quinta-feira, 2 de abril de 2015
Is it worth it?
3 minutos, apresentados como "escapist light entertainment", que voam sem que se dê pelo tempo passar
sexta-feira, 27 de março de 2015
e, até prova em contrário, o disco de 2015 é
que, aliás, pode ser, dylanescamente, resumido assim:
"Who do you think you are?
Just a girl that can play guitar"
quarta-feira, 25 de março de 2015
O problema de sempre
Não restam dúvidas de que o Benfica de Jesus é
temível quando engata aquele carrossel ofensivo que asfixia os
adversários. Também é sabido que se trata de uma formação que, de quando
em quando, é capaz de defender sem bola, para depois lançar contra
golpes letais (foi assim este ano no Dragão). Mas há cinco anos que se
sabe também uma outra coisa: estamos perante uma equipa incapaz de
controlar um jogo com posse de bola. No fundo, o Benfica ou ataca ou
defende sem bola, quando procura pautar o ritmo do jogo, adormecendo-o e
mantendo o controlo da bola, a equipa falha.
Bem
pode Jesus queixar-se da arbitragem, mas em Vila do Conde manifestou-se
uma debilidade que acompanha a equipa há algum tempo: a incapacidade
para gerir uma vantagem. O problema, por estranho que possa parecer, foi
mesmo o golo madrugador. O que não seria problemático caso a equipa
tivesse continuado a atacar, procurando o segundo golo. Mas como, por
motivos insondáveis, a opção foi deixar passar o tempo, quase abdicar de
atacar e fazer uma gestão imprudente da vantagem, no final aconteceu o
que vinha sendo anunciado: a derrota e, de longe, a pior exibição da
temporada.
E,
ao contrário do que foi sugerido nas análises à partida, a mudança do
sentido de jogo não ocorreu apenas na segunda parte. Durante a primeira
metade, já se pressentia um Benfica apático, que pareceu estar sempre a
jogar em inferioridade numérica no meio-campo e que foi incapaz de
esticar o jogo, aproveitando os espaços que um Rio Ave a pressionar alto
oferecia.
Mas como nem tudo pode ser mau,
não só o que se passou no Estádio dos Arcos deve servir como
aprendizagem para os oito jogos em falta (dos quais seis são em Lisboa),
como ao FC Porto faltou o estofo de campeão, que surge precisamente nos
momentos em que é possível aproveitar as falhas dos adversários.
publicado no Record de ontem.
terça-feira, 24 de março de 2015
o terror que há sempre no fundo informulado de uma vida
"(...)
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
(...)"
o resto, que é quasetudo, está aqui
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
(...)"
o resto, que é quasetudo, está aqui
quarta-feira, 18 de março de 2015
O David Luiz
Deixem-me recuar uma semana, pois no futebol há
imagens que perduram e renovam a paixão. Quando, num volte-face, o David
Luiz marcou o golo que dava uma vida adicional a um PSG que tinha tudo
para estar derrotado pelo Chelsea, tive a certeza de estar perante um
desses momentos de reencontro do futebol consigo mesmo.
Mas
não há momento sem contexto e o de Londres era linear. De um lado, um
jogar administrativo, que amarra jogadores talentosos a um modelo que
tem tanto de eficaz como de desinteressante – é este o futebol do
Chelsea de Mourinho; de outro, uma equipa em inferioridade numérica e
que, muitas vezes, não ultrapassa a sua condição de repositório de
craques com contratos milionários.
Provavelmente,
sem um acrescento de drama, o PSG teria sido o amontoado de talento que
teima em ficar aquém das suas capacidades. Ora o drama eram as
circunstâncias pessoais de David Luiz – o defesa que Mourinho viu partir
com um alívio que não se cansou de verbalizar, que participou num
cataclismo futebolístico no último Mundial, regressava a Londres.
Vi,
vezes sem conta, as arrancadas irresponsáveis de David Luiz pelo
meio-campo acima, de bola controlada e com o abismo atrás de si, e sei
que se trata de um jogador que tem o condão de desequilibrar, num só
movimento, a sua equipa e o adversário. É essa atração pelo risco que
faz do brasileiro um jogador singular, que oferece improviso a um
futebol que se deixou burocratizar.
