quarta-feira, 22 de abril de 2015
Uma vergonha
Não passa uma semana sem que se ouçam queixas sobre o
ambiente desolador no qual se disputa a maior parte das partidas da 1.ª
Liga. Estádios às moscas, com assistências que ajudam a nivelar por
baixo o campeonato. Pois então experimentem ir a um jogo, fora de um
estádio dos três grandes, e talvez se perceba melhor a razão deste
cenário deprimente. Não e não falo da falta de qualidade de muitos
jogos.
Este fim-de-semana, fiz parte da maré
vermelha que invadiu a superior norte do Restelo e posso testemunhar a
vergonha que foram as condições de acesso e no interior do estádio.
Há
uma semana que era previsível uma enchente de benfiquistas, em
particular naquela zona do estádio. Pouco importa: a entrada foi
preparada em termos completamente desadequados. Duas horas antes do
início da partida, já se formava uma longa fila de acesso, que ninguém
cuidou de organizar. O acesso decorria a passo de caracol, por uma única
porta. Com o aproximar da hora do jogo, tudo se tornou mais caótico,
para culminar num enorme aperto na estreita porta. A crer no ritmo de
entrada de adeptos após o apito do árbitro, a entrada deve ter sido
flexibilizada. Que 25 anos depois de Hillsborough coisas destas se
passem num estádio europeu, é difícil de compreender. Esqueçam a ideia
que o futebol deve também ser um espetáculo para a família, levar
crianças para ali, nem pensar. Lá dentro, as casas de banho não
funcionavam e as cadeiras, ressequidas ao sol, partiam-se ao primeiro
encosto.
Não sei de quem é a culpa, mas minha
e dos outros milhares de adeptos que pagaram bilhete não é certamente. É
preciso ter muita vontade de acompanhar um jogo do clube do coração
para pagar para assistir a um espetáculo naquelas condições. No fim,
fica-se com a sensação de que se está à espera que uma tragédia ocorra
para que depois se gere um movimento de comoção nacional, seguido de
apuramento de responsabilidades.
publicado no Record de ontem
P.S.
o João Gonçalves escreve sobre o mesmo tema aqui.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Caos Criativo
O saxofonista Ornette Coleman disse um dia que o
"jazz é a única música em que a mesma nota pode ser tocada noite após
noite, mas de forma diferente de cada vez". Lembrei-me do criador do
free-jazz quando este fim-de-semana assistia, pela enésima vez, ao
carrossel atacante do Benfica. E a questão é mesmo a repetição do
"carrossel atacante".
Há quatro anos que se
usa a expressão para caracterizar a forma como o Benfica ataca,
envolvendo um grande número de jogadores em movimentações imprevisíveis.
Ora parece-me bem que estamos perante um problema de denominação: se as
movimentações são imprevisíveis não podemos falar de um carrossel – por
natureza uma formação em movimento circular e sem variação.
Quando,
depois de 20 minutos de jogo, a Académica em asfixia implorava por uma
pausa para respirar, ficou, para mim, claro que a gramática à qual
obedece o Benfica não é a de um carrossel, aproxima-se mais do caos
criativo, próprio do jazz. Reparem, há um equilíbrio colectivo, mas que
está ao serviço dos desequilíbrios individuais dos solistas e que radica
num método muito trabalhado, mas quase invisível.
A
agressividade com que o Glorioso encara os jogos não se aproxima do
movimento repetitivo do carrossel. Pelo contrário, o objectivo é sempre
alterar as convenções táticas: como sugeria Coleman, tocar a mesma nota,
mas fazê-lo sempre de forma diferente. Umas vezes, com Lima a cair nas
alas, outras com Gaitán a fletir para o meio, outras com Sálvio na zona
de finalização e, claro está, com Jonas a fazer tudo bem em todo o lado.
Tal
como no jazz, mesmo nas suas variações mais radicais, esta criatividade
pressupõe uma organização que é tão mais complexa e eficaz, quanto mais
invisível e trabalhada. Afinal, nada é tão exigente como uma boa
improvisação.
