a propósito deste video, escrevi este texto
åΩ
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
A identidade do Benfica
O Benfica entrou em Braga a jogar sobre brasas. O jogo foi lançado como
sendo decisivo para a equipa (que perdendo ficaria, alegadamente,
afastada da corrida ao título) e, ainda mais, para o treinador (uma nova
derrota seria, era sugerido, o fim da linha para Rui Vitória). Não me
parece que nenhuma das conjeturas fosse válida. Em todo o caso, o
Benfica jogou contra fantasmas pré-anunciados e, mesmo continuando a
revelar fragilidades, ganhou com justiça. E venceu num terreno onde o
Benfica dos últimos anos teve sempre bastantes dificuldades.
Em Braga, apresentou-se uma equipa mais próxima da ideia de jogo de Rui Vitória. Em lugar da indefinição tática que tem assolado o Benfica, desta feita a opção foi por um sistema que permitiu ter superioridade numérica constante no centro do terreno e que procurou anular o jogo interior do Braga.
Mas não tenhamos ilusões: o resultado foi melhor do que a exibição e a pressão alta - muito por força da altíssima rotatividade de Renato Sanches - serviu para ocultar os crónicos problemas de posicionamento defensivo da equipa. Quando o Benfica teve energia para forçar perdas de bolas do Braga, o jogo correu de feição. O pior foi quando a equipa se encolheu, entregou a iniciativa ao Braga e expôs as suas debilidades.
Para memória futura ficará, contudo, a confirmação de que Renato Sanches pode bem ser o elo de ligação que faltava no meio-campo do Benfica. Resta agora consolidar uma identidade tática que ajude a afirmação plena dos jovens talentos. O que tem faltado desde agosto.
publicado no Record de terça-feira
Em Braga, apresentou-se uma equipa mais próxima da ideia de jogo de Rui Vitória. Em lugar da indefinição tática que tem assolado o Benfica, desta feita a opção foi por um sistema que permitiu ter superioridade numérica constante no centro do terreno e que procurou anular o jogo interior do Braga.
Mas não tenhamos ilusões: o resultado foi melhor do que a exibição e a pressão alta - muito por força da altíssima rotatividade de Renato Sanches - serviu para ocultar os crónicos problemas de posicionamento defensivo da equipa. Quando o Benfica teve energia para forçar perdas de bolas do Braga, o jogo correu de feição. O pior foi quando a equipa se encolheu, entregou a iniciativa ao Braga e expôs as suas debilidades.
Para memória futura ficará, contudo, a confirmação de que Renato Sanches pode bem ser o elo de ligação que faltava no meio-campo do Benfica. Resta agora consolidar uma identidade tática que ajude a afirmação plena dos jovens talentos. O que tem faltado desde agosto.
publicado no Record de terça-feira
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
O mal do Benfica
As
derrotas do Benfica com o Sporting e, pior, as exibições lastimáveis não foram
fortuitas, nem muito menos provocadas por erros de arbitragem. Têm razões
estruturais, que nasceram numa época com um planeamento desastroso, e são um sintoma
de um mal maior.
Há,
pelo menos, três pecados originais a marcarem o Benfica 2015-16: a gestão da
saída de Jorge Jesus; a formação do plantel e a indefinição do sistema de jogo.
Se
o Benfica queria mudar de treinador, devia tê-lo assumido, em lugar de fingir
que quis manter Jesus; se estávamos perante um ano de transição competitiva,
com a aposta em jovens, devia ter sido dito, em vez de se disfarçar que Rui
Vitória teria – cito as garantias dadas por Vieira na apresentação do novo
treinador – “as mesmas condições que outros
tiveram”; se era chegada a altura de mudar o sistema de jogo, a opção tinha de
ser tomada integralmente e não deixar a equipa no limbo tático em que se
encontra.
Aliás, talvez nem seja necessário
complexificar muito. A diferença do Benfica deste ano para o de Jesus é o
efeito combinado de menor qualidade do plantel e ausência de uma ideia de jogo
enraizada. Nas épocas anteriores, o Benfica foi tendo jogadores de muita
qualidade, este ano, aprofundou-se o declínio que já vinha da época passada.
