sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Uma ilusão
Uma das transformações mais surpreendentes do futebol português nos últimos anos é de natureza lexical: a palavra “ilusão” (que significa, em português, um engano dos sentidos ou do pensamento) passou a ser utilizada também, e de forma indiscriminada, com o seu sentido castelhano (que é sensivelmente o contrário, uma esperança colocada em algo positivo). Não passa um dia sem que se leia, num jornal desportivo, um jogador a dizer que tem uma grande ilusão em relação ao seu futuro no clube A ou B.
Pois a estreia do Benfica no campeonato pode ser descrita como uma combinação do significado português e castelhano de ilusão. Há motivos para esperança, mas também há indícios de que podemos estar equivocados em relação à temporada que agora se iniciou.
A esperança alicerça-se nos sinais que foram de novo dados de que temos uma organização já consolidada, com princípios de jogo interiorizados e com jogadores capazes de os colocarem em prática. Percebe-se, em muitos momentos do jogo e, essencialmente, na dinâmica entre alguns jogadores (por exemplo, na forma como Salvio e Maxi atacam), que há muito trabalho já feito que não começou ontem. Mais, quando é preciso promover ruturas, a classe da Gaitán, Salvio e Lima emerge; da mesma forma que quando é necessário equilibrar a equipa, Luisão, Rúben e Enzo surgem.
Mas, não nos iludamos, as razões para ceticismo mantêm-se.
Continuamos com uma equipa curta. Há posições chave onde há um verdadeiro vazio – basta recordar que o ano passado tínhamos três avançados com características muito distintas, mas todos de muita qualidade (Cardozo, Rodrigo e Lima), sendo que este ano temos apenas um (Derley pode revelar-se uma aposta interessante, mas ainda não o é); até ver, os reforços não reforçaram, limitaram-se a compensar, com diminuição de qualidade, algumas das saídas; finalmente, há poucas alternativas para muitas posições.
Este Benfica chegou para o Paços de Ferreira, mas o Benfica que vimos, durante o período em que Jara e Talisca coexistiram no corredor central ofensivo, dificilmente vencerá contra adversários mais fortes.
Para já, não nos iludamos, mas continuemos com a ilusão de sempre.
publicado no Record de terça-feira
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
e o carrossel voltou?
Na
primeira parte da Supertaça fomos devolvidos ao Benfica da última
temporada. Uma equipa com uma organização defensiva coerente com a forma
como ataca e com princípios de jogo bem consolidados. Quem tenha visto
aqueles primeiros 45 minutos ficou com a sensação de que o campeão tinha
voltado e com ele o carrossel atacante. Será mesmo assim ou as razões
para estarmos preocupados mantêm-se?
Se bem que o Rio Ave não seja a bitola pela qual o Benfica se deva medir, a verdade é que, depois de uma pré-temporada deprimente, bastou apresentar um onze praticamente só com jogadores da época anterior para regressar uma equipa que parecia uma memória distante. Este facto é, ao mesmo tempo, motivo de tranquilidade e preocupação.
Tranquilidade porque, apesar de todas as convulsões, há uma base que garante qualidade (pelo menos para consumo interno); preocupação porque o sistema de Jesus, que requer muita aprendizagem, precisa de jogadores habituados a pô-lo em prática. Ora, há ainda um risco de perder jogadores dos nove que foram titulares e que vinham da época passada. E, como se viu em Aveiro, a posição 8 é nuclear – e de enorme exigência física, técnica e tática –, pelo que a saída de Enzo é a maior ameaça a pairar sobre a forma como o Benfica joga.
Aliás, já se notaram alguns sintomas de um dilema tático que se colocará ao longo da temporada. Talisca, que durante a pré-temporada jogou na posição de Enzo, apareceu mais avançado. Este sistema, com três jogadores no meio-campo, enquanto equilibra a equipa, retira eficácia na hora de marcar. Não por acaso, não houve capacidade de transformar em golos o carrossel ofensivo.
Mas a maior preocupação continua a ser a ausência de reforços para posições-chaves. Enquanto se andou a comprar Candeias, Djavans e Luís Filipes, não se cuidou de contratar jogadores de qualidade (à cabeça um guarda-redes). Seguindo outros exemplos, uma boa resolução seria transferir vários jogadores para o banco mau e com o seu salário dar um aumento significativo a Enzo. Resolvíamos grande parte dos nossos problemas e podia ser que o carrossel atacante voltasse para ficar.
publicado no Record de ontem
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Estou chocado
A semana passada escrevi aqui que estava assustado com o que a pré-temporada do Benfica anunciava. Apontei três motivos: a incerteza quanto ao que seria o plantel e a ausência de soluções para lugares-chave; a falta de qualidade dos reforços em relação aos jogadores que haviam saído; e ainda um défice de maturidade na equipa. Uma semana depois, nenhum destes problemas foi resolvido (aliás, agudizaram-se) e surgiram novos.