Resta agora superar um desafio: exibir este caos criativo em todos os palcos e não apenas na Luz.
publicado no Record de terça-feira
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Dylanesca
há 8 anos, com 17 anos, a Laura Marling estreava-se no Jools Holland. Notava-se a idade (ou talvez não).
Ontem, do esplendor dos seus 25 anos, foi lá fazer esta exibição de maturidade.
tenho a certeza que o Bob Dylan, onde quer que esteja, deve gostar disto.
Ontem, do esplendor dos seus 25 anos, foi lá fazer esta exibição de maturidade.
tenho a certeza que o Bob Dylan, onde quer que esteja, deve gostar disto.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Um dia na vida
cumprem-se hoje 45 anos desde o dia em que o mundo ficou a saber que os Beatles tinham acabado.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
A Maré Vermelha
No incontornável "Red Pass" desse benfiquista
emérito que é o João Gonçalves, encontrei um SMS lapidar do Ricardo
Araújo Pereira, ainda a propósito dos tímidos assobios que se fizeram
sentir na parte final do Benfica-Nacional: "Jorge Jesus conseguiu trazer
de volta o Benfica da minha infância: a equipa faz uma grande exibição e
é assobiada. O Benfica voltou."
Nos últimos
anos, perdemos campeonatos de forma inglória, mas, mesmo nas derrotas
dolorosas, abandonámos a atitude condescendente de quem encontra algum
conforto no "quase". Nisso, voltou o Benfica com o qual cresci: uma
equipa viciada em vitórias, para a qual tudo o que não fosse esmagar os
adversários sabia a pouco. Mas também um Benfica que não tolerava
exibições cínicas e resultadistas. No Benfica dos meus anos formativos,
não bastava vencer, era preciso fazê-lo, para utilizar um neologismo,
com "nota artística".
Bem
sei que o Jorge Jesus é um casmurro com poucos paralelos, que continua a
não conseguir montar uma equipa capaz de controlar um jogo com bola, ou
que insiste em não fazer a vontade ao adepto de bancada (digam lá, este
não era o jogo ideal para o Jonathan Rodríguez entrar aos 70 minutos?
Ou para o Gonçalo Guedes aproveitar para brilhar sem pressão?), mas, nos
últimos anos de Benfica, há um antes e depois de Jesus.
O
Gaitán resumiu aliás de forma exemplar o que se passa, quando, no final
do jogo, afirmou que "o Benfica pratica um bom futebol e as pessoas
divertem-se. Isso é o mais importante". Diria que os jogadores
divertem-se e divertem-nos, o que explica o regresso da maré vermelha e,
claro está, dos assobios. Os adeptos habituaram-se a vencer de forma
convincente; agora, os jogadores têm de se habituar à exigência de quem
já não tolera jogos amorfos. O Benfica da minha infância voltou.
publicado no Record de ontem.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Oh Ah Cantona
Quem
tem hoje 40 anos recorda-se onde estava quando viu as imagens do muro
de Berlim a cair ou da tragédia das Twin Towers e, muito provavelmente,
sabe onde primeiro assistiu ao E.T. Cada geração tem um par de imagens
icónicas que ajudam a construir uma memória coletiva que se reproduz ao
longo do tempo. Há coisas que não se esquecem e o futebol não é exceção.
É
certo que há golos memoráveis e jogadas que somos capazes de relatar de
cabeça, mas o futebol perdura não apenas como memória afetiva do jogo
jogado. Sei onde estava quando aconteceram coisas que mudaram o mundo à
minha volta. Da mesma forma que não me esquecerei do lugar e do momento
em que vi Cantona, depois de ser expulso contra o Crystal Palace, a
avançar para a bancada e a lançar com precisão um golpe de Kung-Fu num
adepto que o insultara.
Falo disto porque se
cumpriram 20 anos desse gesto grandiloquente, que mudou o futebol
inglês, enquanto fez de um jogador notável, uma figura icónica.