Acima de tudo, no passado, existia uma ideia de jogo perceptível, agora esses
princípios eclipsaram-se e no seu lugar vê-se uma equipa que joga sem critério
e que, custa a decidir, não sei se é pior a defender ou a atacar.
publicado no Record de terça-feira
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
O sentimento de um Ocidental
Muitos
já terão visto o momento do França-Alemanha em que uma das bombas explode à
porta do Stade de France. Patrice Evra, que conduz a bola no seu meio-campo
defensivo, faz um ar de espanto, que se transforma numa expressão de um certo
desdém, para logo depois atrasar a bola. O jogo prossegue e a França acaba por
sair vitoriosa. Hoje, o resultado não importa, o que não quer dizer que o jogo
não tenha sido relevante. Pelo contrário.
Tendo
em conta o que se sabia estar a acontecer em Paris, pode ter sido tentador
interromper a partida ou até cancelar os vários jogos previstos entre seleções
para o dia seguinte. Teria sido um erro.
Se
houve uma intenção clara nos atentados de sexta-feira foi impedir que
desfrutemos em conjunto do prazer de ver um jogo de futebol num estádio, de
assistir a um concerto de rock numa sala irrespirável ou, apenas, que nos
juntemos, homens e mulheres, para beber uns copos.
É
um daqueles casos em que a vida, aliás, pode aprender com o desporto. No futebol,
o melhor que uma equipa pode fazer se quiser ajudar o adversário é adaptar o seu
sistema de jogo. Com o terrorismo não é diferente: não há pior sinal do que
ceder a quem se rege pelo culto bárbaro da morte.
Podemos,
como Evra, por momentos atrasar a bola; só que, logo depois, com a mesma
expressão do francês, resta-nos voltar a atacar e impor a superioridade do
nosso modelo de jogo: encher estádios, beber álcool e gostar de rock’n’roll.
Prazeres que o fanatismo religioso veda a alguns, mas que, nunca devemos
esquecer, fazem parte do culto da alegria, um dos alicerces da nossa
civilização.
publicado no Record de terça-feira
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Nicodependentes
É um erro confundir resultados com exibições e,
ainda mais, ver nas vitórias o espelho de uma equipa organizada e com
princípios de jogo enraizados. O Benfica venceu com facilidade um
Boavista medíocre mas revelou uma ideia de jogo frágil e assente em
rasgos individuais. Continua, por exemplo, a ser preocupante a
incapacidade dos dois jogadores de meio-campo para transportar a bola.
Já foram testadas várias duplas de centro campistas e o problema
persiste.
Mas não se pense que a raiz do problema está nos dois jogadores do meio-campo. A questão parece-me mais vasta.
O
que se tem visto é um Benfica crescentemente dependente da capacidade
de Nico Gaitán inventar oportunidades de golo. Isto não seria um
problema caso a equipa estivesse organizada para fazer sobressair Gaitán
e Jonas – os dois jogadores que melhor combinam qualidade com
maturidade no Benfica atual. Não parece que seja assim. Como se viu
contra o Boavista, com um Jonas menos exuberante fisicamente, Gaitán
brilha muito, mas em jogadas individuais capazes de desatar o jogo. Não é
a equipa que arrasta Gaitán, é Gaitán que arrasta a equipa.
A
Nicodependência podia não ser um problema, mas é, na medida em que é
sintoma de uma equipa com poucas ideias no jogo atacante. Mais, o facto
de o Benfica desta época ter menos qualidade individual exigiria que os
processos coletivos fossem mais sólidos do que no passado. Num ano em
que tem sido feita uma aposta sistemática e notável em jovens talentos,
esta exigência é acrescida. Resolver este bloqueio continua a ser o
principal desafio de Rui Vitória.
publicado no Record de terça-feira
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Elogio da derrota
"O futebol é uma chatice. É um pretexto para as
pessoas estarem juntas, para os pais e os filhos não terem que enfrentar
o grande silêncio." Disse-o ao ‘Público’ Sérgio Oksman, realizador de
"O Futebol", que passou há dias no DocLisboa. O filme, esse, é
desconcertante: conta a história de um pai e de um filho apartados vai
para duas décadas que combinam reencontrar-se no Brasil, para assistir
ao Mundial.
