a todas as outras equipas a vários níveis – qualidade individual, organização coletiva e intensidade competitiva. Podem ter dificuldades numa ou outra partida, mas há uma distância significativa entre os dois primeiros classificados e restantes equipas.

O que nos deixa uma certeza: teremos um campeonato disputado e que se decidirá em torno de quatro dimensões – arbitragens; liderança em campo; forma física; e desgaste da Champions.

Muito se tem falado de um Benfica “levado ao colinho”. É uma evidência que semana sim, semana sim, o campeonato é brindado com arbitragens medíocres, mas, quando se fizer a contabilidade final, veremos que no “deve e haver” dos beneficiados teremos um quadro de equilíbrio. O que mudou é que o Porto deixou de beneficiar dos campos inclinados a que se habitou. A forma como as próprias arbitragens vão ser capazes de ficar imunes à pressão do discurso do “colinho” fará diferença.

Durante muito tempo, uma das vantagens do Porto face ao Benfica foi ter uma voz de comando em campo, capaz de funcionar como treinador durante os jogos. Desde a saída de Lucho, o Porto não mais teve um líder dentro do relvado. O Benfica tem Luisão.


Ao contrário do que se quer fazer crer, não há grandes diferenças entre os 11 titulares. Onde o quadro é menos equilibrado é quando falamos de segundas linhas. O Porto leva vantagem na qualidade individual do seu banco. As lesões e a forma física serão, por isso, decisivas. A este propósito, é uma incógnita o impacto da Champions no Porto. O desgaste pode fragilizar a equipa, mas bons resultados podem ser um suplemento de alma adicional.

No fim, a melhor equipa será campeã, pelo que de pouco serve andar, desde já, a ensaiar choradinhos.

publicado no Record ontem

terça-feira, 3 de março de 2015

"but i've given up all attempts at perfection"


queria só dizer-vos que se ouviram o shadows in the night do Bob Dylan e não gostaram (ou, pior, são da opinião que ele não tem voz), o problema é vosso

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Acreditar



a extraordinária Natalie Prass em toda a sua pujança orgânico/sonora

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O futuro



Com menos recursos financeiros e com as saídas sistemáticas dos jogadores de maior nomeada, poderíamos ter boas razões para temer pelo futuro imediato do futebol do Benfica. Não vejo motivos para isso. É evidente que enquanto vamos perdendo jogadores de classe mundial (este ano saíram Enzo, Rodrigo e Garay) e mais saídas se anunciam para o verão (Gaitán e Sálvio?), o espectro da diminuição da qualidade é uma ameaça. Mas é também uma oportunidade.

Uma coisa é certa, não regressará o tempo em que, no futebol português, se podia ir buscar valores seguros a outros campeonatos, com vinte e poucos anos, valorizá-los e transferi-los para Espanha e Inglaterra. O Benfica, como aliás o Porto, terão de optar por outro modelo de especialização: trabalhar jovens talentos, nacionais ou importados pouco importa, e esperar que revelem maturidade para darem o salto para o futebol de alta-competição. O risco é maior, mas pode dar certo.

O problema hoje não é de qualidade potencial dos jovens jogadores. O desafio coloca-se, no essencial, às estruturas e ao treinador. Saberão reconverter-se e enfrentar o novo desafio? Será Jorge Jesus capaz de formar uma equipa competitiva com outro tipo de recursos?

A este propósito, basta atentar no Benfica B. O plantel foi alvo de uma autêntica razia na reabertura do mercado (com o empréstimo de muitos titulares) e, em lugar de a equipa ficar mais fragilizada, apareceu uma nova fornada de jogadores talentosos. Basta ver um jogo dos Bês para se perceber que há ali matéria-prima de primeira apanha. A equipa, é claro, alterna exibições conseguidas com derrotas clamorosas – é o que se espera de quem tem a audácia e a ingenuidade próprias da juventude. Mas, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, o futuro terá de passar pelos jovens. Pelo João Teixeira, pelo Nuno Santos, pelo Hélder Costa, pelo Cristante, pelo Gonçalo Guedes e pelo Jonathan.

publicado no Record de hoje

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A luz que começa a morrer

o título do meu artigo do Expresso de ontem é roubado ao Dylan Thomas, cuja descoberta devo, quando tinha uns 15 anos (o que fez diferença), ao John Cale (no fabuloso Words for the Dying) e ao Bob Dylan (no fabuloso Robert Zimmerman).






Não entres docilmente nessa noite serena,
porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia;
odeia, odeia a luz que começa a morrer.

No fim, ainda que os sábios aceitem as trevas,
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles
não entram docilmente nessa noite serena.