Cantona
é lembrado pelo seu histórico de vitórias, por ter devolvido o Man.
Utd. a um lugar hegemónico e, até, por se ter estreado pelos red devils
contra o Glorioso, num jogo de homenagem ao Eusébio. Há também quem
sublinhe que foi um dos responsáveis pela alteração do estilo de jogo
inglês, continentalizando-o, numa altura em que a Premier League se
reinventava, tornando-se o fenómeno global que é hoje. Há um antes e
depois de Cantona no futebol inglês.
Pode
tudo ser verdade. Mas, o que recordo desse instante definidor, não é a
imprudência do gesto, o ato de pura indisciplina, é a prova de que o
futebol, na forma como tenta domesticar todos os excessos,
canalizando-os para 90 minutos de regras e táticas, exige, para se
manter vivo, momentos de respiração pura. Tirando a cabeçada de Zidane
na final do Mundial, é difícil recordar-me de outro momento tão icónico
no futebol das últimas duas décadas.
publicado no Record de terça-feira.
Is it worth it?
3 minutos, apresentados como "escapist light entertainment", que voam sem que se dê pelo tempo passar
sexta-feira, 27 de março de 2015
e, até prova em contrário, o disco de 2015 é
que, aliás, pode ser, dylanescamente, resumido assim:
"Who do you think you are?
Just a girl that can play guitar"
quarta-feira, 25 de março de 2015
O problema de sempre
Não restam dúvidas de que o Benfica de Jesus é
temível quando engata aquele carrossel ofensivo que asfixia os
adversários. Também é sabido que se trata de uma formação que, de quando
em quando, é capaz de defender sem bola, para depois lançar contra
golpes letais (foi assim este ano no Dragão). Mas há cinco anos que se
sabe também uma outra coisa: estamos perante uma equipa incapaz de
controlar um jogo com posse de bola. No fundo, o Benfica ou ataca ou
defende sem bola, quando procura pautar o ritmo do jogo, adormecendo-o e
mantendo o controlo da bola, a equipa falha.
Bem
pode Jesus queixar-se da arbitragem, mas em Vila do Conde manifestou-se
uma debilidade que acompanha a equipa há algum tempo: a incapacidade
para gerir uma vantagem. O problema, por estranho que possa parecer, foi
mesmo o golo madrugador. O que não seria problemático caso a equipa
tivesse continuado a atacar, procurando o segundo golo. Mas como, por
motivos insondáveis, a opção foi deixar passar o tempo, quase abdicar de
atacar e fazer uma gestão imprudente da vantagem, no final aconteceu o
que vinha sendo anunciado: a derrota e, de longe, a pior exibição da
temporada.
E,
ao contrário do que foi sugerido nas análises à partida, a mudança do
sentido de jogo não ocorreu apenas na segunda parte. Durante a primeira
metade, já se pressentia um Benfica apático, que pareceu estar sempre a
jogar em inferioridade numérica no meio-campo e que foi incapaz de
esticar o jogo, aproveitando os espaços que um Rio Ave a pressionar alto
oferecia.
Mas como nem tudo pode ser mau,
não só o que se passou no Estádio dos Arcos deve servir como
aprendizagem para os oito jogos em falta (dos quais seis são em Lisboa),
como ao FC Porto faltou o estofo de campeão, que surge precisamente nos
momentos em que é possível aproveitar as falhas dos adversários.
publicado no Record de ontem.
terça-feira, 24 de março de 2015
o terror que há sempre no fundo informulado de uma vida
"(...)
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
(...)"
o resto, que é quasetudo, está aqui
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
(...)"
o resto, que é quasetudo, está aqui
quarta-feira, 18 de março de 2015
O David Luiz
Deixem-me recuar uma semana, pois no futebol há
imagens que perduram e renovam a paixão. Quando, num volte-face, o David
Luiz marcou o golo que dava uma vida adicional a um PSG que tinha tudo
para estar derrotado pelo Chelsea, tive a certeza de estar perante um
desses momentos de reencontro do futebol consigo mesmo.