Ao longo de 70 minutos, não se vê
uma única bola em movimento ou um jogador. A câmara fixa pai e filho a
acompanharem jogos em cafés, do lado de fora do estádio e até num
hospital. O que conta é a sugestão de que a fragilidade dos laços
familiares e dos afetos paternais tem nos jogadores e no jogo formas de
aproximação sentimental. O futebol para enfrentar a ausência e o grande
silêncio.
Desculpem-me o regresso à derrota
do Benfica às mãos do Sporting, mas estive em Alvalade nos 7-1 e sei que
não devemos contornar as experiências traumáticas, temos de
enfrentá-las. Neste trauma que ainda está bem vivo, a meio do jogo, o
meu filho, que nos anos que leva de bancada da Luz nunca havia visto
nada assim, disse-me, meio a medo, "não quero estar aqui". Expliquei-lhe
que não se abandona as bancadas antes do fim.
É
uma questão de princípio e uma experiência formativa. Sem a sensação
singular de vivermos as derrotas e de deixarmos que elas se entranhem,
não sofreríamos da mesma forma pelo nosso clube. Mais importante, com as
vitórias e os abraços emocionados nos golos, está claro, quebramos o
silêncio, aproximamo-nos. Já nas derrotas dolorosas, aprendemos a sofrer
em conjunto. O que faz muita falta no resto da vida que fica fora dos
estádios.
publicado no Record de terça-feira
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Vamos pôr o Sequeira no lugar certo
Vamos Pôr o Sequeira no lugar Certo - Pedro Adão e Silva from FF on Vimeo.
saiba como contribuir aqui.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Anatomia de uma catástrofe
Não vale a pena tratar o assunto com paninhos
quentes. Contra o Sporting, o Benfica não jogou mal, foi, sim,
inexistente e o desfecho corresponde ao que se passou em campo. Nestes
momentos, é tentador explicar o resultado com base em erros individuais,
azar ou incompetência da arbitragem.
São
tudo justificações marginais. Há razões estruturais que ajudam a
compreender a derrota de domingo, assim como as várias derrotas sofridas
esta época pelo Benfica em jogos oficiais (5 em 12 partidas!).
A
formação do plantel continua a gerar perplexidades. É verdade que, ao
contrário do que aconteceu no consulado de Jesus, desta feita Vieira
desinvestiu. Ainda assim, é incompreensível que uma equipa com um
sistema tático assente em dois centro-campistas tenha um plantel de 30
elementos, acumule jogadores para uma posição inexistente – número 10
(Talisca, Djuricic e Taarabt) – e, ao mesmo tempo, não disponha de um 8
de qualidade. Talvez a aposta em Renato Sanches, à falta de alternativa,
seja a solução para esta lacuna.
Os
desequilíbrios do plantel são, contudo, reforçados por uma persistente
falta de identidade da equipa, quer a defender quer a atacar. Novamente,
o problema não começou neste jogo. Anulados Gaitán e Jonas, o Benfica
arrasta-se em campo, perdido de ideias, e depende da capacidade de os
seus melhores dois jogadores esticarem o jogo, isolados. Com um plantel
desequilibrado e uma equipa pouco personalizada, torna-se mais fácil
ter azar e perder jogos. É que, ao contrário do que é repetido, o
futebol não se decide nos pequenos pormenores, muitos deles fortuitos.
publicado no Record de ontem
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Um lateral-esquerdo
Talvez seja a posição onde a oferta de jogadores de
qualidade é mais escassa. Falo de laterais-esquerdos: rareiam os
jogadores que juntem competências defensivas com capacidade de oferecer
profundidade ao jogo atacante e que combinem esses atributos com as
características morfológicas exigidas, hoje, a um defesa (nomeadamente a
altura) e, claro está, que sejam canhotos. É isso que explica que o
valor de mercado dos laterais-esquerdos seja comparativamente elevado.
Não por acaso, muitos dos grandes laterais-esquerdos são jogadores adaptados: alguns nem sequer são canhotos e muitos fizeram a formação noutras posições. O Benfica tem sido particularmente afetado por esta crise crónica de laterais-esquerdos. Tirando o já distante Léo, as duas épocas com Coentrão e a passagem efémera de Siqueira, a posição de lateral-esquerdo tem sido o ponto fraco do Benfica.
