Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
Tem dias
O Governo é um pouco como o
país, tem variações de espírito e um registo ciclotímico. No fundo, tem dias e
vai mudando o discurso ao sabor dos humores e sem que se vislumbre uma
estratégia estável. Nas últimas semanas, o Governo tem tido vários dias.
Depois de ter apresentado um
“memorando” para o crescimento, com direito a mais um dos vários Conselhos de
Ministros das últimas semanas, logo apresentou um Documento de Estratégia Orçamental
que reconhece, de facto, a irrelevância da própria estratégia para fomentar a
economia. Só assim se explica que o cenário macroeconómico do DEO não reflita as
medidas que, entusiasticamente, o próprio ministro da economia apresentou dias
antes. Se o Governo não leva a sério as suas próprias propostas, há alguma
razão para os portugueses o fazerem?
Também o que o Governo nos
diz sobre estratégia orçamental tem dias. Ao terceiro DEO, as previsões para
2013 do mui competente ministro das Finanças já variaram entre um crescimento
robusto de 1,2% para a atual recessão de 2,3%. Estamos perante uma variação de,
imagine-se, quase 300%. Se pensarmos também nos números para a dívida ou para o
desemprego, é caso para dizer que o que o Governo nos diz é meramente
indicativo e, como a realidade revelará, não deve mesmo ser levado a sério.
É por isso
inquietante que, neste contexto, o primeiro-ministro, fechado numa sala de
hotel com quatro dezenas de pessoas, apele à assinatura de um novo acordo de
concertação social envolvendo os parceiros sociais. Não apenas porque há um
acordo em vigor, que já foi violado pelo próprio Governo, (colocando a UGT numa
situação difícil), como já foram feitas revisões do memorando, com relevância
para o mundo sindical, sem que as confederações tenham sido ouvidas. Há alguma
razão para acreditarmos que, desta vez, será diferente?
Tanto não há que o
próprio Governo, depois de apostar no crescimento, regressou rapidamente à
austeridade sem limites e sexta-feira à noite apresentou as medidas que dão
corpo aos cortes que, primeiro, eram de 4.000 milhões e que, agora, já vão nos
6.000 milhões. Como bem sabemos, quando o exercício orçamental voltar a falhar,
o monstro austero exigirá novos cortes, desta feita, se tal é possível, ainda
mais violentos. E onde é que incidem os cortes? Nas pensões e nos salários dos
funcionários públicos.
Como resulta claro, o
Governo não está interessado em nenhuma estratégia negocial, procura apenas uma
caução póstuma dos parceiros sociais para a sua estratégia suicida. Um acordo
de concertação não é, afinal, mais do que um apelo para que os parceiros
sociais se juntem à espiral recessiva para a qual nos empurra o executivo
liderado por Vítor “não fui eleito coisíssima nenhuma” Gaspar. Não é, por isso,
irrelevante que as medidas anunciadas o tenham sido unilateralmente,
contrariando a natureza negociada das últimas reformas na segurança social. Não
está mal, para quem, dois dias antes, se declarava empenhado em promover a
concertação.
Na verdade, faz
sentido que o Governo tenha dias. Afinal, nem no interior do Conselho de
Ministros é possível chegar a acordo sobre o que quer que seja.
Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
Terça-feira, 23 de Abril de 2013
Reformistas de todo o país, uni-vos
"(...) Um dos traços mais marcantes
da atitude revolucionária dominante é a forma como vê em todos os obstáculos
uma oportunidade. A arquitetura do euro dificulta a capacidade competitiva da
economia portuguesa? Pouco importa. A crise da dívida é um pretexto para
enveredar pela desvalorização interna, baixando salários. A Constituição
defende o princípio da igualdade? Ai é? Então, o chumbo do Tribunal
Constitucional é a justificação ideal para desmantelar o Estado social. O
caminho para o Governo é claro: de oportunidade em oportunidade até à revolução
final.
Há, claro, um lado de
profunda irracionalidade nesta estratégia. Só assim se explica a vontade
indómita de aplicar, em doses sempre mais reforçadas, uma estratégia de hiperausteridade
que manifestamente não funcionou, e esperar resultados diferentes. O espírito é
típico do de uma cruzada, uma fé inabalável em amanhãs que cantam. Para os
arautos do “capitalismo científico”, pouco importa a destruição social. Um dia,
sobre as cinzas do desemprego, emergirá uma nova sociedade. Quando? Ninguém
sabe.
Perante o auto-da-fé a que
estamos assistir, no qual revanchismo e irracionalidade se combinam, e quando
há um consenso muito alargado na sociedade portuguesa, da direita à esquerda,
que defende, com razoabilidade, o falhanço da estratégia seguida por este Governo,
e acolitada por uma Europa em desvario, talvez seja altura de lançar um apelo
patriótico: “reformistas de todo o país, uni-vos” para parar já a deriva
revolucionária em curso."
a versão integral do meu artigo do Expresso de 13 de Abril pode ser lida aqui.
Segunda-feira, 15 de Abril de 2013
Entre memórias e lojas de discos
No Sound+Vision do Nuno Galopim e do João Lopes tem sido publicada uma série com memórias pessoais de lojas de discos. Hoje, cabe-me a mim contar quais são/foram as minhas lojas prediletas. Para ler aqui.
Quarta-feira, 10 de Abril de 2013
Porque é que não te calas?
"(...) Não
admira que a Alemanha defenda os seus interesses, o que espanta é que os países
da periferia interiorizem a culpa moral pela crise, que busquem expiá-la,
aceitando sistematicamente o empobrecimento como solução, e que nas reuniões
europeias ninguém se insurja contra o que é dito e feito. O que surpreende nas
últimas semanas não são tanto as decisões tomadas, é a atitude colaboracionista
de quem é objectivamente prejudicado. Não admira que Schauble ou Dijsselbloem
digam o que pensam. O que choca é que ministros do Governo português presentes nestas
reuniões não tenham a coragem patriótica para dizer: “porque é que não te
calas?”
o resto do meu artigo do Expresso de 29 de Março pode ser lido aqui.
Terça-feira, 9 de Abril de 2013
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