"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Drama Queen



(dilemas - o que será melhor: a voz insegura e trémula da marianne faithfull ou o solo de guitarra final da anna calvi?)

quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

O atrevimento


Costuma dizer-se, com razão, que “a ignorância é muito atrevida”. De tal forma que eu, que todo o conhecimento que tenho sobre futebol resulta da experiência de ver jogos vai para 40 anos (como disse Jorge Jesus, “o que é o conhecimento? Conhecimento é experiência”), não hesito em escrever, contra toda a prudência, semanalmente nas páginas do Record.

Talvez, ao contrário do que acontece no resto da vida, a prudência não seja uma qualidade que deva estar presente em doses excessivas quando o tema é futebol. Lembrei-me disto a propósito da exibição de Salvio este fim de semana.

O argentino é um jogador que divide opiniões: não tanto entre adeptos de bancada (o que acontecia, por exemplo, de forma chocante com Cardozo), mas entre quem tem uma abordagem científica ao futebol. No blog “Lateral Esquerdo”, um dos espaços onde mais se aprende sobre futebol, não passa uma semana sem que Salvio seja criticado. Não está em causa o seu talento, mas o modo como o seu jogo desequilibra a equipa.

Não é preciso ter muito conhecimento sobre o que é futebol para se perceber que Salvio abusa das jogadas individuais, que fá-lo muitas das vezes sem critério, buscando situações de 1x2, quando não de 1x3 ou até 1x4, o que leva a que tenha uma taxa de insucesso muito alta. No fundo, Salvio seria um jogador pouco eficiente – isto é, com uma fraca relação entre os recursos empregues e os resultados obtidos. Mais, a ineficiência de Salvio coloca a equipa em apuros, pois as suas perdas de bola obrigam os colegas a um esforço acrescido para o compensar.

É tudo verdade. No entanto, Salvio oferece coisas únicas ao jogo: é um jogador capaz de romper com a gramática rígida e previsível que por vezes existe em excesso no futebol. Precisamos de jogadores criteriosos, capazes de introduzir racionalidade no jogo. Mas o que seria o futebol sem o atrevimento serpenteante de jogadores como Salvio?

publicado no Record ontem (e teve direito a resposta convincente no excelente lateral esquerdo, um sítio onde se aprende mesmo - lá está, cheio de conhecimento acumulado)

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

A literatura como insulto

tenho memória, bastante exacta, aliás, de ter gostado muito do Closer. Devo ter visto o filme na altura certa e com a idade adequada. agora que o Mike Nichols morreu, lembrei-me que, entre muitas outras coisas, o Closer tem uma das "linhas" de que gosto mais no cinema. O momento em que o Clive Owen aconselha o Jude Law a fazer o seguinte:

"Go fuck yourself! You writer! You liar!"

terça-feira, 18 de Novembro de 2014

O futebol suspenso


São penosas estas semanas em que o futebol fica suspenso. Passam os dias, chega-se ao fim de semana e somos recebidos pelo vazio. Há, é verdade, umas seleções contra outras e até jogos de exibição, organizados para entreter. Futebol que nos comova, nada. E escrevo nada porque futebol é uma modalidade praticada entre clubes.

Não tomem esta opinião como a visão de um doente, contaminado pelo vírus da clubite aguda. Diria que estamos perante uma pandemia. Pese embora não conheça nenhum estudo epidemiológico, arrisco-me a afirmar – baseado numa sondagem com uma amostra representativa, composta pelos meus amigos – que quanto maior é a paixão pelo futebol, menor é o interesse pelas seleções.

Há nisto um paradoxo. Enquanto essa coisa do “amor à camisola” se tornou num anacronismo e as seleções são as únicas equipas a que os jogadores pertencem, os adeptos continuam amarrados sentimentalmente aos clubes. De tal forma que este fim de semana, e a sofrer de abstinência, fiquei convencido que nem o mais obscuro dos dérbis me seria estranho.


Há, certamente, muitas explicações para o fenómeno. Desde logo, a forma como se cimenta a pertença a um clube, fim de semana sim, fim de semana sim – em que o dia em que joga a nossa equipa é o ponto de viragem do calendário a que estamos mental e sentimentalmente obrigados. Mas a cultura de dependência, que organiza o quotidiano, não explica tudo.

O futebol não é um desporto movido a fair play. Pelo contrário. Necessitamos dos jogos, mas precisamos de prolongar o prazer sádico da vitória pelos dias que se seguem. É por isso que o Benfica poderia existir, mas não seria a mesma coisa sem o Sporting. Ora Portugal, que existe como nação e ideia, não mobiliza por aí além os doentes da bola. Afinal, não temos nenhum arménio à mão para humilhar durante a semana, até ao próximo jogo do campeonato.

publicado hoje no Record

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Um vagabundo profissional



morreu o Manoel de Barros.
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,as-frases-e-os-poemas-mais-marcantes-de-manoel-de-barros,1592206O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,as-frases-e-os-poemas-mais-marcantes-de-manoel-de-barros,1592206
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terça-feira, 11 de Novembro de 2014

Saber Jogar Mal


Lembro-me bem quando Jesus chegou ao Benfica e logo prometeu que, com ele, a equipa ia “jogar o dobro”. A promessa, é um facto, não se concretizou. O Benfica de Jesus, quando comparado com o do inenarrável Quique Flores, não jogou o dobro, mas sim, no mínimo, o quádruplo. Por estranho que possa parecer, jogar bem passou também a ser o principal dos problemas do Benfica das últimas temporadas.

Não me entendam mal. Como qualquer adepto, sou muito sensível à nota artística e o futebol precisa de equipas capazes de dar espetáculo. O problema é que o Benfica dos últimos anos tem dificuldade em jogar mal. E uma equipa para ganhar títulos precisa mesmo de saber jogar mal – gerir resultados e manter os ritmos dos jogos em cadência baixa.

Tem sido sempre assim com Jesus: temos a avalanche ofensiva, com um carrossel estonteante que deixa os adversários à banda; já quando é preciso controlar o jogo, o Benfica apresenta problemas. Na maior parte das partidas, a questão nem se coloca. O balanceamento atacante da equipa revela-se a melhor defesa e a qualidade individual e a organização coletiva chegam e sobram para as encomendas.

Este ano, contudo, a questão é diferente. Com um plantel mais curto, com menos talento em posições-chave e com muitas rotinas ainda por aprimorar, o Benfica vai precisar de saber jogar mal para conquistar títulos. Como, aliás, se viu na Choupana este fim de semana: assim que demos a volta ao marcador, passámos a sofrer.


Construir uma equipa “resultadista”, capaz de gerir os jogos, é o principal desafio que se coloca a Jesus, hoje. Convenhamos que, mesmo assim, é uma tarefa comparativamente pouco exigente. Afinal, o que é ensinar a jogar mal quando comparado com o que foi montar o carrossel atacante que caracteriza o Benfica dos últimos anos?















publicado no Record hoje

Um equívoco

Não tarda, passaram 40 anos desde a morte do Nick Drake. O Guardian recupera, a propósito, o obituário publicado pelo NME. Vale a pena ser lido, ainda que assente num equívoco: a introspeção, ao contrário do sugerido, não é outra coisa que "a capacidade para observar".

It’s that word “introspection” which constantly springs to mind when Drake’s name is mentioned, which is a large part of “the image”, sure, but really Robert Kirby says it when he views Nick Drake the artist as remarkable for “his ability to observe, mainly. I see his work above all as a series of extremely vivid, complete observations and not mere exercises in introspection as some might."

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Uma canção que canta por si