Homens bons que clamaram, ao passar a última onda, como podia
o brilho das suas frágeis ações ter dançado na baia verde,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E os loucos que colheram e cantaram o vôo do sol
e aprenderam, muito tarde, como o feriram no seu caminho,
não entram docilmente nessa noite serena.

Junto da morte, homens graves que vedes com um olhar que cega
quanto os olhos cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E de longe, meu pai, peço-te que nessa altura sombria
venhas beijar ou amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.
Não entres docilmente nessa noite serena.
Odeia, odeia a luz que começa a morrer.

Dylan Thomas

Tradução: Fernando Guimarães




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Meio-morto


No domingo, na Luz, ainda a segunda parte ia a meio, já o Vitória, a perder por 3-0, defendia o resultado, com duas linhas de jogadores em frente à área. Enquanto isso, o árbitro fazia o que os árbitros teimam em fazer entre nós. Sem cometer erros decisivos, dava todos os contributos possíveis para estragar ainda mais o jogo, apitando por tudo e por nada (32 faltas) e começando a distribuir amarelos a ritmo apreciável (seis amarelos, cinco dos quais nos últimos 20 minutos). No fundo, é o futebol português em todo o seu esplendor. Jorge Jesus disse na conferência de imprensa que, a partir de certa altura, o Vitória estava meio-morto. Temo bem que não seja assim. É o campeonato português que está a ficar meio-morto.

Passam as jornadas e parece que a tendência se consolida. Um campeonato de jogos desinteressantes e futebol paupérrimo. Entretanto, o fosso entre três ou quatro clubes e os restantes acentua-se, com uma agravante: contra adversários de qualidade duvidosa, o futebol dos grandes tenderá a degradar-se também. É penoso assistir a 90 por cento dos jogos da 1.ª Liga e há demasiados sinais de que é uma tendência que veio para ficar. Devemos agradecer a todos aqueles que se bateram pelo alargamento da 1.ª Liga e que agora defendem o fim dos fundos e a aposta no jogador português. Por este caminho, bastarão dois ou três anos para o nosso campeonato estar ao nível do escocês, holandês e belga.


Se nada for feito para parar esta deriva, o cenário será mais ou menos este: Portugal deixará de ser porta de entrada para jovens talentos que querem singrar na Europa e que não podem entrar diretamente nos clubes espanhóis e ingleses de topo; os jovens jogadores portugueses de qualidade deixarão o país antes de se afirmarem nos equipas principais dos três grandes; e o campeonato português será nivelado (ainda mais) por baixo. Façam bom proveito.














publicado no Record de terça-feira

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Até o Neil Hannon já tem barba



concerto, de dia 11 de Fevereiro, em Paris
(a versão do Booklovers, aí por volta do minuto 28, é qualquer coisa)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Que Presidente queremos?


Se bem que ainda distantes e passíveis de contaminação pelo resultado das legislativas, as presidenciais têm estado no centro da especulação. Perante isto, os partidos sugerem que o tema é prematuro e sublinham que a prioridade é a escolha do próximo Governo. Faz sentido taticamente, mas não estrategicamente. Por força da proximidade entre eleições e tendo em conta as exigências de governabilidade e cooperação institucional que se vão colocar, eleger Governo e Presidente são opções interligadas.
Se assim é, não é prematuro identificar os requisitos de um bom candidato presidencial, assim como definir um perfil relevante para o país no próximo ciclo político.
Como é frequentemente dito, um candidato presidencial competitivo tem de ser capaz de crescer eleitoralmente para lá do seu espaço político. A ideia de que alguém alinhado com uma direção partidária e promovido como candidato oficial de um partido tem vantagem é, aliás, um equívoco. Não menos importante, 40 anos passados do 25 de Abril, o regime só teria a ganhar se tivesse uma mulher na Presidência. Seria, por si só, um indicador de institucionalização democrática.
Naturalmente que as escolhas presidenciais não podem ser politicamente neutras. Há, a este propósito, dois critérios importantes: saber como é que os candidatos se posicionaram perante as questões mais marcantes dos últimos anos e de que forma podem contribuir para os compromissos de que o país vai necessitar.
 Num período de incerteza como o que vivemos, há temas que se sobrepõem a todos os outros: a estratégia de consolidação orçamental; a gestão da dívida e a sustentabilidade do Estado social. Um bom candidato presidencial tem de ser alguém que, desde o início da crise, não tenha hesitado, nem assumido posições dúbias, em relação a estes três temas: criticando a austeridade, colocando-se do lado de uma solução europeia para a dívida e não hesitando na defesa do papel do Estado e das responsabilidades públicas na proteção social, na educação e na saúde.
            Já em relação ao próximo ciclo político há um grande consenso: a capacidade do país ultrapassar o bloqueio em que se encontra e de desenvolver uma estratégia reformista gradual, assente num horizonte de médio prazo, depende de um compromisso político. Nesse sentido, e tendo em conta que todos os indicadores anunciam uma vitória do PS, um Governo liderado por António Costa pode ganhar com um Presidente que alargue o seu espaço de influência, mais do que ter em Belém quem reproduza a base social de São Bento.
Por tudo isto, vejo boas razões para se ponderar uma candidatura de Manuela Ferreira Leite. Aliás, com uma outra vantagem: estamos a falar de alguém que já perdeu eleições nacionais e as derrotas políticas são um momento de aprendizagem.

