quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Expectativas
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publicado no Record de terça-feira
As
expectativas jogam a favor do Benfica. Começou a época com uma gestão errática
da saída do treinador carismático, a jogar um futebol titubeante e com
resultados que deitavam tudo a perder. O campeonato parecia entregue a uma
disputa a dois, entre Sporting e Porto.
O
Benfica só podia melhorar e melhorou para além do que parecia possível. O
Benfica de 2016 joga um futebol enleante e que chega à baliza com uma
facilidade ímpar. De tal forma que, hoje, a história é outra: o Benfica só
depende de si próprio, é candidato ao tri e tem do seu lado o facto de estar em
crescendo, enquanto Sporting e Porto, de modos diferentes, parecem enfrentar
bloqueios exibicionais e de resultados, muito por força de uma instabilidade
que começa nas direções e se prolonga dentro do campo.
Por
ter começado mal, o Benfica tem as expectativas do seu lado. Mas, também, é
verdade que, agora, Rui Vitória tem para gerir um daqueles problemas que nenhum
treinador desdenha: as expectativas dos jogadores que eram segundas escolhas e
aproveitaram a oportunidade para agarrar a titularidade.
Se
no início da temporada, a equipa jogava pouco e parecia ter um plantel com
poucas soluções, na hora atual, começa a ser necessário gerir as justas
expectativas de Carcela que fez bem o lugar de Gaitán, de Lisandro que fez
esquecer a ausência de Luisão e até de André Almeida que substituiu Nélson
Semedo. Se juntarmos a ambição de Talisca, Guedes e Jiménez, com o regresso dos
titulares naturais, Vitória fica com um outro problema de gestão de
expectativas. Mas igualmente positivo.
publicado no Record de terça-feira
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
O Ketchup do Benfica
Recordar-se-ão
da metáfora de Cristiano Ronaldo, usada há uns anos, perante uma breve e
incomum crise de golos na seleção. Dizia o jogador do Real que “os
golos são como o Ketchup. Quando aparece, aparece tudo de uma vez”. A metáfora pode bem servir para o Benfica
deste ano, não em relação aos golos (que não têm faltado desde o início da
temporada), mas quanto às exibições.
As boas exibições do Benfica são
como o Ketchup: demoraram a aparecer, mas quando apareceram foi em catadupa.
Claro está que não se começa a jogar
bom futebol por obra do acaso. Há sempre razões para isso. Podemos pensar que o
Benfica melhorou – e muito – porque foi-se adaptando, finalmente, às ideias de
Rui Vitória. Em parte é verdade. Mas as explicações talvez sejam mais simples.
O Benfica começou a jogar um futebol
convincente a partir do momento em que estabilizou o onze titular e, no
essencial, quando ganhou um novo equilíbrio no meio-campo. A entrada de
rompante de Renato Sanches ofereceu intensidade e metros de profundidade ao
corredor central, enquanto Fejsa contribuiu para compensar defensivamente a
equipa. Mas a grande surpresa é, talvez, a forma como Pizzi, partindo do
corredor, consegue criar movimentos pendulares para o centro, colocando o Benfica
em superioridade numérica a atacar.
Assim se explica o bom momento do
Benfica. Mas para que o Ketchup atacante continue a aparecer, faltam laterais
que garantam profundidade atacante nos corredores e, acima de tudo, o regresso
do talento superlativo de Gaitán.
publicado no Record
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Desgraça Alheia
“O
futebol são 22 homens atrás de uma bola e no fim ganha a Alemanha”, disse um
dia Gary Lineker, descrevendo com exatidão a superioridade teutónica. O que
provavelmente o avançado britânico desconhecia é que os alemães, para além de
vencerem demasiado, são os únicos que têm uma palavra que dá corpo ao prazer
que sentimos com o falhanço e a derrota dos outros – schadenfreude.
