"I hope the fences we mended
Fall down beneath their own weight"

John Darnielle

padaoesilva@gmail.com

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

rankings

O ranking de "melhor Nico do ano de 2014" é liderado, no segundo semestre, por esta rapariga

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

dos classificados

aparentemente, a parceria da Laura Marling com este rapaz assenta num interesse mútuo em "bleak and moody folk rock". a ideia é, em si, boa e encontra materialização perfeita no que se passa a partir do minuto e meio.




quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Por favor, não inventem


Na entrevista muito interessante que deu ao Record, Jorge Jesus colocou o dedo na ferida: “Há aí uns malucos que querem inventar, e quando eles quiserem avançar com quotas de jogadores, o nosso campeonato vai estar ao nível da Turquia, da Grécia, da Bélgica, da Holanda.”

O pressuposto de Jesus é correto. Ao contrário do que é sugerido por muitos dos que insistem sistematicamente na ideia de que é “preciso repensar o futebol português”, o melhor que nos podia acontecer é que se mexesse pouco no futebol português, que não aparecessem “malucos a inventar”.

Convém ter presente que, tendo em conta a dimensão do nosso país, o seu caráter periférico, o escasso poderio económico e o número reduzido de atletas federados, os resultados do nosso futebol deveriam ser bem piores do que são. Isto é verdade em termos competitivos (veja-se o ranking UEFA dos nossos clubes), mas, não menos relevante, se considerarmos a dimensão financeira – Porto e Benfica têm sido capazes de desenvolver com sucesso um modelo económico assente na valorização e venda de jovens talentos estrangeiros e portugueses.


Ora se, em lugar de dar condições para que possam prosseguir estratégias autónomas, nas quais combinam investimento em jovens de outros países com aposta nos portugueses de excelência, os clubes fossem obrigados a apostar nos jovens portugueses, apenas por serem portugueses, estaríamos, de facto, a nivelar por baixo.

Sejamos realistas: não há jogadores nacionais de excelência em número suficiente para permitir aos grandes clubes manterem-se competitivos. E, pior, com onzes maioritariamente formados por portugueses, os melhores não se habituariam a jogar, desde novos, com os melhores. Em última análise, o André Gomes e o Rúben Neves, para dar apenas dois exemplos, seriam objetivamente prejudicados.

publicado ontem no Record.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

O pináculo do adepto/colunista

"R – Em que posição pensa que Talisca pode vir a fixar-se no futuro? Como avançado, no lugar de Enzo Pérez ou em outra...

JJ – O Talisca vai ser um número 10 ou um 8. A posição dele no futuro será essa, tem umas condições atléticas em que até pode jogar como avançado. É curioso que li no Record uma crónica em que se escreveu que o Talisca era parecido com o Rivaldo. É uma analogia muito bem feita. As características do Talisca, física e tecnicamente, são muito idênticas às que o Rivaldo tinha. Aliás, foi por isso que pedi que o fossem buscar. Assim que vi este miúdo lembrei-me logo do Rivaldo. Pode fazer posição de primeiro avançado, de número 11, de número 8 e de número 9. Comigo pode fazer quatro posições, com os outros não sei..."

da entrevista de Jorge Jesus ao Record de Sábado, ainda a propósito deste artigo.

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Talisca, o facilitador

Desde que chegou ao Benfica, Talisca já foi testado em várias posições: começou por jogar no lugar de Enzo, depois ainda houve tentativas de fazer dele um 6 e, mais tarde, viria a jogar entre o 9,5 e o “meia”, acompanhando Lima no ataque.

A indefinição quanto à posição do baiano faz sentido. Qualquer que seja o lugar onde joga, Talisca aparenta ser um corpo estranho à organização tática da equipa. Não tem cultura defensiva e, apesar da altura, revela fragilidades nas bolas aéreas; falta-lhe a intensidade de jogo de Enzo e não sabe pautar o jogo como um 8; e apresenta lacunas técnicas para jogar de costas para a baliza. Tudo isso é verdade, mas Talisca é um verdadeiro facilitador. Num jeito meio desengonçado, toma sempre a opção mais inesperada para, com eficácia, desbloquear os impasses dos jogos.


Se o futebol precisa de jogadores capazes de interpretar rigorosamente uma determinada gramática tática, necessita também de quem seja capaz de desformatar o jogo. Talisca é um desses jogadores: não interpreta na perfeição as características de nenhuma posição, mas, onde quer que jogue, revela um rasgo individual que lhe permite surpreender sempre. Quer em arrancadas serpenteantes, onde parece que vai perder a bola a qualquer momento mas acaba por marcar, quer em passes de rutura, com a bola a sair vertical, como se pontapeada por um taco de bilhar, como sucedeu na jogada do golo de Salvio contra o Arouca. As suas características fazem, por vezes, recordar um colosso do futebol brasileiro, também ele um jogador incaracterístico: Rivaldo.

Claro que Talisca precisa de limar muito o seu futebol e espera-o, ainda, uma longa aprendizagem, mas, convenhamos, com o brasileiro o risco não é tanto não aprender, mas aprender de mais, tornando-se um jogador burocrático.

publicado no Record

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Forças e Fragilidades


A exibição na Amoreira deixou-nos um retrato preciso das forças e das fragilidades do Benfica de hoje.

Contra o Estoril surgiu, uma vez mais, uma equipa com grande facilidade em criar desequilíbrios ofensivos, com jogadas de envolvimento que não só fazem com que o jogo atacante pareça simples, como tornam possível o surgimento de muitos homens na frente e em posição de finalização. Essa continua a ser a marca de água do Benfica de Jesus: organização coletiva ao serviço de talentos individuais (Enzo e Gaitán jogam noutro campeonato) e uma compreensão notável do jogo de futebol. Basta ver uns quantos minutos do jogo atacante do Benfica para logo se perceber o trabalho de organização e que há uma ideia de jogo que é, de facto, posta em prática.

Se as forças do Benfica são inquestionáveis, não convém desvalorizar as fragilidades que a equipa continua a revelar. Há uma que nos acompanha desde que Jesus é o treinador e que parece ser o contraponto do carrossel atacante – mudam os jogadores e a dificuldade em controlar resultados mantém-se. O Benfica ou opta pela vertigem ofensiva ou então cria problemas a si próprio.

Há, contudo, uma novidade deste ano e que meia dúzia de jogos a sério tornou evidente. Ao contrário do passado, o Benfica apresenta défices de cobertura defensiva, em particular do lado esquerdo, onde Jardel tem problemas de posicionamento e a dobrar Eliseu e onde as saídas a jogar se transformam, demasiadas vezes, em transições ofensivas do adversário. Com o somar de jogos fica provado que, entre muitas partidas, o Benfica só perdeu de facto um jogador-chave que ainda não encontrou substituto, Garay (não teremos direito a ver Lisandro jogar?).

No fim, sobra uma certeza: é mesmo caso para dizer que crises destas são bem-vindas.

publicado no Record.

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Make the dream real

Com tantas acusações que têm sido feitas à Hilary Mantel, só me espanta que ainda não a tenham acusado de plágio