Se a semana passada estava assustado, esta semana declaro-me chocado. Não consigo perceber como é que, a apenas seis dias do início da temporada, o Benfica tem tantos problemas por resolver, sem que se vislumbre uma explicação para a paralisia que se vive na Luz.
O que me surpreende não são as vendas. O que me deixa estupefacto é não terem sido encontradas alternativas em tempo útil. Reparem: desde maio que se sabe que Fejsa não é solução até 2015 e não se cuidou de encontrar um substituto para a posição 6; há um mês que não temos guarda-redes e, desde que Rodrigo foi vendido, em Janeiro, que devíamos ter uma alternativa. Esta ausência de planeamento afigura-se incompreensível.
Entre os reforços, há alguns com qualidade. Mas, convenhamos, uma coisa é integrar Derley, Talisca, Bebé ou Benito numa equipa estável e equilibrada, outra, bem diferente, é lançá-los no meio do caos que é o jogo do Benfica agora. Isto é tanto mais difícil quanto Jesus pede às suas equipas uma organização defensiva que não se aprende no espaço de dias.
No fim, o mais insólito de tudo isto: a crer no que se tem passado, o porta-voz do Benfica é Jorge Jesus. Nas últimas semanas tem sido o único a dar a cara. É altura de os dirigentes explicarem o que se está a passar. Se temos de fazer uma reestruturação financeira, que nos seja dito. Se perdemos ao mesmo tempo três parceiros estratégicos (o BES, Jorge Mendes e o Real Madrid – será que é a venda de Garay que explica a ida de Casemiro para o Porto?), é bom que nos seja explicado. O que não é aceitável é nada sabermos e andar-se a fingir que a senda vitoriosa da temporada transata é para continuar.
publicado ontem no Record.
Ele era perigoso
Quem se senta nas bancadas do Estádio da Luz sabe bem
como, ao longo de sete anos, Óscar Cardozo dividiu os adeptos. Não
passava um jogo sem que se escutassem críticas pela lentidão com que o
paraguaio jogava; pela forma como, alegadamente, estragava a nota
artística do jogo ofensivo do Benfica; ou pelo sem número de
oportunidades fáceis desperdiçadas. Ora, raro era o jogo em que Cardozo
não silenciava os críticos, marcando golos atrás de golos. Temo bem que,
nos próximos tempos, os mesmos que não se cansaram de criticar o
Tacuara chorem e lamentem a sua ausência.
O futebol, como o resto da vida, é muito ingrato. No
caso de Cardozo parece-me, contudo, que era algo mais do que isso que
esteve sempre em causa. Criticar o paraguaio era revelador da
incapacidade de muitos para compreender um jogo de futebol e, acima de
tudo, esquecer o essencial. Cardozo era lento, sim, é verdade, mas
digam-me um jogador com a sua estatura que não o seja; Cardozo falhava
muitos golos, pois sim, na exata medida em que criava para si muitas
oportunidades; Cardozo prejudicava a nota artística, talvez – mas o que
conta no futebol é quem marca mais golos, e o paraguaio estava lá para
isso, com um registo que fala por si (e que não será ultrapassado nos
próximos tempos).
Para mim, Cardozo é, no entanto, mais do que isso. É o
avançado perigoso, que provocava medo nos adversários, e que marcava
golos, com o seu pé esquerdo canhão e infalível, enquanto eu formava os
meus filhos no benfiquismo. Sei que para o Vicente e para a Leonor, o
Cardozo vai ser o que para mim foram o Filipovic e o Nené. Uma memória
inicial dos golos do Glorioso. Também por isso fico-lhe agradecido para a
vida.
(resposta à questão, "vai ter saudades de Cardozo?", publicada ontem no Expresso Digital)
quinta-feira, 31 de julho de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
Estou assustado
Na semana passada, Jorge Jesus tentou tranquilizar-nos, dizendo para não estarmos “assustados por terem saído muitos jogadores, pois vamos fazer uma equipa com a dimensão e a exigência do Benfica”, para acrescentar que “claro que demora um pouco mais de tempo do que o normal”. Percebo o otimismo da vontade do treinador, mas por mais voltas que dê, não consigo deixar de estar assustado. Podia enunciar muitas razões, destaco três.
Incerteza: estamos a 12 dias do primeiro jogo oficial e há demasiadas questões em aberto – desde jogadores para posições-chave que ainda se terão de juntar ao grupo (pelo menos um 6 e um guarda-redes), como muitos outros que podem ainda sair. Este contexto de incerteza faz parte do futebol de hoje, em que grande parte dos passes de jogadores é detida por fundos. Mas, convenhamos, a razia que temos sofrido, bem como o tempo que se tem demorado a encontrar substitutos, tem poucos paralelismos e leva-nos a questionar a capacidade de planeamento do clube.