O
futebol é o espaço por excelência para a schadenfreude, para o
entusiasmo com a desgraça alheia. O
prazer que retiramos do jogo depende tanto das alegrias oferecidas pelo nosso clube, como dos
desaires infligidos aos adversários. Vibramos com as nossas vitórias, mas
vibramos igualmente com as derrotas dos outros. Aliás, há uns meses, a Revista
Líbero citava um estudo científico, realizado no Mundial98 e no Euro2000, que
provava que os mais fanáticos dos adeptos holandeses desfrutavam mais com os
insucessos da Alemanha do que com as conquistas da Laranja Mecânica.
Já
o filósofo Nietzsche defendia mesmo que a Schadenfreude era uma emoção
social vital, pois unia as pessoas e criava identidades partilhadas. Ou seja, somos
de um clube também porque somos anti outro clube. Sem rivalidade e sem prazer
com o infortúnio dos outros, o futebol perdia o sentido. Humano, demasiado
humano, este sentimento de vingança que é tanto mais forte quanto mais nos
sentimos em desvantagem.
Schadenfreude,
meus caros amigos: foi um lindo fim-de-semana de futebol este que passou.
publicado no Record de terça-feira
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
O nosso Ferrari
Jorge
Jesus é, como os benfiquistas bem sabem, um grande treinador; mas como sabemos
também, a sua qualidade coexiste com uma mistura explosiva de fanfarronice e
excesso de confiança. Talvez não seja preciso reavivar muitas memórias para recordarmos
como por vezes acabam as trips
egocêntricas de Jesus.
Para
já, tendo em conta que estamos em janeiro, o futuro desta temporada ainda é
incerto. Mas as últimas digressões de Jesus em conferências de imprensa já
tiveram resultados práticos.
Desde
logo, a confirmação de que o Benfica é um Ferrari. Até aqui, nada de novo. Nós,
benfiquistas, estamos cansados de saber que o paralelismo com os automóveis de Maranello
faz todo o sentido. Com a Ferrari partilhamos a cor vermelha e uma
grandiosidade que leva a que a marca valha bem mais do que quem
transitoriamente para ela trabalha. Acima de tudo, tal como os automóveis
italianos, provocamos inveja. Da mesma forma que as pessoas param para ver um
Ferrari passar; em Portugal, o Benfica é a medida de todos os outros clubes (cujos
adeptos vivem dependentes do que acontece ao Glorioso).
As
declarações de Jorge Jesus tiveram, ainda, o condão de provocar outros efeitos:
uniram os benfiquistas em torno de Rui Vitória, enquanto conseguia desvalorizar
o trabalho dos jogadores que treinou no passado. A mensagem foi clara – se foi
por causa de Jesus que o Benfica ganhou, então, Gaitán, Luisão, Jonas e todos
os outros contaram pouco nas últimas conquistas. Sendo assim, talvez os
jogadores se encarreguem de provar ao treinador do Sporting o quão equivocado
está.
publicado no Record de terça-feira
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Um futuro risonho?
Depois do clássico de
Alvalade, o campeonato está relançado e é de novo uma corrida a três. Na Luz
há, por isso, razões para otimismo.
No rescaldo do jogo de
Guimarães, Rui Vitória afirmou, a este propósito, e após (mais) uma vitória
sofrida, que lhe parecia que “o futuro ia ser risonho”. Percebe-se os motivos:
os rivais têm perdido pontos, vão perder mais e o Benfica terá reforços
importantes para a segunda metade do campeonato. E não falo da chegada ainda
incerta de Cervi ou da promessa Grimaldo. Os regressos de Gaitán, Nélson
Semedo, de Luisão e, espera-se, de Sálvio ajudarão a mudar o Benfica. Quatro
jogadores que podem trazer o suplemento de qualidade que tantas vezes tem
faltado.
Com Gaitán, o Benfica tem
ganhos de criatividade no jogo atacante; com Nélson Semedo recupera
profundidade nos corredores (uma das principais lacunas desta época tem sido a
forma como os laterais se encontram sistematicamente em posições muito
recuadas); enquanto Luisão é uma voz de comando, que organiza a equipa. Claro
está que Sálvio em forma trará uma explosão no um para um que ajudaria ao
regresso do carrossel atacante do passado.