Mas
não há momento sem contexto e o de Londres era linear. De um lado, um
jogar administrativo, que amarra jogadores talentosos a um modelo que
tem tanto de eficaz como de desinteressante – é este o futebol do
Chelsea de Mourinho; de outro, uma equipa em inferioridade numérica e
que, muitas vezes, não ultrapassa a sua condição de repositório de
craques com contratos milionários.
Provavelmente,
sem um acrescento de drama, o PSG teria sido o amontoado de talento que
teima em ficar aquém das suas capacidades. Ora o drama eram as
circunstâncias pessoais de David Luiz – o defesa que Mourinho viu partir
com um alívio que não se cansou de verbalizar, que participou num
cataclismo futebolístico no último Mundial, regressava a Londres.
Vi,
vezes sem conta, as arrancadas irresponsáveis de David Luiz pelo
meio-campo acima, de bola controlada e com o abismo atrás de si, e sei
que se trata de um jogador que tem o condão de desequilibrar, num só
movimento, a sua equipa e o adversário. É essa atração pelo risco que
faz do brasileiro um jogador singular, que oferece improviso a um
futebol que se deixou burocratizar.
Quando eu
e o meu filho gritámos o primeiro golo do PSG como se fosse do Benfica,
o Vicente, com o olhar ingénuo que tentamos não perder quando vemos um
jogo de futebol, repetiu, perante as celebrações do David Luiz, "Pai,
ele está a dizer Benfica". É muito provável que estivesse. Afinal, o
David Luiz, na sua imprudência tática, ajuda-nos a preservar um olhar
infantil sobre o futebol. É essa a matéria de que são feitos os craques
que não esquecemos.
publicado no Record de ontem
quinta-feira, 12 de março de 2015
Vencer com raça
Durante 45 minutos, em Arouca, num mini-Estádio da
Luz, esteve presente um mini-Benfica. Uma equipa amorfa, sem intensidade
e que pareceu ter ficado tolhida por um duplo erro defensivo de Eliseu
(mais um) na mesma jogada.
Depois, ao
intervalo, e com o espectro da Mata Real a pairar, tudo mudou. E, desta
feita, mesmo com a entrada de Talisca, a diferença não foi de natureza
tática. O que fez diferença foi a atitude. Repare-se, os dois golos
decisivos, que viraram o jogo, resultaram de jogadas de insistência,
onde, primeiro, Lima e, depois, Gaitán, não desistiram, forçaram o erro
adversário, e revelaram o suplemento competitivo que constrói equipas
campeãs.
A vitória em Arouca está aí para
demonstrar que não basta o talento individual, nem sequer a organização
coletiva ou uma eficácia superior nas bolas paradas (onde o Benfica, ao
contrário do habitual, esteve bastante mal) para se vencer campeonatos. É
também necessária uma disponibilidade competitiva capaz de ocultar
insuficiências estruturais (um sector que funciona menos bem) ou azares
circunstanciais (um falhanço individual).
A
este propósito, é sintomático que nos últimos três jogos fora
(Alvalade, Moreira de Cónegos e Arouca), o Benfica tenha sido capaz de
reagir a resultados negativos, invertendo a tendência do marcador. A dez
jornadas do fim, a capacidade de uma equipa vencer na raça é tão
importante como os atributos coletivos e/ou individuais. Além de três
pontos, o Benfica trouxe de Arouca uma atitude competitiva que importa
continuar a alimentar.
PS - O discurso do
colinho, como seria de esperar, já está a dar os seus frutos. Agora, com
tantas queixinhas, antes de apitarem a favor do Benfica, os árbitros
pensam duas vezes. Em Arouca ficaram por assinalar duas grandes
penalidades.
publicado no Record de terça-feira
terça-feira, 10 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
quarta-feira, 4 de março de 2015
Uma corrida a dois
Este fim-de-semana confirmou-se o que era uma inevitabilidade desde o início da temporada: o campeonato é uma corrida a dois. Benfica e Porto são superiores a todas as outras equipas a vários níveis – qualidade individual, organização coletiva e intensidade competitiva. Podem ter dificuldades numa ou outra partida, mas há uma distância significativa entre os dois primeiros classificados e restantes equipas.