Imaturidade: a ideia de que se pode construir uma equipa para ganhar campeonatos apenas com jogadores jovens é peregrina. Numa época longa e exigente é necessário talento, mas são igualmente precisos alguns cabelos brancos em lugares decisivos. Por mais futuro que tenham os atletas da formação ou os jovens estrangeiros, sem jogadores capazes de estabilizar emocionalmente a equipa e de ter voz de comando em campo, não se vai lá. Ora, neste momento, só Luisão, Maxi, Rúben e Lima reúnem estas características. A permanência de Enzo é, por isso, fulcral para oferecer maturidade ao meio-campo.
Qualidade: vender é uma lei de ferro do futebol moderno. O problema não foram os jogadores que saíram, mas, sim, o facto de, até ver, os jogadores que saíram serem individualmente muito superiores aos que entraram (Rodrigo por Derley; Garay por César; ou, pior, Enzo por Talisca; já para não referir que Candeias e Pizzi juntos não fazem um Markovic). Como bem sublinhou Jorge Jesus, “só trabalho não chega, tem de haver qualidade”.
publicado no Record
quarta-feira, 23 de julho de 2014
O tempo urge
Das duas uma, ou o planeamento de uma temporada não serve para nada, e
então não há nenhum problema na forma como o Benfica preparou 2014/15,
ou, de facto, é fundamental preparar com tempo cada época e o que se
anuncia é motivo para muitas preocupações.
Parece-me que era uma inevitabilidade o Benfica ver a sua equipa desmantelada após o sucesso da temporada anterior. Tirando a “venda” que continua por explicar de Garay, todos os outros negócios eram irresistíveis. O que espanta não é a corrida à equipa titular do Benfica, mas, sim, o facto de estarmos a caminhar rapidamente para o início da nova época e não se ter cuidado de encontrar substitutos à altura com tempo. Há demasiadas incertezas em relação a quem fica e, pior, lacunas gritantes para lugares chaves. Se é possível começar a trabalhar com um guarda-redes a uma semana do início da competição ou formar um meio-campo novo em dez dias, então tudo o que se diz sobre planeamento no futebol é falso. Por este andar, vamos ter de esperar pela véspera da Supertaça para ter um jogador para a posição 6 e outro para a 8 (Talisca, sejamos realistas, é, apenas, um projeto de jogador).
Já tivemos plantéis desequilibrados e repletos de jogadores de qualidade duvidosa. O que não me lembro é de termos assistido a uma debandada tão grande da equipa titular e a uma diminuição tão significativa da qualidade individual dos jogadores do Benfica, como está a acontecer neste defeso. Se nada mudar nos próximos dias, a nota artística do último ano ficará guardada no baú das memórias.
Este quadro é tão mais preocupante quanto o que nos foi sendo dito é que para quebrar a hegemonia do FC Porto era necessário vencer o campeonato mais do que um ano seguido. Se estamos perante uma reestruturação financeira, que terá evidentes implicações desportivas, era preferível assumi-lo. O silêncio da direção do Benfica em relação ao que se está a passar nesta pré-temporada é ensurdecedor – a menos que esteja a ser preparada a tirada de dois ou três craques da cartola nos próximos dias. O tempo urge.
publicado no Record de ontem
Parece-me que era uma inevitabilidade o Benfica ver a sua equipa desmantelada após o sucesso da temporada anterior. Tirando a “venda” que continua por explicar de Garay, todos os outros negócios eram irresistíveis. O que espanta não é a corrida à equipa titular do Benfica, mas, sim, o facto de estarmos a caminhar rapidamente para o início da nova época e não se ter cuidado de encontrar substitutos à altura com tempo. Há demasiadas incertezas em relação a quem fica e, pior, lacunas gritantes para lugares chaves. Se é possível começar a trabalhar com um guarda-redes a uma semana do início da competição ou formar um meio-campo novo em dez dias, então tudo o que se diz sobre planeamento no futebol é falso. Por este andar, vamos ter de esperar pela véspera da Supertaça para ter um jogador para a posição 6 e outro para a 8 (Talisca, sejamos realistas, é, apenas, um projeto de jogador).
Já tivemos plantéis desequilibrados e repletos de jogadores de qualidade duvidosa. O que não me lembro é de termos assistido a uma debandada tão grande da equipa titular e a uma diminuição tão significativa da qualidade individual dos jogadores do Benfica, como está a acontecer neste defeso. Se nada mudar nos próximos dias, a nota artística do último ano ficará guardada no baú das memórias.