Mas engane-se quem pense que
o problema do Benfica é, apenas, de diminuição de qualidade individual por força
da onda de lesões ou de excesso de juventude. É certo que um ataque com Gaitán,
Jonas e Sálvio, apoiados por Renato Sanches, fará diferença. Não será, no
entanto, suficiente. Um futuro verdadeiramente risonho depende da capacidade
de, à qualidade individual, juntar-se uma dinâmica coletiva e um critério no
jogo atacante que, até ver, têm estado ausentes.
publicado no Record de terça-feira
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Assim se fez (Glorioso)
Experimentem
escolher os 50 jogos mais marcantes da história do vosso clube e enfrentarão
uma tarefa hercúlea. Primeiro há que definir critérios, logo depois serão
atraiçoados pela memória – o que vos condenará a selecionar os jogos que
vivenciaram ou aqueles de que existe registo vídeo. O melhor mesmo é abandonar
a tarefa.
Pois o
João Tomaz e o Fernando Arrobas arriscaram escrever sobre os 50 jogos mais
marcantes da história do Benfica e publicaram, por estes dias, “Assim se fez Glorioso”. Uma visão criteriosa, naturalmente subjetiva, das 50 partidas mais
marcantes do Benfica. O difícil, como bem sublinham, numa história tão longa
não foi escolher, mas excluir. Os critérios foram ambiciosos: num clube com a
grandeza do Benfica, só podiam constar jogos que fizessem parte de caminhadas
vitoriosas. Ou seja, vitórias em competições nacionais que não se traduziram em
conquistas de títulos no final do percurso ficaram de fora.
Resta-nos
escolher os jogos mais marcantes da nossa história como adeptos. Pois eu que
assisti a muitos dos encontros referidos e emociono-me com os relatos de outros
que não vivenciei, percorridas as 50 partidas mais marcantes, inclino-me para
uma distante, disputada em Fevereiro de 1907, na qual uma equipa só de
portugueses, de extração popular, colocava fim à invencibilidade dos ingleses
do Carcavellos, que durava há nove anos. A razão é simples: a médio direito
jogou o meu tio-avô, Marcial de Freitas e Costa, que infelizmente não conheci. Tendo crescido numa família
em que o futebol é tema estranho e desinteressante, talvez tenha sido essa inscrição
genética que me fez benfiquista fervoroso.
publicado no Record de terça-feira
domingo, 27 de dezembro de 2015
Honrem as camisolas?
É
preciso recuar bastantes anos para nos recordarmos de um ambiente tão tenso num
jogo do Benfica no Estádio da Luz, como o deste fim-de-semana com o Rio Ave.
Coro de assobios, faixas a exigirem mais da equipa e claques a pedirem aos
jogadores para honrarem as camisolas. No fim, com um resultado positivo e com
mais uma partida decidida num ímpeto atacante final, o ambiente lá se recompôs.
Não quer dizer que os problemas de fundo estejam resolvidos.
Desde
logo, o apelo para que os jogadores honrassem a camisola. Trata-se de um
equívoco: o problema do Benfica não tem sido de profissionalismo – no domingo,
não vislumbrei nem apatia, nem falta de empenho. O que se viu, uma vez mais,
foi uma equipa que joga aos repelões e que depende da qualidade individual para
resolver o que o conjunto não é capaz de solucionar. Uma vezes é Gaitán, outras
é Jonas que vão ultrapassando os bloqueios coletivos. Sem uma ideia de jogo,
sem organização torna-se bem mais difícil, para recuperar uma metáfora do
passado, ao “Manel” brilhar, integrar-se no conjunto e disfarçar as debilidades
individuais. A consequência é clara: a jogar assim, os melhores pioram e os
menos bons nunca melhorarão.
Ora,
com muitos “Manéis”, um par de jovens muito talentosos, dois ou três craques e
uma equipa num limbo tático (ainda não abandonou o sistema de Jesus e não
abraçou o de Vitória), o Benfica está condenado a sofrer em campo. Até ver,
estamos em dezembro e os resultados têm sido bem melhores do que as exibições. O
menor dos problemas é o empenho dos jogadores.
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