Léxico Familiar
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
A rapariga é uma santa
Três álbuns depois, continuo a depositar grandes esperanças na St. Vincent. Na verdade, nenhum dos três álbuns é particularmente conseguido (confesso que tenho, por exemplo, dificuldade em ouvi-los inteiros), mas o potencial é indesmentível. A combinação de ar e pose angelical com a rudeza desafiadora das guitarras anuncia invariavelmente um futuro em grande. Depois, há a perversidade hendrixiana com que pega na guitarra e as coisas que vai sussurrando nas letras das canções: um universo entre o marquês de sade e o walt disney. Sim, ainda faltam as canções (e as melhores são ainda as que estão no disco de estreia), mas adiante. Reparem bem no que a rapariga faz aos
Pop Group
, neste cover apresentado no programa do Fallon - um violento exercício de gang-bang a uma banda (pós)punk. O caminho que há 30 anos os britânicos escancaram para os Clash fazerem o Sandinista leva-nos agora para um outro lado, suficientemente diferente. Quem faz isto, dá-nos boas razões para depositarmos muita esperança no futuro. Desde que o Nick Cave deu cabo do Avalanche do L.Cohen ou desde que os Cowboy Junkies adocicaram o Sweet Jane que eu não via um cover assim.
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