Quando eu
e o meu filho gritámos o primeiro golo do PSG como se fosse do Benfica,
o Vicente, com o olhar ingénuo que tentamos não perder quando vemos um
jogo de futebol, repetiu, perante as celebrações do David Luiz, "Pai,
ele está a dizer Benfica". É muito provável que estivesse. Afinal, o
David Luiz, na sua imprudência tática, ajuda-nos a preservar um olhar
infantil sobre o futebol. É essa a matéria de que são feitos os craques
que não esquecemos.
publicado no Record de ontem
quinta-feira, 12 de março de 2015
Vencer com raça
Durante 45 minutos, em Arouca, num mini-Estádio da
Luz, esteve presente um mini-Benfica. Uma equipa amorfa, sem intensidade
e que pareceu ter ficado tolhida por um duplo erro defensivo de Eliseu
(mais um) na mesma jogada.
Depois, ao
intervalo, e com o espectro da Mata Real a pairar, tudo mudou. E, desta
feita, mesmo com a entrada de Talisca, a diferença não foi de natureza
tática. O que fez diferença foi a atitude. Repare-se, os dois golos
decisivos, que viraram o jogo, resultaram de jogadas de insistência,
onde, primeiro, Lima e, depois, Gaitán, não desistiram, forçaram o erro
adversário, e revelaram o suplemento competitivo que constrói equipas
campeãs.
A vitória em Arouca está aí para
demonstrar que não basta o talento individual, nem sequer a organização
coletiva ou uma eficácia superior nas bolas paradas (onde o Benfica, ao
contrário do habitual, esteve bastante mal) para se vencer campeonatos. É
também necessária uma disponibilidade competitiva capaz de ocultar
insuficiências estruturais (um sector que funciona menos bem) ou azares
circunstanciais (um falhanço individual).
A
este propósito, é sintomático que nos últimos três jogos fora
(Alvalade, Moreira de Cónegos e Arouca), o Benfica tenha sido capaz de
reagir a resultados negativos, invertendo a tendência do marcador. A dez
jornadas do fim, a capacidade de uma equipa vencer na raça é tão
importante como os atributos coletivos e/ou individuais. Além de três
pontos, o Benfica trouxe de Arouca uma atitude competitiva que importa
continuar a alimentar.
PS - O discurso do
colinho, como seria de esperar, já está a dar os seus frutos. Agora, com
tantas queixinhas, antes de apitarem a favor do Benfica, os árbitros
pensam duas vezes. Em Arouca ficaram por assinalar duas grandes
penalidades.
publicado no Record de terça-feira
terça-feira, 10 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
quarta-feira, 4 de março de 2015
Uma corrida a dois
Este fim-de-semana confirmou-se o que era uma inevitabilidade desde o início da temporada: o campeonato é uma corrida a dois. Benfica e Porto são superiores a todas as outras equipas a vários níveis – qualidade individual, organização coletiva e intensidade competitiva. Podem ter dificuldades numa ou outra partida, mas há uma distância significativa entre os dois primeiros classificados e restantes equipas.
O que nos deixa uma certeza: teremos um campeonato disputado e que se decidirá em torno de quatro dimensões – arbitragens; liderança em campo; forma física; e desgaste da Champions.
Muito se tem falado de um Benfica “levado ao colinho”. É uma evidência que semana sim, semana sim, o campeonato é brindado com arbitragens medíocres, mas, quando se fizer a contabilidade final, veremos que no “deve e haver” dos beneficiados teremos um quadro de equilíbrio. O que mudou é que o Porto deixou de beneficiar dos campos inclinados a que se habitou. A forma como as próprias arbitragens vão ser capazes de ficar imunes à pressão do discurso do “colinho” fará diferença.
Durante muito tempo, uma das vantagens do Porto face ao Benfica foi ter uma voz de comando em campo, capaz de funcionar como treinador durante os jogos. Desde a saída de Lucho, o Porto não mais teve um líder dentro do relvado. O Benfica tem Luisão.
Ao
contrário do que se quer fazer crer, não há grandes diferenças entre os
11 titulares. Onde o quadro é menos equilibrado é quando falamos de
segundas linhas. O Porto leva vantagem na qualidade individual do seu
banco. As lesões e a forma física serão, por isso, decisivas. A este
propósito, é uma incógnita o impacto da Champions no Porto. O desgaste
pode fragilizar a equipa, mas bons resultados podem ser um suplemento de
alma adicional.