Este quadro é tão mais preocupante quanto o que nos foi sendo dito é que para quebrar a hegemonia do FC Porto era necessário vencer o campeonato mais do que um ano seguido. Se estamos perante uma reestruturação financeira, que terá evidentes implicações desportivas, era preferível assumi-lo. O silêncio da direção do Benfica em relação ao que se está a passar nesta pré-temporada é ensurdecedor – a menos que esteja a ser preparada a tirada de dois ou três craques da cartola nos próximos dias. O tempo urge.
publicado no Record de ontem
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Um quotidiano previsível
Adepto que se preze gosta do defeso. É por esta altura que todos os sonhos são possíveis: que vislumbramos no “8” que vimos no YouTube o craque que, lá para abril, vai decidir o título; que fantasiamos com o ponta-de-lança letal, mas de técnica apurada, que finalmente chegará; e que temos a certeza de que vamos descobrir a próxima pérola africana, um avançado explosivo, de remate potente. Este presente de ilusões artificiais alimenta, como poucas outras coisas, a paixão pelo futebol. Por esta altura, deixamos que as manchetes de jornais nos mintam, como que para prolongar um sonho que sabemos que nos afasta da realidade.
Eu quero acreditar em todas as contratações do Benfica, mover-me por uma fé que anuncia um futuro de novas glórias e de novos talentos. Mas é também chegado o momento de reclamar por uma pré-temporada que se inicie com uma estrutura estável, com os mesmos jogadores do ano anterior. Como benfiquista tenho direito a, exijo mesmo, um quotidiano previsível.
Reparem, não estou a dizer que gostava que os jornais desportivos parassem de me iludir. Quanto a isso, a minha disposição é a de sempre: prefiro ser o último a descobrir a verdade. Para que vejam, ainda acredito que o Klinsmann vai jogar no Benfica e que é desta que o Ulf Kirsten assina. A questão é outra. Podem entrar jogadores e, com alguma razoabilidade, até estou disponível para aceitar algumas vendas – desde que, claro está, acima dos 20 milhões. O que não aceito é que se desmantele uma equipa de um momento para outro.
O assunto é bem sério. Como muitos outros pais, tenho responsabilidades acrescidas. Estou a educar duas crianças no benfiquismo e preciso de referências estáveis, que lhes transmitam valores seguros. Não posso garantir aos meus filhos que o Oblak vai ser o melhor guarda-redes do Mundo, explicar-lhe que devemos confiar sempre nas decisões do Enzo e anunciar-lhes que este vai ser o ano da afirmação do Markovic e, subitamente, a minha palavra perder valor, porque nada do que lhes prometi se vai confirmar.Senhor presidente, pense também nisto.
publicado ontem no Record
segunda-feira, 7 de julho de 2014
O Johnny Cash teria gostado muito disto
passou-me completamente ao lado o disco de estreia do John Murry - não quero que vos suceda o mesmo
terça-feira, 1 de julho de 2014
Anos de imaturidade
Nasci em 74, pouco antes do verão. Cumpro por estes dias 11 anos. Talvez esta seja a melhor explicação para todas as coisas. Não somos a idade que temos, mas o número de Mundiais que vivemos.
Já intuía que assim era, mas a confirmação tive-a num vídeo da revista espanhola “Líbero”. Uma revista notável, com uma campanha notável, organizada sob o lema “se te explicam com futebol, percebes”.
No último dos vídeos da série, em breves 70 segundos, veem-se homens infantilizados, que choram de tristeza, esbracejam, choram de alegria e se revelam insensíveis a tudo o que os rodeia. Toda a atenção está centrada num televisor onde, somos levados a crer, passa um jogo de futebol. Enquanto percorrem as imagens, uma voz em tom de lamento, como se estivesse a admitir uma falha de comportamento que não tenciona superar, reconhece: “Há uma coisa que nos diferencia substancialmente das mulheres: amadurecemos mais devagar. Até quando somos adultos, somos menos adultos. Aceitemo-lo, vivemos de Mundial em Mundial. Por isso amadurecemos mais devagar. Quatro anos mais devagar.”
Se amadurecemos ao ritmo dos Mundiais, o mês que estes duram é de celebração dos nossos aniversários – são semanas de festa, desprovidas de sofrimento. A dor e a ansiedade regressarão não tarda, com os campeonatos nacionais e a paixão clubística. Este momento é distinto: é um mês de prazeres pueris, de horas roubadas ao trabalho, à família e ao sono. Um mês em que nos celebramos e nos entregamos com deleite egoísta ao televisionamento de todos os jogos.
Peço desculpa, as contas da “Líbero” nem sequer estão corretas. Em teoria, nasci em maio de 74, pelo que não estava ainda desperto para o Mundo durante o Mundial da Alemanha e não guardo memória do que se passou na Argentina. Para todos os efeitos, nasci em Espanha, em 1982, ao longo de tardes de verão, e fui formado na derrota da aproximação romântica que o Telé Santana ofereceu ao futebol, com o escrete onde coexistiam Zico, Falcão, Sócrates, Cerezo, Júnior e Éder. Desde então, não falhei um único Mundial.