O que nos deixa uma certeza: teremos um campeonato disputado e que se decidirá em torno de quatro dimensões – arbitragens; liderança em campo; forma física; e desgaste da Champions.
Muito se tem falado de um Benfica “levado ao colinho”. É uma evidência que semana sim, semana sim, o campeonato é brindado com arbitragens medíocres, mas, quando se fizer a contabilidade final, veremos que no “deve e haver” dos beneficiados teremos um quadro de equilíbrio. O que mudou é que o Porto deixou de beneficiar dos campos inclinados a que se habitou. A forma como as próprias arbitragens vão ser capazes de ficar imunes à pressão do discurso do “colinho” fará diferença.
Durante muito tempo, uma das vantagens do Porto face ao Benfica foi ter uma voz de comando em campo, capaz de funcionar como treinador durante os jogos. Desde a saída de Lucho, o Porto não mais teve um líder dentro do relvado. O Benfica tem Luisão.
Ao
contrário do que se quer fazer crer, não há grandes diferenças entre os
11 titulares. Onde o quadro é menos equilibrado é quando falamos de
segundas linhas. O Porto leva vantagem na qualidade individual do seu
banco. As lesões e a forma física serão, por isso, decisivas. A este
propósito, é uma incógnita o impacto da Champions no Porto. O desgaste
pode fragilizar a equipa, mas bons resultados podem ser um suplemento de
alma adicional.
No fim, a melhor equipa será campeã, pelo que de pouco serve andar, desde já, a ensaiar choradinhos.
publicado no Record ontem
terça-feira, 3 de março de 2015
"but i've given up all attempts at perfection"
queria só dizer-vos que se ouviram o shadows in the night do Bob Dylan e não gostaram (ou, pior, são da opinião que ele não tem voz), o problema é vosso
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
O futuro
Com menos recursos financeiros e com as saídas sistemáticas dos jogadores de maior nomeada, poderíamos ter boas razões para temer pelo futuro imediato do futebol do Benfica. Não vejo motivos para isso. É evidente que enquanto vamos perdendo jogadores de classe mundial (este ano saíram Enzo, Rodrigo e Garay) e mais saídas se anunciam para o verão (Gaitán e Sálvio?), o espectro da diminuição da qualidade é uma ameaça. Mas é também uma oportunidade.
Uma coisa é certa, não regressará o tempo em que, no futebol português, se podia ir buscar valores seguros a outros campeonatos, com vinte e poucos anos, valorizá-los e transferi-los para Espanha e Inglaterra. O Benfica, como aliás o Porto, terão de optar por outro modelo de especialização: trabalhar jovens talentos, nacionais ou importados pouco importa, e esperar que revelem maturidade para darem o salto para o futebol de alta-competição. O risco é maior, mas pode dar certo.
O
problema hoje não é de qualidade potencial dos jovens jogadores. O
desafio coloca-se, no essencial, às estruturas e ao treinador. Saberão
reconverter-se e enfrentar o novo desafio? Será Jorge Jesus capaz de
formar uma equipa competitiva com outro tipo de recursos?
A este propósito, basta atentar no Benfica B. O plantel foi alvo de uma autêntica razia na reabertura do mercado (com o empréstimo de muitos titulares) e, em lugar de a equipa ficar mais fragilizada, apareceu uma nova fornada de jogadores talentosos. Basta ver um jogo dos Bês para se perceber que há ali matéria-prima de primeira apanha. A equipa, é claro, alterna exibições conseguidas com derrotas clamorosas – é o que se espera de quem tem a audácia e a ingenuidade próprias da juventude. Mas, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, o futuro terá de passar pelos jovens. Pelo João Teixeira, pelo Nuno Santos, pelo Hélder Costa, pelo Cristante, pelo Gonçalo Guedes e pelo Jonathan.
publicado no Record de hoje
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