No fim, a melhor equipa será campeã, pelo que de pouco serve andar, desde já, a ensaiar choradinhos.
publicado no Record ontem
terça-feira, 3 de março de 2015
"but i've given up all attempts at perfection"
queria só dizer-vos que se ouviram o shadows in the night do Bob Dylan e não gostaram (ou, pior, são da opinião que ele não tem voz), o problema é vosso
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
O futuro
Com menos recursos financeiros e com as saídas sistemáticas dos jogadores de maior nomeada, poderíamos ter boas razões para temer pelo futuro imediato do futebol do Benfica. Não vejo motivos para isso. É evidente que enquanto vamos perdendo jogadores de classe mundial (este ano saíram Enzo, Rodrigo e Garay) e mais saídas se anunciam para o verão (Gaitán e Sálvio?), o espectro da diminuição da qualidade é uma ameaça. Mas é também uma oportunidade.
Uma coisa é certa, não regressará o tempo em que, no futebol português, se podia ir buscar valores seguros a outros campeonatos, com vinte e poucos anos, valorizá-los e transferi-los para Espanha e Inglaterra. O Benfica, como aliás o Porto, terão de optar por outro modelo de especialização: trabalhar jovens talentos, nacionais ou importados pouco importa, e esperar que revelem maturidade para darem o salto para o futebol de alta-competição. O risco é maior, mas pode dar certo.
O
problema hoje não é de qualidade potencial dos jovens jogadores. O
desafio coloca-se, no essencial, às estruturas e ao treinador. Saberão
reconverter-se e enfrentar o novo desafio? Será Jorge Jesus capaz de
formar uma equipa competitiva com outro tipo de recursos?
A este propósito, basta atentar no Benfica B. O plantel foi alvo de uma autêntica razia na reabertura do mercado (com o empréstimo de muitos titulares) e, em lugar de a equipa ficar mais fragilizada, apareceu uma nova fornada de jogadores talentosos. Basta ver um jogo dos Bês para se perceber que há ali matéria-prima de primeira apanha. A equipa, é claro, alterna exibições conseguidas com derrotas clamorosas – é o que se espera de quem tem a audácia e a ingenuidade próprias da juventude. Mas, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, o futuro terá de passar pelos jovens. Pelo João Teixeira, pelo Nuno Santos, pelo Hélder Costa, pelo Cristante, pelo Gonçalo Guedes e pelo Jonathan.
publicado no Record de hoje
domingo, 22 de fevereiro de 2015
A luz que começa a morrer
o título do meu artigo do Expresso de ontem é roubado ao Dylan Thomas, cuja descoberta devo, quando tinha uns 15 anos (o que fez diferença), ao John Cale (no fabuloso Words for the Dying) e ao Bob Dylan (no fabuloso Robert Zimmerman).
Não entres
docilmente nessa noite serena,
Não entres
docilmente nessa noite serena,
porque a velhice
deveria arder e delirar no termo do dia;
odeia, odeia a luz
que começa a morrer.
No fim, ainda que
os sábios aceitem as trevas,
porque se esgotou o
raio nas suas palavras, eles
não entram
docilmente nessa noite serena.
Homens bons que
clamaram, ao passar a última onda, como podia
o brilho das suas
frágeis ações ter dançado na baia verde,
odiai, odiai a luz
que começa a morrer.
E os loucos que
colheram e cantaram o vôo do sol
e aprenderam, muito
tarde, como o feriram no seu caminho,
não entram
docilmente nessa noite serena.
Junto da morte,
homens graves que vedes com um olhar que cega
quanto os olhos
cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,
odiai, odiai a luz
que começa a morrer.
E de longe, meu
pai, peço-te que nessa altura sombria
venhas beijar ou
amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.
Não entres
docilmente nessa noite serena.
Odeia, odeia a luz
que começa a morrer.
Dylan Thomas
Tradução: Fernando Guimarães
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Meio-morto
No domingo, na Luz, ainda a segunda parte ia a meio, já o Vitória, a perder por 3-0, defendia o resultado, com duas linhas de jogadores em frente à área. Enquanto isso, o árbitro fazia o que os árbitros teimam em fazer entre nós. Sem cometer erros decisivos, dava todos os contributos possíveis para estragar ainda mais o jogo, apitando por tudo e por nada (32 faltas) e começando a distribuir amarelos a ritmo apreciável (seis amarelos, cinco dos quais nos últimos 20 minutos). No fundo, é o futebol português em todo o seu esplendor. Jorge Jesus disse na conferência de imprensa que, a partir de certa altura, o Vitória estava meio-morto. Temo bem que não seja assim. É o campeonato português que está a ficar meio-morto.