Sendo assim, estou a cumprir 9 anos. O que ajuda a compreender tudo o resto.
publicado hoje no Record.
(entrenta a Líbero desenvolveu o teste que faltava: quantos mundiais de vida te restam?)
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Portugal: a childhood ended
"(...) I went through my formative years (rightly) thinking that the whole
reality could be encapsulated in the dramatic tension arising from the
clash between eleven superheroes (Benfica’s players) and their
opponents. I felt no need to become a Star Wars geek or get interested
in Marvel comic-book characters. For me, football matches provided all
answers. Benfica became my idea of morality and, aesthetically, I
believed that nothing could overcome Chalana’s dribbling skills or
Nené’s swift pace. That’s the boy I was then, and still is a major part
of who I am today.
In 1982, I was also facing a dramatic quandary. There were no Benfica players involved in the World Cup, so I didn’t know which team to support. (...)"
A Al-Jazeera convidou 32 adeptos dos 32 países participantes a escreverem um texto sobre a sua relação com o Mundial. Calhou-me a mim escrever sobre Portugal, isto é, escrever sobre o Benfica. O texto, em inglês técnico, pode ser lido aqui.
In 1982, I was also facing a dramatic quandary. There were no Benfica players involved in the World Cup, so I didn’t know which team to support. (...)"
A Al-Jazeera convidou 32 adeptos dos 32 países participantes a escreverem um texto sobre a sua relação com o Mundial. Calhou-me a mim escrever sobre Portugal, isto é, escrever sobre o Benfica. O texto, em inglês técnico, pode ser lido aqui.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
Uma conversa com St. Vincent
Aos
31 anos, é uma das vozes mais singulares da música contemporânea. Uma espécie
de reincarnação sob a forma de anjo de Jimi Hendrix. Ao quarto álbum,
sintomaticamente, homónimo, Annie Clark, melhor dizendo St. Vincent, tem uma
música desafiante que
desperta fantasmas, combinada com uma linguagem visual muito marcante.
Deu
um dos grandes concertos do Primavera Sound na passada semana, no Porto, e
antes de subir ao palco, estive à conversa com ela. Uma entrevista que pode ser escutada aqui.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
Enzo, o lúcido
A história do Benfica está cheia de jogadores insubstituíveis. De cada vez que se fala da saída de um jogador decisivo, logo surge o espetro do desmantelamento da equipa. Nem é preciso recuar muito no tempo, basta recordar o que se disse quando, em janeiro, Matic foi vendido – “a equipa ia ficar defensivamente desequilibrada”; “não existiam substitutos à altura”, e por aí fora. Sabemos bem o que aconteceu: a equipa (re)equilibrou-se, deixou de sofrer golos e vencemos tudo o que havia para vencer em Portugal.
Agora que é quase certo que Enzo Pérez nos vai abandonar, a questão volta a colocar-se.
Devo a este propósito fazer uma confissão: quero muito acreditar nas qualidades do departamento de scouting, na capacidade de Rui Costa para identificar craques em potência e na forma como Jorge Jesus melhora os jogadores que treina. Mas, por agora, vivo de facto uma angústia: como é que vamos manter o sistema atual, só com dois médios, sem um 8 como o Enzo?
Não sei. O sistema de jogo do Benfica exige da posição 8 mais do que de qualquer outra. Com Jesus, o 8 tem de ser forte a marcar, compensar as subidas dos extremos e ainda pautar o ritmo do jogo. Com lucidez tática, foi o que Enzo fez invariavelmente. Agressividade a ocupar espaços e uma capacidade ímpar de decidir sempre bem – umas vezes temporizando para sofrer falta, outras saindo a jogar e ainda outras com passes em profundidade. Quando for preciso ver vídeos de como se joga a 8, bastará ver um “best of” de Enzo. Mas há também o lado emocional. Num mês de maio que não esqueceremos, Enzo sofreu como nós e no seu rosto vi estampada uma angústia absoluta. Sei bem que, depois, foi dos primeiros a levantar a cabeça e que, em cada bola disputada, colocou toda a raiva acumulada na temporada passada.
Estou certo que tudo vai correr pelo melhor e que um destes jogadores que nem do YouTube consta vai revelar-se um craque estratosférico. Até lá, sofro com o vazio anunciado da camisola 35 e agradeço-te, Enzo, por teres sido um benfiquista como nós.
publicado no Record de ontem
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Os matraquilhos
Passa
o tempo e há hábitos que persistem. Escrevinhar equipas do Glorioso em pedaços
de papel: o onze da semana; o onze ideal; a equipa de sonho. Qualquer pretexto
serve. Levo anos disto. Cadernos da escola repletos, mensagens trocadas com
amigos. Jogadores alinhados, com setas a indicar as movimentações – o médio
direito fecha por dentro, os avançados defendem horizontalmente, o extremo
esquerdo procura zonas exteriores. A vida pode bem ser a continuação do futebol
por outros meios.