publicado no Expresso de Sábado.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015



O legado emocional

É possível um jogo de futebol ser intenso, mesmo sem grandes oportunidades de golo ou jogadas com nota artística elevada? O dérbi de ontem está aí para demonstrar que sim.

A marca do Sporting-Benfica foi a forma como, com grande rigor tático e intensidade na disputa do jogo, as equipas foram capazes de bloquear os pontos fortes do adversário. O Benfica do carrossel ofensivo, balanceado para o ataque, não existiu; da mesma forma que o Sporting com um meio-campo dinâmico esteve ausente. Em particular nas faixas laterais, as duas equipas estiveram ausentes ofensivamente. Prova disso é que Salvio e Nani – muito provavelmente os jogadores mais fortes na construção de jogo atacante que as duas equipas tinham em campo – não se viram em jogo.
Desde logo porque o Benfica levou longe de mais uma atitude resultadista, aliás pouco habitual em Jorge Jesus.

Com uma equipa montada com grande competência, em primeiro lugar, para impedir que o Sporting jogasse, o Benfica tentou sempre gerir o resultado e acabou por ter a sorte do jogo – da mesma forma que, minutos antes, também tinha tido azar, sofrendo um golo, num jogo que nessa altura estava controlado. Para o que resta deste campeonato, sobrará o legado emocional. E aí, o Benfica sai com clara vantagem. Não apenas porque mantém uma margem pontual de confiança, mas, acima de tudo, porque um empate com o jogo já a morrer acaba por ser um suplemento de alma para as próximas jornadas.

publicado no Record segunda-feira


O Anti-Jesus

Numa conferência de imprensa mítica, já há uns tempos, Jorge Jesus, como sempre a dizer “coisas certas com as palavras erradas”, perguntava “o que é isso de experiência?”, para logo responder, num jeito inimitável, “experiência é conhecimento”. Talvez essa seja a melhor forma de olhar para o dérbi deste domingo. Um Benfica com mais experiência acumulada, logo com mais conhecimento, que foi capaz de ocultar com organização coletiva a perda de qualidade das individualidades que formam a equipa hoje, por comparação aos anos anteriores.

Houve, por isso, um efeito surpresa. O Benfica de Jesus, que construiu a sua identidade em torno de um futebol de ataque, com transições rápidas, não compareceu em Alvalade. Não estiveram presentes as acelerações no limite da razoabilidade de Salvio pela direita, nem as diagonais da esquerda para o meio, nem sequer o jogo interior rendilhado, a oferecer muitas possibilidades aos avançados. Em parte também por respeito ao Sporting, que é hoje uma equipa mais forte e competente do que no passado recente, o Benfica entrou em campo em modo resultadista.


Ora aí reside uma inovação. Nas últimas épocas, e em importante medida porque tinha jogadores que assim o permitiam, o Benfica nunca teve uma atitude resultadista. Agora, com um plantel sem as mesmas doses de talento, o treinador prefere contrariar a própria identidade que construiu e ser um anti-Jesus, secundarizando a qualidade do jogo ofensivo, em nome de um realismo avisado.

A filosofia parece clara. Se for possível acrescentar nota artística aos resultados, tanto melhor. Se não for, cá estarão os resultados. Esta atitude pragmática era possível no Jesus do passado? Parece-me que não. Mas, afinal, o que é o conhecimento se não experiência acumulada.

publicado no Record de terça-feira

“Why me, Lord?”

"My songs they were on the fringes then, and I think they're on the fringes now."



o resto da angústia da influência por Bob Dylan pode ser lido aqui.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Don't be fooled



"All these songs are connected, don't be fooled, I was just opening up a different door in a different kind of way"
"In Johnny Cash’s world of hardcore Southern drama, that kind of thing didn’t exist. Nobody told anybody what to sing or what not to sing."
"Critics say I can’t sing, I sound like a frog. Why don’t critics say that about Tom Waits? Critics say my voice is shot. Why don’t they say that about Leonard Cohen? What have I done to get this special attention?"