Passam as jornadas e parece que a tendência se consolida. Um campeonato de jogos desinteressantes e futebol paupérrimo. Entretanto, o fosso entre três ou quatro clubes e os restantes acentua-se, com uma agravante: contra adversários de qualidade duvidosa, o futebol dos grandes tenderá a degradar-se também. É penoso assistir a 90 por cento dos jogos da 1.ª Liga e há demasiados sinais de que é uma tendência que veio para ficar. Devemos agradecer a todos aqueles que se bateram pelo alargamento da 1.ª Liga e que agora defendem o fim dos fundos e a aposta no jogador português. Por este caminho, bastarão dois ou três anos para o nosso campeonato estar ao nível do escocês, holandês e belga.
Se
nada for feito para parar esta deriva, o cenário será mais ou menos
este: Portugal deixará de ser porta de entrada para jovens talentos que
querem singrar na Europa e que não podem entrar diretamente nos clubes
espanhóis e ingleses de topo; os jovens jogadores portugueses de
qualidade deixarão o país antes de se afirmarem nos equipas principais
dos três grandes; e o campeonato português será nivelado (ainda mais)
por baixo. Façam bom proveito.
publicado no Record de terça-feira
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Até o Neil Hannon já tem barba
concerto, de dia 11 de Fevereiro, em Paris
(a versão do Booklovers, aí por volta do minuto 28, é qualquer coisa)
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Que Presidente queremos?
Se bem
que ainda distantes e passíveis de contaminação pelo resultado das
legislativas, as presidenciais têm estado no centro da especulação. Perante
isto, os partidos sugerem que o tema é prematuro e sublinham que a prioridade é
a escolha do próximo Governo. Faz sentido taticamente, mas não estrategicamente.
Por força da proximidade entre eleições e tendo em conta as exigências de governabilidade
e cooperação institucional que se vão colocar, eleger Governo e Presidente são
opções interligadas.
Se assim
é, não é prematuro identificar os requisitos de um bom candidato presidencial,
assim como definir um perfil relevante para o país no próximo ciclo político.
Como é
frequentemente dito, um candidato presidencial competitivo tem de ser capaz de crescer
eleitoralmente para lá do seu espaço político. A ideia de que alguém alinhado
com uma direção partidária e promovido como candidato oficial de um partido tem
vantagem é, aliás, um equívoco. Não menos importante, 40 anos passados do 25 de
Abril, o regime só teria a ganhar se tivesse uma mulher na Presidência. Seria,
por si só, um indicador de institucionalização democrática.
Naturalmente
que as escolhas presidenciais não podem ser politicamente neutras. Há, a este
propósito, dois critérios importantes: saber como é que os candidatos se
posicionaram perante as questões mais marcantes dos últimos anos e de que forma
podem contribuir para os compromissos de que o país vai necessitar.
Num período de incerteza como o que vivemos,
há temas que se sobrepõem a todos os outros: a estratégia de consolidação
orçamental; a gestão da dívida e a sustentabilidade do Estado social. Um bom
candidato presidencial tem de ser alguém que, desde o início da crise, não
tenha hesitado, nem assumido posições dúbias, em relação a estes três temas:
criticando a austeridade, colocando-se do lado de uma solução europeia para a
dívida e não hesitando na defesa do papel do Estado e das responsabilidades
públicas na proteção social, na educação e na saúde.
Já em relação ao próximo ciclo
político há um grande consenso: a capacidade do país ultrapassar o bloqueio em
que se encontra e de desenvolver uma estratégia reformista gradual, assente num
horizonte de médio prazo, depende de um compromisso político. Nesse sentido, e
tendo em conta que todos os indicadores anunciam uma vitória do PS, um Governo
liderado por António Costa pode ganhar com um Presidente que alargue o seu
espaço de influência, mais do que ter em Belém quem reproduza a base social de
São Bento.