Se assim é, o que nos resta fazer quando não estamos a ver futebol? Escrevinhar equipas de sonho e ... jogar matraquilhos. Aproximações possíveis ao prolongamento do jogo, mas também superações nostálgicas e materiais da ausência de futebol jogado.
Num notável filme de animação (Os matraquilhos), o realizador argentino Juan José Campanella, vencedor do Óscar para melhor filme estrangeiro com “O segredos dos seus olhos”, adepto do Racing Club, concedeu finalmente vida aos rapazes de ferro, libertando-os das amarras do campo fechado.
A metáfora é exata e percorre o caminho iniciado por um adolescente galego, Alejandro ‘Finisterre’, em plena Guerra Civil espanhola. Ferido e hospitalizado, imaginou uma forma de tornar possível continuar a jogar futebol, mesmo não podendo. Assim nasceram os matraquilhos como os conhecemos: jogadores de ferro (e não o sucedâneo de plástico rígido que impera em muitos países), campos que com o tempo ganham lastro pegajoso e bolas cheias de lanhos, conquistados à custa de ruidosos ressaltos.
A palavra a Amadeu, protagonista do filme, um miúdo com um talento sem paralelo para jogar matrecos. Num momento em que todos os falhanços da sua vida parecem convergir e rodeado de jogadores de matrecos que entretanto ganharam vida, confessa resignado – “desperdicei a vida a jogar matraquilhos”. Num daqueles volte-face só ao alcance dos filmes de animação, é-nos devolvida uma lição de vida: “vamos buscar os rapazes de ferro. Tudo o resto vai-e-vem”. Tal e qual. Afinal, “o futebol é lindo. Sabes como é: tudo pode acontecer”.
publicado ontem no Record
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Um tempo estranho
Fazer canções com títulos roubados a outras grandes canções não é para qualquer um. Diria mesmo que é de mulher. Pois foi o que Keren Ann fez, um strange weather que não é o da Marianne Faithful. Agora Anna Calvi juntou-se ao David Byrne e tomaram conta do original da Keren Ann. Essa coisa da angústia da influência existe mesmo e traz chuva.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
A nossa Paula Rego
Jorge Jesus ainda vai ganhar muitos títulos e perder outros tantos. É este o destino de um treinador competente. Como sabemos, será incensado nas vitórias, e como o próprio confessou, ao recordar a subida da escadaria do Jamor no ano passado, após a derrota com o V. Guimarães, será, muitas vezes, insultado. Quando se fizer o balanço, estou certo que se fará justiça.
Nas vitórias e nas derrotas, haverá uma dimensão da sua carreira que ficará para os anais da história. Passarão muitos treinadores pelo Benfica, alguns – poucos – com mais sucesso, mas nenhum será capaz de fazer das conferências de imprensa momentos como os que Jesus nos oferece. Não o digo com ironia.
Claro que o modo como Jesus fala se presta a alimentar a inspiração infindável dos humoristas, mas arrisco afirmar que nunca ninguém em Portugal falou de forma tão atabalhoada para dizer sistematicamente coisas tão acertadas. Como o próprio disse, num vídeo mítico, trata-se de “dizer coisas certas com palavras erradas”.
O pináculo das declarações de Jesus à comunicação social foi atingido recentemente, com a referência a Paula Rego, após a vitória na final da Taça. Para Jesus, o trabalho de um treinador compara-se ao de um artista: um trabalho invisível que torna possível a criação de um todo, ao mesmo tempo, harmonioso e belo (a nota artística). Ao contrário do que pode parecer, Jesus não estava a sublinhar as virtudes da ética do trabalho. O ponto era outro: a competência de uma equipa tem necessariamente uma dose de inspiração individual, mas no essencial só muito trabalho discreto é que cria espaço para que o talento se possa revelar.
Em todo este episódio houve um lado igualmente simbólico – a visita que Jesus fez à inauguração de uma exposição de Paula Rego. Num abraço terno, ficou retratado o lado congregador e universal do Benfica. De um lado, a sofisticação de recorte pueril mas aterrador da pintura de Paula Rego; de outro, a sabedoria popular mas repleta de ensinamentos subtis de Jesus. A grandeza única do Benfica também radica nesta combinação de opostos.
publicado no Record de ontem.
terça-feira, 27 de maio de 2014
A realidade
A realidade é tramada. Se no domingo em lugar de embandeirar em arco com uma não vitória, Seguro tivesse feito uma leitura realista dos resultados, hoje não estaríamos aqui. Mais, se na segunda, perante 31% dos votos, não tivesse reforçado apelos para eleições antecipadas ou, pior, sugerido que ia pedir uma audiência ao Presidente, a sua situação agora não seria a mesma. O pior é que, no domingo, os militantes que já andavam com dúvidas se "com este chegávamos lá", ficaram mesmo convencidos que o "PS não ia lá" e que o risco de derrota nas legislativas era real.