Lembrei-me
disto poque, contra o Vianense, causou alguma surpresa que, a certa
altura, Rui Vitória tivesse recuado o extremo-esquerdo Nuno Santos para a
posição de lateral-esquerdo. À primeira vista, a equipa não ganhou nada
com a alteração. Talvez não seja assim.
Nuno Santos é um jogador com um talento notável, de drible simples e com uma velocidade única que lhe permite verticalizar o jogo com muita facilidade. Não engana: vai dar craque. Fez, é certo, toda a sua formação como atacante. Mas a ideia de Nuno Santos como lateral-esquerdo pode bem ter pernas (e altura) para andar. Tem muitíssimo para aprender em termos de posicionamento defensivo, mas o seu futebol de profundidade e velocidade só pode ganhar se partir de posições mais recuadas.
publicado no Record de terça-feira
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Lançar Tochas
Estive entre os milhares de
benfiquistas que celebraram a vitória do Glorioso no Vicente Calderón.
Sei bem que aquela alegria imensa só foi interrompida pelo ato bárbaro
de meia dúzia de delinquentes que lançaram tochas em direcção aos
adeptos do Atlético Madrid. Foi por isso, com satisfação que assisti à
reacção imediata da direcção do Benfica, pedindo desculpas e repudiando o
comportamento 'vergonhoso' de alguns adeptos.
O futebol assenta numa cultura adversativa e por vezes parece a
continuação da guerra por outros meios. Mas a chave é mesmo os 'outros
meios'. É possível conciliar celebração pelo clube que seguimos e
aversão aos rivais, sem que isso se traduza numa violência intolerável.
Há, a este propósito, um muro que precisa de ser erguido e defendido
entre quem faz do futebol uma paixão animada a rivalidades e aqueles que
aproveitam para transformar os estádios em espaços de delinquência.
Deixem-me recuar ainda uma semana ao lastimável programa da TVI24, em
que participou o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho. É triste que
um presidente de um clube se preste a um papel daqueles. Degrada a
imagem da instituição que dirige. Contudo, como não sou sportinguista,
deixo essa questão para os adeptos do clube de Alvalade.
Mas, como benfiquista, posso assegurar-vos que a maioria dos adeptos do
Glorioso não se revê no estilo truculento e de insulto permanente de
Pedro Guerra. O que me leva a questionar: pode um clube repudiar a acção
de adeptos que lançam tochas nos estádios e tolerar quem 'lança tochas'
em permanência na comunicação social, ajudando a incendiar o clima nos
estádios de futebol?
publicado no Record de terça-feira.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Playing those mind games forever
John Lennon faria hoje 75 anos. O tempo voa ou talvez não tanto, se pensarmos que as canções continuam por aí, por vezes melhor do que soavam quando foram escritas.
Tenho para mim que uma das perguntas ao mesmo tempo mais importantes e mais reveladoras é saber quem é o nosso Beatle preferido. Trata-se de um bom teste de personalidade (quando aplicado aos outros) e reflexivo (quando nós próprios lidamos com ela). Felizmente não tenho o assunto totalmente encerrado - a resposta tem dias e, entre os três que contam, há uma coligação maioritária formada pela dupla John/George. Apesar de tudo, no fim, o John ganha sempre.
Tenho para mim que uma das perguntas ao mesmo tempo mais importantes e mais reveladoras é saber quem é o nosso Beatle preferido. Trata-se de um bom teste de personalidade (quando aplicado aos outros) e reflexivo (quando nós próprios lidamos com ela). Felizmente não tenho o assunto totalmente encerrado - a resposta tem dias e, entre os três que contam, há uma coligação maioritária formada pela dupla John/George. Apesar de tudo, no fim, o John ganha sempre.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Sobre Gaitán (e sobre Camus)
Escritor
notável, Nobel da Literatura, referência ética de uma Europa a colapsar e
guarda-redes de futebol no Racing de Argel. Albert Camus foi tudo isto e,
certamente por isso, disse um dia que “depois de muitos anos, nos quais vi
muitas coisas, o que sei de mais seguro sobre moralidade e os deveres do homem,
devo-o ao desporto e aprendi-o no Racing de Argel”. A citação surge amiúde e vive
de forma autónoma, contudo só recentemente apreendi o seu verdadeiro sentido.