Por tudo
isto, vejo boas razões para se ponderar uma candidatura de Manuela Ferreira
Leite. Aliás, com uma outra vantagem: estamos a falar de alguém que já perdeu
eleições nacionais e as derrotas políticas são um momento de aprendizagem.
publicado no Expresso de Sábado.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
O legado emocional
É possível um jogo de futebol ser intenso, mesmo sem grandes oportunidades de golo ou jogadas com nota artística elevada? O dérbi de ontem está aí para demonstrar que sim.
A marca do Sporting-Benfica foi a forma como, com grande rigor tático e intensidade na disputa do jogo, as equipas foram capazes de bloquear os pontos fortes do adversário. O Benfica do carrossel ofensivo, balanceado para o ataque, não existiu; da mesma forma que o Sporting com um meio-campo dinâmico esteve ausente. Em particular nas faixas laterais, as duas equipas estiveram ausentes ofensivamente. Prova disso é que Salvio e Nani – muito provavelmente os jogadores mais fortes na construção de jogo atacante que as duas equipas tinham em campo – não se viram em jogo.
Desde logo porque o Benfica levou longe de mais uma atitude resultadista, aliás pouco habitual em Jorge Jesus.
Com uma equipa montada com grande competência, em primeiro lugar, para impedir que o Sporting jogasse, o Benfica tentou sempre gerir o resultado e acabou por ter a sorte do jogo – da mesma forma que, minutos antes, também tinha tido azar, sofrendo um golo, num jogo que nessa altura estava controlado. Para o que resta deste campeonato, sobrará o legado emocional. E aí, o Benfica sai com clara vantagem. Não apenas porque mantém uma margem pontual de confiança, mas, acima de tudo, porque um empate com o jogo já a morrer acaba por ser um suplemento de alma para as próximas jornadas.
publicado no Record segunda-feira
O Anti-Jesus
Numa conferência de imprensa mítica, já há uns tempos, Jorge Jesus, como sempre a dizer “coisas certas com as palavras erradas”, perguntava “o que é isso de experiência?”, para logo responder, num jeito inimitável, “experiência é conhecimento”. Talvez essa seja a melhor forma de olhar para o dérbi deste domingo. Um Benfica com mais experiência acumulada, logo com mais conhecimento, que foi capaz de ocultar com organização coletiva a perda de qualidade das individualidades que formam a equipa hoje, por comparação aos anos anteriores.
Houve, por isso, um efeito surpresa. O Benfica de Jesus, que construiu a sua identidade em torno de um futebol de ataque, com transições rápidas, não compareceu em Alvalade. Não estiveram presentes as acelerações no limite da razoabilidade de Salvio pela direita, nem as diagonais da esquerda para o meio, nem sequer o jogo interior rendilhado, a oferecer muitas possibilidades aos avançados. Em parte também por respeito ao Sporting, que é hoje uma equipa mais forte e competente do que no passado recente, o Benfica entrou em campo em modo resultadista.
Ora
aí reside uma inovação. Nas últimas épocas, e em importante medida
porque tinha jogadores que assim o permitiam, o Benfica nunca teve uma
atitude resultadista. Agora, com um plantel sem as mesmas doses de
talento, o treinador prefere contrariar a própria identidade que
construiu e ser um anti-Jesus, secundarizando a qualidade do jogo
ofensivo, em nome de um realismo avisado.
A filosofia parece clara. Se for possível acrescentar nota artística aos resultados, tanto melhor. Se não for, cá estarão os resultados. Esta atitude pragmática era possível no Jesus do passado? Parece-me que não. Mas, afinal, o que é o conhecimento se não experiência acumulada.
publicado no Record de terça-feira
“Why me, Lord?”
"My songs they were on the fringes then, and I think they're on the fringes now."
o resto da angústia da influência por Bob Dylan pode ser lido aqui.
o resto da angústia da influência por Bob Dylan pode ser lido aqui.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Don't be fooled
"All these songs are connected, don't be fooled, I was just opening up a different door in a different kind of way"
"In Johnny Cash’s world of hardcore Southern drama, that kind of thing didn’t exist. Nobody told anybody what to sing or what not to sing."
"Critics say I can’t sing, I sound like a frog. Why don’t critics say that about Tom Waits? Critics say my voice is shot. Why don’t they say that about Leonard Cohen? What have I done to get this special attention?"
Subscrever:
Mensagens (Atom)