Dylan on Dylan, ontem a explicar tudo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"Remember me, but ah! forget my fate"



o resto podem ler aqui.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Uma curiosidade


Por uma combinação de preservação da sanidade mental e da paixão pelo futebol, faço os possíveis por dedicar muito pouca atenção a questões de arbitragem e, menos ainda, a disputas de dirigentes. O futebol tem apenas três protagonistas - jogadores, técnicos e adeptos. Todos os outros ficam, na melhor das hipóteses, a meio-caminho entre figurantes e atores secundários. Bem sei que dirigentes e árbitros fazem, demasiadas vezes, os possíveis por se tornarem figuras centrais. Com isso, só prejudicam o futebol. Por isso mesmo, é dever dos adeptos devolvê-los ao seu papel secundário.

Mas, esta semana, houve uma notícia breve que veio ter comigo e que achei curiosa. Na edição de quinta-feira do Record, uma fotografia com um caloroso abraço entre Inácio e Manuel Mota ilustrava um texto sobre as pazes feitas entre Sporting e o árbitro de Braga. Manuel Mota, que havia sido excomungado pelo Sporting em Dezembro de 2013, após um empate caseiro com o Nacional, ao ponto de nunca mais ter arbitrado um jogo dos leões, era agora, mais de um ano passado, recebido de braços abertos em Alvalade, quando regressava para um Sporting-Setúbal da Taça da Liga. Comovente.


O curioso é que Manuel Mota tinha, dois dias antes, praticado um ato verdadeiramente inovador como 4º árbitro. A crer na primeira página do Record de terça-feira, o penálti marcado na Mata Real contra o Benfica não foi assinalado nem pelo inefável Bruno Paixão (lá está, um dos que não perde uma oportunidade para ganhar protagonismo), nem pelo assistente do lado da jogada, mas, sim, imagine-se, pelo 4.º árbitro. Colocado exatamente do outro lado do campo, Mota teve a lucidez de vislumbrar a grande penalidade que os seus colegas não avistaram. Talvez tenha sido este novo papel para os 4.ºs árbitros que os dirigentes do Sporting tenham querido saudar. Nunca se sabe.














publicado no Record

Songs from a room


Convivo com desconforto com a ideia de que a Grécia é um lugar a partir do qual se ambiciona mudar o Mundo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Clássico instantâneo



Tudo o que possam ter lido sobre a Natalie Prass é mais do que justo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Pouca Pedalada


No lançamento da partida de ontem, e a propósito das contratações do mercado de inverno, Jorge Jesus deixou, com razão, um aviso aos novos jogadores: para entrar na equipa era preciso ter "muita pedalada". Imagino que o treinador estivesse a pensar na organização coletiva e na intensidade com que o Benfica joga. Ora o Benfica de ontem foi uma equipa com muito pouca pedalada.

Desde logo, o nervo com que o Benfica se tem apresentado em todos os jogos faltou. Estranhamente, a derrota do FC Porto na véspera, que deveria ter dado uma confiança extra, acabou por se revelar contraproducente. Em particular na segunda parte, viu-se um Benfica enervado com a responsabilidade. Exatamente o contrário do que tem sido hábito esta temporada, em que, sob pressão, o Benfica não falha e, em muitos momentos, supera mesmo as suas insuficiências (uma delas, aliás, sobejamente conhecida - a forma como defende do lado esquerdo).


Mas não foi apenas uma estranha nervoseira que marcou a partida de ontem. O que tem sido uma das mais-valias do Benfica, e que torna a equipa particularmente poderosa face a adversários muito fechados, é a força do seu jogo interior, que permite em situações de ataque organizado colocar vários jogadores em posição privilegiada entre o meio-campo e a defesa adversários. Ontem, isso aconteceu pouco: seja porque Talisca andou perdido, seja porque a saída de Samaris expôs a equipa, seja porque Lima não mais se encontrou após desperdiçar o penálti.

No fim, sobram as palavras motivadoras de Luisão: "Continuamos com o nosso trabalho". É que os campeões fazem-se de talento, mas, também, de muito trabalho.

P.S.: A propósito da grande penalidade favorável ao Benfica, cabe dizer uma coisa: no futebol de hoje, fazer tiro ao braço dentro da área arrisca tornar-se a mais eficaz das jogadas. Um absurdo, a menos que os árbitros defendam a amputação dos braços dos defensores.

publicado no Record de ontem

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Regressar aos clássicos