Recorro
a Eduardo Galeano, que cita ainda Camus sobre futebol, que nos revela por sua
vez os ensinamentos dos anos de guarda-redes: “aprendi que a bola nunca vem ter
connosco por onde esperamos que venha. Isso ajudou-me muito na vida, sobretudo
nas grandes cidades, onde as pessoas não são, como se usa dizer, retas”.
Moralidades
à parte, o que Camus também identificou com precisão foi a magia singular do
jogo de futebol. Uma coreografia assente em regras, disciplina tática,
movimentos previsíveis, mas que acaba por ruir porque, por mais que procuremos
antecipar o que vai acontecer, “a bola nunca vem ter connosco por onde
esperamos que venha”.
Hoje
o futebol pode parecer uma exibição de organizações quase espartanas, com pouco
espaço para a afirmação individual. Nada de mais errado. O futebol persiste
grandioso apenas porque no meio da organização burocrática, do modelo de jogo
ensaiado, há sempre uma nesga de criatividade que leva a bola por caminhos
inesperados. Sem o rasgo taticamente irresponsável de um par de mágicos que vão
resistindo às amarras, o futebol poderia existir, mas não teria nada para nos
ensinar sobre moralidade.
publicado no Record de terça-feira.
domingo, 4 de outubro de 2015
O Jonas
Há
sensivelmente um ano, após Jonas se ter estreado, marcando quatro golos nos
primeiros 135 minutos com a camisola do Benfica, escrevi aqui que era um erro
ver nisso um sinal de que estávamos perante um goleador, até porque o que o
brasileiro ia oferecer ao futebol do Benfica não eram tanto os golos, mas acima
de tudo muita qualidade na participação no jogo ofensivo. Tendo em conta a
avalanche goleadora com que Jonas nos tem brindado, começa a ser difícil
defender o meu argumento de há um ano. Ou talvez não.
Por muitos golos que Jonas marque, a sua principal mais-valia continua a ser aquilo que oferece ao futebol do Benfica. Individualmente, Jonas impressiona por ser uma combinação incomum de capacidade individual em espaços curtos, à imagem do que acontece no futebol de salão, com profundidade e verticalidade assim que se liberta do primeiro adversário. Tanto é assim que se torna difícil recordar uma má decisão do brasileiro ao longo de um jogo. A Jonas assenta a definição de grande jogador como alguém que joga bem e coloca os colegas a jogar melhor.
Espanta por isso que, de quando em quando, ainda surjam alusões a que Jonas pode ser um empecilho no sistema tático do Benfica. Diz-se que com Jonas é impossível jogar em 4*3*3, pois não tem caraterísticas para jogar como único avançado. Talvez a questão seja outra, a qualidade de Jonas é tal que condiciona de forma positiva todo o sistema do Benfica, na medida em que a dinâmica ofensiva da equipa tem mesmo de ser construída em torno do avançado brasileiro.
publicado no Record de terça-feira
Por muitos golos que Jonas marque, a sua principal mais-valia continua a ser aquilo que oferece ao futebol do Benfica. Individualmente, Jonas impressiona por ser uma combinação incomum de capacidade individual em espaços curtos, à imagem do que acontece no futebol de salão, com profundidade e verticalidade assim que se liberta do primeiro adversário. Tanto é assim que se torna difícil recordar uma má decisão do brasileiro ao longo de um jogo. A Jonas assenta a definição de grande jogador como alguém que joga bem e coloca os colegas a jogar melhor.
Espanta por isso que, de quando em quando, ainda surjam alusões a que Jonas pode ser um empecilho no sistema tático do Benfica. Diz-se que com Jonas é impossível jogar em 4*3*3, pois não tem caraterísticas para jogar como único avançado. Talvez a questão seja outra, a qualidade de Jonas é tal que condiciona de forma positiva todo o sistema do Benfica, na medida em que a dinâmica ofensiva da equipa tem mesmo de ser construída em torno do avançado brasileiro.
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