Depois, o inevitável aconteceu. Os mesmos militantes que apoiaram esmagadoramente Seguro há três anos, que há um ano e meio convenceram Costa que, com autárquicas à porta e com o partido todo organizadinho por esse país fora, o melhor era recuar, encarregar-se-ão, agora, de apoiar em igual número Costa.
O que é que resta a Seguro fazer? resistir. O problema é que o cerco político dos militantes, da opinião pública (as sondagens) e da opinião publicada revelar-se-á de tal forma intenso que Seguro terá mesmo de ceder. Até porque não tem alternativa. Como é evidente, se por absurdo resistisse até ao fim, chegaria às legislativas com um défice de legitimidade devastador. Imaginem qual seria o resultado de um candidato a primeiro-ministro que se apresentava aos portugueses apenas porque se tinha refugiado num formalismo. A realidade é uma merda, mas é com ela que temos de lidar.
Depois, o inevitável aconteceu. Os mesmos militantes que apoiaram esmagadoramente Seguro há três anos, que há um ano e meio convenceram Costa que, com autárquicas à porta e com o partido todo organizadinho por esse país fora, o melhor era recuar, encarregar-se-ão, agora, de apoiar em igual número Costa.
O que é que resta a Seguro fazer? resistir. O problema é que o cerco político dos militantes, da opinião pública (as sondagens) e da opinião publicada revelar-se-á de tal forma intenso que Seguro terá mesmo de ceder. Até porque não tem alternativa. Como é evidente, se por absurdo resistisse até ao fim, chegaria às legislativas com um défice de legitimidade devastador. Imaginem qual seria o resultado de um candidato a primeiro-ministro que se apresentava aos portugueses apenas porque se tinha refugiado num formalismo. A realidade é uma merda, mas é com ela que temos de lidar.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Dona Inércia, Barroso e a Mudança
Como gostam de dizer os líderes partidários nas noites eleitorais, o resultado das europeias tem um significado político claro - os portugueses já deixaram de apoiar a dupla Passos/Portas e não acreditam na mudança prometida por Seguro. No fundo, os portugueses revelam um enorme bom senso.
Um resultado tão expressivo, combinado com apelos para que o Presidente tire as devidas ilações, tem, para já, apenas uma consequência, aliás igual para PSD/CDS e para PS. Quer ao líder do Governo, quer ao líder da oposição, resta fazer uma coisa nos próximos tempos: resistir.
A derrota colossal dos partidos da coligação - com um resultado bem mais lisonjeiro, Barroso emigrou para Bruxelas - não correspondeu a ganhos significativos do PS. Se excluirmos as eleições atípicas de 1985 (as do PRD), nunca tão poucos portugueses escolheram votar nos três partidos que tiveram responsabilidades governativas (60%). Imaginemos, por absurdo, um governo de bloco central (alargado ao CDS) mas com menos de 2/3 dos votos. Afinal, a resiliência do sistema partidário português revelou-se bem menor do que sugeriam as últimas sondagens. A trajectória de erosão do centro - que já vai bem avançada nos outros países da Europa do sul - não marcou passo em Portugal. Pelo contrário, consolidou-se uma tendência que já se tinha feito sentir nas autárquicas e até nas presidenciais. O descontentamento face aos três partidos escolheu a via da fragmentação. Os eleitores dividiram-se entre Marinho Pinto, o Livre, o PAN e os 250 mil brancos e nulos.
Se a Dona Inércia se tem candidatado, teria tido um resultado estrondoso. No fundo, a Dona Inércia ganhou.
Mas quem resumiu bem a noite eleitoral foi o nosso José Manuel Barroso quando anunciou à Europa ser "extremamente importante que as forças políticas que lideraram e apoiaram os passos fundamentais da resposta europeia à crise, na globalidade, venceram uma vez mais". Numa noite com tantos, em Portugal e na Europa, em estado de negação, deve ser difícil encontrar uma declaração mais delirante.
Um resultado tão expressivo, combinado com apelos para que o Presidente tire as devidas ilações, tem, para já, apenas uma consequência, aliás igual para PSD/CDS e para PS. Quer ao líder do Governo, quer ao líder da oposição, resta fazer uma coisa nos próximos tempos: resistir.
A derrota colossal dos partidos da coligação - com um resultado bem mais lisonjeiro, Barroso emigrou para Bruxelas - não correspondeu a ganhos significativos do PS. Se excluirmos as eleições atípicas de 1985 (as do PRD), nunca tão poucos portugueses escolheram votar nos três partidos que tiveram responsabilidades governativas (60%). Imaginemos, por absurdo, um governo de bloco central (alargado ao CDS) mas com menos de 2/3 dos votos. Afinal, a resiliência do sistema partidário português revelou-se bem menor do que sugeriam as últimas sondagens. A trajectória de erosão do centro - que já vai bem avançada nos outros países da Europa do sul - não marcou passo em Portugal. Pelo contrário, consolidou-se uma tendência que já se tinha feito sentir nas autárquicas e até nas presidenciais. O descontentamento face aos três partidos escolheu a via da fragmentação. Os eleitores dividiram-se entre Marinho Pinto, o Livre, o PAN e os 250 mil brancos e nulos.
Se a Dona Inércia se tem candidatado, teria tido um resultado estrondoso. No fundo, a Dona Inércia ganhou.
Mas quem resumiu bem a noite eleitoral foi o nosso José Manuel Barroso quando anunciou à Europa ser "extremamente importante que as forças políticas que lideraram e apoiaram os passos fundamentais da resposta europeia à crise, na globalidade, venceram uma vez mais". Numa noite com tantos, em Portugal e na Europa, em estado de negação, deve ser difícil encontrar uma declaração mais delirante.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
nunca ter medo do óbvio
Num belo texto sobre os 20 anos do Definitely Maybe (prefiro nem pensar na efeméride), o Noel é citado dizendo que "nunca devemos ter medo do óbvio pois tudo já foi feito antes". Como já andava há umas semanas para falar sobre isto, foi o pretexto adequado. O isto é o concerto de tributo ao disco do Gene Clark, "No Other". Quem é o Gene Clark? e o que é o "No Other"? Até há umas semanas, não fazia ideia. Foi um dos membros dos The Byrds que, ao contrário do Roger McGuinn, teve uma carreira mais discreta. Já o "No Other" é um disco meio perdido, produto de uma daquelas excentricidades de estúdio em que os setenta foram profíquos, e que a editora pouco promoveu. Pois o disco é uma pérola e foi (re)tocado na íntegra por um combo de all-stars. Está aqui para audição/visionamento integral e, no essencial, é isto: serve para mostrar que muitos dos disquinhos que agora incensamos já foram feitos e não trazem nada de novo (não vejo nisso nenhum problema). Moral da história: razão tem o Noel com a sua sabedoria popular.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
É bonita a festa, pá!
Não há nenhuma racionalidade
nisto: a verdade é que não sou entusiasta do novo Estádio da Luz. É
indiscutível que ganha em conforto e segurança, que se entra e sai com mais facilidade.
Ninguém duvida. Mas tenho nostalgia do banco de pedra corrido, da chuva que nos
apanhava desprevenidos e, claro, do célebre movimento dos “sócios de avançada”,
que ao intervalo se deslocavam de um lado para outro da bancada para acompanhar
os ataques da equipa.
O
velho estádio já não existe, mas guardo um fascínio por essa ruína de um
passado que não volta. Sei bem o que procuro nessa memória: o que lá vi –
caminhadas hegemónicas do Glorioso rumo a títulos – e o que lá vivi. Havia um
miúdo (na verdade éramos muitos) que esperava na ponte que dava acesso à
entrada do 3º anel para entrar no estádio à boleia de um adulto. Quando vou ao
futebol, vou sempre à procura daquela criança que, na velha Catedral, descobriu
uma mão-cheia de super-heróis e se deixou prender para sempre às camisolas
vermelhas.
Hoje,
ninguém me tira o prazer das idas religiosas ao Benfica, mas em nenhum outro
estádio me reencontro com o futebol que descobri na infância como no Jamor.
A Taça tem um encanto
particular por ser o culminar da época, por alimentar os sonhos dos “tomba
gigantes” e pelo prazer de traçar um perímetro na mata e, depois, durante horas,
ficar por ali a antecipar o início do jogo, em patuscadas sem fim. Parte
importante da festa da Taça está nessa inclinação democrática e popular. Mas não
é apenas isso que explica o fascínio que guarda quem já esteve no Jamor e, mais
ainda, viu a sua equipa a trazer o “caneco”.
A Taça é a Taça porque a
final é disputada no Estádio Nacional, um lugar como já não há – memória viva
de um ambiente cénico que, em duas décadas, desapareceu do futebol. É também isso
que me faz levar o meu filho, pela mão, ao Jamor. É a forma que tenho de lhe
mostrar o futebol como o conheci no início da década de oitenta.
publicado no Record hoje.
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